quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Inteligência Artificial e o Profissional de Marketing

 Qual o Principal Objetivo da Inteligência Artificial? Quais as Três Funções Mais Comuns da IA? Como São Classificadas as IA’s Quanto às Suas Aparências? Quais São as Quatro Metodologias de Aprendizagem da IA?

 



 

Inteligência Artificial (IA) é a capacidade de algumas máquinas poderem simular a inteligência humana a fim de aprender, raciocinar, resolver problemas e tomar decisões, usando grandes volumes de dados e algoritmos para reconhecer padrões e realizar tarefas complexas como traduzir idiomas, analisar dados e criar conteúdo novo (IA generativa), com aplicações de assistentes virtuais como Google, Siri e outros. Russel & Norvig (2013) explicam que a inteligência artificial reproduz faculdades humanas como a criatividade, auto aperfeiçoamento e uso da linguagem. Para eles, a inteligência está relacionada a uma ação racional, ou seja, a inteligência permite adotar a melhor ação possível para determinada situação. Então, o objetivo é que o sistema realize funções que se um humano fosse realizar, seriam consideradas inteligentes para o ser humano. Esses autores nos lembram que as tecnologias de inteligência artificial servem de base para muitas das ferramentas que usamos na internet, e que os profissionais de marketing utilizam para melhorar suas estratégias, como os mecanismos de pesquisa, os sistemas de recomendações. Para que a inteligência artificial chegasse ao ponto que vivenciamos, teve influência de várias áreas das ciências. 

Gabriel (2018) explica que existem duas linhas de pensamento que se referem à inteligência humana que baseiam o desenvolvimento da computação, a abordagem simbólica e a conexionista. A abordagem simbólica simula o comportamento inteligente, enquanto a conexionista simula o funcionamento do cérebro. Assim, enquanto a computação simbólica é baseada em programação (de cima para baixo), a conexionista se baseia em aprendizagem (de baixo para cima), que é a base da IA acreditando-se que a inteligência está na forma de processar a informação e não na informação em si –a capacidade de resolver problemas, e não de seguir regras (GABRIEL, 2018, p. 191). De forma bem simplista, a inteligência artificial é uma inteligência similar à inteligência humana praticada pelos softwares. Ela explica que o avanço na neurociência e da capacidade de hardware alcançados na última década permitiram que a computação conexionista alavancasse, baseando-se na aprendizagem da máquina. O que é importante frisar neste sentido, é que a máquina não é programada, mas sim que a máquina aprende. E como o profissional de marketing pode aproveitar a inteligência artificial a seu favor? Gabriel (2018) sugere três (3) funções mais comuns da inteligência artificial:

 

·        Visão Computacional: Como reconhecer objetos?

·        Processamento de Linguagem Natural: Como obter significados a partir da linguagem e fornecer significados por meio de sentenças criadas?

·        Raciocínio: Como combinar informações para se chegar a conclusões?

 

Outras aplicações da inteligência artificial são o reconhecimento de voz, a tradução automática, o combate ao spam e várias outras tecnologias que utilizamos no marketing digital, as quais veremos a seguir.

 

Machine Learning (Ml)

 

O objetivo de conhecer e utilizar a inteligência artificial é tornar a experiência do cliente cada vez mais personalizada, assim uma experiência cada vez melhor.  Isso porque com a inteligência artificial conseguimos usar as informações a favor das organizações e dos clientes.  Uma das ferramentas que ajudarão os profissionais de marketing é a machine learning. Gabriel (2018, p. 197) explica que Machine Learning ou “aprendizagem de máquinas” é um campo da inteligência artificial que lida com algoritmos que permitem a um programa aprender, ou seja, os programadores humanos não precisam especificar um código que determina as ações ou previsões que o programa vai realizar em determinada situação. Em vez disso o código reconhece padrões e similaridades das suas experiências anteriores e assume a ação apropriada baseada nesses dados. De uma forma bem simples, machine learning é quando a máquina aprende sozinha e toma decisões a partir dos padrões que encontrou nos dados. Partindo deste princípio e entendendo que a internet proporciona uma imensidão de dados é quase uma obrigação que os profissionais de marketing usem essa tecnologia para aprimorar suas estratégias. Quanto à forma de aprendizagem, Gabriel (2018) explica que existem quatro (4) metodologias:

 

1.     Aprendizagem Supervisionada: Envolve um “professor” que seja mais experiente no assunto do que a máquina, que alimenta alguns exemplos de dados sobre aquilo que ele já sabe sobre as respostas. Como exemplos, Gabriel (2018) cita os sistemas de reconhecimento de fala dos smartphones (Siri, Cortana), que fazem um teste com a voz antes de começar a funcionar; sistemas de e-mail que com base nas informações passadas filtram as novas mensagens em normais ou spam.

2.     Aprendizagem Não Supervisionada (Free Learning): Neste caso, Gabriel (2018) explica que é utilizada quando não existem exemplos de dados com respostas conhecidas.  Um exemplo é quando o sistema “aprende” quem é quem e organiza as fotos em vários arquivos separados, cada um com fotos de apenas uma pessoa.

3.     Aprendizagem Semi-Supervisionada: Aqui a situação é a seguinte, “deseja-se resolver um problema, mas o modelo precisa aprender as estruturas e organizar os dados, bem como fazer predições. Os dados de entrada são uma mistura de exemplos conhecidos e desconhecidos” (GABRIEL, 2018, p. 202). A autora cita como exemplo de aplicação a classificação de webpages, caso seja necessário classificar qualquer site em uma categoria existente, como educacional, shopping, fórum etc. Em vez de usar humanos durante meses para varrer milhares de páginas na web, pode-se escrever um programa para coletar esse enorme volume de páginas em apenas algumas horas.

4.     Aprendizagem Por Reforço: Neste caso, a machine learning tomará decisões a partir da experiência (tentativa e erro), utilizando a Psicologia Comportamental, construída por observação de resultados de ações (GABRIEL, 2018, p. 203). A tomada de decisão é baseada na observação do ambiente e agindo de acordo com sistemas de recompensas e punições, Gabriel (20118) lembra que o aprendizado não é baseado em exemplos, mas em resultados a serem alcançado, o sistema tenta descobrir por si só o que fazer para maximizar a recompensa. Um exemplo desta situação “é o videogame RoboSumo, no qual robôs lutam sumô controlados por machine learning e vão aprendendo conforme competem, tornando-se mais ágeis e inteligentes, melhorando habilidades como equilíbrio e drible do oponente” (GABRIEL, 2018, p. 203)

 

Sendo assim, entender o consumidor é uma das tarefas mais desafiadoras dos profissionais de marketing. No entanto, as organizações possuem uma série de dados, os quais não conseguem “ler” de forma correta sem o auxílio da tecnologia e, dessa forma, a machine learning ajuda esses profissionais neste sentido. No Brasil existe um caminho muito grande a ser percorrido, mas não há dúvida de que, cada vez mais, as ações de marketing digital devem ser guiadas por dados e, quem sabe, uma boa oportunidade de negócios?

 

ROBÓTICA




A Inteligência Artificial (IA) pode ser considerada “mente” artificial, embora a Robótica trate de “corpos” artificiais. Assim, os Robôs passaram a significar qualquer entidade – física ou virtual – que possua vida artificial, independentemente do seu nível de inteligência. No entanto, no sentido estrito da palavra, o termo “robô” é mais utilizado para corpos físicos totalmente artificiais e existem outras categorias mais específicas para cada tipo de robô, em função da sua aparência (GABRIEL, 2018, p. 216). Assim, quanto à aparência, as inteligências artificiais podem ser classificadas em: robôs, bots, androids e cyborgs. Veremos a seguir mais detalhes sobre cada um deles:

 

·        Robôs: São corpos físicos totalmente artificiais; o que principalmente diferencia os robôs das demais categorias de corpos para inteligência artificial é que eles têm forma, mas não humana. Um bom exemplo da utilização de robôs em marketing digital é Lil Miquela. Lil é uma influenciadora digital do mundo da moda que foi criada por meio de computação gráfica. A robô tem mais de 1,4 milhões de seguidores no Instagram e cria conteúdos impecáveis, como selfies, dicas de maquiagem, viagens, shows, até mesmo vídeos de bastidores. Uma das marcas que ela representa é a Prada, tradicional grife italiana de moda, Lil é um robô que influencia o consumo de milhares de pessoas.

·        Bots: Bot é o apelido para software robot, ou seja, um robô que não tem corpo físico. Os bots são programas computacionais que realizam tarefas automáticas. Assim, a maioria destes bots atuam sem serem vistos. Certamente, você já conversou com um bot e nem tenha percebido, os mais conhecidos bots são chamados de chatbots. Os chatbots “são bots que conversam em linguagem natural”, explica Gabriel (2018, p.  217).  O primeiro chatbot do mundo foi Eliza, criado em 1966, por Joseph Weinzenbaum, que funcionava como imitação de sessões de terapia (GABRIEL, 2018). A autora explica que, nas empresas, os chatbots são cada vez mais comuns para automatização, e filtragem de atendimento a clientes. Um exemplo de chatbots é a Lu, da Magazine Luiza, que oferece dicas aos usuários sobre equipamentos para que eles possam fazer as melhores escolhas. Assim, um chatbot tem como principal função agilizar o atendimento dos clientes, afinal eles estão disponíveis 24 horas por dia, 365 dias por ano, e otimizar os custos. Os chatbots são utilizados de forma mais comum em serviços de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) das empresas.

·        Androids: São robôs que possuem formas humanas ou organismo sintético projetados para agir como humanos, especialmente, aqueles projetados para se parecer e agir como humanos, especialmente, aqueles cujo revestimento assemelha-se com a pele humana. Os androids são considerados mais inteligentes do que os robôs. Para Gabriel (2018, p. 220), a criação de androids “está cada vez mais se relacionando com as tecnologias e questões de clonagem humana, ao invés de construir e desenvolver cérebros e corpos artificias, a partir do zero, existe uma linha de pesquisadores que investe na duplicação tanto de corpos humanos, quanto mentes para uso em androids”. A autora também lembra as questões éticas que devem pautar este tema.

·        Cyborg: “São seres híbridos, são seres formados tanto de partes orgânicas quanto biomecânicas” (GABRIEL, 2018, p. 222). A autora lembra que com a melhoria da interface entre tecnologias e o corpo humano, a evolução permitiu aplicações em um número maior de áreas como: medicina, arte, militar, esportes, entre outras

 

Como se observa, a tecnologia permite que os profissionais de marketing extrapolem sua capacidade cerebral de armazenar dados e transformá-los em informações. Estas tecnologias aqui apresentadas – e todas as outras que ainda estão por vir – apresentam grandes possibilidades para melhorarmos cada vez mais nossas Estratégias de Marketing.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

GABRIEL, Martha. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital. São Paulo: Atlas, 2018

RUSSELL, Stuart J; NORVIG, Peter. “Inteligência artificial: uma abordagem moderna”. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. 

VAZ, Conrado Adolpho.  Google marketing:  o guia definitivo de marketing digital.  São Paulo: Novatec Editora, 2010


https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos  

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