sexta-feira, 10 de julho de 2026

A Contribuição dos Peregrinos e Cruzados na Geografia Terrestre

 



A mesma fé que fanatizava a paisagem e aprisionava os cristãos na Geografia dogmática haveria de atrair peregrinos e cruzados da Europa para caminhos de descoberta do Oriente. A Estrela de Belém que atraiu os Três Magos, guiou em séculos posteriores incontáveis fiéis para sua Terra Santa. A peregrinação se tornou uma instituição cristã e caminhos de fé se tornaram caminhos de descoberta. Um século após a morte de Jesus um punhado de crentes viajava para Jerusalém a fim de pisar a terra que o seu Salvador pisara. Após o imperador Constantino se tornar cristão, sua mãe que se tornara arqueóloga, foi a Jerusalém, encontrou o Monte Calvário onde reuniu fragmentos da Verdadeira Cruz e até descobriu o Santo Sepulcro, onde Jesus fora alegadamente sepultado. Aí mandou o próprio Constantino construir a primeira Igreja do Santo Sepulcro. O sábio São Jerônimo se instalou (386 d.C.) em um mosteiro de Belém oferecido pela nobre dama romana Santa Paula, onde instruía peregrinos após visitarem os lugares santos. No início do século V havia 200 mosteiros e albergues para peregrinos nas imediações de Jerusalém. Santo Agostinho advertiu de que o turista cristão à Terra Santa poderia ser desviado da sua viagem, embora o fluxo de peregrinos tenha aumentado ajudado por incontáveis guias e uma cadeia de alojamentos hospitaleiros ao longo de todo o caminho. Abençoado pelo seu padre antes de partir, transportando o bordão e a vieira, usando o seu chapéu de aba larga e a insígnia do seu destino, o peregrino se tornou uma figura pitoresca no panorama medieval. O termo “peregrinatio” passou a designar qualquer perambulação e, “peregrinus” – que deu peregrino – se tornou sinônimo de estrangeiro. Mas o peregrino propriamente dito era alguém que ia a caminho de um destino sagrado.  O declínio do Império Romano do Ocidente e o aparecimento de piratas tornaram difícil e perigosa a vida dos peregrinos. As extensas conquistas árabes à volta do Mediterrâneo, o advento do Islã e o aumento dos peregrinos muçulmanos congestionaram os caminhos da peregrinação cristã e originaram uma implacável disputa por Jerusalém. Algumas tradições muçulmanas consideravam Jerusalém – e não Meca – o “umbigo” da Terra e, quando o Califa Omar entrou numa Jerusalém rendida 6 anos após a morte de Maomé, iniciou uma batalha milenar pela posse dos lugares santos. A grande época da peregrinação cristã começou no século X e, de modo geral, os Muçulmanos toleravam – ainda que desprezassem – esses “descrentes” apaixonados.

Mas, à medida que a distante Terra Santa ia se tornando menos acessível, os cristãos piedosos foram encontrando o bálsamo da peregrinação mais perto de casa. Criaram uma literatura híbrida de história, sociologia, mito e tradição. Santiago de Compostela (Espanha) tornou-se “lugar santo” por causa da descoberta ali feita no ano de 810 do corpo de São Tiago, que se pensava ter sido executado em Jerusalém e presumivelmente lá enterrado. Considerava-se que Carlos Magno se contava entre os primeiros peregrinos que tinham partido de toda Europa e, quando os Mouros conquistaram a Espanha para o Islã, surgiu o culto de S. Tiago, o “matador de mouros”. O grande imã para os peregrinos na Europa era Roma, onde Beda (em 735) narrou a viagem de homens e mulheres bretões que ansiavam por passar algumas horas da sua peregrinação terrena na vizinhança de lugares santos. Daí, talvez tenha derivado o verbo inglês “to roam” ([1]). O fluxo de peregrinos da Inglaterra (e de outros lugares) viria a se alargar depois do malogro da tentativa dos Cruzados em reconquistarem Jerusalém. Entretanto, os monges se organizavam para prestarem assistência aos peregrinos que iam para o Oriente e, jovens escandinavos que viam da Islândia, Noruega e Dinamarca, passavam anos servindo à Guarda do Imperador em Constantinopla e depois seguiam para Jerusalém antes de regressarem com seus ganhos militares. Em meados do século XI um príncipe dinamarquês pôs-se a caminho, mas nunca chegou à Terra Santa – morreu de frio nas montanhas do percurso. Depois, um sultão da Pérsia (cujo povo de língua turca se estendera através da Ásia até a Sibéria) lançou-se para o Ocidente, derrotou as forças dos cristãos bizantinos em 1071 e ocupou a maior parte da Ásia Menor. Sendo assim, os peregrinos cristãos e toda a cristandade oriental passaram a enfrentar novos desafios. Ao mesmo tempo uma nova vida comercial e uma população crescente, engrossavam a maré dos peregrinos. Os Normandos – descendentes dos escandinavos que no século X tinham invadido a Normandia, na costa da França – se converteram ao Cristianismo e enviaram sua força em todas as direções. Guilherme, o Conquistador, guiou-os para o Norte (Inglaterra) em 1066, percorrendo o Mediterrâneo, assolando a Itália Meridional e, em 1130, acabaram fundando o Reino da Sicília, onde cristão, judeus e árabes trocavam conhecimentos, arte e ideias.

Quando Urbano II se tornou Papa em 1808 a Igreja sentia muita necessidade de reforma, pois havia corrupção pela compra e venda de indulgências e cargos eclesiásticos. Reformador que não se compadecia com a corrupção, Urbano utilizou seus talentos de organizador e a sua eloquência para purificar e sarar a Igreja. Aleixo – imperador oriental – vendo a capital da sua Bizâncio ameaçada pelo Islã, mandou enviados a Urbano solicitando auxílio militar e, o energético Papa viu nisso uma oportunidade para unir as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Assim, para libertarem os lugares santos, os cristãos partiram para o Oriente em agosto de 1096. Deus seria o seu guia, a cruz branca o seu símbolo e os seus bens ficariam sob a proteção da Igreja. Com esta chamada ás armas, o Papa Urbano congregou as forças da Europa cristã para transformar peregrinos em Cruzados e, enquanto a peregrinação era apenas uma pequena viagem de um indivíduo, a Cruzada seria uma peregrinação maciça. Sendo assim, as pessoas em marcha não puderam deixar de ser consideradas descobridoras. Mas, na sua maior parte, não encontraram o que iam procurar e encontraram muito mais o que não tinham imaginado. 




Os Cruzados constituíram um dos movimentos mais variados e indisciplinados da história. Pedro, o Eremita, foi um presságio de coisas que iriam acontecer. Ele ganhou esse apelido por usar uma capa de eremita, embora fosse uma pessoa que adorava multidões e sabia influenciá-las. Criou um corpo de agentes recrutadores e formou um exército heterogêneo de peregrinos na França. Quando chegou à Colônia (Alemanha) em abril de 1096 cerca de 15 mil peregrinos de todas as idades, tamanhos e sexos tinham aderido ao seu grupo.

A chegada da horda de Pedro a Constantinopla gerou complicações, pois o grupo de Walter (o Pobre) se uniu a ele e avançaram até a Cidade Santa, pilhando por onde passavam. Saquearam aldeias, torturaram seus habitantes e assassinaram bebês em espetados na fogueira. O imperador bizantino Aleixo I tentou persuadir aventureiros a submeterem-se ao seu comendo, mas os mais ambiciosos pilharam para fundar novos reinos. Estas forças cristãs derrotaram os Turcos e entraram triunfalmente em Jerusalém em julho de 1099, terminando assim a 1ª Cruzada. Jerusalém foi transformada rapidamente em um novo reino romano que, de início, tratou-se de um movimento desordenado que durou dois séculos para tornar-se o caminho dos peregrinos. Mas, em um aspecto tratou-se também do fim das Cruzadas, pois foi a última expedição coroada de êxito para redimir os lugares santos. Posteriormente, as Cruzadas apenas ajudavam os cristãos já estabelecidos no Oriente e, após a queda de Jerusalém nas mãos de Saladino em 1187, os lugares santos mais acessíveis do Ocidente passaram a atrair cada vez mais os peregrinos.  Depois que as Cruzadas terminaram as peregrinações continuaram sendo uma força viva da cristandade europeia e, para muitos, Roma acabou substituindo Jerusalém. Em 1300, o Papa Bonifácio VII proclamou o 1º Ano Jubilar, quando ofereceu indulgências especiais aos fiéis que visitassem Roma e atraiu assim mais de 20 mil peregrinos. No Islã, a peregrinação sempre foi um dever sagrado, pois todo muçulmano era obrigado a visitar Meca pelo menos uma vez.

Meca foi um centro de peregrinação de idólatras árabes bem antes de Maomé e, para lá, iam aqueles que queriam fazer seu festival anual, além de dar boas-vindas ao ano que se renovava. Meca jamais deixou de ser a meta dos peregrinos muçulmanos e se transformou num sinônimo de qualquer meta de peregrinação. Também na Ásia, multidões de fiéis descobriram o seu próprio mundo. Ninguém sabe exatamente como, por que ou quando a cidade de Benares – a mais antiga do Mundo, segundo alguns – se tornou sagrada, mas no século VII já possuía cerca de 100 templos. Os budistas também ensinavam que o Parque dos Veados – em Sarnath, onde Buda pregara seu 1º sermão – era um degrau para o Céu. O imperador indiano Asoka conduziu peregrinações a todos os lugares sagrados budistas e, enquanto os visitava, reparava antigos santuários (as stupas) e construía novos. A Índia se tornou uma terra de lugares sagrados e, segundo Buda, “todas as montanhas, rios, lagos e templos dos deuses são lugares que destroem o pecado”. Dessa forma, multiplicaram-se os cultos de espíritos locais e incontáveis sacerdócios. O malogro das Cruzadas foi uma bênção para a cristandade e um catalisador da descoberta europeia do mundo oriental. A grande instituição internacional organizadora do Islã continuava a ser a peregrinação, que continuou a reunir-se em Meca, familiar bastião árabe-muçulmano.

Mas não havia nenhum lugar que correspondesse ao retorno dos peregrinos; ou seja, nenhum local acessível de regresso indispensável para todos os cristãos. Daí, sem nenhuma perspectiva de reconquistarem Jerusalém e os caminhos que lá levavam, a cristandade ocidental voltou-se para as missões. A peregrinação reunia os fiéis, mas as missões estendiam os braços para o desconhecido, mesmo nas terras desconhecidas. Assim, a história da expansão do Cristianismo foi uma história de missões. Claro que o Islã – começando pelo próprio Profeta – era uma religião com grande vigor proselitista e cada muçulmano era declarado um missionário. Mas, as missões nunca foram tão bem organizadas nem largamente difundidas como as do cristianismo. No Islã, o peregrino permaneceu um devoto da fé, cumprindo a viagem ritual prescrita a um destino sagrado conhecido. Na moderna linguagem da cristandade um peregrino ia a caminho de um estado misterioso de futura felicidade.

  

 

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([1])  Perambular, viajar sem destino definido. O autor estabelece uma analogia entre a pronúncia de “ROAM” e de “ROME” (Roma), que são iguais  

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Introdução ao Estudo da Psicologia

De Qual Ciência Deriva a Psicologia? Quem São os Principais Estudiosos da Psicanálise? Que Escolas de Formulações Teóricas Sustentam o Estudo da Psicologia?

 



 

Assim como muitas outras ciências, a Psicologia não é homogênea; ou seja, não existe um discurso uniforme e uma verdade única para explicar os fenômenos que ela estuda. Na verdade, a Psicologia nasceu como uma disciplina da Filosofia e se estabeleceu como uma ciência nos laboratórios de Fisiologia. Alguns autores afirmam que a Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano nas concepções cognitivas e afetivas. Porém, alguns especialistas vêm afirmando que a Psicologia estuda a alma, ou psique, ou mente, ou apenas o comportamento humano. Caracteriza-se por possuir várias linhas de atuação que permitem estudar o ser humano de formas diferenciadas e bem abrangentes em seus diversos contextos da vida. Derivando tanto da Filosofia e da Fisiologia a Psicologia tomou rumos diversos, elegendo objetos diversos (como a cognição, comportamento, emoção, consciência, personalidade, transtorno mental, etc.) e constituindo práticas diversas (como a Psicologia Clínica, Psicologia Social, Psicologia do Trabalho, Psicologia Escolar, etc.). Hoje em dia, a Psicoterapia se preocupa em proporcionar ao sujeito grande e benéfico bem-estar na sua busca pelo equilíbrio necessário. Atualmente a Psicologia exerce uma função muito importante para a sociedade, pois contribui para a busca do equilíbrio entre pensamento e ação que o ser humano manifesta em diferentes contextos do dia a dia. Desta forma, o estudo da Psicologia das Relações Humanas possui a cada dia maior credibilidade e prática entre aqueles que optam por bem-estar e um desenvolvimento biopsicossocial mais promissor ([1]).

Sabemos que a nossa história de vida se caracteriza por um longo desenvolvimento físico e mental, onde neste desenvolvimento podemos encontrar fatores bons ou ruins. O desenvolvimento psicológico consiste na formação de resumos mentais que construímos ao longo da caminhada da vida. Estes resumos se expressam na nossa maneira de ser e de agir juntamente com nossas características herdadas que constituem a personalidade. O ambiente em que vivemos é um objeto de estudo muito importante para a Psicologia, pois nesse ambiente farto de criatividade, visamos manifestar de várias formas e tipos os comportamentos, as ações, as sensações e os sentimentos para qualquer situação decorrente do dia a dia. O campo de estudo da psicologia é muito grande e com atividades em áreas como a clínica, a escola e a organização. Na verdade, a Psicologia é uma ciência aplicada, mas também uma ciência básica de grande importância para qualquer campo de conhecimento. A Psicologia que conhecemos hoje é o resultado da confluência de preocupações e métodos originários da Filosofia e da Fisiologia. Todas as funções psicológicas decorrem de processos orgânicos e, avanços nos campos da genética, da neurofisiologia e da bioquímica trouxeram importantes esclarecimentos sobre processos psicológicos básicos como, por exemplo, hereditariedade, agressividade, depressão e ansiedade. Por outro lado, o modo como formulamos perguntas, encaminhamos modos de resposta e organizamos nosso conhecimento é muito influenciado por toda a história da Filosofia. Então, de que forma podemos relacionar a Psicologia nos dias de hoje com o estudo das relações humanas? A Psicologia e as relações humanas andam juntas, de forma a ampliar a construção dos conhecimentos do sujeito em estudo nos seus diversos contextos de vivência, favorecendo ao seu equilíbrio da mente, corpo e comportamento onde desta forma proporcionará a todos ao seu redor uma melhor convivência entre grupos pessoais e profissionais ([2]).

 

 

Diferentes Modos Para Estudar a História da Psicologia

 

 

O campo da Psicologia é conhecido pela sua fragmentação e pelas disputas teóricas. A história da psicologia caracterizou-se por grandes escolas ou sistemas. Estas escolas eram formulações teóricas sobre o que é ou deve ser psicologia. Exemplo destas grandes escolas – algumas existindo até hoje – são a Psicanálise, o Behaviorismo e a Gestalt. Trata-se de diferentes vertentes do ramo da Psicologia, que pretendem observar, compreender e trabalhar o homem no que diz respeito a seus processos psíquicos, à construção de sua inteligência e afetos, a suas formas de ser, atuar e se relacionar no mundo. Sabe-se que a Psicologia não é um campo unitário. Há uma grande diversidade de teorias. Quando se diz que é psicólogo, logo a seguir, além de dizer qual a especialidade, se diz também qual é a abordagem preferida. Alguns autores contemplaram a história da Psicologia do ponto de vista das diferentes teorias.

 

Objetivos de Estudar Psicologia

 

A história da Psicologia é a história do pensamento sobre a consciência, o inconsciente e o comportamento humano. Temos, então, uma preocupação com os determinantes da racionalidade, da irracionalidade e da ação. Historicamente, temos uma Psicologia aliada à Filosofia para entender os processos da razão, pensamento, sentimento e percepção. Temos uma Psicologia aliada a expressões artísticas, literárias e existenciais para entender a irracionalidade e a criatividade. E, temos também uma Psicologia aliada com a Fisiologia para entender o comportamento enquanto função da ação do sistema nervoso. Mas, para podermos entender a prática é necessário reconhecer a matriz filosófica na qual essa prática se apoia. Desta forma, temos, entre outras, a Psicologia Behaviorista (derivada de uma corrente positivista e que definirá o homem e seus processos psíquicos como um ser governado por estímulos do meio), a Psicologia Humanista (derivada da Fenomenologia e do Existencialismo, e que definirá o homem como um ser intencional, dono de seus atos e de sua consciência), a Psicologia Cognitiva (derivada em parte de uma Filosofia pragmática, considera o homem em uma perspectiva interacionista, fruto da constante relação homem-meio, sendo este homem considerado como um sistema aberto e em sucessivas reestruturações); Gestalt (que com certa influência fenomenológica, explora a atenção, a percepção e a tomada de consciência pelo organismo como um todo), Psicanálise, que embora não tenha nascido no seio da Psicologia, caminha junto com ela na sua preocupação com o homem interior.

As quatro perguntas: “O que é? Como é? Por que é? e Para que é?” servirão de guia para comparação entre os grandes pensadores da psicologia. Curiosamente, as perguntas referem-se, respectivamente, ao que se entende hoje como as quatro grandes áreas da Filosofia. As vertentes são diferentes a até opostas, mas o foco incide sempre no mesmo homem, que ao ser estudado por outro homem confunde observador e observado, sujeito e objeto, numa trama que se refaz a cada novo suspiro, numa poesia que se reescreve a cada novo ato, numa música que se rearranja a cada novo compasso, criando e recriando as mesmas velhas dúvidas, dores, espantos, alegrias e rancores que fazem parte dele desde sua origem, quando do início de sua viagem por um caminho repleto de convergências, mãos duplas e obstáculos.

 

O Início das Linhas de Atuação da Psicologia

 

 

A Psicologia surgiu como ciência em 1879, na Alemanha, marcando a separação entre a especulação filosófica sobre a mente e o método experimental. A partir dessa base científica, desenvolveram-se as primeiras linhas de atuação e abordagens que formaram a base da prática psicológica atual

 

1) Psicanálise: Diversas linhas de pensamento da Psicologia concebem a existência do inconsciente e, dentre essas linhas, é possível destacar:

 

·        Sigmund Freud: Foi o médico austríaco considerado o “Pai da Psicanálise”. A Psicanálise baseia-se em um modelo psíquico composto por três (3) elementos: ID (instinto, lado primitivo), EGO (aquilo que você é, sendo relacionado a valores, atitudes e percepções) SUPEREGO (espécie de censura que o indivíduo se impõe, mas que é determinada pela sociedade). O desenvolvimento desses elementos está relacionado com as etapas importantes da vida, especialmente a infância. Utiliza a análise e a interpretação dos sonhos e também a técnica de associação livre: onde o paciente deve fazer associação entre palavras, ideias e pensamentos, depois interpretá-los. Objetivo: trazer à tona o material que está inconsciente.

·        Carl Gustav Jung: Foi um psiquiatra suíço que utilizava a linha Junguiana, onde também um inconsciente coletivo era compartilhado pela humanidade. São os arquétipos, ou símbolos que atravessam a história e são transculturais, isto é, desde os povos primitivos, em todas as civilizações criam-se as fantasias arcaicas da humanidade. Os sonhos são muito valorizados e vistos como códigos de determinadas passagens da vida.

·        Wilhelm Reich: Foi um médico e psicanalista austríaco que utilizou a linha Reichiana, onde se faz a integração corpo e mente. As tensões musculares crônicas são resultado da influência de regras repressivas que existem na sociedade que impedem a livre circulação da energia vital e causam desequilíbrio emocional. Quebrar as couraças musculares ou tensões crônicas é o objetivo da terapia Reichiana (através de toques, massagens, exercícios) e análise do inconsciente. Dentro do inconsciente individual mostrou a força do componente não verbal (corpo).

·        Jacques Lacan: Francês, médico e psicanalista, “o inconsciente está estruturado como uma linguagem”. Renovador do pensamento freudiano trouxe para a psicanálise elementos estruturalistas e criou uma “clínica do real”.

·        Donald Winnicott: Era um pediatra e psicanalista britânico que introduziu mudanças fundamentais na clínica psicanalítica com crianças. Destacou o desamparo, a dependência infantil de seu ambiente com as mães e as ansiedades catastróficas que acompanham o estado inicial de não-integração do ser humano em especial no contexto infantil ([3])

 

 

Abordagens na Psicoterapia

 

 

·        Cognitiva: Abordagem Cognitiva, Cognitivo Comportamental ou TCC foi desenvolvida por Aron Beck e Albert Ellis. Ela se baseia na ideia de que por trás do sofrimento humano, há pensamentos distorcidos que prejudicam emoções e comportamentos. O foco é ajudar o paciente e perceber esses pensamentos e melhorá-los. Ao mudar o pensamento, o paciente também muda suas ações e sentimentos.

·        Comportamental: Essa abordagem também é chamada de Behaviorista e surgiu por meio dos estudos de Pavlov, Thorndike e Skinner. O foco é na história de aprendizagem da pessoa e nas condições ambientais que mantém comportamentos prejudiciais. O paciente descreve esses comportamentos e condições ambientais para que o psicólogo possa ajudá-lo a transformar os comportamentos através de mudanças no ambiente.

·        Psicodinâmica: A Psicodinâmica é composta por diferentes teorias, sendo a primeira e mais famosa a Psicanálise de Freud. As demais teorias se desenvolveram a partir da Psicanálise, mas se diferenciaram dela. Essas teorias enfatizam a importância de explorar aspectos inconscientes da pessoa, tais como conflitos e desejos. Conhecer e explorar o inconsciente ajuda o paciente a se entender melhor e lidar com dificuldades.

·        Humanista: Essa abordagem também é chamada de Fenomelógico - existencial e possui diferentes variações. As teorias enfatizam a autonomia e a capacidade criativa das pessoas de lidar com suas dificuldades. Alguns nomes importantes dessa abordagem são Carl Rogers, Fritz Perls, Rollo May e outros. A Gestalt terapia é uma variação dessa teoria. Na abordagem humanista, psicólogo e paciente produzem, por meio de uma interação colaborativa, um conhecimento que o paciente pode usar para se entender e se desenvolver melhor.





([1])  DAVIDOFF, Linda L. “Introdução à Psicologia”. Makron Books, São Paulo, 1983,

 

([2])   ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012.

 

([3])  ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012, p. 5



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sexta-feira, 3 de julho de 2026

O Regresso a Uma Terra Plana: Um Retrocesso Científico na Idade Média

Por Que, na Visão de Cosmas, a Descrição da Terra Retangular Era Atraente? O Que Descreviam as Teorias dos Antípodas? Por Que os Cristãos Não Podiam Encarar a Possibilidade de Existirem Homens Que Não Descendessem de Adão?  

 

 



As clássicas teorias dos antípodas ([1]) descreviam uma intransponível zona que rodeava o equador e que nos separava de uma região habitada do outro lado do globo e, consequentemente, isso suscitou sérias dúvidas na mente cristã quanto à esfericidade da Terra. Os que viviam na parte de baixo dessa zona não podiam ser da raça de Adão ou incluídos como redimidos pela morte de Cristo. Se uma pessoa acreditava que a Arca de Noé fora parar no Monte Ararat a norte do equador, então não havia maneira de criaturas vivas terem chegado a um antípoda. Para evitar possibilidades heréticas, os cristãos preferiam acreditar que não podia haver antípodas, ou mesmo, se necessário, acreditarem que a Terra não era esférica. Santo Agostinho foi igualmente explícito e dogmático e a sua autoridade reforçada pela de Isidro – pela de Beda e de São Bonifácio – acautelou os espíritos irrefletidos. Os geógrafos da antiguidade não tinham se preocupado com tais problemas.

Mas nenhum cristão podia encarar a possibilidade de existirem homens que não descendessem de Adão ou se encontrassem tão separados deles pelos fogos tropicais que fossem inalcançáveis pelo Evangelho de Cristo. A crença em antípodas tornou-se mais uma das acusações comuns contra os candidatos à fogueira. Alguns conciliadores tentaram aceitar uma Terra esférica por razões geográficas, embora negassem, por razões teológicas, a existência de habitantes antípodas. Mas, o seu número não se multiplicou.

Cosmas de Alexandria – um convertido recente e fanático – foi o autor de “Topographia Christiana”, a qual sobreviveu séculos até hoje para espanto dos cristãos modernos. Não se sabe seu verdadeiro nome, mas chamavam-lhe de Cosmas, dada a fama da sua obra geográfica e teve por alcunha “Viajante Indiano” por ter sido mercador e viajado à volta do Mar Vermelho, do Oceano Índico e indo até o Ceilão. E, depois da sua conversão ao Cristianismo, fez-se monge e retirou-se para um mosteiro no Monte Sinai, onde escreveu suas memórias e sua defesa da visão cristã da Terra.

Esse tratado ilustrado em 12 tomos nos forneceu os mais antigos mapas de origem cristão que chegaram até o nosso tempo. Cosmas recompensou os fiéis com uma medida bem atestada de vitríolo ([2]) contra o erro pagão e um diagrama simples do Universo cristão. Logo no primeiro livro destruiu a heresia da esfericidade da Terra e, a seguir, expôs o seu sistema apoiando-se, claro, nas Escrituras e depois nos doutores da Igreja, e finalmente em algumas fontes não cristãs. O que ele ofereceu foi menos uma teoria do que um simples, claro e atraente modelo visual e, quando o Apóstolo Paulo declarou na Epístola aos Hebreus que o primeiro tabernáculo de Moisés era o modelo deste mundo inteiro, forneceu a Cosmas, de bandeja, o seu plano com todos os pormenores necessários.

Ele não teve qualquer dificuldade em traduzir as palavras de São Paulo para a realidade física, tanto que o primeiro tabernáculo tem regulamentos de culto divino e um santuário terrestre. Com um “santuário terrestre” São Paulo queria significar que “era por assim dizer, um modelo do Mundo, onde estava também o candelabro, significando com isso os luminares do Céu e a mesa; ou seja, a Terra, e o pão da proposição, significando com isso os frutos que ela produz. Quando as escrituras diziam que a mesa do tabernáculo deveria ter 2 cúbitos de comprimento e um de largura, significava que a Terra plana tinha de comprimento, de Leste para Oeste, o dobro da largura. No atraente plano de Cosmas a terra era uma imensa caixa retangular, muito semelhante a uma arca com uma tampa arqueada – a abóboda do Céu – por cima da qual o Criador observava sua obra.

No Norte havia uma grande montanha, à volta da qual o Sol se movia e cujas obstruções à luz solar explicavam as durações variáveis dos dias e das estações. As terras do Mundo eram simétricas no Oriente, os Indianos, no Sul, os Etíopes no Ocidente, os Celtas e no Norte, os Citas. E do Paraíso fluíam os 4 grandes rios: o Ganges, para a Índia; o Nilo através da Etiópia, para o Egito e o Tigres e Eufrates que banhavam a Mesopotâmia. Havia apenas uma face da Terra – aquela que Deus nos dava, os descendentes de Adão – o que tornava qualquer sugestão da existência de antípodas, além de absurda, também uma sugestão herética.       

Geógrafos cristãos encontraram um tesouro de recursos nas antigas fantasias e, desdenhando a ciência pagã que era considerada ameaça à fé cristã, os seus preconceitos não incluíam os mitos pagãos. Estes eram tão numerosos e tão contraditórios que satisfaziam aos mais dogmáticos objetivos cristãos. Apesar de temerem os cálculos muito aproximados da realidade de Erastóstenes, Hiparco e Ptolomeu, adornavam alegremente seus piedosos mapas que tinham Jerusalém como centro, com as mais extravagantes especulações da imaginação pagã. Júlio Solino (cognominado “Contador de Variadas Histórias”) forneceu a fonte do mito geográfico durante todos os anos do grande interregno, do século IV até o século XIV. Provavelmente ele não era cristão e, nove décimos da sua “Coletânea de Coisas Maravilhosas”, publicada entre 230-240 d.C., provinha diretamente da “História Natural” de Plínio, embora Solino sequer mencione o seu nome. E o resto foi forjado com base em outros autores clássicos, pois o talento peculiar de Solino era “extrair a escória e deixar o outro”. Porém, é duvidoso que alguém tenha, durante um período tão longo, influenciado a Geografia tão profunda e nocivamente. No entanto, a escória de Salino exercia grande atração, pois o próprio Santo Agostinho bebeu na sua fonte, assim como outros pensadores da Idade Média. As histórias e as fabulosas imagens de Salino deram vida aos mapas cristãos até a Era dos Descobrimentos e se tornaram uma rede abrangente de fantasia, substituindo a esquecida grelha racional de Latitude e Longitude que tinha sido o legado de Ptolomeu.     

Enquanto uma Terra esférica era a base da cartografia grega, uma Terra plana era a dos Chineses. Na altura em que Ptolomeu fizera seu o trabalho no Ocidente, cartógrafos chineses criaram técnicas de grelhas de mapas e uma rica tradição de cartografia do Mundo, a qual cresceu sem o amnésico interregno que atormentou o Ocidente. Os Gregos também tinham elaborado seu sistema de grelha por meio de linhas de latitude e longitude tão facilmente traçadas à volta de uma esfera. Mas, como era muito difícil projetar uma superfície esférica numa folha plana, na prática o sistema de grelha helênico (de latitude e longitude) não era diferente do que teria sido se eles tivessem concebido a superfície da Terra como sendo plana.

Visto o sistema de grelha helênico ter nascido dos requisitos de uma forma esférica, a grelha retangular chinesa – que tornou possível toda a sua cartografia – deve ter tido outras origens completamente diferentes. Quais? Na consulta aos antigos registros encontramos referências a mapas e a seus usos. A China era simultaneamente a criatura e o criador de uma imensa burocracia que tinha de conhecer as características de suas extensas regiões. E, quando o imperador Zhou viajava pelo seu reino, o geógrafo real ia a seu lado, explicando-lhe a topografia e os produtos característicos de cada parte do país. No apogeu da cartografia religiosa na Europa, os Chineses avançaram firme no sentido da cartografia quantitativa. Antes mesmo de Ptolomeu ter feito o seu trabalho em Alexandria, um pioneiro chinês já tinha projetado uma rede de coordenadas acerca do céu e da Terra e calculado na base dela.

Passados dois séculos, o Ptolomeu chinês – Pei Xiu – aplicou essas técnicas para fazer um mapa da China. No prefácio de seu atlas, Pei Xiu deu instruções para se fazer um mapa na escala devida, com grelhas retangulares: _ “Se traçarmos um mapa sem as divisões graduadas, não existiria maneiras de distinguir entre o que é perto ou longe. Assim, mesmo que existam grandes obstáculos como altas montanhas ou grandes lagos, tudo pode ser tomado em consideração e determinado. Quando o princípio da grelha retangular é devidamente aplicado, então o reto e o curvo, o próximo e o distante não podem ocultar-nos nada da sua forma”.

  



([1])  Quem, em relação a outra pessoa, vive do outro lado da Terra. Habitante de um lugar, no mundo, diametralmente oposto a outro: o japonês é antípoda do brasileiro.

 

([2])  Termo antigo para sulfatos metálicos (cristais com aparência de vidro) e, mais comumente, o ácido sulfúrico. Trata-se de um líquido extremamente corrosivo, nocivo que, na alquimia, representa a purificação, enquanto no sentido figurado refere-se a palavras ou críticas "vitriólicas"; ou seja, amargas, cáusticas e severamente condenatórias


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segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Organização Afetiva Humana (Pensamentos, Sentimentos e Emoções)

Como Se Formam Nossos Pensamentos? Onde se Originam os Sentimentos? Como Controlar Nossas Emoções? Quais São as Quatro Emoções Básicas?

 



Especialistas do comportamento humano afirmam que os pensamentos, os sentimentos e as emoções formam a tríade da nossa saúde mental e comportamental, pois a forma como o ser humano interpreta o mundo – o pensamento – gera as reações físicas automáticas que são as emoções, as quais se tornam experiências conscientes duradouras (sentimentos), que acabam guiando nossas ações. Assim, reconhecer que pensamentos, sentimentos e ações formam uma cadeia é o primeiro passo para o autoconhecimento humano, o qual o líder precisará para poder administrar pensamentos, sentimentos e emoções. Então, se o Líder Inspirador quiser mudar seu sentimento em relação a uma situação, muitas vezes o caminho mais prático e efetivo será o de avaliar e questionar o seu pensamento inicial, conforme ensinado pelas abordagens da Terapia Cognitivo Comportamental.

 

 

PENSAMENTOS

 

 

Os pensamentos são manifestações mentais que abrangem uma ampla gama de processos cognitivos tais como as ideias, reflexões, raciocínios e percepções. São fenômenos mentais que surgem – e se desenvolvem – na mente, envolvendo a capacidade de conceber, organizar e interpretar informações para compreender a realidade e tomar decisões baseadas nessa compreensão. No mundo tão complexo de hoje, pensar ainda é uma função indispensável e, na verdade, o problema não está na forma como as pessoas pensam, mas sim no grau de importância que se dá a cada pensamento. Um pensamento positivo é a forma de pensar positivamente, alegre, com amor e harmonia tendo confiança e otimismo no presente e futuro. Existem bons exemplos de Pensamentos Positivas tais como: “Eu vou conquistar meus objetivos”, “Eu vou conseguir vencer, vou lutar até conseguir” ou “Eu tenho fé que vou encontrar o amor da minha vida”. Por outro lado, os pensamentos negativos são aqueles que geralmente estão relacionados com preocupações, medos, ansiedades ou situações violentas que fazem com que as pessoas não consigam se concentrar em fazer outras coisas. Esses tipos de pensamentos são comuns a todas as pessoas. Exemplos de Pensamentos Negativos podem ser “Eu não sou capaz de passar no vestibular e ingressar na Faculdade”, “Eu não vou conseguir vencer na vida” ou “Eu tenho medo de relacionamentos, pois já sofri uma vez”.

 

SENTIMENTOS

 

 

São respostas emocionais geradas a partir de experiências, influenciando a percepção consciente das emoções. Eles se originam das reações emocionais conscientes, podendo residir no subconsciente e serem ocultados do ambiente externo, moldando a forma como uma pessoa percebe e interage com o mundo ao seu redor. Exemplo: Uma pessoa conhece outra e rola aquele clima de alegria (emoção). Passados algum tempo estão juntos e se casam, logo aquela alegria do início vira amor (sentimento). Existem vários tipos de sentimentos nos seres humanos tais como calmo, amedrontado, agitado, assustado, confiante, chocado, furioso, esgotado e outros.

 

 

EMOÇÕES

 

 

Emoção é uma sensação que as pessoas sentem – de forma emocional ou física – que são provocadas por algum estímulo, que pode ser através de acontecimentos ou sentimentos. É fácil perceber quando alguém está emocionado (a), pois a emoção deixa rastro. Lidar com as emoções varia de acordo com cada pessoa, pois cada um age de forma diferente. Exemplo: uma atendente pode ficar triste porque um cliente falou em um tom alto com ela, enquanto outra pode agir com doçura, perguntando de que forma ela poderia ajudá-lo.

Geralmente as pessoas confundem emoção e sentimento, acreditando que são a mesma coisa, mas ambas são bastante diferentes. É muito comum as pessoas os considerarem sinônimos, mas na realidade não são. A emoção é um conjunto de respostas químicas e neurais que surgem quando o cérebro sofre um estímulo ambiental; é uma reação imediata a um acontecimento que foi gerado; é algo que mexe com todo o corpo, que não envolve pensamentos e que foge do controle. Já o sentimento é uma resposta à emoção, ou seja, trata-se de como a pessoa se sente diante de tal emoção e envolve um alto grau de compreensão mental, de percepção e de avaliação de uma determinada situação.

É importante entender que uma emoção cria um sentimento e que esse sentimento pode criar novas emoções e outros sentimentos. Portanto, apesar de distintos, emoção e sentimento estão intimamente conectados. Exemplo de Emoção: Seu chefe lhe chamou à atenção na frente de seus colegas de trabalho, provocando em você muita “tristeza” ou “raiva”. Isso é uma emoção, não tem como você pensar no momento ou controlar de imediato o que você sentiu, sua expressão vai mudar, seu rosto pode ficar vermelho, você pode chorar etc. Exemplo de Sentimento: Você pode guardar “mágoa”, “ódio” do seu chefe por longos dias, semanas, meses e até anos, e isso é sentimento, algo mais duradouro.

 

As Quatro Emoções Básicas

 

 

1) Alegria: Trata-se de uma emoção positiva associada ao prazer e à felicidade, estando presente tanto em seres humanos quanto em animais mais desenvolvidos. A emoção surge quando alcançamos metas pessoais ou profissionais, conhecemos pessoas especiais ou praticamos atividades que nos agradam. Quando experimentamos alegria, o cérebro libera diversos neurotransmissores, que são mensageiros químicos liberados pelos neurônios. Alguns exemplos desses neurotransmissores são a dopamina, serotonina, endorfina e a ocitocina – conhecidos como hormônios da felicidade. Essas substâncias desempenham um papel crucial na regulação do humor e na sensação de bem-estar associada à alegria. Então, a alegria:

 

·        Funciona como um combustível que nos ajuda a superar as dificuldades da vida;

·        Torna nossa vida agradável;

·        Equilibra as experiências de frustração, desilusão e afetos negativos em geral;

·        Permite a preservação do bem-estar emocional diante dos acontecimentos estressantes;

·        Gera a gratidão genuína da vida;

·        Nos reconecta com nossa essência;

·        Quando compartilhada tem o poder de multiplicar e contagiar a todos ao nosso redor.

 

2) Tristeza: Não possui neurotransmissores e não tem hormônios. Então, pode-se dizer que a Tristeza é a ausência de Alegria, Prazer, Satisfação, Motivação, Ação, Amor, Carinho, Paz, Perseverança etc. Assim a Tristeza:

 

·        Surge quando perdemos pessoas ou coisas;

·        Pode nos acometer por meio de pessoas que nos fizeram sentir decepcionados, humilhados, abandonados, criticados, injustiçados, traídos, agredidos e rejeitados;

·        Nos ensina a lidar com as perdas e decepções da vida;

·        Propicia um ajustamento a uma perda, permite-nos descansar, recuperar as energias e nos ajuda a liberar o que já perdemos, abrindo espaço para novas experiências, fechando ciclos antigos e abrindo novos;

·        Quando compartilhada, traz alívio.

 

3) Raiva: Trata-se de uma emoção intensa que você sente quando algo dá errado ou alguém faz mal a você. Geralmente é caracterizada por sentimentos de estresse, frustração e irritação. Todos nós sentimos raiva de vez em quando, pois ela é uma resposta perfeitamente normal a situações frustrantes ou difíceis. Então, a raiva:

 

·        Aumenta os níveis de energia;

·        Pressão arterial elevada;

·        Aumento de hormônios como adrenalina e noradrenalina;

·        Aumento da temperatura corporal.

 

A) Raiva Produtiva: Este tipo de emoção nos coloca em movimento para mudar uma situação ou para nos defender/proteger. Não perdemos o controle, nem machucamos alguém ao expressá-la. Nós a utilizamos para provar a nós mesmos e ao mundo que somos capazes de fazer algo, ela nos permite fazer mais, realizar mais, executar mais as coisas importantes da nossa vida.

B) Raiva Negativa: Este tipo se manifesta por meio da agressividade, com o outro ou com nós mesmos. O calor das emoções afeta significativamente a função racional, e agimos de forma primitiva, agredindo verbalmente ou até fisicamente.



 

4) Medo: É uma reação involuntária ocorrida quando passamos por algum estímulo estressante, que nos protege e que nos mantém vivos. Sem essa emoção, nos colocaríamos em risco o tempo todo sem pensar, já que o medo evita que isso aconteça, pois é uma reação involuntária e natural. Assim, o medo:

 

·        É a primeira emoção sentida por um ser humano, quando a pessoa ainda está no útero materno;

·        Garante a preservação do ser humano;

·        Protege-nos de situações de ameaça ou perigo;

·        Impulsiona-nos a fugir ou paralisar diante de uma situação de risco;

·        Ajuda-nos a liberar a energia criativa;

·        Em situações de risco ou pressão, gera uma intensa força que nos faz agir instintivamente para preservar a vida.

 

Ao pensar em liderança, muitos estudiosos descrevem as características cognitivas (como visão estratégica, raciocínio rápido e outras) e sempre acrescentam a expressão “Liderança Inspiradora”. Mas, para poder inspirar, um líder precisará administrar pensamentos, sentimentos e emoções. E isso pode ser um problema para ele e sua equipe. Então, a grande questão é: como direcionar a sua própria emoção e a de outras pessoas habilmente para que todos possam ter uma performance superior? Vamos mudar o contexto para chegarmos a um entendimento melhor. Então, pense na educação de uma criança. Os pais são os líderes inspiradores, certo? Da mesma forma, se você não souber lidar com suas emoções como pai/mãe, como conseguirá ensinar seus filhos a lidar com as emoções deles, para que se tornem adultos inteligentes emocionalmente? Essas questões demonstram a importância de desenvolvermos a inteligência emocional diariamente, pois, como seres humanos, experimentamos diferentes emoções o tempo todo. E, pior ainda, nossas emoções podem levar a um efeito em cadeia ao nosso redor.

Basta lembrar que, quando alguém chega ao escritório esbanjando raiva, cada palavra e gesto refletem sua emoção, certo? De repente, o clima no departamento fica ruim. Todos começam a tratar uns aos outros de forma raivosa, mas sem motivo aparente. Portanto, lembre-se que os sentimentos são contagiosos, para o bem e para o mal. Daí a forma como reagimos a cada uma dessas emoções nos ajuda a alcançar nossos objetivos pessoais e profissionais. E isso também permite que sejamos melhores líderes, desenvolvendo relacionamentos saudáveis, com uma vida mais equilibrada e feliz.

 

 

 

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

A Prisão ao Dogma Cristão na Descrição da Terra

Por Que a Cristandade Ortodoxa Ergueu Barreiras Contra o Conhecimento da Terra na Idade Média? Como a Fé e os Dogmas Cristãos Suprimiram a Imagem do Mundo Que Tinha Sido Traçada Pelos Antigos Geógrafos? Por Que o Jardim do Éden Era Uma Imagem Sedutora Para os Cristãos?

 



 

A Europa cristã não deu continuidade ao trabalho geográficos de Ptolomeu e, em vez disso, a cristandade ortodoxa ergueu muitas barreiras contra o progresso sobre o conhecimento da Terra. Os geógrafos cristãos da Idade Média consumiram suas energias elaborando um quadro teologicamente atraente do que já era conhecido – ou supostamente conhecido. A Geografia não tinha lugar dentre as sete (7) artes liberais, pois ela não se ajustava nas disciplinas matemáticas (aritmética, música, geometria e astronomia) nem nas disciplinas lógicas e linguísticas (gramática, dialética e retórica). Durante os mil anos da Idade Média a palavra “Geografia” não teve sinônimo e ela só começou a ser usada na língua inglesa, em meados do século XVI. E, sem a dignidade de uma verdadeira disciplina, a Geografia era uma órfã no mundo do saber. A matéria se tornou um saco de trapo cheio de miscelânea de conhecimentos, dogmas bíblicos, histórias de viajantes, especulações de filósofos e imaginário mítico. É mais fácil contar o que aconteceu do que tentar explicar como aconteceu, ou o porquê.

Depois da morte de Ptolomeu, o cristianismo conquistou todo o Império Romano – e a maior parte da Europa. Observou-se então um fenômeno de amnésia erudita que atormentou o continente do ano 300 a. C. até o ano 1300 d.C. Durante esses séculos a fé e os dogmas cristãos suprimiram a útil imagem do Mundo que tinha sido tão lentamente traçada pelos antigos geógrafos e, por isso, não encontramos mais os cuidadosos esboços de Ptolomeu sobre os litorais, rios e montanhas, a que se sobrepunha uma grelha prática baseada nos dados astronômicos mais conhecidos. Em vez disso, simples diagramas afirmam autoritariamente qual é a verdadeira forma da Terra, embora não passassem de caricaturas.

Não faltam provas de que os geógrafos medievais pensavam; pois, mais de 600 Mapas do Mundo da Idade Média chegaram até nossos dias e, nos tempos anteriores à prensa de imprimir, cada um deles deve ter-se perdido. E, o mais extraordinário é que quando tais mapas eram apenas imaginários, houvesse tão pouca variação nas plantas da Terra. A forma comum dessas caricaturas resultou que se tornassem conhecidos os “mapas de roda” (ou mapas T.O.). Toda a terra habitável era descrita como um prato circular (um “O”) dividido por uma corrente de água em forma de “T”. O Oriente ficava no cimo, significando que “orientava” o mapa. Por cima do “T” ficava a Ásia, por baixo e à esquerda da vertical ficava a Europa e à direita a África. Já a barra que separava a Europa e a África da Ásia era o Mediterrâneo; a barra horizontal que separava a Europa e a África da Ásia eram os rios Danúbio e Nilo e, o “mar oceano”, cercava tudo.

Concebidos para exprimir o que se esperava que os cristãos ortodoxos acreditassem, eles eram menos mapas de conhecimentos do que dogmas bíblicos, pois no centro de cada um deles ficava Jerusalém. Não havia nada de novo em colocar o lugar “mais sagrado” no centro, pois também foi aí que os hindus colocaram a sua montanha Meru, “o centro da Terra”. A crença de uma montanha sagrada com variantes no Egito e na Babilônia era uma maneira de dizer que o lugar mais proeminente do planeta tinha sido o umbigo do Mundo. As cidades orientais também se colocavam no centro, pois a Babilônia, por exemplo, era o lugar onde os deuses desciam à Terra. Na tradição muçulmana, a Caaba era o ponto mais alto da Terra e a Estrela Polar mostrava que Meca ficava num ponto oposto ao centro do céu. A capital para um soberano chinês situava-se onde o Relógio de Sol não projetava nenhuma sombra ao meio-dia do Solstício de Verão. Assim, não foi surpreendente que os geógrafos cristãos também colocassem a sua cidade santa no centro, fazendo dela o lugar de peregrinação e o destino das Cruzadas.

Todos os povos têm querido acreditar que estão no centro, mas depois dos progressos acumulados da Geografia, era necessário um grande esforço para se ignorar a crescente massa de conhecimentos e recolher-se num mundo de fé e caricatura. Já vimos como os imperadores chineses fizeram o mecanismo do relógio celeste de Su Sung, antes de qualquer relógio comparável do Ocidente e depois sequestraram o conhecimento e a tecnologia. O grande interregno da Geografia que vamos descrever foi um ato de retrocesso muito mais extraordinário. O conhecimento geográfico em progresso no Ocidente tinha sido vasto, muito difundido e alcançou os interesses culturais de um continente variado. O dogma cristão e a tradição bíblica impuseram outras ficções da imaginação teológica ao mapa do Mundo. Os próprios mapas se tornaram guias dos antigos da Fé. Cada lugar mencionado nas escrituras exigia uma localização e se tornava um prélio tentador para os geógrafos cristãos.

Um desses pontos mais sedutores era o Jardim do Éden, pois na parte oriental do Mundo – no cume do mapa – os cristãos medievais geralmente representavam um Paraíso Terrestre com figuras de Adão, Eva e a serpente, tudo cercado por um muro alto ou com uma cordilheira de montanhas. “O primeiro lugar no Oriente é o Paraíso”, explicou Isidoro de Sevilha (560-636), considerado o homem mais sábio do tempo. “Um jardim famoso pelas suas delícias, aonde o homem nunca pode ir porque um muro de fogo o cerca e chega ao Céu. Aí se encontra a árvore da vida que dá a imortalidade, aí a nascente que se divide em quatro rios que correm e irrigam o Mundo”. A crença do Éden se tornou um prazer, assim como um dever. Em hebraico Éden significa “um lugar de delícias”. Deus colocou o Éden num monte tocando no círculo da órbita da Lua, para que o Paraíso ficasse em segurança e seco acima das águas do Dilúvio. A ficção ligada ao Paraíso tornou-se um gênero da literatura sagrada, do mesmo modo que a aventura espacial viria a ser uma forma de ficção científica. E, segundo uma história popular, Set – filho de Adão – trouxe consigo sementes da Árvore da Sabedoria para semear na boca de Adão, depois de este morrer e a árvore que brotou dessa semente forneceu a madeira para a cruz em que Cristo seria crucificado.

Uma outra história contava como três monges tinham saído do seu monastério em busca do lugar onde “a terra se une ao céu”. Chegaram ao deserto escuro da Índia, onde encontraram homens com cabeça de cão, pigmeus, serpentes e viram os altares que tinham sido erguidos por Alexandre o Grande para assinalar as fronteiras das suas próprias viagens. Através de paisagens fantásticas povoadas de gigantes e de aves que falavam, os monges foram andando até, que, a pouco mais de 30 km do Paraíso Terrestre, encontraram o idoso S. Macário vivendo numa caverna com dois leões mansos. Ele contou-lhes histórias das maravilhas do Paraíso, mas para acabar por manda-los voltar para trás, com a advertência de que no Éden nunca poderiam entrar homens vivos. Mas, nem mesmo em questões tão fundamentais como a localização do Éden os geógrafos cristãos eram unânimes e, um dos mais famosos viajantes mortais para o Paraíso foi o monge irlandês S. Brandão (484-578) quem convencido de que o Paraíso ficava algures no Oceano Atlântico, navegou para o Ocidente até que chegou a uma bela ilha de incomparável fertilidade.

Confiantemente, S Brandão afirmou tratar-se do Paraíso. E, até mesmo aqueles que preferiram situar o “seu” Paraíso noutro lado do Mundo, conservavam a “Ilha” de S. Brandão nos seus mapas e nas suas cartas. A história desse heroico monge foi contada em latim, francês, inglês, saxão, flamengo, irlandês, galês, bretão e gálico escocês. A sua ilha sagrada permaneceu assinalada em mapas durante mais de mil anos, pelo menos até 1759. E os pioneiros da Cartografia e da Navegação modernas tentaram obedientemente encontrá-la. Em 1492 o fabricante de globos clássicos Martin Behain colocou a ilha de São Brandão junto do equador, a oeste das Canárias, enquanto outros a encontravam mais perto da Irlanda e outros a viam nas Índias ocidentais. Mas, somente ao fim de dois séculos (1527-1721) de expedições portuguesas em busca do Paraíso Terrestre da Ilha de São Brandão, os crentes cristãos finalmente abandonaram essa demanda, pois tinham encontrado noutro lado uma localização melhor para “seu Éden”.   

 

 

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