segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Os Robôs Industriais

Quais os Três Tipos de Robôs? O Que é Um Efetuador (ou Órgão Terminal)? Como as Garras Podem Ser Acionadas? Que Tipo de Ferramenta é Um Alternador Automático de Garras? Por Que Um Robô Terá Mais Movimentos se Tiver Mais Juntas?

 

 


Dentre os três (3) tipos de robôs existentes (Industrial, Móvel e Humanoide), o foco deste texto serão os robôs industriais, os quais abordaremos sua construção, sua programação e a integração em sistemas de produção automática. No âmbito dos equipamentos industriais, os robôs industriais se inserem na classificação das máquinas automáticas programáveis e, por isso, devemos organizar nosso estudo partindo das partes que o compõem:

 

·        Fonte: Fornece a energia na forma adequada para os acionadores do robô

·        Sistema: É o conjunto de sensores que permitem ao robô reconhecer suas mudanças de condições

·        Controlador: É o responsável pela coordenação e execução das funções a serem desempenhadas pelo robô

·        Manipulador: É uma estrutura mecânica composta de engrenagens, elementos de transmissão e acionadores, possuindo graus de liberdade suficientes para a execução das tarefas destinadas ao Robô.

·        Dispositivo de Programação de Tarefas: É uma unidade de entrada e saída com funções tais que, facilitem a programação do robô por um operador

·        Memória de Tarefas: É o meio de armazenamento utilizado pelo controlador para guardar programas de novas tarefas ou a partir de programas anteriormente guardados executar uma tarefa já aprendida

·        Dispositivos de Sincronização: São dispositivos e funções que permitem a coordenação das ações do robô com as máquinas e/ou eventos externos

 

Os Efetuadores

 

Um Efetuador (ou Órgão Terminal) é um dispositivo fixado no punho do braço de um robô de uso geral, permitindo-lhe realizar uma tarefa específica. Às vezes, ele é chamado de robô porque a maioria das máquinas de produção exige dispositivos e ferramentas especificamente desenhados para uma determinada operação e o robô não é exceção à regra. A empresa que instala o robô poderá realizar ela mesma os serviços de engenharia ou contratar os serviços de uma empresa especializada. Existe uma ampla variedade de órgão terminais necessários para a realização de várias tarefas, e podem ser divididos em duas (2) categorias principais:

 

I) GARRAS

 

São efetuadores destinados a pegar e segurar objetos para seu deslocamento dentro do espaço de trabalho do manipulador. Podem ser pequenos e frágeis (como os componentes eletrônicos que são montados numa placa pelo robô) ou pesados e robustos (como os carros que são colocados de uma parte para outra, de uma linha de produção). O acionamento pode ser elétrico, pneumático ou hidráulico (para grandes esforços).

 

A) Garra de Três Membros: É similar à garra de dois membros, mas permite maior segurança ao manipular os objetos, que podem ser esféricos ou triangulares.

B) Garra Para Objetos Cilíndricos: Possui dois dedos com depressões circulares capazes de agarrar objetos cilíndricos de diversos tamanhos. Uma desvantagem evidente desta garra é a sua limitação de abertura, que impossibilita a manipulação de objetos maiores que a sua abertura total.

C) Garra Para Objetos Frágeis: Para manipularmos um objeto frágil, sem danificá-lo, os dedos da garra devem exercer um grau de força controlado que não se concentrasse em apenas um ponto do objeto. Muitas garras têm sido projetadas com esta finalidade, das quais uma é ilustrada a seguir, na qual temos dois dedos flexíveis que se curvam para dentro quando inflados pelo ar, que é aplicado de forma controlada, cuja expressão determina a força com que o objeto é agarrado

D) Garra de Juntas: Essas garras são desenvolvidas para manipularem objetos de vários tamanhos e de superfícies irregulares. As conexões são movidas através de paredes de cabos. Um cabo flexiona a junta, a outra a estende e, para pegar um objeto, as juntas dos dedos envolvem este objeto e seguram firmemente. Então, quanto menor for o tamanho das juntas dos dedos, maior será a firmeza e a capacidade de manipular objetos irregulares.

E) Garras à Vácuo (ou Ventosas): São órgãos terminais empregados para apanhar peças delicadas, como no caso de peças injetadas em termoplásticos (injetoras). São ligadas a uma bomba de vácuo através de uma eletroválvula e, quando a eletroválvula é acionada, o ar é puxado pela bomba, criando um vazio na ventosa que adere a peça. É necessário que as peças a serem manuseadas estejam limpas, lisas e planas, condições necessárias para formar um vácuo perfeito entre o objeto e as ventosas.

F) Garras Magnéticas: São similares em seu formato às garras a vácuo e são um meio razoável para manipular materiais ferromagnéticos. Assim como, no caso das garras a vácuo, as peças a serem transportadas pelas garras magnéticas devem apresentar pelo menos uma superfície limpa. Algumas vantagens no uso de garras magnéticas são: (1) Tempo de pega muito rápido; (2) Variações razoáveis nos tamanhos das peças são toleradas; (3) Não necessita de um projeto específico para cada tipo de peça; (4) Permite manusear peças metálicas com furos. Por outro lado, a grande desvantagem está no fato de somente manusear peças de material ferromagnético.


 

II) FERRAMENTAS

 

Em muitas aplicações, o robô é utilizado para manipular uma ferramenta, ao invés de uma peça. O robô deve movimentar a ferramenta sobre o objeto a ser trabalhado e o uso de uma garra permitirá que as ferramentas sejam trocadas durante o ciclo de trabalho, facilitando o manuseio de várias ferramentas. Na maioria das aplicações de robôs nas quais uma ferramenta é manipulada, a ferramenta é presa diretamente no punho do robô, sendo nesses casos, a ferramenta o órgão terminal. Veremos abaixo alguns exemplos de ferramentas usadas como efetuadores em aplicações robóticas:

 

·        Maçaricos para soldagem a arco;

·        Bicos para pintura por pulverização;

·        Mandris para operações como: furação, ranhuramento, polimento, retifica e etc.

·        Aplicadores de cimento ou adesivo líquido para montagem;

·        Ferramentas de corte por jato d’água e laser;

·        Ferramentas para soldagem a ponto.

 

OBSERVAÇÃO: Em todos os casos o robô controla a atuação das ferramentas.

 

A) ALTERNADOR AUTOMÁTICO de GARRAS: É um adaptador que permite a troca rápida de garras de mesma conexão (pneumáticas, hidráulicas, etc.). Como desvantagens, esse tipo de alternador possui o acréscimo de peso ao braço do robô, custo elevado e desperdício de tempo na troca de garras.

B) BASE: É o elemento de fixação do braço mecânico em uma superfície (solo, parede, teto) ou à Estação de Trabalho em um determinado setor da fábrica. Ela sustenta todo o braço mecânico e serve como ponto de apoio e de referência para todos os seus movimentos. Possibilita o movimento de rotação do Braço Mecânico.

C) LIGAMENTOS (ou ELOS): São os termos mais adequados para definirmos o termo Link, o qual é o nome dado à haste que interliga duas Juntas. Em robôs industriais, os links são recobertos com capas de ligas metálicas que os tornam mais resistentes aos rigores do ambiente e também mais “pesados”. Os links são estruturas leves de perfis metálicos muitas vezes vazados para se tornarem mais “leves” sem comprometimento da rigidez. Um braço com baixa rigidez reduz a precisão do robô, devido às vibrações e reações à pressão. O conjunto de links forma o “esqueleto” do Robô e o volume de “Envelope de Trabalho” de um Robô depende muito da dimensão de seus links. Para incrementar a rigidez no braço, sem aumentar o seu peso, formas estruturais como a armação oca, são frequentemente usadas. Um braço com esse tipo de construção tem uma maior rigidez em relação ao seu peso, do que um braço de construção sólida. Mesmo assim, os braços apresentam-se muito pesados, em relação às cargas que podem mover. A maioria dos robôs mantém a razão entre a carga movimentada e o peso do braço na ordem de 1:20, enquanto que no braço humano temos a razão de 1:1.

D) JUNTAS: É o nome dado ao ponto de ligação entre dois Links. É a junta que permite que exista movimento relativo entre os dois links que ela interliga. A primeira junta de um Braço Mecânico é ligada a sua base. Além desta, as outras juntas de um Braço Mecânico são denominadas analogamente as de um braço humano: “Shoulder” (ombro), “Elbow” (cotovelo), “Wrist” (pulso) e, assim por diante. Geralmente, quanto maior o número de juntas no braço, maior é a sua destreza. O número de juntas determina o que se chama de “Graus de Liberdade” de um Robô. Isto significa que um Robô tem mais liberdade de movimentos se tiver mais juntas – o que é bem coerente. Cada junta corresponde a um grau de liberdade. Existem três (3) tipos de Juntas:

 

·        Junta Prismática: Permite o movimento linear entre dois links adjacentes, sendo composta de dois links encaixados interna ou lateralmente. Devido ao seu tipo de construção, este tipo de junta é bastante rígido.

·        Junta de Revolução: Permite o movimento de rotação entre dois links adjacentes, sendo composta de um eixo (ou dobradiça) que conecta dois links.

·        Junta de Encaixe Esférico: Funciona como uma combinação de três juntas de revolução permitindo um movimento combinado de três eixos de movimento (X, Y e Z). Este tipo de junta é aplicada pouquíssimas vezes em projetos de robôs já que sua construção é difícil e seu controle, complexo. Quando o seu uso é necessário, costuma-se projetar três juntas de revolução separadas, mas cujos movimentos se interseccionam num único ponto.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 


AXEL Daneels; WAYNE Salter. What is SCADA? IT/CO. Silva, Sérgio Francisco (2000). Automação Industrial Via Internet: Uma Abordagem de Software Voltada à Pequena Empresa, Centro Universitário do Triângulo - Unit, Uberlândia − MG.

FERREIRA, Ed’Wilson T. (2001). Segurança de Redes de Computadores em Ambiente Industrial, Universidade Federal de Uberlândia - UFU, Uberlândia – MG.

 

 

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A Psicologia Nas Relações Humanas no Trabalho

Quem Fundou o Primeiro Laboratório de Psicologia? Que Psicopatologias Podem Afetar as Relações Humanas? Por Que o Nosso Equilíbrio Psíquico Depende do Nosso Ajuste ao Meio Ambiente? Qual é a Diferença Entre Grupos e Equipes?

 

 



Desde antes de Jesus Cristo a Psicologia já fazia sua aparição, seja nas considerações sobre o comportamento humano ou sob a forma de investigações sobre processos mentais – como a memória, a motivação, e a percepção. Mas, foi somente na década de 80 que a Psicologia adquiriu o status de ciência, com a criação do ‘primeiro laboratório de Psicologia do mundo e, a partir daí, só podemos presenciar avanços nesta área de estudos, por vezes tão controversa. Para tanto, a ciência psicológica – desde a sua fundação até os dias atuais – aborda o assunto das relações humanas e as psicopatologias. Foi de Wilhem Wundt (1832-1920) o crédito de fundação do ‘primeiro laboratório de Psicologia do mundo' ([1]). Desde cedo Wundt desenvolveu gosto pela área da fisiologia. Com o passar dos anos e a intensificação dos estudos, Wundt se interessou pela Psicologia. O trabalho de Wundt constituiu o marco referencial do surgimento dessa nova área – a Psicologia. A vertente encabeçada por Wundt denominou-se naturalista, pois se aplicava o método das ciências da natureza (física, química, biologia) na compreensão dos fenômenos mentais. Por outro lado, no final do século XIX, instaurou-se a vertente humanista, como crítica ao naturalismo.

A Psicologia na primeira aula tem como objeto de estudo o comportamento humano e suas implicações subjetivas. Este comportamento é visto como um aglomerado de reações físicas, químicas e de processos mentais complexos. Também, este comportamento é visto como de relação, ou seja, que adquire sua unicidade ou forma única e com potencial criativo no contato e no relacionamento com outras pessoas. A cada contato que se estabelece com outra pessoa, novas conexões mentais são ativadas, novas possibilidades são criadas e outras são destruídas. Não existe algo tão gratificante e frustrante, ao mesmo tempo, como o relacionamento interpessoal. Diversas são as patologias que apresentam repercussão no relacionamento interpessoal, desde uma Depressão Maior, que o sujeito se isola do mundo perante um sentimento de inutilidade e culpa, até um Transtorno de Personalidade Esquizóide, onde há um padrão global de distanciamento emocional nos relacionamentos.

Muitos dos transtornos mentais são diagnosticados na branda infância. Outro, mais conhecido ainda como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode proporcionar atraso nas relações pessoais. No TDAH, a criança apresenta um padrão persistente de hiperatividade e desatenção, fazendo com que seu aprendizado escolar seja prejudicado, caso não se faça o diagnóstico e tratamento precisos. Neste último caso, o próprio comportamento agitado e desatento da criança faz com que se diferencie das outras crianças da mesma idade. Este fato, por vezes, faz com que a criança seja motivo de ‘chacotas’ pelos coleguinhas ou o chamado atualmente bullying.

Já adulto, são muitas as psicopatologias possíveis que afetam as relações humanas. Dentre elas, destacamos algumas por serem mais conhecidas, tais como a Esquizofrenia, a Depressão, a Fobia Social e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). A Depressão acreditamos já ser de conhecimento da maioria das pessoas, principalmente pela excessiva divulgação em meios de comunicação, tais como internet, jornais, revistas e televisão. Cabe ressaltarmos que o quanto antes um diagnóstico de Depressão for feito e o quanto antes se iniciar um tratamento adequado, maiores são as chances de se ter sucesso neste quadro. A probabilidade de recorrência do transtorno com o aumento do número de episódios depressivos cresce na mesma proporção.

Também representando um transtorno de domínio público, o TOC, como é mais conhecido o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, caracteriza-se por sintomas obsessivos e compulsões que causam ansiedade e desconforto na vida de quem apresenta este transtorno. Pessoas que gastam tempo excessivo com rituais de lavar as mãos, verificar muitas vezes se as portas estão trancadas, dentre outros, são representantes desta patologia. Claro que devemos avaliar o real comprometimento que determinados rituais propiciam ao sujeito que os pratica, sempre avaliando o grau de sofrimento e prejuízo ocupacional ocasionado por tais procedimentos ritualísticos. A Psicologia teve seu avanço ao longo dos anos. Desde o “primeiro laboratório de Psicologia do mundo” de Wundt, em 1879, até os dias atuais esta ciência aprofundou conceitos, fundou escolas teóricas, ampliou seus matizes diagnósticas, aprimorou métodos de tratamento. Enfim, aperfeiçoou tudo o que diz respeito ao ser humano, seu comportamento e as implicações mentais. Ser humano é visto como um ser de relação, que se constitui nas relações que estabelece com os outros. Com isso, a ciência psicológica veio para auxiliar quando as relações se demonstrarem falhas.

 

As Relações Humanas e a Sociedade

 

Conforme alguns especialistas no assunto, o homem é um animal que agrega muitas coisas ao longo da sua caminhada pela vida e, suas maiores agregações são a família, a sociedade e o ambiente de trabalho. Então, saber conviver é uma arte que está inserida no contexto da “Arte de Viver”. Daí pode-se afirmar que as Relações Humanas se constituem em uma ciência nova em um mundo velho – velho como o próprio tempo. Somos por natureza egoístas, e Relações Humanas é, pois, um guia de comportamento que nos ensina a compreensão, o respeito, a participação, a atenção e o reconhecimento da dignidade humana. Nosso equilíbrio psíquico depende de nosso ajuste ao meio. E esse ajuste depende de nossa comunicação com o próximo. Precisamos do próximo, mas, como o próximo incomoda, cria-se então o conflito. As ciências das Relações Humanas estudam a convivência, a comunicação, este fluido magnético que aproxima as pessoas. É a ponte que liga um indivíduo a outro, um indivíduo a grupos, e os grupos entre si. As dificuldades na comunicação estão nos desajustes, nas divergências individuais, econômicas, sociais, políticas, religiosas, filosóficas, educacionais, etc. – que tornam, tantas vezes, desumanas as relações humanas.

Nosso equilíbrio psíquico depende de nosso ajuste ao meio. E esse ajuste depende de nossa comunicação com o próximo. Quem somos nós? O que é gente? Gente é um bolo, cujos ingredientes são: defeitos, qualidades, erros, acertos, fraquezas, boas intenções, etc. Variam as doses, mas todos nós temos esta mistura em nossa estrutura. Herdados ou guardados, formam a argila de que somos feitos. As relações humanas são também problemas ao longo de toda a vida, devido à diversidade de temperamentos dos indivíduos. Basta pensar que cada um de nós é único, e não há dois indivíduos idênticos. Somos como as impressões digitais: todas parecidas, mas não iguais. Esse desacordo de características morais, intelectuais, temperamentais, entre outras, cria barreiras entre indivíduos, mesmo quando se gostam e se simpatizam.

Na velhice, como em outra idade qualquer, existem problemas nas áreas de comunicação, de relacionamentos. Estes se agravam pela incompreensão, hostilidade, medo e revolta com que as pessoas adultas, os jovens e os próprios velhos encaram o envelhecimento. O fato é que, quando se vencem essas barreiras, e muitas são as pessoas que o conseguem, os grupos de relações e amizades, na família e fora dela, que não se impõem uma discriminação de idades, atam laços de profundo afeto, onde a interação se afirma entre pessoas de 8 a 80 anos. No grupo familiar, o velho que não se deixa envenenar por sentimentos negativos de raiva, medo, revolta, intolerância, etc., mas, ao contrário, procura comunicar-se à sua volta, compreendendo e se fazendo compreender, pode marchar na vida, até a mais avançada idade, sendo sempre querido e indispensável.

E é assim que tantas pessoas de idade se sentem felizes, aproveitando a consideração e o carinho de seus descendentes. “Os velhos morigerados, e tratáveis e humanos, carregam uma velhice tolerável; o caráter difícil e o amor rabugento são molestos em toda idade. ” – assim falou Cícero, o filósofo romano, o maior orador de sua época. A característica mais importante que determina a personalidade normal é sua capacidade de adaptação ao meio e ajuste nas relações humanas. Também o grau de inteligência se mede pela melhor adaptação e aceitação das situações na vida.

 

 

A Formação de Grupos e Equipes nos Ambientes de Trabalho

 

Não há dados que comprovem quando surgiu a ideia de reunir indivíduos em grupos em prol de um objetivo comum, mas sabe-se que esta concepção de equipe existe há muito tempo, desde que se começou a pensar no processo do trabalho. (A) Da necessidade histórica do homem de somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não seriam alcançados ou seriam de forma mais trabalhosa ou inadequada; (B) Da imposição que o desenvolvimento e a complexidade do mundo moderno têm imposto ao processo de produção, gerando relações de dependência ou complementaridade de conhecimentos e habilidades para o alcance dos objetivos. “O trabalho em equipe, portanto, pode ser entendido como uma estratégia, concebida pelo homem, para melhorar a efetividade do trabalho e elevar o grau de satisfação do trabalhador. ” ([2]). Mas, antes de discutir as questões que envolvem o trabalho em equipe e a importância do mesmo para o sucesso da organização, é preciso diferenciar o grupo da equipe. Sim, são duas (2) coisas diferentes. Podemos simplificar seus conceitos da seguinte forma:

 

·        Grupo é um conjunto de pessoas com objetivos comuns, em geral se reúnem por semelhanças ou afinidades. O respeito e os benefícios psicológicos que as pessoas que pertencem a um grupo encontram, em geral, produzem resultados satisfatórios e bons. No entanto, neste grupo, não podemos chamar de equipe.

·        Já a Equipe é um conjunto de pessoas com objetivos comuns atuando na realização de metas e objetivos específicos. A formação da equipe deve considerar as capacidades individuais necessárias para o desenvolvimento das atividades e a ação das metas. O respeito aos princípios da equipe, a interação entre seus membros e especialmente o reconhecimento da interdependência entre seus membros em atingir os resultados da equipe, deve favorecer ainda os resultados das outras equipes e da organização como um todo. É isso que tornará o trabalho desse grupo em especial num verdadeiro trabalho em equipe.

 

Segundo o site Psicologia Web Node (2012), também é válido enfatizar que quando se trabalha em equipe, pode-se contar com profissionais de diversas especializações e, certamente, isso faz com que o mesmo seja mais dinâmico, pois, conforme a autora, a equipe deve considerar as capacidades individuais.

Depois da distinção de grupos e equipes vamos aos conceitos que estão relacionados aos mesmos. Os quatro primeiros servem para os grupos e para as equipes, pois a equipe é uma espécie de grupo, porém os dois últimos só são importantes para as equipes.

 

·        Papéis: as pessoas em um grupo ou equipe não desempenham necessariamente a mesma função ou têm o mesmo propósito, pois estes aspectos variam de acordo com o cargo que ocupam;

·        Normas: são regras de comportamento informais aceitas pelos membros de um grupo de trabalho, que podem ter grande influência no comportamento individual;

·        Coesão do Grupo: é a soma de forças que atraem os membros do grupo e os mantêm unidos, para que isso aconteça os membros devem estar motivados a permanecer no grupo;

·        Perda no Processo: refere-se ao tempo e esforço que os membros gastam para manter o grupo em atividades que não estão diretamente relacionadas com a produção;

·        Envolvimento de Equipe: é a força do envolvimento de um indivíduo com uma equipe e abrange aceitação das metas e disposição para trabalhar com constância e desejo de permanência na mesma;

·        Modelo Mental de Equipe: diz respeito ao entendimento comum entre os membros da equipe quanto à tarefa, à equipe, ao equipamento e à situação. Quanto maior a qualidade deste modelo mental de equipe, melhor será o desempenho da equipe.

 

Conforme o site da Faculdade Santa Helena, na teoria de equipes, existem grupos heterogêneos e homogêneos. Usando um exemplo simples, poderíamos comparar uma equipe de futebol com uma de basquete. Na de futebol, não existe necessariamente uma uniformidade no tipo de atleta, já na de basquete, é possível dizer que jogadores baixos provavelmente pouco irão contribuir com o sucesso da equipe. Outro ponto importante é a autoconfiança dos profissionais, que devem ser tratados como adultos responsáveis e capazes de realizar o trabalho. Para isso, é fundamental que os erros sejam tratados como oportunidades de melhoria e, nesse caso, é preciso achar responsáveis e não culpados. Com profissionais mais motivados e melhor preparados, os problemas de comunicação nas equipes serão minimizados e o trabalho terá resultado satisfatório. Se uma empresa ou qualquer outro estabelecimento que trabalhe em grupos e equipes conseguir equacionar motivação com preparação está resolvendo praticamente 80% de seus possíveis problemas. Uma pessoa motivada, mas mal preparada é uma bomba atômica dentro de uma organização; portanto, resolver esta situação maximizando motivação e preparação é, sem dúvida, um grande passo.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

BRASIL Clínicas. Disponível em: http://www.brasilclinicas.com.br/artigos/ler.aspx?artigoID=50. Acesso em: 20 jun. 2023.

ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012.

  




([1])  DAVIDOFF, Linda L. “Introdução à Psicologia”. Makron Books, São Paulo, 1983, p. 57

([2])  MICHELETTI, Camila. Trabalho em equipe: essencial para todas as empresas. In: Site Carreiras Empregos. Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/carreira/administracao/ge/sucesso/ equipe/050704-trabalho_equipe.shtm. Acesso em: 14 set. 2021.



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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Fundamentos da Robótica e os Tipos de Robôs

 Quais os Principais Objetivos da Robótica? Quais os Tipos de Robôs Existentes? Aonde Foi Utilizado o Primeiro Robô? Quais São as Principais Classes da Automação Industrial?

 



 

A palavra “Robô” é derivada do tcheco “Robota” que significa trabalhador compulsório, escravo ou servo. Ela foi usada pela primeira vez pelo escritor tcheco Karel Capek em um conto de 1921, para designar os dispositivos mecânicos que, tendo aparência humana, mas sem sentimentos humanos, realizavam tarefas automáticas e repetitivas. Nesse conto, os robôs eventualmente faziam mais do que isso, destruindo seus criadores. Este tipo de robô humanoide é muito explorado na ficção científica e, hoje em dia, são as pesquisas japonesas que buscam desenvolver robôs-androides, cada vez mais parecidos com os seres humanos, tanto do ponto de vista estético, quanto do ponto de vista comportamental. Atualmente, a maioria dos robôs em uso está muito próxima de um dispositivo chamado “manipulador” que consiste em um braço mecânico controlado por uma pessoa ou automaticamente.

Nesse texto abordaremos os robôs de uso industrial, utilizados na automação de tarefas comuns ao chão de fábrica, cujo surgimento e utilização se deveu à integração dos dispositivos eletromecânicos de alta precisão com dispositivos eletrônicos de controle altamente miniaturizados. Talvez, o primeiro robô digno deste nome tenha sido o modelo experimental SHAKEY do Instituto de Pesquisas de Stanford produzido em1960. Ele era capaz de empilhar blocos se valendo de uma câmera que simulava o sentido da visão. Desde então, o desenvolvimento dos Robôs se deveu, em primeiro lugar, a uma demanda de diversos setores industriais por dispositivos que permitissem automatizar processos produtivos e, em segundo lugar, a um desenvolvimento vertiginoso da microeletrônica e da eletromecânica, áreas cujas tecnologias eram e são necessárias para a criação e produção de Robôs cada vez melhores.

  

Objetivos da Robótica

 

 Abaixo estão enunciados apenas alguns dos principais objetivos da robótica:

 

·        Aumento da produtividade através da otimização da velocidade de trabalho do robô e a consequente redução de tempo na produção;

·        Realização de trabalhos não desejados, tediosos (alimentar máquina-ferramenta) ou perigosas e hostis (ambientes com temperaturas elevadas e presença de materiais tóxicos, inflamáveis e radioativos).

·        Otimização do rendimento de outras máquinas e ferramentas alimentadas ou auxiliadas por robôs;

·        Diminuição dos prazos de entrega de produtos;

  

Tipos de Robôs

 

Um Robô Industrial é um dispositivo eletromecânico projetado para realizar diferentes tarefas, repetidamente, movendo peças, ferramentas e dispositivos especiais entre pontos diversos, realizando trajetórias de acordo com uma programação prévia, imitando os movimentos de um ser humano. Esta definição envolve três (3) tipos de Robôs:

 

·        Robô Fixo – Também chamado de Braço Mecânico, é montado sobre uma base a qual lhe serve de sustentação física e de referência de movimentos. É o tipo mais comum de Robô e o mais usado em aplicações industriais;

·        Robô Móvel – Também chamado de Carro ou AGV (Automatically Guided Vehicle = Veículo Guiado Automaticamente), pois pode se locomover com certa autonomia obedecendo a um controle.

·        Robô Humanoide – Também chamado de androide por seu aspecto humano: anda sobre duas pernas (o que permite subir e descer escadas), possui dois braços (o que permite manipular objetos da mesma maneira que o ser humano) e tem dois sistemas de captação de imagem na parte frontal da cabeça (o que lhe dá visão estéreo e o mesmo ponto de vista de um ser humano). Por estas características pode substituir um ser humano sem necessidade de adaptação do ambiente.

 

Classificação dos Robôs

 

 ·        Robô de 1ª Geração: robô que não se comunica com outros robôs;

·        Robô de 2ª Geração: robô que se comunica com outros robôs;

·        Robô de 3ª Geração: utiliza inteligência artificial. Esse software permite a tomada de decisão (sistema especialista / lógica fuzzy).

  

ROBÔ INDUSTRIAL

 

O “braço mecânico” é popularmente identificado como o robô propriamente dito, sendo composto das partes mecânicas e elétricas necessárias para que haja movimento. Mas, para que haja flexibilidade de movimentos e para controlar estes movimentos do braço mecânico é necessário um “controlador” (Computador). Este controlador deve ser ligado aos atuadores e aos sensores do braço mecânico e age como o cérebro do sistema. É importante notar que em um robô industrial, a potência requerida pelos atuadores exige a inclusão de um módulo de “acionamento” entre o controlador e o manipulador.

 

 

Automação Industrial

 

 

A AUTOMAÇÃO e a ROBÓTICA são duas tecnologias que estão intimamente relacionadas, podendo-se definir a automação como uma tecnologia que utiliza sistemas mecânicos, elétricos e computacionais na operação e no controle da produção. Já a robótica foi definida como a tecnologia que utiliza sistemas mecânicos que, controlados por circuitos eletrônicos mediante programação, executam tarefas que imitam movimentos humanos. Um sistema de automação pode ter robôs trabalhando sozinhos ou junto a seres humanos, como também pode ser um processo automático, em que não existem robôs.

 

Classes da Automação Industrial

 

·        Fixa ou Automatização Dura: O volume de produção é muito elevado com pequena variedade, onde as máquinas funcionam sem a intervenção humana. Um bom exemplo é o processo mecânico com broca automatizado.

·        Programável: É similar à fixa; porém, o processo pode ser reprogramável para executar a mesma tarefa de outra maneira. Tem como característica o baixo volume de produção e uma grande variedade de produtos a serem fabricados. Exemplo: Um CNC que movimenta a máquina.

·        Flexível: Semelhante à programável, pois ambas se constituem de máquinas que são automáticas e reprogramáveis. A diferença é que a automação flexível pode executar diferentes tipos de tarefas com diferentes tipos de aplicação.


 

As Aplicações dos Robôs


·        Abastecimento de Prensas (Características da Tarefa): (a) Perigo (peças e partes em movimento contínuo); (b) Manipulação de cargas pesadas; (c) Barulho elevado; (d) Atividade monótona.

·        Manipulação de Moldes (Características da Tarefa): (a) Operação com máquinas injetoras; (b) Perigo (temperaturas elevadas).

·        Abastecimento de Máquinas e Ferramentas (Características da Tarefa): (a) Operação de máquinas operatrizes; (b) Otimização do tempo; (c) Necessidade de sincronismo (máquina e robô).

·        Solda Ponto (Características da Tarefa): (a) Dificuldade de solda (qualidade); (b) Atividade monótona; (c) Alta precisão (o eletrodo deve ficar perpendicular às peças); (d) Perigo (faíscas); (e) Barulho elevado.

·        Solda Elétrica (Características da Tarefa): (a) Dificuldade da solda (qualidade); (b) Atividade monótona; (c) Alta precisão (movimento em velocidade constante ao longo do contorno da peça); (d) Perigo (temperatura e faíscas); (e) Barulho elevado.

·        Pintura Spray (Características da Tarefa): (a) Perigo (ar poluído com tinta); (b) Precisão (qualidade e uniformidade da pintura).

·        Montagem (Características da Tarefa): (a) Aplicação complexa para os robôs, pois exige grande flexibilidade; (b) Troca automática do atuador final, para lidar com peças de tamanhos e formas variadas; (c) Detecção de impacto e controle de força; (d) Utilizado na manipulação de elementos delicados; (e) A integração humana é necessária.

·        Acabamento (Características da Tarefa): (a) Lixar, polir e retificar superfícies; (b) Rebarbar moldes e peças; (c) Necessidade de movimentos constantes para o acabamento ser homogêneo; (d) Atividade monótona; (e) Perigo (poeira).

 

OBSERVAÇÃO: Em determinadas aplicações, a trajetória percorrida pelo robô durante a atividade deve ser analisada e levada em consideração. Nas atividades de montagem, solda ponto e abastecimento de prensas, a trajetória não influencia no resultado final. Já nas atividades de pintura e solda elétrica, a trajetória para a realização da atividade é importante, pois não podemos pintar um carro, por exemplo, em zig-zag ou soldar duas peças de forma aleatória.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AXEL Daneels; WAYNE Salter. What is SCADA? IT/CO. Silva, Sérgio Francisco (2000). Automação Industrial Via Internet: Uma Abordagem de Software Voltada à Pequena Empresa, Centro Universitário do Triângulo - Unit, Uberlândia − MG.

FERREIRA, Ed’Wilson T. (2001). Segurança de Redes de Computadores em Ambiente Industrial, Universidade Federal de Uberlândia - UFU, Uberlândia – MG.


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Geopolítica de Índia, China e os Tigres Asiáticos

 Quais São os Modelos Econômicos da China, Índia e Tigres Asiáticos? Qual a Importância das Zonas Econômicas Especiais no Processo de Abertura Econômica Chinesa? Por Que a Índia Possui Uma Intensa Divisão Étnica? Como as Economias dos Tigres Asiáticos se Assemelham ao Desenvolvimento do Capitalismo Chinês e Japonês?

 



Alguns especialistas em geopolítica afirmam que o modelo econômico da China se baseia em um suposto “Socialismo de Mercado” com forte controle estatal, foco em exportações e investimentos pesados em infraestrutura industrial. Em contraste, outros especialistas afirmam que a Índia adota uma economia “Mista Democrática”, a qual é impulsionada pelo consumo interno, pelos serviços de tecnologia da informação e investimentos em telecomunicações. Já países como Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan formam o grupo clássico dos Tigres Asiáticos, os quais apresentam industrialização voltada para a exportação, investimentos pesados em educação e alta tecnologia. Assim, pode-se dizer que Hong Kong e Singapura atuam como potências financeiras globais, enquanto a Coreia do Sul e Taiwan lideram a produção de eletrônicos e semicondutores.

 

A China em Muitos Lugares

 

A China é um gigantesco país localizado no leste da Ásia, banhado pelo Oceano Pacífico. Tem uma população maior que 1,3 bilhão de habitantes, entre as cidades mais conhecidas estão Hong Kong (que pode ser considerada uma região especial administrativa), sua capital Pequim (também chamada de Beijing) e a cidade de Xangai. Olhando para o contexto geral da população chinesa, eles se fragmentam em diferentes origens étnicas (han, chuans, tibetanos, mongóis, coreanos, machus, entre outros). Pode-se dizer que, aproximadamente, 40% de sua população não seguem nenhuma manifestação religiosa, já os outros 60% se fragmentam em diferentes crenças populares, o budismo, o cristianismo, o islamismo, entre outras manifestações. O país não é urbano, pois a maioria de sua população habita o espaço rural. Seu índice de desenvolvimento humano é médio (0,77) e sua renda per capita está na média dos US$6.000,00, mas é marcado por ampla exploração do trabalho, concentração de renda e problemas sociais. O processo acelerado de industrialização das últimas duas décadas gerou um rápido e desordenado processo de urbanização, promovendo uma periferização perversa de muitos trabalhadores, estes, que acabam por não acessar todos os benefícios do desenvolvimento do país. 

Em 1949, a China se aproximou dos ideais da URSS e se tornou socialista, a figura de maior destaque desse contexto histórico foi Mao Tse Tung. Desde lá, os governos estiveram centralizados nas mãos do Partido Comunista Chinês, que mantém, na atualidade, uma gestão política e administrativa do território nas mãos do Estado (para alguns, uma ditadura). Nos últimos 20 anos houve um processo de abertura econômica, sendo criada as Zonas Econômicas Especiais. As chamadas Zonas Econômicas Especiais foram criadas no litoral chinês, onde hoje estão instaladas inúmeras indústrias (produção diversificada) cuja produção é voltada, sobretudo, para exportação. Nesta área há uma série de regras que facilitam a instalação de indústrias e o desenvolvimento da produção, tais como: isenção de impostos, proximidade com os portos, mão de obra em grande quantidade e muito barata, entre outros. Assim, a China vive o que vem sendo chamado de um Socialismo de Mercado (ou Economia de Mercado Socialista) – considerado por muitos estudiosos uma contradição, uma vez que, na teoria socialista, jamais se estabeleceria uma lógica de mercado aos moldes capitalista.

Você já consumiu produtos Made in China? Às vezes compramos determinados eletrodomésticos, ou ainda, produtos eletrônicos (televisões, celulares, brinquedos, entre outros), achando que foram feitos no Brasil. Procurem bem nas etiquetas e nos selos o país de origem destes produtos, muitos podem ter sido produzidos na China e acabam chegando ao Brasil com seus preços razoavelmente baixos. Pode-se dizer que nas últimas duas décadas a China é o país que mais cresce economicamente no mundo, com uma média de crescimento de 10% ao ano, mantendo um PIB maior que US$7,5 trilhões (nos últimos dois anos), no mesmo momento em que vários países da Europa e os EUA estão vivendo períodos tensos de crise econômica. No entanto, embora haja um considerável crescimento, a costa leste chinesa vem sendo marcada por situações de exploração do trabalho e de ampliação das desigualdades sociais. Há sérias denúncias de que jovens chineses, entre 18 a 25 anos (a maioria mulheres), chegam a trabalhar 15 horas por dia, ganhando o equivalente a R$0,65 por hora.

 

Aspectos Sociais e Culturais da Realidade Indiana

 


A Índia também foi colônia europeia (da Inglaterra) e a sua luta pela independência (conquistada em 1947) ficou muito conhecida no mundo por meio da divulgação da filosofia da principal liderança da época, Mahatma Gandhi. O referido líder, basicamente, pregava a desobediência civil contra os ingleses, combatendo toda a ação neocolonial no país. Atualmente, o país é extremamente populoso, contando com uma população de pouco mais de 1,1 bilhão de habitantes, e possui internamente uma intensa divisão étnica, permeada por especificidades religiosas relacionadas, principalmente, com o Hinduísmo e o Islamismo. Hindus e muçulmanos, historicamente, sempre estiveram em conflitos religiosos na região, marcando a história do país. Os hindus indianos ainda se organizam em um sistema de castas, o que determina a posição social de cada pessoa no contexto da sociedade indiana. O que isso quer dizer? Que, uma vez nascido em uma determinada casta, nunca mais sairá dela. Para muitos estudiosos, uma das explicações para a ampliada desigualdade social no país, está na manutenção das castas.

Conflitos entre hindus e muçulmanos marcaram e continuam marcando a história da região. Conjuntamente ao movimento de independência do país na segunda metade do século XX, houve a criação do Paquistão, para que todos os muçulmanos que estivessem na Índia pudessem se deslocar para esse país. Grande parte dos muçulmanos, realmente, foi morar no Paquistão.

O fato é que a criação do Paquistão não resolveu as situações de conflito entre representantes das duas manifestações religiosas, que ainda hoje é fortalecida pela disputa da região da Caxemira (área de fronteira entre Índia e Paquistão).

 

Conflitos na Região da Caxemira

 

A região da Caxemira sempre foi estratégica, uma vez que faz fronteira com o Afeganistão, o Tibete e a China. Durante a Guerra Fria, esteve em disputa, considerando que a Índia havia se declarado uma importante aliada aos princípios da União Soviética (socialista) e o Paquistão, um aliado dos EUA (e dos capitalistas). Na atualidade, esse espaço territorial possui, em média, um pouco mais de 12 milhões de habitantes, sendo a maioria muçulmana. A questão gira em torno do poder político-administrativo sobre o território, onde 40% da área ficou sob responsabilidade do Paquistão e maior parte do território está sob domínio indiano. Cabe mencionar um detalhe, ambos os países são pobres, marcados por uma má distribuição de renda e problemas sociais gravíssimos, no entanto, possuem um forte arsenal nuclear (legado da Guerra Fria). Também cabe dizer também que a Caxemira é uma importante fonte de matéria-prima mineral. Em 2005 ocorreu um forte terremoto neste território, quando muitos indianos hindus acabaram compondo as equipes de apoio mútuo em parceria com os paquistaneses muçulmanos, essa ação tem sido considerada por especialistas como um sinal de que há possibilidade de se estabelecer a paz na região. Mas, por que a Índia vem sendo considerada uma das mais novas potências do século XXI?

Como vimos, a Índia é um país populoso, juntamente com isso, desde as últimas duas décadas do século XX, vem passando por um rápido processo de urbanização, possui altas taxas de analfabetismo (cerca de 37% da população, principalmente entre as mulheres), um IDH médio (0,519). Mas, atualmente, a Índia enfrenta sérios desafios na gestão de políticas públicas sociais (saúde, educação, habitação, entre outros), mesmo assim vem se tornando uma importante representação econômica na Nova Ordem Mundial. Em 2010, o referido país chegou a ser considerado a 11ª potência econômica do mundo (o Brasil a 8ª potência), fazendo parte dos G-20, o Grupo dos 20 países de melhor desempenho econômico do mundo. Em 1947, no contexto da independência do país, o Estado indiano adotou um regime político centralizador, comum em países socialistas da época. Mas, no final dos anos de 1990, dado o fim da Guerra Fria e a inserção dos países no processo de Globalização, novas medidas foram sendo adotadas, tais como:

 

·        Diminuição de barreiras protecionistas e redução de impostos para importações;

·        Maior abertura econômica para os capitais internacionais (em particular, para entrada de multinacionais);

·        Modernização do setor financeiro;

·        Flexibilização de leis trabalhistas e ambientais, entre outros fatores.

 

Você percebeu alguma semelhança com medidas políticas e econômicas adotadas pelo Brasil nesse mesmo período? Seria essa uma semelhança entre os países que hoje estão em desenvolvimento (Brasil, México, África do Sul, China, entre outros)? Medidas como essas, adotadas pelos governos indianos, podem provocar que tipo de impacto aos cidadãos? Atualmente, pode-se dizer que a Índia apresenta um importante polo industrial, com destaque para a produção de tecnologia, sobretudo, por ter o maior complexo de informática do mundo e investimentos em biotecnologia, tecnologia espacial e nuclear. Cabe somar também o mercado cinematográfico, que é muito conhecido como Bollywood. No entanto, há mais de 300 milhões de pessoas, consideradas pelos parâmetros estabelecidos internacionalmente, em situação de extrema pobreza.

 

Os Tigres Asiáticos

 

Você já ouviu falar em lugares como Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan? Será que você já não andou consumindo algum produto oriundo desses países? Pois saiba que estes são os chamados Tigres Asiáticos, e podem ser consideradas economias desenvolvidas, embora estejam localizadas junto aos países do Sul (pobres). Hong Kong, por exemplo, até os anos de 1990, era administrada pela Inglaterra – que sempre foi considerada uma ilha capitalista, embora estivesse geograficamente anexada à China Socialista – só depois voltou a se anexar politicamente junto à China, momento em que a abertura econômica da China vinha se constituindo. Estudos dizem que mesmo os mercados de exportações tenham se mantido sempre fortes para os Tigres Asiáticos, o crescimento das exportações foi maior para os chineses. As economias desses países se assemelham ao desenvolvimento do capitalismo chinês e japonês.

Com o tempo eles foram desenvolvendo políticas de educação, distribuição de renda, assim como, investimento na qualificação profissional e na construção de uma boa infraestrutura de transporte e comunicação, facilitando o escoamento da produção que é, praticamente, quase toda voltada para exportação. No entanto, por ter uma economia exportadora, em situações de crise econômica mundial, que acaba mexendo com o potencial de consumo das pessoas em diferentes partes do globo, os países podem ser considerados como tendo uma economia frágil. Recentemente, mais países passaram a ser conhecidos com Tigres Asiáticos, ou ainda, os Novíssimos Tigres Asiáticos, a exemplo da Indonésia, da Tailândia, das Filipinas e da Malásia.

 

REFERÊNCIAS

 

 

CONRAD, Geoffrey W. (1984). «Los incas». Historia de las Civilizaciones antiguas (II): Europa, América, China, India. Arthur Cotterell, ed. Barcelona: Editorial Crítica. ISBN 84-7423-252-X

SIMÕES, Willian. Geografia II. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.