sexta-feira, 3 de julho de 2026

O Regresso a Uma Terra Plana: Um Retrocesso Científico na Idade Média

Por Que, na Visão de Cosmas, a Descrição da Terra Retangular Era Atraente? O Que Descreviam as Teorias dos Antípodas? Por Que os Cristãos Não Podiam Encarar a Possibilidade de Existirem Homens Que Não Descendessem de Adão?  

 

 



As clássicas teorias dos antípodas ([1]) descreviam uma intransponível zona que rodeava o equador e que nos separava de uma região habitada do outro lado do globo e, consequentemente, isso suscitou sérias dúvidas na mente cristã quanto à esfericidade da Terra. Os que viviam na parte de baixo dessa zona não podiam ser da raça de Adão ou incluídos como redimidos pela morte de Cristo. Se uma pessoa acreditava que a Arca de Noé fora parar no Monte Ararat a norte do equador, então não havia maneira de criaturas vivas terem chegado a um antípoda. Para evitar possibilidades heréticas, os cristãos preferiam acreditar que não podia haver antípodas, ou mesmo, se necessário, acreditarem que a Terra não era esférica. Santo Agostinho foi igualmente explícito e dogmático e a sua autoridade reforçada pela de Isidro – pela de Beda e de São Bonifácio – acautelou os espíritos irrefletidos. Os geógrafos da antiguidade não tinham se preocupado com tais problemas.

Mas nenhum cristão podia encarar a possibilidade de existirem homens que não descendessem de Adão ou se encontrassem tão separados deles pelos fogos tropicais que fossem inalcançáveis pelo Evangelho de Cristo. A crença em antípodas tornou-se mais uma das acusações comuns contra os candidatos à fogueira. Alguns conciliadores tentaram aceitar uma Terra esférica por razões geográficas, embora negassem, por razões teológicas, a existência de habitantes antípodas. Mas, o seu número não se multiplicou.

Cosmas de Alexandria – um convertido recente e fanático – foi o autor de “Topographia Christiana”, a qual sobreviveu séculos até hoje para espanto dos cristãos modernos. Não se sabe seu verdadeiro nome, mas chamavam-lhe de Cosmas, dada a fama da sua obra geográfica e teve por alcunha “Viajante Indiano” por ter sido mercador e viajado à volta do Mar Vermelho, do Oceano Índico e indo até o Ceilão. E, depois da sua conversão ao Cristianismo, fez-se monge e retirou-se para um mosteiro no Monte Sinai, onde escreveu suas memórias e sua defesa da visão cristã da Terra.

Esse tratado ilustrado em 12 tomos nos forneceu os mais antigos mapas de origem cristão que chegaram até o nosso tempo. Cosmas recompensou os fiéis com uma medida bem atestada de vitríolo ([2]) contra o erro pagão e um diagrama simples do Universo cristão. Logo no primeiro livro destruiu a heresia da esfericidade da Terra e, a seguir, expôs o seu sistema apoiando-se, claro, nas Escrituras e depois nos doutores da Igreja, e finalmente em algumas fontes não cristãs. O que ele ofereceu foi menos uma teoria do que um simples, claro e atraente modelo visual e, quando o Apóstolo Paulo declarou na Epístola aos Hebreus que o primeiro tabernáculo de Moisés era o modelo deste mundo inteiro, forneceu a Cosmas, de bandeja, o seu plano com todos os pormenores necessários.

Ele não teve qualquer dificuldade em traduzir as palavras de São Paulo para a realidade física, tanto que o primeiro tabernáculo tem regulamentos de culto divino e um santuário terrestre. Com um “santuário terrestre” São Paulo queria significar que “era por assim dizer, um modelo do Mundo, onde estava também o candelabro, significando com isso os luminares do Céu e a mesa; ou seja, a Terra, e o pão da proposição, significando com isso os frutos que ela produz. Quando as escrituras diziam que a mesa do tabernáculo deveria ter 2 cúbitos de comprimento e um de largura, significava que a Terra plana tinha de comprimento, de Leste para Oeste, o dobro da largura. No atraente plano de Cosmas a terra era uma imensa caixa retangular, muito semelhante a uma arca com uma tampa arqueada – a abóboda do Céu – por cima da qual o Criador observava sua obra.

No Norte havia uma grande montanha, à volta da qual o Sol se movia e cujas obstruções à luz solar explicavam as durações variáveis dos dias e das estações. As terras do Mundo eram simétricas no Oriente, os Indianos, no Sul, os Etíopes no Ocidente, os Celtas e no Norte, os Citas. E do Paraíso fluíam os 4 grandes rios: o Ganges, para a Índia; o Nilo através da Etiópia, para o Egito e o Tigres e Eufrates que banhavam a Mesopotâmia. Havia apenas uma face da Terra – aquela que Deus nos dava, os descendentes de Adão – o que tornava qualquer sugestão da existência de antípodas, além de absurda, também uma sugestão herética.       

Geógrafos cristãos encontraram um tesouro de recursos nas antigas fantasias e, desdenhando a ciência pagã que era considerada ameaça à fé cristã, os seus preconceitos não incluíam os mitos pagãos. Estes eram tão numerosos e tão contraditórios que satisfaziam aos mais dogmáticos objetivos cristãos. Apesar de temerem os cálculos muito aproximados da realidade de Erastóstenes, Hiparco e Ptolomeu, adornavam alegremente seus piedosos mapas que tinham Jerusalém como centro, com as mais extravagantes especulações da imaginação pagã. Júlio Solino (cognominado “Contador de Variadas Histórias”) forneceu a fonte do mito geográfico durante todos os anos do grande interregno, do século IV até o século XIV. Provavelmente ele não era cristão e, nove décimos da sua “Coletânea de Coisas Maravilhosas”, publicada entre 230-240 d.C., provinha diretamente da “História Natural” de Plínio, embora Solino sequer mencione o seu nome. E o resto foi forjado com base em outros autores clássicos, pois o talento peculiar de Solino era “extrair a escória e deixar o outro”. Porém, é duvidoso que alguém tenha, durante um período tão longo, influenciado a Geografia tão profunda e nocivamente. No entanto, a escória de Salino exercia grande atração, pois o próprio Santo Agostinho bebeu na sua fonte, assim como outros pensadores da Idade Média. As histórias e as fabulosas imagens de Salino deram vida aos mapas cristãos até a Era dos Descobrimentos e se tornaram uma rede abrangente de fantasia, substituindo a esquecida grelha racional de Latitude e Longitude que tinha sido o legado de Ptolomeu.     

Enquanto uma Terra esférica era a base da cartografia grega, uma Terra plana era a dos Chineses. Na altura em que Ptolomeu fizera seu o trabalho no Ocidente, cartógrafos chineses criaram técnicas de grelhas de mapas e uma rica tradição de cartografia do Mundo, a qual cresceu sem o amnésico interregno que atormentou o Ocidente. Os Gregos também tinham elaborado seu sistema de grelha por meio de linhas de latitude e longitude tão facilmente traçadas à volta de uma esfera. Mas, como era muito difícil projetar uma superfície esférica numa folha plana, na prática o sistema de grelha helênico (de latitude e longitude) não era diferente do que teria sido se eles tivessem concebido a superfície da Terra como sendo plana.

Visto o sistema de grelha helênico ter nascido dos requisitos de uma forma esférica, a grelha retangular chinesa – que tornou possível toda a sua cartografia – deve ter tido outras origens completamente diferentes. Quais? Na consulta aos antigos registros encontramos referências a mapas e a seus usos. A China era simultaneamente a criatura e o criador de uma imensa burocracia que tinha de conhecer as características de suas extensas regiões. E, quando o imperador Zhou viajava pelo seu reino, o geógrafo real ia a seu lado, explicando-lhe a topografia e os produtos característicos de cada parte do país. No apogeu da cartografia religiosa na Europa, os Chineses avançaram firme no sentido da cartografia quantitativa. Antes mesmo de Ptolomeu ter feito o seu trabalho em Alexandria, um pioneiro chinês já tinha projetado uma rede de coordenadas acerca do céu e da Terra e calculado na base dela.

Passados dois séculos, o Ptolomeu chinês – Pei Xiu – aplicou essas técnicas para fazer um mapa da China. No prefácio de seu atlas, Pei Xiu deu instruções para se fazer um mapa na escala devida, com grelhas retangulares: _ “Se traçarmos um mapa sem as divisões graduadas, não existiria maneiras de distinguir entre o que é perto ou longe. Assim, mesmo que existam grandes obstáculos como altas montanhas ou grandes lagos, tudo pode ser tomado em consideração e determinado. Quando o princípio da grelha retangular é devidamente aplicado, então o reto e o curvo, o próximo e o distante não podem ocultar-nos nada da sua forma”.

  



([1])  Quem, em relação a outra pessoa, vive do outro lado da Terra. Habitante de um lugar, no mundo, diametralmente oposto a outro: o japonês é antípoda do brasileiro.

 

([2])  Termo antigo para sulfatos metálicos (cristais com aparência de vidro) e, mais comumente, o ácido sulfúrico. Trata-se de um líquido extremamente corrosivo, nocivo que, na alquimia, representa a purificação, enquanto no sentido figurado refere-se a palavras ou críticas "vitriólicas"; ou seja, amargas, cáusticas e severamente condenatórias


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segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Organização Afetiva Humana (Pensamentos, Sentimentos e Emoções)

Como Se Formam Nossos Pensamentos? Onde se Originam os Sentimentos? Como Controlar Nossas Emoções? Quais São as Quatro Emoções Básicas?

 



Especialistas do comportamento humano afirmam que os pensamentos, os sentimentos e as emoções formam a tríade da nossa saúde mental e comportamental, pois a forma como o ser humano interpreta o mundo – o pensamento – gera as reações físicas automáticas que são as emoções, as quais se tornam experiências conscientes duradouras (sentimentos), que acabam guiando nossas ações. Assim, reconhecer que pensamentos, sentimentos e ações formam uma cadeia é o primeiro passo para o autoconhecimento humano, o qual o líder precisará para poder administrar pensamentos, sentimentos e emoções. Então, se o Líder Inspirador quiser mudar seu sentimento em relação a uma situação, muitas vezes o caminho mais prático e efetivo será o de avaliar e questionar o seu pensamento inicial, conforme ensinado pelas abordagens da Terapia Cognitivo Comportamental.

 

 

PENSAMENTOS

 

 

Os pensamentos são manifestações mentais que abrangem uma ampla gama de processos cognitivos tais como as ideias, reflexões, raciocínios e percepções. São fenômenos mentais que surgem – e se desenvolvem – na mente, envolvendo a capacidade de conceber, organizar e interpretar informações para compreender a realidade e tomar decisões baseadas nessa compreensão. No mundo tão complexo de hoje, pensar ainda é uma função indispensável e, na verdade, o problema não está na forma como as pessoas pensam, mas sim no grau de importância que se dá a cada pensamento. Um pensamento positivo é a forma de pensar positivamente, alegre, com amor e harmonia tendo confiança e otimismo no presente e futuro. Existem bons exemplos de Pensamentos Positivas tais como: “Eu vou conquistar meus objetivos”, “Eu vou conseguir vencer, vou lutar até conseguir” ou “Eu tenho fé que vou encontrar o amor da minha vida”. Por outro lado, os pensamentos negativos são aqueles que geralmente estão relacionados com preocupações, medos, ansiedades ou situações violentas que fazem com que as pessoas não consigam se concentrar em fazer outras coisas. Esses tipos de pensamentos são comuns a todas as pessoas. Exemplos de Pensamentos Negativos podem ser “Eu não sou capaz de passar no vestibular e ingressar na Faculdade”, “Eu não vou conseguir vencer na vida” ou “Eu tenho medo de relacionamentos, pois já sofri uma vez”.

 

SENTIMENTOS

 

 

São respostas emocionais geradas a partir de experiências, influenciando a percepção consciente das emoções. Eles se originam das reações emocionais conscientes, podendo residir no subconsciente e serem ocultados do ambiente externo, moldando a forma como uma pessoa percebe e interage com o mundo ao seu redor. Exemplo: Uma pessoa conhece outra e rola aquele clima de alegria (emoção). Passados algum tempo estão juntos e se casam, logo aquela alegria do início vira amor (sentimento). Existem vários tipos de sentimentos nos seres humanos tais como calmo, amedrontado, agitado, assustado, confiante, chocado, furioso, esgotado e outros.

 

 

EMOÇÕES

 

 

Emoção é uma sensação que as pessoas sentem – de forma emocional ou física – que são provocadas por algum estímulo, que pode ser através de acontecimentos ou sentimentos. É fácil perceber quando alguém está emocionado (a), pois a emoção deixa rastro. Lidar com as emoções varia de acordo com cada pessoa, pois cada um age de forma diferente. Exemplo: uma atendente pode ficar triste porque um cliente falou em um tom alto com ela, enquanto outra pode agir com doçura, perguntando de que forma ela poderia ajudá-lo.

Geralmente as pessoas confundem emoção e sentimento, acreditando que são a mesma coisa, mas ambas são bastante diferentes. É muito comum as pessoas os considerarem sinônimos, mas na realidade não são. A emoção é um conjunto de respostas químicas e neurais que surgem quando o cérebro sofre um estímulo ambiental; é uma reação imediata a um acontecimento que foi gerado; é algo que mexe com todo o corpo, que não envolve pensamentos e que foge do controle. Já o sentimento é uma resposta à emoção, ou seja, trata-se de como a pessoa se sente diante de tal emoção e envolve um alto grau de compreensão mental, de percepção e de avaliação de uma determinada situação.

É importante entender que uma emoção cria um sentimento e que esse sentimento pode criar novas emoções e outros sentimentos. Portanto, apesar de distintos, emoção e sentimento estão intimamente conectados. Exemplo de Emoção: Seu chefe lhe chamou à atenção na frente de seus colegas de trabalho, provocando em você muita “tristeza” ou “raiva”. Isso é uma emoção, não tem como você pensar no momento ou controlar de imediato o que você sentiu, sua expressão vai mudar, seu rosto pode ficar vermelho, você pode chorar etc. Exemplo de Sentimento: Você pode guardar “mágoa”, “ódio” do seu chefe por longos dias, semanas, meses e até anos, e isso é sentimento, algo mais duradouro.

 

As Quatro Emoções Básicas

 

 

1) Alegria: Trata-se de uma emoção positiva associada ao prazer e à felicidade, estando presente tanto em seres humanos quanto em animais mais desenvolvidos. A emoção surge quando alcançamos metas pessoais ou profissionais, conhecemos pessoas especiais ou praticamos atividades que nos agradam. Quando experimentamos alegria, o cérebro libera diversos neurotransmissores, que são mensageiros químicos liberados pelos neurônios. Alguns exemplos desses neurotransmissores são a dopamina, serotonina, endorfina e a ocitocina – conhecidos como hormônios da felicidade. Essas substâncias desempenham um papel crucial na regulação do humor e na sensação de bem-estar associada à alegria. Então, a alegria:

 

·        Funciona como um combustível que nos ajuda a superar as dificuldades da vida;

·        Torna nossa vida agradável;

·        Equilibra as experiências de frustração, desilusão e afetos negativos em geral;

·        Permite a preservação do bem-estar emocional diante dos acontecimentos estressantes;

·        Gera a gratidão genuína da vida;

·        Nos reconecta com nossa essência;

·        Quando compartilhada tem o poder de multiplicar e contagiar a todos ao nosso redor.

 

2) Tristeza: Não possui neurotransmissores e não tem hormônios. Então, pode-se dizer que a Tristeza é a ausência de Alegria, Prazer, Satisfação, Motivação, Ação, Amor, Carinho, Paz, Perseverança etc. Assim a Tristeza:

 

·        Surge quando perdemos pessoas ou coisas;

·        Pode nos acometer por meio de pessoas que nos fizeram sentir decepcionados, humilhados, abandonados, criticados, injustiçados, traídos, agredidos e rejeitados;

·        Nos ensina a lidar com as perdas e decepções da vida;

·        Propicia um ajustamento a uma perda, permite-nos descansar, recuperar as energias e nos ajuda a liberar o que já perdemos, abrindo espaço para novas experiências, fechando ciclos antigos e abrindo novos;

·        Quando compartilhada, traz alívio.

 

3) Raiva: Trata-se de uma emoção intensa que você sente quando algo dá errado ou alguém faz mal a você. Geralmente é caracterizada por sentimentos de estresse, frustração e irritação. Todos nós sentimos raiva de vez em quando, pois ela é uma resposta perfeitamente normal a situações frustrantes ou difíceis. Então, a raiva:

 

·        Aumenta os níveis de energia;

·        Pressão arterial elevada;

·        Aumento de hormônios como adrenalina e noradrenalina;

·        Aumento da temperatura corporal.

 

A) Raiva Produtiva: Este tipo de emoção nos coloca em movimento para mudar uma situação ou para nos defender/proteger. Não perdemos o controle, nem machucamos alguém ao expressá-la. Nós a utilizamos para provar a nós mesmos e ao mundo que somos capazes de fazer algo, ela nos permite fazer mais, realizar mais, executar mais as coisas importantes da nossa vida.

B) Raiva Negativa: Este tipo se manifesta por meio da agressividade, com o outro ou com nós mesmos. O calor das emoções afeta significativamente a função racional, e agimos de forma primitiva, agredindo verbalmente ou até fisicamente.



 

4) Medo: É uma reação involuntária ocorrida quando passamos por algum estímulo estressante, que nos protege e que nos mantém vivos. Sem essa emoção, nos colocaríamos em risco o tempo todo sem pensar, já que o medo evita que isso aconteça, pois é uma reação involuntária e natural. Assim, o medo:

 

·        É a primeira emoção sentida por um ser humano, quando a pessoa ainda está no útero materno;

·        Garante a preservação do ser humano;

·        Protege-nos de situações de ameaça ou perigo;

·        Impulsiona-nos a fugir ou paralisar diante de uma situação de risco;

·        Ajuda-nos a liberar a energia criativa;

·        Em situações de risco ou pressão, gera uma intensa força que nos faz agir instintivamente para preservar a vida.

 

Ao pensar em liderança, muitos estudiosos descrevem as características cognitivas (como visão estratégica, raciocínio rápido e outras) e sempre acrescentam a expressão “Liderança Inspiradora”. Mas, para poder inspirar, um líder precisará administrar pensamentos, sentimentos e emoções. E isso pode ser um problema para ele e sua equipe. Então, a grande questão é: como direcionar a sua própria emoção e a de outras pessoas habilmente para que todos possam ter uma performance superior? Vamos mudar o contexto para chegarmos a um entendimento melhor. Então, pense na educação de uma criança. Os pais são os líderes inspiradores, certo? Da mesma forma, se você não souber lidar com suas emoções como pai/mãe, como conseguirá ensinar seus filhos a lidar com as emoções deles, para que se tornem adultos inteligentes emocionalmente? Essas questões demonstram a importância de desenvolvermos a inteligência emocional diariamente, pois, como seres humanos, experimentamos diferentes emoções o tempo todo. E, pior ainda, nossas emoções podem levar a um efeito em cadeia ao nosso redor.

Basta lembrar que, quando alguém chega ao escritório esbanjando raiva, cada palavra e gesto refletem sua emoção, certo? De repente, o clima no departamento fica ruim. Todos começam a tratar uns aos outros de forma raivosa, mas sem motivo aparente. Portanto, lembre-se que os sentimentos são contagiosos, para o bem e para o mal. Daí a forma como reagimos a cada uma dessas emoções nos ajuda a alcançar nossos objetivos pessoais e profissionais. E isso também permite que sejamos melhores líderes, desenvolvendo relacionamentos saudáveis, com uma vida mais equilibrada e feliz.

 

 

 

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

A Prisão ao Dogma Cristão na Descrição da Terra

Por Que a Cristandade Ortodoxa Ergueu Barreiras Contra o Conhecimento da Terra na Idade Média? Como a Fé e os Dogmas Cristãos Suprimiram a Imagem do Mundo Que Tinha Sido Traçada Pelos Antigos Geógrafos? Por Que o Jardim do Éden Era Uma Imagem Sedutora Para os Cristãos?

 



 

A Europa cristã não deu continuidade ao trabalho geográficos de Ptolomeu e, em vez disso, a cristandade ortodoxa ergueu muitas barreiras contra o progresso sobre o conhecimento da Terra. Os geógrafos cristãos da Idade Média consumiram suas energias elaborando um quadro teologicamente atraente do que já era conhecido – ou supostamente conhecido. A Geografia não tinha lugar dentre as sete (7) artes liberais, pois ela não se ajustava nas disciplinas matemáticas (aritmética, música, geometria e astronomia) nem nas disciplinas lógicas e linguísticas (gramática, dialética e retórica). Durante os mil anos da Idade Média a palavra “Geografia” não teve sinônimo e ela só começou a ser usada na língua inglesa, em meados do século XVI. E, sem a dignidade de uma verdadeira disciplina, a Geografia era uma órfã no mundo do saber. A matéria se tornou um saco de trapo cheio de miscelânea de conhecimentos, dogmas bíblicos, histórias de viajantes, especulações de filósofos e imaginário mítico. É mais fácil contar o que aconteceu do que tentar explicar como aconteceu, ou o porquê.

Depois da morte de Ptolomeu, o cristianismo conquistou todo o Império Romano – e a maior parte da Europa. Observou-se então um fenômeno de amnésia erudita que atormentou o continente do ano 300 a. C. até o ano 1300 d.C. Durante esses séculos a fé e os dogmas cristãos suprimiram a útil imagem do Mundo que tinha sido tão lentamente traçada pelos antigos geógrafos e, por isso, não encontramos mais os cuidadosos esboços de Ptolomeu sobre os litorais, rios e montanhas, a que se sobrepunha uma grelha prática baseada nos dados astronômicos mais conhecidos. Em vez disso, simples diagramas afirmam autoritariamente qual é a verdadeira forma da Terra, embora não passassem de caricaturas.

Não faltam provas de que os geógrafos medievais pensavam; pois, mais de 600 Mapas do Mundo da Idade Média chegaram até nossos dias e, nos tempos anteriores à prensa de imprimir, cada um deles deve ter-se perdido. E, o mais extraordinário é que quando tais mapas eram apenas imaginários, houvesse tão pouca variação nas plantas da Terra. A forma comum dessas caricaturas resultou que se tornassem conhecidos os “mapas de roda” (ou mapas T.O.). Toda a terra habitável era descrita como um prato circular (um “O”) dividido por uma corrente de água em forma de “T”. O Oriente ficava no cimo, significando que “orientava” o mapa. Por cima do “T” ficava a Ásia, por baixo e à esquerda da vertical ficava a Europa e à direita a África. Já a barra que separava a Europa e a África da Ásia era o Mediterrâneo; a barra horizontal que separava a Europa e a África da Ásia eram os rios Danúbio e Nilo e, o “mar oceano”, cercava tudo.

Concebidos para exprimir o que se esperava que os cristãos ortodoxos acreditassem, eles eram menos mapas de conhecimentos do que dogmas bíblicos, pois no centro de cada um deles ficava Jerusalém. Não havia nada de novo em colocar o lugar “mais sagrado” no centro, pois também foi aí que os hindus colocaram a sua montanha Meru, “o centro da Terra”. A crença de uma montanha sagrada com variantes no Egito e na Babilônia era uma maneira de dizer que o lugar mais proeminente do planeta tinha sido o umbigo do Mundo. As cidades orientais também se colocavam no centro, pois a Babilônia, por exemplo, era o lugar onde os deuses desciam à Terra. Na tradição muçulmana, a Caaba era o ponto mais alto da Terra e a Estrela Polar mostrava que Meca ficava num ponto oposto ao centro do céu. A capital para um soberano chinês situava-se onde o Relógio de Sol não projetava nenhuma sombra ao meio-dia do Solstício de Verão. Assim, não foi surpreendente que os geógrafos cristãos também colocassem a sua cidade santa no centro, fazendo dela o lugar de peregrinação e o destino das Cruzadas.

Todos os povos têm querido acreditar que estão no centro, mas depois dos progressos acumulados da Geografia, era necessário um grande esforço para se ignorar a crescente massa de conhecimentos e recolher-se num mundo de fé e caricatura. Já vimos como os imperadores chineses fizeram o mecanismo do relógio celeste de Su Sung, antes de qualquer relógio comparável do Ocidente e depois sequestraram o conhecimento e a tecnologia. O grande interregno da Geografia que vamos descrever foi um ato de retrocesso muito mais extraordinário. O conhecimento geográfico em progresso no Ocidente tinha sido vasto, muito difundido e alcançou os interesses culturais de um continente variado. O dogma cristão e a tradição bíblica impuseram outras ficções da imaginação teológica ao mapa do Mundo. Os próprios mapas se tornaram guias dos antigos da Fé. Cada lugar mencionado nas escrituras exigia uma localização e se tornava um prélio tentador para os geógrafos cristãos.

Um desses pontos mais sedutores era o Jardim do Éden, pois na parte oriental do Mundo – no cume do mapa – os cristãos medievais geralmente representavam um Paraíso Terrestre com figuras de Adão, Eva e a serpente, tudo cercado por um muro alto ou com uma cordilheira de montanhas. “O primeiro lugar no Oriente é o Paraíso”, explicou Isidoro de Sevilha (560-636), considerado o homem mais sábio do tempo. “Um jardim famoso pelas suas delícias, aonde o homem nunca pode ir porque um muro de fogo o cerca e chega ao Céu. Aí se encontra a árvore da vida que dá a imortalidade, aí a nascente que se divide em quatro rios que correm e irrigam o Mundo”. A crença do Éden se tornou um prazer, assim como um dever. Em hebraico Éden significa “um lugar de delícias”. Deus colocou o Éden num monte tocando no círculo da órbita da Lua, para que o Paraíso ficasse em segurança e seco acima das águas do Dilúvio. A ficção ligada ao Paraíso tornou-se um gênero da literatura sagrada, do mesmo modo que a aventura espacial viria a ser uma forma de ficção científica. E, segundo uma história popular, Set – filho de Adão – trouxe consigo sementes da Árvore da Sabedoria para semear na boca de Adão, depois de este morrer e a árvore que brotou dessa semente forneceu a madeira para a cruz em que Cristo seria crucificado.

Uma outra história contava como três monges tinham saído do seu monastério em busca do lugar onde “a terra se une ao céu”. Chegaram ao deserto escuro da Índia, onde encontraram homens com cabeça de cão, pigmeus, serpentes e viram os altares que tinham sido erguidos por Alexandre o Grande para assinalar as fronteiras das suas próprias viagens. Através de paisagens fantásticas povoadas de gigantes e de aves que falavam, os monges foram andando até, que, a pouco mais de 30 km do Paraíso Terrestre, encontraram o idoso S. Macário vivendo numa caverna com dois leões mansos. Ele contou-lhes histórias das maravilhas do Paraíso, mas para acabar por manda-los voltar para trás, com a advertência de que no Éden nunca poderiam entrar homens vivos. Mas, nem mesmo em questões tão fundamentais como a localização do Éden os geógrafos cristãos eram unânimes e, um dos mais famosos viajantes mortais para o Paraíso foi o monge irlandês S. Brandão (484-578) quem convencido de que o Paraíso ficava algures no Oceano Atlântico, navegou para o Ocidente até que chegou a uma bela ilha de incomparável fertilidade.

Confiantemente, S Brandão afirmou tratar-se do Paraíso. E, até mesmo aqueles que preferiram situar o “seu” Paraíso noutro lado do Mundo, conservavam a “Ilha” de S. Brandão nos seus mapas e nas suas cartas. A história desse heroico monge foi contada em latim, francês, inglês, saxão, flamengo, irlandês, galês, bretão e gálico escocês. A sua ilha sagrada permaneceu assinalada em mapas durante mais de mil anos, pelo menos até 1759. E os pioneiros da Cartografia e da Navegação modernas tentaram obedientemente encontrá-la. Em 1492 o fabricante de globos clássicos Martin Behain colocou a ilha de São Brandão junto do equador, a oeste das Canárias, enquanto outros a encontravam mais perto da Irlanda e outros a viam nas Índias ocidentais. Mas, somente ao fim de dois séculos (1527-1721) de expedições portuguesas em busca do Paraíso Terrestre da Ilha de São Brandão, os crentes cristãos finalmente abandonaram essa demanda, pois tinham encontrado noutro lado uma localização melhor para “seu Éden”.   

 

 

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Como Preparar Uma Reunião Empresarial

Qual o Tempo Ideal Para Uma Reunião Efetiva? Que Cuidados Devem Ser Tomados na Escolha dos Participantes? Quais as Principais Disposições Para Reuniões Com Mais de Vinte Participantes?

 


 

Preparar uma reunião produtiva exige planejamento e foco do gestor e por isso, ele deve saber definir um objetivo claro, criar e compartilhar uma pauta antecipada com os participantes. Além disso, em linhas gerais o gerente também deve limitar sua duração para evitar desperdício de tempo e saber encerrá-la, definindo um plano de ação claro, com os responsáveis. Assim, na fase de preparação, ele deverá:

 

·        Definir o objetivo da reunião

·        Criar um título para a reunião

·        Listar os assuntos a serem tratados

·        Listar os participantes

·        Local, data, hora e duração da reunião

·        Documentos necessários à reunião

·        Equipamentos necessários à reunião

·        Elaborar e distribuir a agenda (documento com a descrição sucinta da forma como se pretende que a reunião decorra).

 

 

Como Listar os Assuntos a Serem Tratados

 

·        Os assuntos devem ter uma sequência lógica;

·        Devem conter um verbo que traduza a ação a desenvolver;

·        Devem ter um tempo estipulado;

·        Podem ter um orador designado;

·        Certas pessoas poderão só estar presentes em determinadas partes da reunião;

·        Equilibre os itens urgentes e os itens importantes;

·        Elimine qualquer item desnecessário

·        A quem realmente interessa o assunto?

·        Quem pode contribuir com informações úteis ou ideias interessantes que possam influenciar nas decisões a serem tomadas e que possam ter um papel na dinâmica do grupo?

 

O tamanho do grupo é um aspecto que da maior importância, já que, muitas vezes, desse aspecto pode depender o sucesso de uma reunião. Então, os grupos pequenos (de 2 a 5 participantes) normalmente são coesos, com alta produtividade e baixo absentismo. Os grupos médios (de 6 a 9 participantes) pode-se obter alta produtividade, sendo relativamente fácil de controlar e com boa diversidade de opiniões. Já os grupos com mais de 10 participantes tendem haver muita diversidade de opiniões, dificuldades de se obter consenso, grande absentismo e dificuldades de controlar a formação de subgrupos. A partir de 12 participantes, a tarefa de quem conduz a reunião torna-se substancialmente complicada, pelo que nestas situações deverá optar por uma das seguintes soluções:

 

·        Verificar se haverá pessoas que só necessitarão de estar numa parte da reunião;

·        Fazer mais reuniões, dividindo assim o grupo;

·        Verificar se haverá alguém que possa representar um grupo de pessoas escolhidas.

 

Cuidados a Serem Tomados na Escolha dos Participantes

 

·        Convocação de observadores

·        Comparecerem pessoas em substituição de outras, sem terem qualquer noção do assunto a tratar.

·        Convocar quadros de nível hierárquico superior que tenham tendências a dominar a reunião. Pode acontecer que esse quadro acabe por dominar a sequência da reunião e que os participantes dirijam para eles todas as suas intervenções.

·        Evite convites através de estatuto, pois muitas vezes esses convocados sentem que estão perdendo tempo porque não têm nada a ver com o assunto da reunião.

 

Na escolha do local para a realização da reunião, o gerente deve considerar que o espaço médio deve ser de 3,5 m² por pessoa e, além disso, ele também deverá considerar o tipo de mesas e cadeiras adequados aos participantes, iluminação, ventilação e temperatura do local. O tipo de mesas e cadeiras e a forma como estão dispostas, vão influenciar o decorrer da reunião, tendo especial influência no grau de formalidade / informalidade da mesma e no nível de proeminência do líder. O tipo de espaço dependerá de fatores como as condições existentes e possíveis do local, o tipo de reunião, o número de participantes, o grau em que o líder pretende enfatizar o seu poder, a necessidade de haver ou não discussão e a necessidade de interação "cara a cara". Quando se pensa em uma reunião com mais de 20 participantes, existem algumas disposições que têm vantagens e desvantagens, tais como:

 

·        Anfiteatro: Esse tipo de disposição permite muitos participantes, ajuda a multiplicar as informações, permite questionar o líder e tomar notas, mas não promove participação.

·        Sala de Aula: Esse tipo de disposição permite muitos participantes, ajuda a multiplicar as informações e, embora permita tirar notas, existe grande dificuldade de contato visual.

·        Disposição em “U”: Esse tipo de disposição não permite muitos participantes, mas o poder do líder fica bem definido e permite grande interação entre os participantes.

·        Disposição em “T”: Esse tipo de disposição permite que o poder do líder seja bem definido e, embora não promova grande participação, existe boa facilidade no contato visual entre os participantes.

·        Mesa Retangular Com o Líder na Cabeceira: Trata-se da disposição mais frequente, a qual a posição do líder retrata certo autoritarismo que controla todos os elementos.

·        Mesa Retangular Com o Líder Misturado aos Demais: Esse tipo de disposição não permite muitos participantes, mas promove a participação dos membros.

·        Mesa Redonda: Esse tipo de disposição não permite muitos participantes, sendo o tipo de disposição que menos salienta o poder do líder. Promove a participação e a coesão do grupo, sendo a mais adequada quando o líder quer mais ouvir do que falar.

·        Sentados em Semicírculo Sem Mesa: Não permite muitos participantes, mas facilita o contato visual e a interação entre os participantes, embora seja difícil tomar notas. Demarca o poder do líder, mas aproxima-o dos restantes.

·        De Pé em Semicírculo: Bastante desconfortável e por isso não deve ser superior a 15 minutos. É adequada para transmitir informações breves, mas não apropriada para decisões complexas.   

 

Documentos Necessários a Uma Reunião

 

Uma reunião eficaz exige documentação em 3 momentos distintos: antes, durante e depois do encontro. Os documentos essenciais incluem a pauta (para alinhar os objetivos), os materiais de apoio (apresentações e relatórios) e a ata ou relatório para registrar as decisões e os responsáveis. Assim, o gestor deve limitar o número de equipamentos a ser utilizado, pois se forem em excesso podem distrair. Ele deve dar tempo aos participantes para lerem os diapositivos e não falar ao mesmo tempo que os mostra e, quando terminar o assunto do dispositivo, o gerente deve retirá-los de imediato. Ele deverá falar para o grupo e não para o dispositivo. Dessa forma, uma agenda bem preparada permitirá:

 

·        Que os participantes se preparem;

·        Esclarecer o nível de importância dos diferentes assuntos;

·        Controlar o objetivo;

·        Otimizar a reunião.

 

Pontos fundamentais de uma agenda:

 

·        Título da reunião;

·        Objetivo da reunião;

·        Data da reunião;

·        Hora de início e de fim;

·        Local onde a reunião vai decorrer;

·        Participantes;

·        Sequência de pontos a tratar

 

 

 

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