segunda-feira, 4 de maio de 2026

A Vida Econômica no Brasil Colonial

Por Que Nos Primeiros Trinta Anos o Brasil Não Chamou a Atenção dos Portugueses? Em Quantos Territórios o Brasil Foi Dividido em 1534? Por Que os Cristãos-Novos, os Negros, Mestiços e Índios Não Eram Considerados Puros de Sangue? Que fatores Explicam o Destaque do Açúcar na Economia Daquela Época?

 

 


O período colonial (1500-1822) corresponde à primeira fase da História do Brasil que se inicia com a chegada dos portugueses em 1500, passando por 1808, ano da chegada da família real e da corte portuguesa ao Brasil e que termina em 1822, ano que foi proclamada a independência do Brasil em relação a Portugal. Foi durante esse período que Portugal impôs uma forma de ocupação e exploração denominada de “sistema colonial”. Nos primeiros trinta (30) anos do século XVI (1501-1600) o Brasil não chamou muito a atenção dos portugueses. Os portugueses não encontraram nem ouro nem prata no Brasil e continuaram a se interessar pelo lucrativo comércio com o Oriente. Essa situação só foi modificada quando outros países europeus, ao desenvolverem seu processo de expansão, passaram a demonstrar interesse nas terras brasileiras. A primeira expedição de reconhecimento do território brasileiro ocorreu em 1501 com o objetivo de reconhecer as possíveis riquezas da nova terra. À medida que novos pontos geográficos eram identificados, iam sendo nomeados com o nome do santo do dia: cabo de São Roque, cabo de Santo Agostinho. Rio São Francisco, baía de Todos os Santos. A expedição foi a responsável pela identificação de grandes quantidades de pau-brasil na Mata Atlântica. “(...) nessa costa não vimos coisa de proveito, exceto uma infinidade de árvores de pau-brasil (...)” escreveu Américo Vespúcio a um magistrado de Florença. Essa madeira era utilizada como matéria prima nas manufaturas da França, da Itália e de Londres, logo poderia ser explorada comercialmente pelos portugueses. No início os portugueses não valorizaram o pau-brasil, os mercadores de outros países europeus, como franceses e espanhóis, passaram a se interessar por esse produto. Entre os anos 1500 a 1535, a principal atividade econômica foi a extração do pau-brasil, que era obtido mediante troca com os índios.

O pau-brasil foi o primeiro monopólio estatal do Brasil. Só a metrópole portuguesa podia explorá-lo ou transferir a exploração a terceiros. Como foi o caso em 1502, em que sua exploração foi arrendada a um grupo de comerciantes liderados pelo cristão novo Fernando de Noronha. Portugueses e franceses utilizaram inicialmente a mão de obra indígena na exploração do pau-brasil. A partir de 1530, Portugal deu início a colonização efetiva do Brasil. Nesse sentido, a expedição de Martim Afonso de Souza ficou responsável pela ocupação das terras brasileiras. O objetivo dessa expedição era expulsar os franceses da costa do pau-brasil e desenvolver a exploração e reconhecimento do território. Além disso, pretendia-se tomar posse dos lugares que viessem a descobrir, organizar núcleos de povoamento e doar terras para aqueles que quisessem se estabelecer. Em 1534, D. João III determinou a criação das capitanias hereditárias. O Brasil foi dividido em quinze territórios sendo estes entregues aos capitães-donatários. Eram eles representantes da pequena nobreza, os burocratas e os comerciantes que de alguma forma tinham ligações com a Coroa Portuguesa. Entre eles não figurava nenhum representante da grande nobreza, pois os negócios na Índia eram mais lucrativos; não era interessante investir no novo e praticamente desconhecido território.

As capitanias hereditárias representaram uma tentativa de colonização tendo como objetivo integrar a colônia à economia mercantil europeia. Das quinze (15) capitanias somente duas prosperaram: a de São Vicente e a de Pernambuco. Essa prosperidade se deve a combinação da atividade açucareira e um relacionamento menos agressivo com as tribos indígenas. Em 1549, D. João III decidiu criar o governo-geral no Brasil. Este iria representar a organização administrativa da colônia. Os objetivos eram de garantir a posse territorial da nova terra, colonizá-la e organizar as rendas da Coroa. A cidade de Salvador passou a ser a capital do Brasil até 1763. O Brasil viria a ser uma colônia cujo objetivo seria o de fornecer ao comércio europeu gêneros alimentícios ou minérios de grande importância no mercado. Três (3) aspectos caracterizaram o Brasil no período colonial: 

 

·        A empresa comercial com base na monocultura voltada para o mercado externo;

·        O regime da grande propriedade (latifúndio); 

·        O trabalho escravo.

 

A Sociedade Colonial

 

A sociedade brasileira, bem no começo da colonização, era formada a partir de alguns critérios como a pureza de sangue. Não eram considerados puros de sangue os cristãos-novos (judeus convertidos ao catolicismo), os negros, mestiços e os índios. De uma forma bem geral, a sociedade era formada por dois (2) grandes grupos: escravos de um lado e homens livres de outro (nesse caso entravam brancos, mulatos, religiosos, artesãos e camponeses). Perceba, meu caro estudante, que dificilmente havia alguém classificado como classe média, como temos hoje em dia. Na região mineira (atual Minas Gerais) e em outros centros urbanos, como Salvador e Rio de Janeiro, formou-se uma burocracia administrativa, de letrados e pessoas que se dedicavam às chamadas profissões liberais, por exemplo, a advocacia. Na região mineira, a sociedade apresentava características mais urbanas, possuindo um caráter mais democratizante, considerando a existência de setores médios como tropeiros, comerciantes, representantes do clero, funcionários da Coroa, profissionais liberais, artistas e artesãos.

Foi nessa região que surgiram importantíssimas cidades: Ouro Preto, Mariana, São João Del-Rey, Congonhas do Campo, entre outras que atualmente se constituem em rico tesouro cultural do Brasil. Ser senhor de engenho era uma posição social de destaque, enquanto o comércio era considerado uma profissão menos digna. Os artesãos também eram depreciados, pois o trabalho, sobretudo o manual, era visto como uma atividade inferior. As classes dominantes eram formadas por grandes traficantes, grandes proprietários rurais e grandes comerciantes. Além do critério da pureza de sangue existia também outra forma de divisão social que era baseada na religião. Os súditos da Coroa que moravam no Brasil eram os católicos, mas havia também aqueles que eram considerados mais ou menos católicos. Estes eram os cristãos-novos, judeus convertidos ao cristianismo por imposição da Coroa Portuguesa em 1497. Outra forma de divisão social era entre homens e mulheres. A ideia de família na Colônia estava vinculada ao modelo patriarcal, tendo o homem como chefe de família, característica da classe dominante principalmente da região Nordeste. A maior parte da população colonial viveu no campo. As poucas cidades que se desenvolviam dependiam do campo. Nas cidades moravam mecânicos, mercadores, oficiais de justiça e de outras áreas da administração pública.

 

Vida Econômica no Brasil Colonial

 

A empresa açucareira foi responsável pela ativação socioeconômica do Nordeste. Fatores climáticos, geográficos, políticos e econômicos explicam o destaque do açúcar naquela região. A produção de gêneros alimentícios, principalmente a mandioca e a criação de gado estavam vinculadas também à economia do açúcar. A aguardente era um subproduto do engenho açucareiro. O fumo foi o segundo maior produto de exportação. A criação de gado começou próximo dos engenhos e mais tarde essa atividade voltou-se mais para o interior da colônia. A pecuária foi responsável pela interiorização do território brasileiro. As drogas do sertão eram os produtos extraídos da floresta amazônica e representaram importante fator para a exploração e ocupação daquela região. O algodão, cultivado no Maranhão, também teve um relativo crescimento no final do século XVIII. A mineração se deu na região que compreende atualmente os estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, onde ocorreu a extração do ouro e dos diamantes. Essa região que era inexplorada até fins do século XVII passou a receber uma multidão de pessoas vindas da Europa e também de outras regiões da colônia, principalmente de paulistas.

 

A Escravidão Indígena e Africana no Brasil Colonial

 

Em 1757 teve fim no Brasil colonial a escravização do índio e o trabalho escravo do negro foi abolido em 1888, com a assinatura da Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel. Assim, durante mais de 120 anos o Brasil, oficialmente, não possui nenhum regime de trabalho escravo. Do descobrimento até por volta de 1532 não houve nenhum tipo de escravidão no Brasil. Portugueses e franceses conseguiam obter o pau-brasil, dentre outros produtos naturais, através da prática do escambo, ou seja, por meio de troca com os indígenas. A escravidão indígena teve início com o desenvolvimento da lavoura açucareira. A partir da segunda metade (1551- 1600) do século XVI, os portugueses começaram a substituir o indígena pelos escravos africanos. A troca se deu porque a captura dos índios só gerava lucros para os colonos fixados no Brasil, já a escravidão negra viria a ser um comércio altamente lucrativo para os europeus, gerando ainda fortunas e trocas entre o continente europeu, africano e americano.

Além disso, a Coroa e os padres jesuítas se colocaram contrários à escravidão dos índios e ao mesmo tempo defensores do tráfico negreiro. Como o início da colonização do Brasil, os portugueses tinham a necessidade de empreender um modelo de exploração econômica das terras que fosse capaz de gerar lucro em pouco tempo. Para tanto, precisariam de uma ampla mão de obra capaz de produzir riquezas em grande quantidade e, dessa forma, garantir margens de lucro cada vez maiores para os cofres da Coroa Portuguesa. Contudo, quem poderia dispor de sua força de trabalho para tão ambicioso projeto? Inicialmente, os portugueses pensaram em aproveitar do contato já estabelecido com os índios na atividade de extração do pau-brasil. Os índios realizavam essa extração por meio de um trabalho esporádico recompensado pelos produtos trazidos pelos lusitanos na prática do escambo. Em contrapartida, o trabalho nas grandes propriedades exigia uma rotina de trabalho longa e disciplinada que ia contra os hábitos cotidianos de boa parte dos indígenas. 

Além disso, as mortes causadas pelo trabalho forçado, as mortais epidemias contraídas no contato com o homem branco e ruptura com a economia de subsistência dos indígenas impedia a viabilidade desse tipo de escravidão. Ao mesmo tempo, devemos levar em conta que o controle sobre os índios escravizados era bem mais difícil tendo em vista o conhecimento que tinham do território. Dessa forma, a vigilância se tornava algo bastante complicado.

Como se não bastasse esses fatores de ordem cultural, biológica e social, a escravidão indígena também foi extensamente combatida pela Igreja no ambiente colonial. Representados pela Ordem Jesuíta, os religiosos que aportavam em terras brasileiras se envolveram em uma série de disputas para defender os indígenas dos colonos portugueses, que os queriam transformar em escravos. Apesar de sua influência e autoridade, muitos padres foram explicitamente afrontados pela ganância de colonos que saíam pelo território em busca de índios. Na maioria das vezes, a escravidão indígena servia como alternativa à falta e o alto custo de um africano. Preferencialmente, os colonos atacavam as populações indígenas ligadas às missões jesuíticas, pois estes já se mostravam habituados à rotina e aos valores da cultura ocidental.

Mediante a forte pressão dos religiosos, Portugal proibiu a captura de índios por meio de uma Carta Régia emitida no ano de 1570. Segundo esse documento, os índios só poderiam ser presos e escravizados em situação de guerra justa. Ou seja, somente os índios que se voltassem contra os colonizadores estariam sujeitos à condição de escravos. Por meio dessa medida, os colonizadores conseguiram manter a escravidão indígena durante todo o período colonial. A escravidão indígena foi oficialmente extinta no século XVIII, momento em que o marquês de Pombal estabeleceu um conjunto de transformações na administração colonial. Em 1757, proibiu a escravidão indígena e transformou algumas aldeias em vilas submetidas ao poderio da Coroa.

 

Razões Que Explicam o Surgimento da Escravidão Negra

 

A primeira razão é que o regime de trabalho fundado na utilização do trabalhador livre, assalariado, não pôde constituir-se, pois as disponibilidades de vastas superfícies de terras impossibilitariam a retenção do indivíduo na “empresa”. Em segundo lugar, nem a Metrópole e nem mesmo a Colônia dispunham de trabalhadores livres em número suficiente para atender às atividades produtivas que se inauguravam ou se expandiam nas diversas regiões da Colônia, pois o trabalho assalariado não era possível sendo escassos os trabalhadores, em atividades de baixo nível técnico. E por último, à escassez de trabalhadores livres contrapunha-se a uma oferta elástica de escravo. A partir do século XVII (ano 1601 a 1700), a mão de obra escrava africana passou a ser utilizada de forma geral, em diversos setores, para além da monocultura de exportação. No litoral Norte de Pernambuco, antes de 1630, já havia, em Olinda, um número ponderável de escravos exclusivamente empregados na pesca marítima e litorânea. A escravidão de africanos na América consumiu cerca de 15 milhões ou mais de homens e mulheres arrancados de suas terras. O tráfico de escravos através do Atlântico foi um dos grandes empreendimentos comerciais e culturais que marcaram a formação do mundo moderno e a criação de um sistema econômico mundial. A participação do Brasil nessa trágica aventura foi enorme. Para o Brasil, estima-se que vieram perto de 40% dos escravos africanos. Aqui, não obstante o uso intensivo da mão de obra cativa indígena, foram os africanos e seus descendentes que constituíram a força de trabalho principal durante os mais de trezentos anos de escravidão. E a escravidão penetrou cada um dos aspectos da vida brasileira. Além de movimentarem engenhos, fazendas, minas, cidades, plantações, fábricas, cozinhas, salões, os escravos da África e seus descendentes imprimiram marcas próprias sobre vários outros aspectos da cultura material e espiritual deste país, sua agricultura, culinária, religião, língua, música, artes, arquitetura.

  

REFERÊNCIAS

 

 LIMA, Ederson Prestes Santos; SCHENA, Denilson Roberto. História. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.

SILVA, Daniel Neves. "Descobrimento da América"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/descobrimento-da-america.htm. Acesso em 25 de novembro de 2025.

 

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Áreas de Atuação do Auxiliar de Logística (Conceito e Importância)

Como Foi a Evolução Histórica da Logística? Quais as Principais Atividades do Auxiliar de Logística?  Como se Define a Logística Nas Organizações?




 Logística é a área da Administração que é responsável por planejar, implementar e controlar – de forma eficiente – o fluxo e a armazenagem de bens, serviços e informações, desde o ponto de origem até o ponto de consumo. Tanto é que MARTINS e LAUGENI ([1]) definiram a Logística como sendo o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência e do custo efetivo relacionado ao fluxo de armazenagem de matéria-prima, material em processo e produto acabado, bem como do fluxo de informações do ponto de origem ao ponto de consumo. Porém, a partir do desenvolvimento industrial o cliente passou a ser o alvo de todas as operações empresariais e, por esse motivo, CARVALHO ([2]), definiu a Logística como sendo a parte do gerenciamento da cadeia de abastecimento que planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semiacabados e produtos acabados, bem como as informações relativas a eles, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, sempre com o propósito de atender às exigências dos clientes. Sendo assim, já é consenso que o objetivo da Logística é atender às exigências dos clientes com o menor custo possível, garantindo qualidade, prazo e disponibilidade, envolvendo atividades como:

 

·        Transporte e distribuição de mercadorias;

·        Armazenagem e controle de estoques;

·        Processamento de pedidos;

·        Planejamento de demanda;

·        Gestão de suprimentos e fornecedores.

 

Daí a Logística passou a ser vital para a competitividade das organizações por diversos motivos:

 

·        Redução de custos operacionais e desperdícios;

·        Melhoria no nível de serviço ao cliente, garantindo entregas no prazo e em perfeitas condições;

·        Aumento da eficiência dos processos internos;

·        Agilidade na tomada de decisões, com base em dados de movimentação e estoques;

·        Integração entre setores como compras, produção, vendas e distribuição;

·        Vantagem competitiva, pois uma operação logística eficaz é um diferencial de mercado.

 

Evolução Histórica da Logística

 

Segundo NOVAES ([3]), a evolução da Logística pode ser dividida em quatro (4) fases:

 

Primeira Fase (Atuação Segmentada):

·        O estoque é o elemento-chave no balanceamento da cadeia de suprimento.

·        A manufatura produz um determinado produto e o coloca no estoque do depósito da fábrica, funcionando como repositores de estoques

·        Os estoques atuam como um pulmão entre a manufatura e os depósitos e centros de distribuição.

·        Consideram-se os estoques em trânsito (sendo transportados entre pontos diversos).

 

Segunda Fase (Integração Rígida):

·        O marketing incute nos consumidores o interesse por produtos mais variados;

·        A manufatura se torna mais flexível;

·        Os estoques aumentam ao longo da cadeia logística;

·        Maior racionalização da cadeia de suprimento, visando menores custos e maior eficiência;

·        Novas alternativas de escoamento dos fluxos logísticos através da multimodalidade no transporte de mercadorias (combinado de caminhão, trem, navio e avião);

·        Racionalização integrada da cadeia logística de suprimento através da otimização de atividades e planejamento.

 

Terceira Fase (Integração Flexível):

·        Integração dinâmica e flexível dentro da empresa;

·        Integração dinâmica e flexível nas inter-relações da empresa com seus fornecedores e clientes;

·        Intercâmbio de informações entre elementos da cadeia de suprimento (EDI – Intercâmbio Eletrônico de Dados);

·        Maior preocupação com a satisfação plena do cliente;

·        Busca pelas reduções continuadas nos níveis de estoques (estoque zero).

 

Quarta Fase (Integração Estratégica):

·        As empresas participantes da cadeia de suprimentos passam a buscar soluções novas, usando a Logística para ganhar competitividade e novos negócios;

·        Surgimento do conceito SCM – Suplly Chain Management (Gerenciamento da Cadeia de Suprimento);

·        Busca a redução de estoques e maior qualidade do serviço logístico;

·        Intenso intercâmbio de informações, visando formação de parcerias entre fornecedores e clientes.

 

Diante disso, pode-se traçar uma análise cronológica da Logística da seguinte forma:

·        Antes dos Anos 50: Não havia uma filosofia dominante para conduzi-la.

·        Entre os Anos 50 e 70: Com um ambiente voltado para novidades na área administrativa, realmente houve a decolagem da teoria e da prática da Logística.

·        Anos 70: Melhoria contínua e qualidade total

·        Anos 80: Excelência em manufatura (Kanban. JIT, células de produção e estoque zero)

·        Anos 90: Globalização, proporcionando a redução no ciclo de pedidos e terceirização das atividades logísticas.

·        Anos 2000: Integração no Suply Chain, tecnologia, colaboração de fornecedores e clientes.

 

Logística nas Organizações Modernas

 

Hoje, a Logística é uma das áreas mais dinâmicas e críticas dentro das empresas e a sua atuação vai muito além do que transporte e armazenamento, tornando-se um elemento central na cadeia de suprimentos (supply chain). As principais características da Logística moderna são:

 

·        Foco no Cliente: a experiência do consumidor final é um dos principais indicadores de sucesso logístico;

·        Tecnologia Integrada: uso de softwares de gestão, automação de armazéns, rastreamento de cargas em tempo real e inteligência artificial;

·        Velocidade e Precisão: agilidade na entrega com erros mínimos é uma exigência;

·        Sustentabilidade: processos mais limpos, redução de emissões e uso consciente de recursos;

·        Globalização: empresas lidam com fornecedores e clientes em diferentes partes do mundo;

·        Omnicanalidade: integração de canais físicos e digitais exige logística flexível e integrada.

 

Áreas de Atuação do Auxiliar de Logística

 

O auxiliar de logística é um profissional essencial para a operacionalização das atividades logísticas dentro das organizações. Ele atua como elo entre o planejamento e execução, garantindo que os processos fluam com eficiência. Pode-se dizer que ele atuará nas seguintes áreas:

 

1) Recebimento de Mercadorias:

·        Conferência de notas fiscais e volumes recebidos;

·        Verificação de qualidade e quantidade;

·        Registro de entrada no sistema.

 

2) Armazenagem:

·        Organização do estoque físico;

·        Separação de produtos por categorias;

·        Controle de validade e rotatividade (FIFO/FEFO).

 

3) Expedição e Distribuição:

·        Separação e embalagem de pedidos;

·        Emissão de documentos de transporte;

·        Carregamento de veículos e rastreamento de entregas.

 

4) Controle de Estoque:

·        Inventários periódicos;

·        Análise de entradas e saídas;

·        Sinalização de faltas ou excessos.

 

5) Transporte e Roteirização:

·        Apoio na definição de rotas e modais;

·        Monitoramento de entregas;

·        Suporte na contratação de fretes.

 

6) Suporte administrativo:

·        Atualização de sistemas logísticos (ERP, WMS);

·        Elaboração de relatórios de desempenho;

·        Atendimento a clientes e fornecedores.

 

Perfil Profissional Desejado

 

·        Organização, atenção aos detalhes e agilidade;

·        Conhecimento básico de informática e sistemas logísticos;

·        Boa comunicação e trabalho em equipe;

·        Capacidade de lidar com prazos e pressão.  

 

 

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([1])  MARTINS, Petronio G.; LAUGENI, v. 1. Fernando P. Administração da produção. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

([2])  CARVALHO, José Meixa Crespo de. Logística. 3ª ed. Lisboa: Edições Silabo, 2002.

([3])  NOVAES, A. G. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição. Elsevier, 2007.


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quinta-feira, 23 de abril de 2026

O Regresso a Uma Terra Plana: Um Retrocesso Científico na Idade Média

Por Que os Cristãos Acreditavam Que Não Podia Haver Antípodas? Qual Foi o Legado Deixado Por Cosmas de Alexandria? Por Que os Mapas de Erastóstenes, Hiparco e Ptolomeu Mostravam Jerusalém no Centro do Mundo?



As clássicas teorias dos antípodas (
[1]) descreviam uma intransponível zona que rodeava o equador e que nos separava de uma região habitada do outro lado do globo e, consequentemente, isso suscitou sérias dúvidas na mente cristã quanto à esfericidade da Terra. Os que viviam na parte de baixo dessa zona não podiam ser da raça de Adão ou incluídos como redimidos pela morte de Cristo. Se uma pessoa acreditava que a Arca de Noé fora parar no Monte Ararat a norte do equador, então não havia maneira de criaturas vivas terem chegado a um antípoda. Para evitar possibilidades heréticas, os cristãos preferiam acreditar que não podia haver antípodas, ou mesmo, se necessário, acreditarem que a Terra não era esférica. Santo Agostinho foi igualmente explícito e dogmático e a sua autoridade reforçada pela de Isidro – pela de Beda e de São Bonifácio – acautelou os espíritos irrefletidos. Os geógrafos da antiguidade não tinham se preocupado com tais problemas. Mas nenhum cristão podia encarar a possibilidade de existirem homens que não descendessem de Adão ou se encontrassem tão separados deles pelos fogos tropicais que fossem inalcançáveis pelo Evangelho de Cristo. A crença em antípodas tornou-se mais uma das acusações comuns contra os candidatos à fogueira. Alguns conciliadores tentaram aceitar uma Terra esférica por razões geográficas, embora negassem, por razões teológicas, a existência de habitantes antípodas. Mas, o seu número não se multiplicou.

Cosmas de Alexandria – um convertido recente e fanático – foi o autor de “Topographia Christiana”, a qual sobreviveu séculos até hoje para espanto dos cristãos modernos. Não se sabe ao certo o seu verdadeiro nome, mas muitos chamavam-lhe de Cosmas – em função da fama da sua obra geográfica – e teve por alcunha “o Viajante Indiano” por ter sido mercador em uma determinada época e ter viajado à volta do Mar Vermelho, do Oceano Índico e seguindo até o Ceilão. E, depois da sua conversão ao Cristianismo, fez-se monge e retirou-se para um mosteiro no Monte Sinai, onde acabou escrevendo suas memórias e a defesa da sua visão cristã da Terra. Esse tratado foi ilustrado em doze (12) tomos e nos forneceu os mais antigos mapas – de origem cristã – que chegaram até os tempos modernos. Sendo assim, Cosmas de Alexandria recompensou seus fiéis com uma medida muito bem atestada de vitríolo ([2]) contra o erro pagão e um diagrama simples do Universo cristão. Logo no primeiro livro destruiu a heresia da esfericidade da Terra e, a seguir, expôs o seu sistema apoiando-se, claro, nas Escrituras e depois nos doutores da Igreja, e finalmente em algumas fontes não cristãs. O que ele ofereceu foi menos uma teoria do que um simples, claro e atraente modelo visual e, quando o Apóstolo Paulo declarou na Epístola aos Hebreus que o primeiro tabernáculo de Moisés era o modelo deste mundo inteiro, forneceu a Cosmas, de bandeja, o seu plano com todos os pormenores necessários. Ele não teve qualquer dificuldade em traduzir as palavras de São Paulo para a realidade física, tanto que o primeiro tabernáculo tem regulamentos de culto divino e um santuário terrestre.

Com um “santuário terrestre” São Paulo queria significar que “era por assim dizer, um modelo do Mundo, onde estava também o candelabro, significando com isso os luminares do Céu e a mesa; ou seja, a Terra, e o pão da proposição, significando com isso os frutos que ela produz. Quando as escrituras diziam que a mesa do tabernáculo deveria ter 2 cúbitos de comprimento e um de largura, significava que a Terra plana tinha de comprimento, de Leste para Oeste, o dobro da largura. No atraente plano de Cosmas a terra era uma imensa caixa retangular, muito semelhante a uma arca com uma tampa arqueada – a abóboda do Céu – por cima da qual o Criador observava sua obra. No Norte havia uma grande montanha, à volta da qual o Sol se movia e cujas obstruções à luz solar explicavam as durações variáveis dos dias e das estações. As terras do Mundo eram simétricas no Oriente, os Indianos, no Sul, os Etíopes no Ocidente, os Celtas e no Norte, os Citas. E do Paraíso fluíam os 4 grandes rios: o Ganges, para a Índia; o Nilo através da Etiópia, para o Egito e o Tigres e Eufrates que banhavam a Mesopotâmia. Havia apenas uma face da Terra – aquela que Deus nos dava, os descendentes de Adão – o que tornava qualquer sugestão da existência de antípodas, além de absurda, também uma sugestão herética.       

Geógrafos cristãos encontraram um tesouro de recursos nas antigas fantasias e, desdenhando a ciência pagã que era considerada ameaça à fé cristã, os seus preconceitos não incluíam os mitos pagãos. Estes eram tão numerosos e tão contraditórios que satisfaziam aos mais dogmáticos objetivos cristãos. Apesar de temerem os cálculos muito aproximados da realidade de Erastóstenes, Hiparco e Ptolomeu, adornavam alegremente seus piedosos mapas que tinham Jerusalém como centro, com as mais extravagantes especulações da imaginação pagã. Júlio Solino (cognominado “Contador de Variadas Histórias”) forneceu a fonte do mito geográfico durante todos os anos do grande interregno, do século IV até o século XIV. Provavelmente ele não era cristão e, nove décimos da sua “Coletânea de Coisas Maravilhosas”, publicada entre 230-240 d.C., provinha diretamente da “História Natural” de Plínio, embora Solino sequer mencione o seu nome. E o resto foi forjado com base em outros autores clássicos, pois o talento peculiar de Solino era “extrair a escória e deixar o outro”. Porém, é duvidoso que alguém tenha, durante um período tão longo, influenciado a Geografia tão profunda e nocivamente. No entanto, a escória de Salino exercia grande atração, pois o próprio Santo Agostinho bebeu na sua fonte, assim como outros pensadores da Idade Média. As histórias e as fabulosas imagens de Salino deram vida aos mapas cristãos até a Era dos Descobrimentos e se tornaram uma rede abrangente de fantasia, substituindo a esquecida grelha racional de Latitude e Longitude que tinha sido o legado de Ptolomeu.     

Enquanto uma Terra esférica era a base da cartografia grega, uma Terra plana era a dos Chineses. Na altura em que Ptolomeu fizera seu o trabalho no Ocidente, cartógrafos chineses criaram técnicas de grelhas de mapas e uma rica tradição de cartografia do Mundo, a qual cresceu sem o amnésico interregno que atormentou o Ocidente. Os Gregos também tinham elaborado seu sistema de grelha por meio de linhas de latitude e longitude tão facilmente traçadas à volta de uma esfera. Mas, como era muito difícil projetar uma superfície esférica numa folha plana, na prática o sistema de grelha helênico (de latitude e longitude) não era diferente do que teria sido se eles tivessem concebido a superfície da Terra como sendo plana.

Visto o sistema de grelha helênico ter nascido dos requisitos de uma forma esférica, a grelha retangular chinesa – que tornou possível toda a sua cartografia – deve ter tido outras origens completamente diferentes. Quais? Na consulta aos antigos registros encontramos referências a mapas e a seus usos. A China era simultaneamente a criatura e o criador de uma imensa burocracia que tinha de conhecer as características de suas extensas regiões. E, quando o imperador Zhou viajava pelo seu reino, o geógrafo real ia a seu lado, explicando-lhe a topografia e os produtos característicos de cada parte do país. No apogeu da cartografia religiosa na Europa, os Chineses avançaram firme no sentido da cartografia quantitativa. Antes mesmo de Ptolomeu ter feito o seu trabalho em Alexandria, um pioneiro chinês já tinha projetado uma rede de coordenadas acerca do céu e da Terra e calculado na base dela. Passados dois séculos, o Ptolomeu chinês – Pei Xiu – aplicou essas técnicas para fazer um mapa da China. No prefácio de seu atlas, Pei Xiu deu instruções para se fazer um mapa na escala devida, com grelhas retangulares: _ “Se traçarmos um mapa sem as divisões graduadas, não existiria maneiras de distinguir entre o que é perto ou longe. Assim, mesmo que existam grandes obstáculos como altas montanhas ou grandes lagos, tudo pode ser tomado em consideração e determinado. Quando o princípio da grelha retangular é devidamente aplicado, então o reto e o curvo, o próximo e o distante não podem ocultar-nos nada da sua forma”.

 

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([1])  Quem, em relação a outra pessoa, vive do outro lado da Terra. Habitante de um lugar, no mundo, diametralmente oposto a outro: o japonês é antípoda do brasileiro.

 ([2]Termo antigo para sulfatos metálicos (cristais com aparência de vidro) e, mais comumente, o ácido sulfúrico. Trata-se de um líquido extremamente corrosivo, nocivo que, na alquimia, representa a purificação, enquanto no sentido figurado refere-se a palavras ou críticas "vitriólicas"; ou seja, amargas, cáusticas e severamente condenatórias



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