quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Conceitos Fundamentais Para a Gestão do Tempo

 Como Equilibrar Vida Pessoal e Profissional? Quais os Principais Benefícios da Gestão do Tempo? Por Que Manter-se Organizado Ajuda a Ganhar Tempo? Como Identificar Objetivos e Prioridades?




 

A gestão de tempo é um processo meticuloso de planejamento e controle da maneira como um profissional distribui seu tempo entre as atividades diárias, visando otimizar sua eficiência, sua produtividade e, em consequência disso, sua qualidade de vida. Essa prática envolve a tomada de decisões deliberadas sobre como alocar seu tempo entre várias tarefas, priorizando-as com base em seus objetivos e metas pessoais e profissionais. Uma gestão de tempo eficiente traz diversos benefícios, como:

 

·        Cumprimento dos Objetivos Dentro dos Prazos Estabelecidos: Ao gerir adequadamente seu tempo, você é capaz de concluir tarefas e alcançar metas dentro dos prazos determinados, evitando atrasos e aumentando a probabilidade de sucesso.

·        Redução do Estresse e Ansiedade Relacionados à Sobrecarga de Trabalho: A gestão de tempo eficiente ajuda a prevenir o acúmulo de tarefas e a sobrecarga de trabalho, contribuindo para a diminuição do estresse e ansiedade associados a prazos apertados e metas desafiadoras.

·        Aumento da Produtividade e Eficiência: Ao alocar tempo adequadamente para as tarefas e priorizar de acordo com sua importância, você pode realizar mais em menos tempo, melhorando sua produtividade e eficiência geral.

·        Melhoria da Qualidade de Vida Através do Equilíbrio Entre Responsabilidades Pessoais e Profissionais: A gestão de tempo eficiente permite que você equilibre adequadamente suas responsabilidades pessoais e profissionais, resultando em uma melhor qualidade de vida e maior satisfação em todas as áreas.

·        Desenvolvimento de Habilidades de Planejamento, Priorização e Tomada de Decisão: A prática constante de gestão de tempo aprimora suas habilidades de planejamento e priorização, bem como a tomada de decisões informadas e eficazes. Essas habilidades são transferíveis e podem ser aplicadas em diversos contextos, tanto pessoais quanto profissionais.

 

Organização

 

A organização é um processo crucial na gestão do tempo de qualquer profissional, envolvendo a ordenação e a estruturação de seus recursos, ambiente e tarefas – de forma lógica e eficiente. Essa prática abrange a implementação de sistemas e rotinas que simplificam o gerenciamento de suas responsabilidades e o alcance de seus objetivos. Uma boa organização traz diversos benefícios, como:

 

·        Manutenção de Um Ambiente de Trabalho e Vida Pessoal Limpos e Ordenados: Ao manter um espaço organizado, seja em casa ou no escritório, você cria um ambiente mais agradável e produtivo. Por exemplo, ao manter sua mesa de trabalho livre de desordem e seus documentos arquivados de forma adequada, você se sentirá mais motivado para se concentrar nas tarefas em mãos.

·        Acesso Facilitado às Informações e Recursos Necessários Para Realizar Suas Tarefas: Uma boa organização permite que você encontre rapidamente documentos, arquivos digitais ou materiais necessários para concluir suas atividades. Por exemplo, ter um sistema de arquivamento eficaz, seja físico ou digital, garante que você possa localizar documentos importantes sem perder tempo buscando-os.

·        Prevenção da Perda de Tempo e Energia Procurando Itens Perdidos ou Desorganizados: Ao manter seus pertences e informações organizados, você evita perder tempo e energia procurando itens extraviados. Por exemplo, guardar suas chaves, celular e outros itens essenciais em locais específicos facilitará a localização desses objetos quando precisar deles.

·        Redução da Sensação de Sobrecarga e Estresse Relacionados ao Caos e à Desordem: Ambientes desorganizados podem gerar estresse e ansiedade, tornando difícil a concentração nas tarefas importantes. Ao manter sua vida organizada, você reduz a sensação de sobrecarga e estresse. Por exemplo, criar uma rotina diária e uma lista de tarefas ajudará a manter a clareza mental e o foco nas atividades prioritárias.

·        Melhoria da Eficiência e Produtividade, Já Que um Ambiente Organizado Facilita a Concentração e o Foco: Um ambiente limpo e organizado promove uma maior concentração e foco, permitindo que você trabalhe de maneira mais eficiente e produtiva. Por exemplo, ao manter um espaço de trabalho organizado e livre de distrações, como notificações de redes sociais e dispositivos eletrônicos, você se sentirá mais focado e capaz de realizar suas tarefas com maior eficiência.

 

A gestão de tempo e a organização são habilidades essenciais para o sucesso na vida pessoal e profissional, estando intrinsecamente relacionadas. Quando aplicadas de maneira eficaz, podem trazer inúmeros benefícios e, diante disso, vamos destacar a importância dessas duas habilidades em diferentes aspectos da vida.

 

Vida Pessoal

 

·        Equilíbrio Entre Vida Pessoal e Profissional: A gestão de tempo e organização permite que você estabeleça limites claros entre as responsabilidades pessoais e profissionais, garantindo tempo de qualidade para ambos os aspectos de sua vida.

·        Redução de Estresse e Ansiedade: Quando você gerencia bem seu tempo e mantém um ambiente organizado, é menos provável que se sinta sobrecarregado e ansioso. Isso resulta em menos estresse e maior bem-estar emocional.

·        Maior Produtividade: A gestão eficiente do tempo e a organização ajudam a melhorar a produtividade, permitindo que você alcance mais em menos tempo. Isso libera tempo para atividades de lazer, hobbies e relacionamentos.

·        Desenvolvimento Pessoal: Aprender a gerenciar o tempo e organizar-se permite que você identifique oportunidades de desenvolvimento pessoal e estabeleça metas para aprimorar suas habilidades e conhecimentos.

 

Vida Profissional

 

·        Aumento da Eficiência e Produtividade: A gestão de tempo e organização no trabalho ajuda a maximizar a eficiência e a produtividade, permitindo que você conclua tarefas e projetos de maneira mais rápida e eficaz.

·        Melhora na Qualidade do Trabalho: Quando você organiza bem seu tempo e ambiente de trabalho, é mais fácil manter o foco e a concentração, o que resulta em um trabalho de melhor qualidade.

·        Avanço na Carreira: Dominar habilidades de gestão de tempo e organização pode levar a um melhor desempenho no trabalho e, consequentemente, a promoções e avanços na carreira.

·        Trabalho em Equipe e Liderança: A gestão de tempo e organização são habilidades valiosas para trabalhar em equipe e liderar projetos. Ao gerenciar bem seu tempo e manter-se organizado, você se torna um exemplo e um líder mais eficaz.

 

Sendo assim, aprimorar as habilidades na gestão de tempo e em organização pode trazer diversos benefícios, tanto para sua vida pessoal quanto profissional e alguns dos benefícios incluem:

 

·        Aumento da Produtividade: Com uma boa gestão de tempo e organização, você pode realizar mais tarefas em menos tempo, melhorando sua produtividade geral. Isso permite que você alcance seus objetivos de maneira mais rápida e eficiente.

·        Melhoria na Qualidade do Trabalho: A capacidade de se concentrar e manter-se organizado resulta em um trabalho de maior qualidade. Quando você está organizado e administra bem seu tempo, é mais fácil evitar distrações e manter o foco nas tarefas importantes.

·        Redução do Estresse: A gestão eficiente do tempo e a organização ajudam a minimizar o estresse e a ansiedade relacionados à sobrecarga de trabalho e prazos apertados. Ao ter um controle maior sobre suas tarefas e tempo, você se sentirá mais no comando e menos sobrecarregado.

·        Melhora no Equilíbrio Entre Vida Pessoal e Profissional: A habilidade de gerenciar seu tempo e organizar-se permite que você estabeleça um equilíbrio saudável entre suas responsabilidades pessoais e profissionais. Isso resulta em mais tempo para relacionamentos, hobbies e autocuidado.

·        Maior Flexibilidade: Uma boa gestão de tempo e organização proporciona maior flexibilidade para lidar com imprevistos e mudanças de planos. Isso permite que você se adapte rapidamente a novas situações e mantenha o progresso em direção aos seus objetivos.

·        Desenvolvimento de Habilidades Transferíveis: A gestão de tempo e organização são habilidades transferíveis que podem ser aplicadas a diferentes aspectos da vida e em diversos contextos profissionais. Ao dominar essas habilidades, você se tornará um profissional mais versátil e valioso no mercado de trabalho.

·        Maior Satisfação Pessoal e Profissional: Ao gerenciar seu tempo e manter-se organizado, você será capaz de alcançar seus objetivos e metas com maior eficácia. Isso resulta em maior satisfação pessoal e profissional, já que você se sentirá realizado e no controle de sua vida.

 

Identificando Seus Objetivos e Prioridades

 

Uma das etapas fundamentais na gestão de tempo e organização é identificar seus objetivos e prioridades. Saber o que é importante para você e o que deseja alcançar ajudará a direcionar seu tempo e esforços de forma mais eficaz. Dessa forma, vamos abordar a seguir como identificar seus objetivos e prioridades, considerando metas de curto, médio e longo prazo.

 

·        Auto Avaliação: Comece refletindo sobre sua vida pessoal e profissional. Pergunte-se o que você deseja alcançar em diferentes áreas de sua vida, como carreira, educação, saúde, relacionamentos e finanças. Faça uma lista de seus objetivos e interesses.

·        Metas de Curto, Médio e Longo Prazo: Organize seus objetivos em categorias de curto (até 1 ano), médio (1 a 5 anos) e longo prazo (mais de 5 anos). Isso ajudará a criar um plano de ação mais estruturado e a definir prioridades de acordo com o prazo para alcançar cada objetivo.

·        Priorização: Analise sua lista de objetivos e atribua um nível de prioridade a cada um deles. Considere a importância de cada objetivo em relação aos outros e o impacto que alcançá-lo terá em sua vida. Ao estabelecer prioridades, você pode alocar seu tempo e recursos de forma mais eficiente.

·        Revisão e Ajuste: À medida que você avança em direção aos seus objetivos, é essencial revisar e ajustar suas prioridades regularmente. Isso permitirá que você identifique mudanças em suas circunstâncias, interesses e metas, garantindo que seu plano de ação permaneça atualizado e relevante.

·        Alinhamento Com Valores Pessoais: Certifique-se de que seus objetivos e prioridades estejam alinhados com seus valores pessoais e crenças. Isso garantirá que você esteja trabalhando em metas significativas e importantes para você, aumentando a motivação e a satisfação pessoal.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

KELLER, Gary. A Única Coisa: a Verdade Surpreendentemente Simples Por Trás de Resultados Extraordinários. São Paulo, Sextante, 2021 

MCKEOWN, Greg. Essencialismo: a Disciplinada Busca Por Menos. São Paulo, Sextante, 2020

 

 

 

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fim do Império no Brasil: os Republicanos Tomam o Poder

 Quais as Três Discordâncias Cruciais Que Levaram à Proclamação da República? Quais as Principais Características de Uma República? O Que Foi o Voto de Cabresto? Que Motivos Levaram à Revolta dos Canudos?

 



 

O Império Brasileiro terminou em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, liderada pelo Mal. Deodoro da Fonseca. Este evento foi resultado de uma crise da monarquia, que perdeu apoio de grupos importantes como o Exército, a Igreja e grupos escravocratas. Enfrentando uma série de crises, o Império Brasileiro, sob a liderança de Dom Pedro II, se tornou cada vez mais frágil diante das novas ideias de república, liberdade e de igualdade que, lentamente, se espalhavam pelo país ao longo da segunda metade do século 19. O ponto final do império – que havia nascido em 1822 – terminou de forma melancólica em 15 de novembro de 1889, em função das discordâncias provocadas por três (3) questões cruciais:

 

·        Questão Militar: O Exército brasileiro – que lutou na Guerra do Paraguai – não aceitou mais a condição de império que havia no Brasil, enquanto os outros países da guerra eram todos republicanos. Além disso, o Exército se revoltou com a possibilidade de ter de vir a perseguir negros fugidos das fazendas brasileiras. Essas duas situações colocaram o exército como adversário de D. Pedro II. 

·        Questão Escravista: a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, sem indenização pelos escravos libertos, fez com que os fazendeiros brasileiros se posicionassem contra o Império e contribuíssem para o surgimento da república. 

·        Questão Religiosa: O imperador participava da Maçonaria e de certa forma a defendia como chefe do império. Isso fez com que a Igreja Católica rompesse relações com o império. 

 

Dessa forma, a união dessas três (3) questões enfraqueceu o Império que acabou sendo substituído em 15 de novembro de 1889 pela República.

 

A Primeira República

 

De acordo com o Dicionário Aurélio, República é uma Forma de Estado na qual os representantes são eleitos, de forma direta ou indireta, para o exercício de mandatos temporários. Partindo da definição do dicionário, a “república” é um regime em que os governantes são eleitos para períodos bem definidos, portanto os políticos não deveriam e nem devem ficar muitos anos no poder. Mas essa não é a única característica de uma República, pois, o termo também nos leva a considerar que em um regime republicano todas as pessoas/cidadãos são iguais, sem distinção entre nobres e plebeus como acontece nas monarquias. Assim, alguns autores afirmam que duas das principais características da Primeira República são o voto de cabresto e o “coronelismo”, pois as pessoas eram obrigadas a votar nos candidatos do “coronel” chefe político da região. Entre outras características, a primeira e mais importante é o total domínio das oligarquias agrárias (Oligarquias são famílias ricas que dominaram e ainda dominam parte da política brasileira); a segunda é a força da economia cafeeira, o produto mais importante na exportação do país; a terceira é o distanciamento gigantesco entre as necessidades da população e as práticas dos governantes que pouco ligavam para as dificuldades do povo. Durante a República Velha o principal produto da economia brasileira foi o café. Este item foi responsável pela geração de riqueza nas regiões do Rio de Janeiro e São Paulo, onde atualmente encontram-se as velhas fazendas de café, que servem até mesmo para filmagens das telenovelas que abordam o século XIX. Toda essa riqueza gerou um grupo social muito poderoso: os Barões do Café que influenciaram as decisões importantes do país. Mas não era apenas de café que o Brasil vivia. Produzia-se também algodão no Nordeste, erva-mate no Sul, especiarias no Norte. Sendo assim, alguns historiadores afirmam que São Paulo e Minas tomaram o trono e não deixaram outros Estados chegarem perto do poder. O poder na República Velha era dominado por dois (2) grupos: São Paulo e Minas Gerais. Os demais Estados do Brasil ficavam tentando alcançar esse poder, mas não conseguiam.

 

Política e Eleições

 

Em termos de política havia um enorme domínio das famílias – ou oligarquias – que produziam os principais produtos. Esse domínio na prática acabou fazendo com que surgissem modos de dominar as comunidades e o próprio voto das pessoas. As maneiras de dominar as comunidades eram o voto de “cabresto” e os “currais eleitorais” e isso fazia com que as decisões sobre como gastar dinheiro com impostos ficassem apenas nas mãos das oligarquias. O voto de cabresto é aquele em que o eleitor acaba votando com medo ou pressionado por alguém. Já curral eleitoral é aquele espaço geográfico em que um determinado político domina com mão de ferro. Pode ser uma vila, um bairro ou até mesmo uma cidade. Em alguns casos há o domínio de um determinado grupo de pessoas como trabalhadores, motoristas ou operários. Política dos governadores pode ser entendida como o acordo entre os governadores dos estados e os presidentes da república, com o fim de aumentarem o poder político deles nas eleições. Durante a República Velha houve inúmeros movimentos em que a população se organizou e buscou melhorar suas condições de vida. Entre esses movimentos se destacam: A Revolta de Canudos, ocorrida no interior do Nordeste, sob a liderança do beato Antônio Conselheiro; a Guerra do Contestado, ocorrida na divisa entre Paraná e Santa Catarina sob a liderança do monge José Maria; a Revolta da Vacina, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro; a Revolta da Chibata, ocorrida entre os marinheiros da Marinha do Brasil. Veja quão interessantes foram esses quatro (4) movimentos sociais, pois todos eles tiveram origens diferentes, mas demonstraram quantas vezes foi necessário lutar para obter melhores condições de vida. Condições estas que, hoje em dia, em pleno século 21 consideramos um direito das pessoas. Veremos a seguir um pouco sobre cada um deles:

 

·        A Revolta de Canudos (1896-1897): Este movimento ocorrido entre os anos de 1896 e 1897 foi liderado por um beato conhecido como Antônio Conselheiro, que conseguiu – no meio de sertão baiano - reunir milhares de pessoas em torno de algumas ideias básicas, como: defender-se da República; sobreviver dignamente do sustento da terra, viver de forma coletiva, pois todos tinham que aprender a dividir sua colheita e seus recursos. Com esse discurso que lembra muito a questão do “direito a terra” defendida pelo MST (Movimento Sem Terra), Antônio conselheiro passou a ser visto como um “perigo” para as elites nordestinas. Estas então aproveitaram o discurso antirrepublicano de Conselheiro e conseguiram convencer o governo federal para que mandasse um exército destruir o arraial de Canudos.

·        A Revolta do Contestado (1912-1916): As péssimas condições de vida na divisa do Paraná e Santa Catarina propiciaram este movimento que marcou a história da região sul do Brasil. Segundo o historiador Boris Fausto “O movimento (...) nasceu reunindo seguidores de um “coronel” tido como amigo dos pobres e pessoas de diversas origens atingidas pelas mudanças que vinham ocorrendo na área. Entre elas, trabalhadores rurais expulsos da terra pela construção de uma ferrovia e uma empresa madeireira e gente que tinha sido recrutada na construção da ferrovia e ficado desempregada no fim dos seus contratos”.

·        A Revolta da Vacina (1904): Em 1904, ano em que o Brasil comemorava 15 anos da Proclamação da República, o Rio de Janeiro, então capital do país, conheceu uma das mais interessantes revoltas populares já vistas nestas terras. A população carioca saiu às ruas, montou barricadas, quebrou e depredou trens e bondes. Mas o que causou tanta revolta? Para a surpresa de todos, não foi o desemprego, nem a fome, nem a falta de segurança, nem de escolas, mas sim resistência contra a obrigatoriedade de tomar a vacina contra a varíola. É claro que mais de 100 anos se passaram e na época a Revolta da Vacina demonstrou ser muito mais que uma simples resistência à vacinação: revelou que a população estava era cansada do descaso do governo com a saúde e com a moradia das populações mais pobres do Rio de Janeiro. O resultado dos conflitos foi trágico: 30 mortos, 110 feridos, 945 presos, sendo que destes quase a metade foi enviada para o estado do Acre. Por outro lado, teve duas (2) consequências: (1ª) O governo voltou atrás e retirou a obrigatoriedade da vacinação; (2ª) Mostrou que não deve haver apenas a lei obrigatória, mas sim, conscientização da população brasileira quanto à necessidade de cuidar da saúde.

·        Revolta da Chibata (1910): os marinheiros comandam os navios. Em 22 novembro de 1910, a capital do país, o Rio de Janeiro, acordou assustado. Os navios de Minas Gerais, São Paulo e Bahia se posicionaram contra a cidade. Era a revolta dos homens do mar, ou seja, da Marinha do Brasil. Os marinheiros, em geral, eram homens muito pobres e com raríssimas exceções, descendentes de africanos. E quando entravam para a Marinha acabavam sendo tratados como escravos dos tempos do Brasil colônia, apesar do Brasil já ser uma república, em que teoricamente todos os homens são iguais. Recebiam castigos físicos, através de chibatas, trabalhavam sem as mínimas condições e com pouca comida. O conjunto dessas questões fez com que João Cândido, um dos marinheiros acabasse liderando uma revolta contra os abusos dos oficiais superiores, em geral brancos.


Após alguns dias de negociação o então presidente da república concedeu aquilo que os marinheiros queriam e também os anistiava para que voltassem a trabalhar na Marinha normalmente. Final feliz para esses homens que lutaram por direitos básicos de igualdade de direitos humanos? Infelizmente não, uma vez que poucos dias depois o próprio Hermes da Fonseca voltou atrás e permitiu que a Marinha demitisse quase 1.000 marinheiros que participaram do levante. Muitos foram presos, outros deportados para o Acre e outros não resistiram aos maus tratos e morreram nas celas das prisões.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

LIMA, Ederson Prestes Santos; SCHENA, Denilson Roberto. História. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.

SILVA, Daniel Neves. "Descobrimento da América"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/descobrimento-da-america.htm. Acesso em 25 de novembro de 2025.

 

 

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

As Empresas Como Organizações

Onde se Localizam os Primórdios da Criação de Uma Empresa?  Quais as Principais Características da Fase do Desenvolvimento Industrial?  Como se Caracterizou a Fase Artesanal? Quais os Principais Objetivos das Empresas Modernas?



As organizações empresariais têm no mundo contemporâneo enorme grau de importância, embora pouco se conheça sobre a história do nascimento das primeiras empresas. Apesar de haver uma consciência geral de que as organizações empresariais somente surgiram com o capitalismo moderno – século XVI – as empresas no sentido como as conhecemos hoje são bem anteriores, podendo-se afirmar que se trata de uma criação medieval. Seus primórdios se localizam no mundo muçulmano, onde o empreendimento coletivo era temporário e a empresa islâmica tinha sua dissolução obrigatória pelas regras de herança post-mortem do islamismo, quando ocorria o falecimento de seus membros. Os empreendedores cristãos imitaram tal instituição sem as restrições da lei religiosa muçulmana e durante o reinado do rei inglês Eduardo I, através do Estatuto da Mão Morta, as corporações adquiriram seu perfil definidor ao suprimir a imortalidade das organizações, sujeitando-as às taxas de herança, as quais o reino era extremamente dependente. As empresas, até meados do século XVIII, desenvolveram-se com extrema lentidão. Apesar do trabalho organizado sempre ter existido na história da humanidade, a história das empresas e, principalmente, a história da sua administração, são um capítulo recente, que teve seu início há pouco tempo.

 

·        Fase Artesanal: Esta fase desenvolve-se até aproximadamente o ano de 1780 quando se inicia a Revolução Industrial, que surge apoiada na fonte de energia do carvão e utiliza como principal matéria-prima o ferro. Suas principais características são:

- Regime de produção – artesanato;

- Mão de obra – intensiva e não-qualificada na agricultura;

- Predomínio – pequenas oficinas e granjas;

- Trabalho – escravo;

- Poder – senhores feudais;

- Sistema comercial – trocas locais.

·        Fase de Transição do Artesanato à Industrialização: Nesta fase inicia-se o nascimento da industrialização, da mecanização das oficinas e da agricultura. Os meios de transporte e de comunicação se desenvolveram com a locomotiva e os primeiros barcos a vapor, o revestimento com pedras das estradas e o telégrafo. Sua principal característica foi o uso do carvão e do ferro como energia e matéria-prima, respectivamente. No setor têxtil, a concorrência entre ingleses e franceses permitiu o surgimento da máquina de fiar, do descaroçador de algodão e o aperfeiçoamento de teares, com o tear hidráulico.

·        Fase do Desenvolvimento Industrial: Esta fase corresponde a Segunda Revolução Industrial, entre os anos de 1860 a 1914, que tem como matéria-prima principal o aço e utiliza como energia a eletricidade. As primeiras descobertas no campo da eletricidade, como a lei da corrente elétrica e o eletromagnetismo, permitiram a introdução de profundas mudanças em todos os setores. As distâncias entre as pessoas, entre os países, entre os mercados se encurtaram, proporcionando contatos mais próximos entre o continente europeu e asiático. O aço tornou-se a mais valorizada matéria-prima, com o desenvolvimento do processo Bessemer de transformação de ferro em aço. A indústria bélica influenciou significativamente este avanço desenvolvendo a própria tecnologia metalúrgica. A explosão tecnológica entra em um ritmo ainda mais acelerado com a utilização extensiva da energia elétrica e dos motores a combustão interna. A energia elétrica, com a construção de hidrelétricas, impulsionou a indústria ao movimentar o maquinário, iluminar ruas e residências e impulsionar bondes. Os meios de transporte se sofisticaram com navios mais velozes e a expansão do desenvolvimento do telefone, do rádio e do telégrafo sem fio deu novos contornos à comunicação. Nessa fase, as principais características foram:

- Transformações nos transportes (automóvel e avião) e nas comunicações (telégrafo sem fio, telefone e cinema);

- Substituição do ferro pelo aço e do vapor pela eletricidade e depois pelos derivados do petróleo;

- O capitalismo industrial cede lugar ao capitalismo financeiro, surgindo grandes instituições financeiras;

- Crescimento das empresas passa por um processo de desburocratização em função do aumento do seu tamanho.

·        Fase do Gigantismo Industrial: Esta fase transcorre entre a I Guerra Mundial (1914) e a II Guerra Mundial (1945), período no qual as empresas atingiram proporções econômicas enormes, atuando em operações de âmbito internacional e multinacional. As principais características foram:

- Uso de tecnologia para fins bélicos;

- Grande depressão econômica de 1929, levando a crise mundial;

- Atuação das empresas em âmbito internacional e multinacional;

- Aplicação técnico científica e ênfase em materiais petroquímicos;

- Utilização do automóvel, avião e navegação de grande porte;

- Comunicações amplas e rápidas (rádio e televisão).

·        Fase Moderna: Esta fase ocorre no período pós II Guerra Mundial até 1980, quando os países que venceram o conflito (desenvolvidos) passam a vender tecnologia e bens de produção e capital para os países periféricos (subdesenvolvidos), onde as filiais das empresas multinacionais estavam instaladas. Com a ascensão do capitalismo as diferenças de ordem econômica entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos tornaram-se cada vez mais acentuadas. As características dessa fase foram:

- Separação das nações entre países desenvolvidos (industrializados), países em desenvolvimento e subdesenvolvidos (não-industrializados);

- Surgimento de materiais como o plástico, alumínio e concreto, energias nuclear e solar, computador e televisão por satélite;

- Predomínio das energias do petróleo e da eletricidade;

- Crise financeira mundial, acompanhada por inflação e recessão e aumento da dívida externa.

·        Fase da Incerteza: Esta fase inicia-se a partir da década de 80. Algumas características são:

- Surgimento de grandes desafios para as empresas, com dificuldades, ameaças e toda sorte de adversidades;

- Revolução do computador;

- Grandes mudanças na administração das empresas.

 

A Empresa Como Organização

 

Na sociedade moderna, a maior parte dos processos produtivos é desenvolvida dentro das organizações. Como conceito de organização pode-se afirmar que são unidades sociais intencionalmente constituídas para atingir objetivos comuns e que nunca se constituem em uma unidade pronta e acabada, mas sim em um organismo social vivo e sujeito a mudanças. Devido ao ser humano passar a maior parte do seu tempo dentro destas organizações, três (3) razões podem ser destacadas para as suas existências: 

 

·        Razões Sociais: motivadas pela necessidade de relacionamento entre as pessoas na busca de satisfação social; 

·        Razões Materiais: com as organizações permitindo às pessoas aumentar suas habilidades, atingir seus objetivos e adquirir maiores conhecimentos;

·        Razões Sinergéticas: quando um grupo de pessoas consegue produzir mais atuando em conjunto do que cada uma individualmente.

 

As principais características encontradas nas empresas são:

 

·        Orientação para o lucro;

·        Capacidade de assumir riscos que envolvem tempo;

·        Somar recursos e esforços;

·        Orientação por uma filosofia de negócios que busca sua vitalidade econômica;

·        Propriedades privadas.

 

Entre os principais objetivos das empresas encontramos proporcionar satisfação das necessidades de bens e serviços da sociedade, de emprego produtivo para todos os fatores de produção, retorno justo aos investimentos e aumento do bem-estar da sociedade por meio do uso econômico dos fatores de recursos. O papel social desenvolvido pelas organizações também é muito importante, destacado pela melhora da qualidade de vida das pessoas, pela sua contribuição para a evolução dos conhecimentos e pela conquista de uma organização social melhor.

 

As Organizações Como Sistemas Abertos

 

A continuidade, a sobrevivência e o desenvolvimento de uma organização estão na sua capacidade de interagir com o ambiente em que está inserida, pois ela sofre influências externas e influencia o ambiente em que faz parte, conforme o seu poder de negociação e desenvolvimento econômico. Muitas das influências externas não podem ser previstas ou controladas. Sob o enfoque da teoria dos sistemas, as organizações caracterizam-se como um sistema aberto e dinâmico, onde o sistema é visto como um conjunto de elementos interdependentes que interagem entre si, com determinados objetivos e efetuam determinadas funções. Dessa forma, as empresas atuam tal como sistemas abertos, onde recebem recursos do ambiente externo, processam estes recursos no seu ambiente interno e os devolvem para o ambiente externo, como produtos e serviços acabados. Assim, organização se compõe de vários subsistemas do sistema principal, cada um com características próprias, porém de forma a se relacionarem na constituição de um todo, com objetivos ou razões que integram e justificam a reunião de suas partes. A organização, atuando como um sistema aberto, apresenta um padrão de atividades de troca de energia que tem caráter cíclico com o produto resultante do processo para o ambiente suprindo as fontes de energia para a repetição das atividades do ciclo. As organizações como sistema aberto segundo Katz & Khan (1987) tem como características:

 

·        Entropia Negativa: os sistemas abertos precisam adquirir entropia negativa para sobreviver, os sistemas mantêm suas características internas de ordem, quando inputs são maiores que outputs no processo de transformação;

·        Feedback: diz respeito aos inputs de informação e proporcionam alertas à estrutura sobre o ambiente e sobre seu próprio funcionamento do próprio sistema;

·        Homeostase: é mais um equilíbrio dinâmico do que estático, pois os sistemas abertos não se acham em repouso, os inputs de energia para deter a entropia agem para manter certo equilíbrio no intercâmbio de energia, de modo que os sistemas sobrevivam;

·        Diferenciação: os sistemas abertos em constantes movimentos tendem a diferenciação devido tanto a própria dinâmica de seus subsistemas como a relação entre crescimento e sobrevivência;

·        Equifinalidade: um sistema pode alcançar mesmo estado final com origem em diferentes condições iniciais e através de caminhos diversos de desenvolvimento.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

KATZ, D. KHAN. L. Psicologia Social das Organizações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1987.

ROTH, Claudio Weissheimer. Gestão de Recursos. Santa Maria: CTI Universidade Federal de Santa Maria/Rede é-te, 2011.

 

 

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Operações Básicas Para Pequenos Empreendimentos

Como Calcular Descontos em Mercadorias Vendidas? O Que é Mark-Up? Que Tipo de Benefícios os Empreendedores Podem Conseguir Com a Contabilidade? O Que São Ativos Circulantes?

 

 



Esse texto pretende fornecer aos pequenos empreendedores algumas habilidades financeiras que são essenciais para tentar alcançar o sucesso nos seus negócios. Os pequenos empreendedores precisam dominar as operações básicas do seu empreendimento, pois isso é fundamental para o sucesso e a sustentabilidade da empresa. Sabe-se que, no Brasil, a falta de uma boa gestão é uma das principais razões para o fechamento de micro e pequenas empresas nos primeiros anos e, uma das principais operações para pequenos empreendedores, é a porcentagem. Trata-se da forma de expressar uma quantidade como uma fração de 100. O símbolo "%" representa essa divisão por 100 (Exemplo: 25% significa 25 de cada 100). Por outro lado, a porcentagem básica é uma fração de 100, representada como um número seguido do símbolo '%' e, para calcular isso, você deve multiplicar o valor pela porcentagem e dividir por 100, ou converter a porcentagem para decimal e multiplicar pelo valor total. Por exemplo, para calcular 20% de R$ 100,00, basta multiplicar R$ 100,00 por 20 e dividir o resultado por 100: (R$ 100,00 x 20) ÷ 100 = R$ 20,00. Portanto, a redução no preço do produto será de R$ 20,00 e, além disso, a porcentagem também pode ser utilizada para calcular a variação percentual entre dois valores.

Por exemplo, se um produto custava R$ 50,00 e agora custa R$ 60,00, qual foi a variação percentual no preço? Basta calcular a diferença entre os valores, dividir o resultado pelo valor original e multiplicar o resultado por 100: [(R$ 60,00 - R$ 50,00) ÷ R$ 50,00] x 100 = 20%. Sendo assim, houve um aumento de 20% no preço do produto. A porcentagem também é utilizada para calcular juros e taxas. Por exemplo, se você emprestou R$ 1.000,00 a uma taxa de juros de 10% ao mês, quanto de juros você terá que pagar após um mês? Basta multiplicar o valor emprestado pela taxa de juros e dividir o resultado por 100: (R$ 1.000,00 x 10) ÷ 100 = R$ 100,00. Assim, após um mês, você terá que pagar R$ 100,00 de juros. Agora, vamos ver alguns exemplos práticos de como a porcentagem é aplicada em finanças e negócios:

 

·        Desconto: Imagine que você tem uma loja de roupas e decidiu fazer uma promoção de 15% de desconto em todos os produtos. Se um produto custa R$ 200,00, qual será o preço com o desconto? Basta calcular a porcentagem do desconto e subtrair o valor do desconto do preço original: (R$ 200,00 x 15) ÷ 100 = R$ 30,00 (desconto) e R$ 200,00 - R$ 30,00 = R$ 170,00 (preço com desconto).

·        Juros: Agora, imagine que você emprestou R$ 1.000,00 a uma taxa de juros de 5% ao mês. Quanto de juros você terá que pagar após um mês? Basta calcular a porcentagem dos juros e multiplicar pelo valor emprestado: (R$ 1.000,00 x 5) ÷ 100 = R$ 50,00. Dessa forma, após um mês, você terá que pagar R$ 50,00 de juros.

·        Lucro: Suponha que você tem uma padaria e deseja calcular o lucro em um dia de vendas. Se o faturamento foi de R$ 1.000,00 e os custos totais foram de R$ 800,00, qual foi o lucro? Basta calcular a porcentagem de lucro dividindo o lucro pelo faturamento e multiplicando o resultado por 100: [(R$ 1.000,00 - R$ 800,00) ÷ R$ 1.000,00] x 100 = 20%. Portanto, o lucro foi de 20% sobre o faturamento.

·        Impostos: Por fim, imagine que você precisa calcular o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em uma venda de R$ 500,00. Se a alíquota do ICMS for de 18%, qual será o valor do imposto? Basta calcular a porcentagem do ICMS e multiplicar pelo valor da venda: (R$ 500,00 x 18) ÷ 100 = R$ 90,00. Assim, o valor do ICMS será de R$ 90,00.

·        Mark-up: O Mark-up é uma técnica utilizada para calcular o preço de venda de um produto, levando em consideração o custo e a margem de lucro desejada. Suponha que você deseja aplicar um Mark-up de 50% sobre o custo de um produto que custa R$ 20,00. Basta somar a margem de lucro desejada (50%) com 100% e dividir o resultado pelo complemento da margem de lucro (100% - 50% = 50%). Em seguida, basta multiplicar o resultado pelo custo do produto: [(50% + 100%) ÷ 50%] x R$ 20,00 = R$ 40,00 (preço de venda). Dessa forma, o preço de venda do produto será de R$ 40,00.

·        Comissão: Imagine que você é um vendedor e recebe uma comissão de 10% sobre as vendas realizadas. Se você vendeu R$ 5.000,00 em um mês, qual será o valor da sua comissão? Basta calcular a porcentagem da comissão e multiplicar pelo valor das vendas: (R$ 5.000,00 x 10) ÷ 100 = R$ 500,00. Portanto, o valor da sua comissão será de R$ 500,00.

·        Imposto de Renda: O Imposto de Renda é um imposto cobrado sobre os rendimentos das pessoas físicas e jurídicas. Suponha que você é um empreendedor e precisa calcular o Imposto de Renda a ser pago sobre o lucro de um trimestre, que foi de R$ 10.000,00. Se a alíquota do Imposto de Renda for de 15%, qual será o valor a ser pago? Basta calcular a porcentagem do Imposto de Renda e multiplicar pelo lucro: (R$ 10.000,00 x 15) ÷ 100 = R$ 1.500,00. Assim, o valor do Imposto de Renda a ser pago será de R$ 1.500,00.

·        Aumento de Preço: Por fim, imagine que você deseja aumentar o preço de um produto em 10%. Se o preço atual é de R$ 50,00, qual será o novo preço? Basta calcular a porcentagem do aumento e somar ao preço atual: (R$ 50,00 x 10) ÷ 100 = R$ 5,00 (aumento) e R$ 50,00 + R$ 5,00 = R$ 55,00 (novo preço). Sendo assim, o novo preço do produto será de R$ 55,00.

 

Contabilidade Básica

 

Trata-se do registro e do controle das operações financeiras de um empreendimento, sendo fundamental para as empresas porque permite um controle preciso das finanças, tanto no curto quanto no longo prazo. E, através da contabilidade, os empreendedores conseguem:

 

·        Registrar todas as transações financeiras da empresa, como compras, vendas, recebimentos e pagamentos;

·        Controlar o fluxo de caixa, ou seja, saber quanto dinheiro entra e sai da empresa em cada período;

·        Analisar a rentabilidade do negócio, ou seja, saber se a empresa está tendo lucro ou prejuízo;

·        Gerar informações para a tomada de decisão, como investimentos, redução de custos e aumento de preços;

·        Atender as obrigações legais, como o pagamento de impostos e a apresentação de demonstrações contábeis.

 

Além disso, a contabilidade é importante para a transparência e credibilidade da empresa. Quando a empresa tem suas finanças organizadas e em dia, ela transmite confiança para investidores, fornecedores e clientes. Vamos começar com os principais conceitos da contabilidade:

 

1) Ativos: São recursos ou bens que possuem valor econômico e podem ser controlados e utilizados pela empresa em suas operações. Os ativos são registrados no balanço patrimonial da empresa e podem ser classificados em circulantes ou não circulantes, dependendo do prazo de realização. Exemplos de ativos circulantes são:

 

·        Caixa e equivalentes de caixa: inclui dinheiro em caixa, contas bancárias e aplicações financeiras de curto prazo que podem ser convertidas em dinheiro rapidamente.

·        Estoques: inclui mercadorias, matérias-primas, produtos em processo e produtos acabados que a empresa tem em estoque para venda.

·        Contas a receber: inclui valores que a empresa tem a receber de seus clientes por vendas a prazo ou prestação de serviços.

 

Exemplos de ativos não circulantes são:

 

·        Imobilizado: inclui bens tangíveis como máquinas, equipamentos, veículos, imóveis e móveis que a empresa usa em suas operações.

·        Intangível: inclui ativos sem existência física, como patentes, marcas, softwares, direitos autorais e outros ativos intelectuais.

·        Investimentos: inclui participações em outras empresas ou investimentos em ações, títulos e outros valores mobiliários.

 

Os ativos representam a capacidade da empresa em gerar fluxos de caixa no futuro e podem ser utilizados para financiar as atividades operacionais e de investimento da empresa.

2) Passivos: São obrigações da empresa, ou seja, são dívidas e compromissos que a empresa tem com terceiros e que precisam ser pagos em algum momento. Os passivos também são registrados no balanço patrimonial da empresa e podem ser classificados em circulantes ou não circulantes, dependendo do prazo de pagamento. Exemplos de passivos circulantes:

 

·        Fornecedores: inclui dívidas com fornecedores por compras a prazo de produtos e serviços.

·        Salários e encargos sociais: inclui dívidas com salários, férias, décimo terceiro salário e encargos sociais dos funcionários da empresa.

·        Impostos e taxas: inclui dívidas com impostos e taxas, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto de Renda (IR).

 

Exemplos de passivos não circulantes:

 

·        Empréstimos: inclui dívidas com instituições financeiras e bancárias por empréstimos de longo prazo.

·        Debêntures: inclui dívidas com debenturistas por emissão de debêntures.

·        Provisões: inclui dívidas com despesas que a empresa sabe que terá que pagar no futuro, como indenizações trabalhistas e previdenciárias.

 

Os passivos representam os compromissos financeiros da empresa com terceiros e podem afetar a saúde financeira da empresa se não forem gerenciados adequadamente.

3) Patrimônio Líquido: É a diferença entre o valor dos ativos e o valor dos passivos de uma empresa, representando o valor que a empresa tem após o pagamento de todas as suas obrigações. É um indicador da saúde financeira da empresa e pode ser utilizado para avaliar a capacidade da empresa em gerar valor para seus acionistas. O patrimônio líquido é composto por:

 

·        Capital social: é o valor investido pelos acionistas na empresa em troca da participação no capital social.

·        Reservas de lucros: são os lucros retidos pela empresa que não foram distribuídos aos acionistas como dividendos.

·        Lucros ou prejuízos acumulados: é a soma dos lucros ou prejuízos da empresa desde sua fundação.

 

Exemplo: Suponha que uma empresa tem um ativo total de R$ 1.000.000,00 e um passivo total de R$ 500.000,00. Nesse caso, o patrimônio líquido será de R$ 500.000,00, que é a diferença entre o ativo e o passivo. Se o capital social da empresa for de R$ 100.000,00 e a empresa tiver reservas de lucros de R$ 50.000,00, então os lucros ou prejuízos acumulados serão de R$ 350.000,00 (R$ 500.000,00 - R$ 100.000,00 - R$ 50.000,00). Logo, o patrimônio representa a riqueza líquida da empresa e pode ser utilizado para avaliar a capacidade da empresa em honrar suas obrigações financeiras, investir em seu crescimento e gerar valor para seus acionistas.

4) Receita: É o dinheiro que entra na empresa por meio das vendas de produtos ou serviços. É um indicador da capacidade da empresa em gerar receitas e é fundamental para a análise da performance financeira da empresa. As receitas podem ser classificadas em diferentes categorias, dependendo da atividade principal da empresa. Alguns exemplos de receitas são:

 

·        Receita de vendas de produtos: é o dinheiro obtido pela venda de produtos fabricados ou revendidos pela empresa, como roupas, eletrônicos, alimentos, entre outros.

·        Receita de prestação de serviços: é o dinheiro obtido pela prestação de serviços pela empresa, como consultoria, serviços de limpeza, serviços de manutenção, entre outros.

·        Receita de aluguel: é o dinheiro obtido pela locação de imóveis ou equipamentos pela empresa.

·        Receita financeira: é o dinheiro obtido pela empresa por meio de aplicações financeiras, como juros sobre depósitos bancários, rendimentos de ações, títulos e outros valores mobiliários.

 

Exemplo: Suponha que uma empresa de roupas teve uma receita de vendas de R$ 100.000,00 no mês de janeiro. Nesse caso, a receita da empresa será de R$ 100.000,00. Se a empresa também teve uma receita de aluguel de R$ 10.000,00 no mesmo período, então a receita total da empresa será de R$ 110.000,00.

5) Despesas: É o dinheiro que sai da empresa para pagar as obrigações, como salários, aluguel, contas de luz e água, matéria-prima, entre outros. É um indicador dos custos da empresa para manter suas operações e é fundamental para a análise da performance financeira da empresa. As despesas podem ser classificadas em diferentes categorias, dependendo da atividade principal da empresa. Alguns exemplos de despesas são:

 

·        Despesas operacionais: são as despesas relacionadas à produção ou à prestação de serviços pela empresa, como matéria-prima, mão de obra, energia elétrica, água, telefone, entre outros.

·        Despesas administrativas: são as despesas relacionadas à gestão da empresa, como salários de funcionários administrativos, aluguel, manutenção de equipamentos, seguros, entre outros.

·        Despesas financeiras: são as despesas relacionadas à obtenção de recursos financeiros pela empresa, como juros de empréstimos, descontos concedidos, tarifas bancárias, entre outros.

 

Exemplo: Suponha que uma empresa de roupas teve despesas operacionais de R$ 60.000,00 no mês de janeiro, salários administrativos de R$ 10.000,00 e juros de empréstimos de R$ 5.000,00. Nesse caso, as despesas totais da empresa serão de R$ 75.000,00.

6) Lucro: É a diferença entre as receitas e as despesas da empresa em um determinado período. É um indicador da performance financeira da empresa e representa a quantidade de dinheiro que a empresa ganhou em suas operações. O lucro pode ser classificado em diferentes categorias, dependendo da atividade principal da empresa. Alguns exemplos de lucro são:

 

·        Lucro operacional: é o lucro obtido pela empresa por meio de suas atividades operacionais, como vendas de produtos ou serviços.

·        Lucro líquido: é o lucro obtido pela empresa após a dedução de todas as despesas, incluindo as despesas financeiras e os impostos.

·        Lucro bruto: é o lucro obtido pela empresa após a dedução dos custos de produção ou da prestação de serviços, como a matéria-prima, a mão de obra direta e as despesas variáveis.

 

Exemplo: Suponha que uma empresa de roupas teve receitas de vendas de R$ 100.000,00 e despesas totais de R$ 80.000,00 no mês de janeiro. Nesse caso, o lucro operacional da empresa será de R$ 20.000,00. Se a empresa também teve despesas financeiras de R$ 2.000,00 e impostos de R$ 3.000,00 no mesmo período, então o lucro líquido da empresa será de R$ 15.000,00.

7) Prejuízo: É o oposto do lucro, ou seja, é a diferença negativa entre as receitas e as despesas da empresa em um determinado período. É um indicador da performance financeira da empresa e representa a quantidade de dinheiro que a empresa perdeu em suas operações.

 

Exemplo: Suponha que uma empresa de roupas teve receitas de vendas de R$ 80.000,00 e despesas totais de R$ 100.000,00 no mês de janeiro. Nesse caso, o prejuízo operacional da empresa será de R$ -20.000,00. Se a empresa também teve despesas financeiras de R$ 2.000,00 e impostos de R$ 3.000,00 no mesmo período, então o prejuízo líquido da empresa será de R$ -25.000,00.

 

Concluindo, pode-se dizer que a contabilidade é feita por meio de registros em livros contábeis, como o livro caixa, o livro diário e o livro razão. Esses registros são importantes para o controle financeiro da empresa e para a elaboração das demonstrações contábeis, como o balanço patrimonial e a demonstração de resultados. Além disso, a contabilidade também é importante para o pagamento de impostos e para a tomada de decisões financeiras, como investimentos e empréstimos.