quarta-feira, 25 de março de 2026

As Tentações da Lua na Medição do Tempo

Quais Foram os Principais Significados Místicos e Românticos Sobre a Lua na Antiguidade? Qual a Importância da Lua na Elaboração do Calendário Humano? Como os Egípcios Elaboravam o Seu Calendário?

 



Do noroeste da Groelândia até a ponta da Patagônia as pessoas saudavam a Lua Nova, cantando, bebendo ou orando. Os esquimós faziam um banquete, apagavam as luzes e trocavam de mulheres. Alguns africanos entoavam a prece da “Lua Jovem” e, até hoje, ao luar todos querem dançar. Há 2000 anos Tácito disse que as comunidades germânicas efetuavam suas reuniões na Lua Cheia ou na Lua Nova, pois eles acreditavam ser uma “época mais auspiciosa para iniciar negócios”. Em toda parte, encontramos significados místicos e românticos sobre a lua: _ em “aluado”, “lunático” e em “luar” e até nos cenários iluminados pelo luar dos encontros dos namorados. E, mais profundamente, encontramos a relação da Lua com a medição, pois a palavra “moon” (em inglês) – e suas cognatas em outras línguas – estão enraizadas na base “me” que significa “medida”, recordando-nos o serviço primitivo da Lua como a primeira medidora universal de tempo. Por causa do seu fácil uso como medida do tempo, a Lua revelou-se uma armadilha para a humanidade, pois embora as suas fases fossem ciclos práticos que todos podiam ver, eram também um “beco sem saída”. Na verdade, do que caçadores e agricultores mais precisavam era de um calendário das estações do ano; ou seja, uma maneira de prever a chegada da chuva, da neve, do calor ou do frio. Quanto faltava para semear? Quando seria de esperar a primeira geada? E as grandes chuvas? Dessa forma, a Lua pouco ajudava no tocante a essas necessidades. É verdade que os ciclos da Lua tinham uma estranha coincidência com o ciclo menstrual das mulheres, pois o tempo necessário para a Lua regressar à mesma posição no CE era de 28 dias e, uma mulher grávida, podia esperar o nascimento de seu filho após 10 desses meses lunares.

 

Como sabemos agora, as estações do ano são governadas pelos movimentos da Terra à volta do Sol e, cada sucessão das estações, assinala o regresso da Terra ao mesmo lugar. Daí o homem precisava de um calendário para se orientar nas estações. Como começar? Os babilônicos começaram pelo calendário lunar e, sua obstinação em agarrar-se aos ciclos lunares para fazer o seu calendário, teve consequência importantes. Ao procurarem uma forma de medir o ciclo das estações por múltiplos de ciclos lunares, acabaram por descobrir o “ciclo metônico” de 19 anos. Verificaram que se usassem um ciclo de 19 anos, destinassem a 7 desses anos 13 meses e aos outros 12 anos apenas 12 meses, eles poderiam utilizar as fases visíveis da Lua como base do seu calendário. A sua inserção de meses extras evitava a inconveniência de um ano “errante”, em que as estações erravam gradualmente através dos meses lunares, de tal forma que não havia nenhum modo fácil de saber que mês traria a nova estação. Assim, este calendário era excessivamente complicado para uso quotidiano. De algum modo os egípcios escaparam da tentação à Lua, pois eles foram os primeiros a descobrirem a duração do ano solar e a defini-la de uma forma útil e prática. Como aconteceu com muitas outras realizações humanas, sabemos o quê, mas continuamos intrigados quanto ao porquê, o como e até o quando. O primeiro enigma que nos deparamos é: por que foram os egípcios? Eles não possuíam instrumentos astronômicos que não fossem conhecidos, não evidenciavam nenhum gênio para a matemática e sua astronomia era incipiente quando comparada aos gregos e outros povos do Mediterrâneo. No entanto, parece que no ano de 2500 a.C. eles descobriram uma forma de predizer quando o Sol nascente (ou poente) douraria a ponta do obelisco, o que os ajudava a acrescentar uma aura às suas cerimônias e aos seus aniversários. O esquema babilônico era pouco prático e os caprichos locais prevaleciam.

Na Grécia cada cidade-estado fazia seu próprio calendário, intercalando de forma arbitrária o mês suplementar para assinalar um festival local ou para satisfazer necessidades políticas. Mesmo sem a ânsia grega pela matemática, os Egípcios resolveram o problema inventando um calendário que satisfazia as necessidades quotidianas em toda sua região. Já no ano 3200 a. C. o vale do Nilo estava unido ao delta num único reino que durou 3000 anos, até o século de Cleópatra. Como os próprios corpos celestes, o Nilo apresentava um ritmo natural e regular. O ritmo do Nilo era o ritmo da vida egípcia e a subida anual das suas águas estabelecia o calendário de semear e colher com as suas três estações: inundação, crescimento e colheita. As cheias – do fim de julho a fins de outubro – traziam sedimentos ricos em que as sementeiras eram feitas e cresciam de outubro a fevereiro, a fim de serem colhidas de fevereiro até o fim de junho. Sendo assim, o calendário egípcio era “nilômetro”; isto é, uma escala virtual em que o nível da cheia era anualmente marcado. Mas, os Egípcios descobriram muito cedo que 12 meses de 30dias cada poderiam proporcionar um calendário útil das estações se lhes fossem acrescentados mais 5 dias no fim, para fazer um ano de 365 dias. Foi este o “ano civil”, ou “ano do Nilo” que os Egípcios começaram a utilizar já em 4241 a. C. Sabendo-se que o ano solar não tem exatamente 365 dias, o ano Egípcio de 365 dias tornar-se-ia (com o correr dos séculos) um “ano errante”, com cada mês nomeado a ocorrer numa estação diferente. A discrepância era tão pequena que eram precisos muitos anos, muitos mais do que os de vida de qualquer pessoa, para que o erro perturbasse o quotidiano dos egípcios e, apesar disso, este calendário egípcio era muito melhor do que qualquer outro conhecido ao tempo, tanto que foi adotado por Júlio Cesar para elaborar o seu calendário Juliano. Ele sobreviveu à Idade Média e ainda foi usado por Copérnico nas suas tábuas planetárias – no século XVI.

No tocante ao seu próprio calendário, os Egípcios conseguiram declarar a sua independência da Lua – mesmo continuando a conservar seu grande fascínio – e muitos povos (incluindo os próprios egípcios) tinham um ciclo lunar para reger seus festivais religiosos e aniversários místicos. Os Judeus, por exemplo, conservam seu calendário lunar e cada mês judaico continua a começar pelo aparecimento de uma lua nova. Para manterem o seu calendário lunar sincronizado com o ano sazonal, eles acrescentavam um mês extra por cada ano bissexto. Dessa forma, o ano judaico foi feito para compreender 12 meses, cada um de 29 ou 30 dias, totalizando cerca de 354 dias. A fim de preencher o ano solar, os anos bissextos judaicos acrescentaram um mês extra nos 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º anos de cada período de 19 anos. Ocasionalmente eram necessários alguns ajustes para que determinadas festas ocorressem na sua própria estação, como por exemplo para garantir que o Passover ([1]) – Festival da Primavera – fosse depois do Equinócio Vernal. Acompanhando os Judeus na maioria dos aniversários religiosos, o Cristianismo manteve o seu laço com o calendário lunar. As “festas móveis” da Igreja foram deslocadas no calendário solar a fim de coincidi-las com os ciclos lunares. O mais importante desses festejos cristãos regidos pela Lua é a Páscoa, a qual “é celebrada sempre no 1º domingo depois da Lua Cheia que calha no 21º dia de março; e, se a Lua Cheia calhar num domingo, o dia de Páscoa será no domingo seguinte”. Uma dúzia de outras festas são fixadas em relação à Páscoa, resultando daí que a Páscoa controla 17 semanas do calendário eclesiástico. Por isso, a fixação da data da Páscoa se tornou uma questão da extrema importância. Ora, consta que Jesus foi crucificado no Passover e, diante disso, o aniversário da ressurreição da Páscoa dependeria dos cálculos lunares pelos quais o Sinédrio definia o Passover. Obedecendo à sua própria interpretação da Bíblia, os primeiros cristãos fixaram a morte de Jesus numa sexta-feira e a ressurreição da Páscoa no domingo seguinte.

Mas, se o aniversário da festa obedecesse ao calendário lunar judaico, não haveria nenhuma garantia de que a Páscoa ocorreria num domingo. A disputa levou a uma das maiores cismas entre a Igreja Ortodoxa Oriental e a Igreja de Roma. Obedecendo ao calendário lunar, os cristãos orientais continuaram a observar a Páscoa no 14º dia do mês lunar, independentemente do dia da semana e, logo no 1º Concílio Ecumênico Mundial (em Niceia, no ano de 325) uma das questões unificadoras a decidir foi a data da Páscoa. Ela foi fixada numa data tal, a fim de permanecer no calendário lunar tradicional e, simultaneamente, garantir que a Páscoa seria sempre celebrada em um domingo. Mas isto não resolveu o problema, pois alguém tinha de continuar a prever as fases da Lua e situá-las num calendário solar. O Concílio de Niceia confiou esta tarefa ao Bispo de Alexandria que deveria prever as fases da Lua para todos os anos futuros. O desacordo quanto ao modo de predizer esses ciclos originou uma divisão na Igreja, donde resultou que diferentes partes do Mundo continuassem a festejar a Páscoa em domingos diferentes.

Assim sendo, a reforma do calendário efetuada pelo Papa Gregório XIII foi necessária porque o ano que Júlio Cesar fora buscar aos Egípcios – e que regera a civilização ocidental até então – não era uma medida exata do ano solar. Ou seja, o tempo necessário para a Terra completar uma órbita à volta do Sol (365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos), equivalia a cerca de 11 minutos e 14 segundos menos do que os 365,25 dias do ano Egípcio. Em consequência disso, as datas do calendário perdiam sua relação com os acontecimentos solares e com as suas estações. O Papa Gregório XIII foi um reformador enérgico e decidiu colocar o calendário na ordem, pois em 1582 ele ordenou que ao dia 4 de outubro se seguisse o dia 15 de outubro. Isso significava que no ano seguinte o equinócio ocorreria em 21 de março, como o calendário solar das estações exigia. Desse modo, o ano sazonal regressou ao que fora no ano de 325 e os anos bissextos do antigo “Calendário Juliano” foram reajustados. E, para evitar a acumulação de outra discrepância de 11 minutos por ano, o “Calendário Gregoriano” omitiu o dia intercalado dos anos seculares (ou os anos terminados em 00), a não ser que fossem divisíveis por 400. Daí isso resultou no calendário moderno, pelo qual o Ocidente ainda se rege. Mas, pelo fato de a reforma ter vindo de Roma, a Inglaterra protestante e suas colônias americanas se recusaram a adotar essa norma até 1752. Outros contratempos também foram notados quando, em 1582, o Papa Gregório retirou 10 dias ao calendário e houve protestos dos servos, os quais exigiam o seu pagamento mensal pelo mês encurtado e os patrões se recusavam pagar. Na verdade, o mundo jamais aceitou inteiramente a reforma gregoriana. A Igreja Ortodoxa do Oriente, avessa a se submeter a qualquer norma romana, manteve-se fiel ao calendário Juliano para calcular a Páscoa. E assim, o mundo cristão, supostamente unido por um profeta da paz, não conseguiu sequer estar de acordo quanto à data da ressurreição do seu Salvador.

Todavia, para os assuntos do quotidiano, todo o mundo cristão tem compartilhado um calendário solar que se coaduna com a agricultura e com o mercado. Mas o Islã – insistindo na obediência às palavras de Maomé – continua a viver pelos ciclos da Lua. O “Crescente” – símbolo da Lua Nova – aparece na bandeira muçulmana e, certamente, isso aponta para a sua apropriação para os povos que se submeteram obedientemente ao programa de suas vidas à medida divinamente ordenada da Lua. Não é à toa que no século XIII o “Crescente” de tornou o símbolo militar e religioso dos Turcos Otomanos. Há motivos para crer que a sua adoção (e subserviência como símbolo do Islã) provêm do domínio da Lua Nova, que é não apenas sinal do princípio e fim do período de jejum muçulmano, como também a pontuação de todo o calendário. Conforme o Alcorão, as luas novas são tempos assinalados para as pessoas e para a peregrinação e, dessa forma, o mundo muçulmano vem tentando viver pela Lua ([2]). Mas, assim como César submeteu o seu mundo à conveniência solar – com os meses servindo de índices das estações – Maomé sujeitou o seu mundo aos ciclos da Lua. Esses ciclos lunares guiaram os fiéis nas datas divinamente ordenadas dos deveres religiosos: a peregrinação à Meca e o mês de jejum do Ramadã. Uma das questões mais discutidas no Islã é a permissão (ou não) de se definir o princípio e o fim das festas, não pela observação, mas sim recorrendo aos cálculos. Os membros da seita ismaelita (que se dividiam a esse respeito) não conseguiram convencer os outros muçulmanos que continuavam a afirmar a necessidade de “observar”; isto é, de “ver realmente” a Lua Nova. A enorme obediência ao calendário lunar tornou-se uma rigorosa lealdade ao Islã tradicional e, o “recurso aos cálculos” (como a atração aos sofisticados cálculos de um ano solar, em vez dos ditames de um ciclo lunar) tem caracterizado as revoltas contra a tradição. Em 1926, quando Mustafá Kemal proclamou o fim do sultanato na Turquia e modernizou a nação adotando um novo código de leis – tornou o casamento civil obrigatório, aboliu o uso de “fez” pelos homens e do véu pelas mulheres –, abandonou também o calendário lunar no Islã e adotou o calendário solar do Ocidente. Embora para muitos ocidentais o calendário possa parecer um sistema de contabilização cronológica, a verdade é que se mostrou uma das instituições humanas mais rígidas, advindo da forte aura mística do Sol e da Lua e dos limites fixos das estações. Frequentemente alguns revolucionários vêm tentando refazer o calendário, embora o seu êxito tenha durado pouco. A Convenção Nacional da Revolução Francesa, por exemplo, nomeou uma comissão para a reforma do calendário – matemáticos, educadores, poetas e o astrônomo Laplace – que, em 1792, apresentou seu “Calendário Decimal”, onde a semana de 7 dias foi substituída pela semana de 10 dias (chamada de década), cada dia com um nome numérico latino e um mês composto por 3 décadas. O dia era dividido em 10 horas, constando cada uma de 100 minutos e tendo cada minuto 100 segundos. Além dos 360 dias destes 12 meses, os 5 ou 6 dias complementares receberam os nomes de Les Vertus, Le Génie, Le Travail, L’Opinion e Las Recompenses, com um dia intercalado (chamado de Sans-Cullotides), o qual era dedicado a feriados e desportos. Porém, este calendário – destinado a abrandar a força da Igreja sobre a vida e sobre o pensamento – durou apenas 13 anos e, quando Napoleão tomou o poder, restaurou o calendário gregoriano com seus dias santos e feriados tradicionais, pelo que recebeu a bênção do Papa. Por outro lado, em 1911, a Revolução Chinesa trouxe consigo uma reforma que introduziu o calendário do Ocidente, a par do calendário tradicional chinês. E, em 1929, a União Soviética – cujo objetivo era dissolver o ano cristão – substituiu o calendário gregoriano por um “revolucionário”, onde a semana teria 5 dias (4 para trabalha e 1 livre) e cada mês teria 6 semanas. Os dias complementares para os 365 (ou 366) seriam feriados. Os nomes gregorianos dos meses foram mantidos, mas os dias da semana passaram a ser numerados e, em 1940, a antiga União Soviética já regressaria ao calendário gregoriano tão familiar.

 

 


([1])  Festa tradicionalmente com a duração de 8 dias, quando se comemorava a fuga dos judeus do Egito. Pass + Over, que em inglês significa “passar de”, “sair de” ou “deixar”, é a tradução da palavra hebraica “PESAB”

([2])  BOORSTIN, Daniel J. Os Descobridores. Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1989



https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Planejamento e Avaliação do Tempo Gasto

Quais as Principais Dicas Para Otimizar o Tempo? Como Definir Metas? Quais as Estratégias Para o Planejamento Eficaz do Tempo e Tarefas? Como Criar Um Plano de Ação?

 


 

O Planejamento e a Avaliação do Tempo é o processo contínuo de organizar, priorizar e controlar suas ações para alcançar metas, focando em eficiência e produtividade e reduzindo o estresse, gerenciando o que você faz com o tempo limitado – não o tempo em si – através de monitoramento, ajustes e revisão para equilibrar trabalho, lazer e descanso. Mas, antes de melhorar suas habilidades de gestão de tempo e organização, é importante avaliar como você está gastando seu tempo atualmente. Compreender onde seu tempo é alocado pode ajudá-lo a identificar áreas de melhoria e garantir que você esteja usando seu tempo de forma eficiente. Sendo assim, abordaremos a seguir como avaliar seu uso atual do tempo e forneceremos dicas para otimizá-lo:

 

A) Registre Suas Atividades: Durante uma semana, faça um registro detalhado de todas as suas atividades, incluindo trabalho, tarefas domésticas, lazer e autocuidado. Anote a duração de cada atividade e, se possível, categorize-as em diferentes áreas da vida, como profissional, pessoal, saúde, etc.

B) Analise Seu Registro: Depois de ter registrado suas atividades durante uma semana, analise os dados e identifique padrões e tendências. Pergunte a si mesmo:

·        Quanto tempo estou gastando em atividades produtivas versus improdutivas?

·        Estou gastando tempo suficiente nas áreas mais importantes da minha vida?

·        Há atividades que estão consumindo mais tempo do que deveriam?

C) Identifique Áreas de Melhoria: Com base na análise do seu registro de tempo, identifique as áreas em que você pode melhorar. Isso pode incluir reduzir o tempo gasto em atividades improdutivas, como redes sociais, ou aumentar o tempo dedicado a tarefas importantes, como exercícios ou desenvolvimento profissional.

D) Estabeleça Metas e Prioridades: Com base em suas descobertas, estabeleça metas e prioridades para aprimorar seu uso do tempo. Isso pode incluir estabelecer limites de tempo para atividades específicas, alocar mais tempo para tarefas importantes e eliminar atividades desnecessárias.

E) Implemente Mudanças: Aplique as metas e prioridades estabelecidas em seu dia a dia e monitore seu progresso. Faça ajustes conforme necessário e continue a avaliar seu uso do tempo regularmente para garantir que esteja otimizando seu tempo e alcançando seus objetivos de forma eficaz.

 

Assim, pode-se afirmar que o planejamento eficiente de tempo e tarefas é uma habilidade fundamental para gerenciar melhor sua vida pessoal e profissional. E, ao organizar suas atividades e alocar seu tempo adequadamente, você poderá se concentrar nas tarefas mais importantes, reduzir o estresse e melhorar sua produtividade. Dessa forma, discutiremos a seguir algumas técnicas e estratégias para o planejamento eficaz de tempo e tarefas:

 

·        Liste Suas Tarefas: Comece listando todas as tarefas que você precisa realizar em um determinado período, seja diário, semanal ou mensal. Inclua tarefas relacionadas ao trabalho, responsabilidades pessoais e atividades de lazer.

·        Priorize Suas Tarefas: Com base em seus objetivos e prioridades, atribua um nível de importância a cada tarefa em sua lista. Considere o impacto de cada tarefa em seus objetivos de curto e longo prazo e o prazo para sua conclusão.

·        Crie um Cronograma: Desenvolva um cronograma para suas tarefas, levando em consideração suas prioridades e prazos. Seja realista ao alocar tempo para cada tarefa, considerando a quantidade de esforço necessária e possíveis imprevistos. Reserve um tempo específico para pausas e momentos de relaxamento.

·        Divida Tarefas Maiores: Separe tarefas grandes e complexas em etapas menores e mais gerenciáveis. Isso facilitará o planejamento do tempo necessário para cada etapa e tornará o objetivo final mais alcançável.

·        Estabeleça Metas e Prazos: Defina metas e prazos claros para cada tarefa, especialmente aquelas com maior prioridade. Isso ajudará a manter o foco e a motivação para concluir a tarefa em tempo hábil.

·        Utilize Ferramentas de Planejamento: Considere o uso de ferramentas e aplicativos de planejamento, como agendas, aplicativos de gerenciamento de tarefas ou calendários digitais, para ajudá-lo a organizar e acompanhar suas atividades.

·        Reavalie e Ajuste: Revise regularmente seu planejamento de tempo e tarefas, e faça ajustes conforme necessário. Isso garantirá que você esteja adaptando seu planejamento às mudanças em suas circunstâncias e prioridades.

·        Mantenha a Disciplina: O planejamento de tempo e tarefas é apenas uma parte do processo. É crucial manter a disciplina e seguir seu planejamento para garantir que você esteja utilizando seu tempo de maneira eficaz e alcançando seus objetivos.

 

Definindo as Metas

 

Uma das técnicas mais eficazes de se estabelecer metas profissionais é o Método SMART. Trata-se de uma ferramenta poderosa para o planejamento de tempo e tarefas, pois ajudam a garantir que suas metas sejam claras, alcançáveis e mensuráveis. O acrônimo SMART refere-se a cinco (5) critérios que uma meta eficaz deve atender: Específica, Mensurável, Atingível, Relevante e Temporal. Veremos abaixo cada um desses critérios e como aplicá-los na definição de suas metas:

 

·        Específica: Metas específicas são claras e bem definidas, detalhando o que se espera alcançar. Ao definir uma meta específica, pergunte-se: O que quero realizar? Por que essa meta é importante? Como vou atingi-la? Exemplo: Em vez de "perder peso", estabeleça a meta de "perder 5 kg fazendo exercícios aeróbicos três vezes por semana e reduzindo a ingestão de açúcar".

·        Mensurável: Metas mensuráveis têm critérios concretos para avaliar o progresso e determinar quando a meta foi alcançada. Pergunte-se: Como saberei que alcancei minha meta? Quais indicadores posso usar para medir o progresso? Exemplo: No caso de perder peso, a medição pode ser feita por meio de uma balança e do acompanhamento de sua rotina de exercícios e dieta.

·        Atingível: As metas devem ser realistas e possíveis de alcançar, considerando suas habilidades, recursos e restrições de tempo. Pergunte-se: Essa meta é possível, dado meu contexto atual e os recursos disponíveis? Preciso desenvolver novas habilidades ou obter recursos adicionais para atingir essa meta? Exemplo: Perder 5 kg em um mês pode ser uma meta atingível, enquanto perder 20 kg no mesmo período pode ser irrealista.

·        Relevante: Metas relevantes estão alinhadas com seus valores, prioridades e objetivos de longo prazo. Pergunte-se: Essa meta é importante para mim? Como ela se relaciona com meus objetivos de longo prazo? Estou disposto a dedicar tempo e esforço para alcançá-la? Exemplo: Perder peso pode ser relevante se isso contribuir para melhorar sua saúde e bem-estar geral, e se estiver alinhado com seus objetivos de longo prazo.

·        Temporal: Metas temporais têm prazos claros, o que ajuda a manter o foco e a motivação. Pergunte-se: Quando quero alcançar essa meta? Qual é o prazo realista para a realização dessa meta?

 

 

Criando Um Plano de Ação

 

 

Depois de estabelecer metas SMART, o próximo passo é criar um plano de ação para ajudá-lo a alcançar essas metas de forma eficiente e organizada, pois isso fornece um roteiro claro e delineará as etapas necessárias para atingir seus objetivos. Assim veremos abaixo o processo de criação de um plano de ação eficaz:

 

·        Identifique as Etapas Necessárias: Analise cada meta SMART e liste todas as etapas necessárias para alcançá-la. Certifique-se de incluir ações específicas e mensuráveis, que possam ser realizadas em um período determinado.

·        Estabeleça Prioridades: Classifique as etapas identificadas de acordo com sua importância e urgência. Isso ajudará a garantir que você esteja focando nas tarefas mais cruciais e alocando seu tempo de maneira eficiente.

·        Defina Prazos: Atribua um prazo realista a cada etapa do plano de ação. Isso ajudará a manter o foco e a motivação, além de permitir que você monitore seu progresso ao longo do tempo.

·        Determine Recursos Necessários: Identifique os recursos que você precisará para concluir cada etapa do plano de ação. Isso pode incluir habilidades, conhecimentos, ferramentas, equipamentos ou apoio de outras pessoas.

·        Desenvolva um Cronograma: Com base nas prioridades e prazos estabelecidos, crie um cronograma detalhado que mapeie as etapas do seu plano de ação. Inclua datas de início e término, bem como marcos importantes.

·        Monitore e Ajuste: Ao longo do processo, monitore regularmente seu progresso em relação ao plano de ação. Faça ajustes conforme necessário para garantir que você esteja no caminho certo para alcançar suas metas.

·        Avalie e Celebre o Sucesso: Ao completar cada etapa do plano de ação e, eventualmente, alcançar suas metas, reserve um tempo para avaliar seu desempenho e celebrar seu sucesso. Aprenda com a experiência e use essas informações para informar seus futuros planos de ação.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

KELLER, Gary. A Única Coisa: a Verdade Surpreendentemente Simples Por Trás de Resultados Extraordinários. São Paulo, Sextante, 2021 

MCKEOWN, Greg. Essencialismo: a Disciplinada Busca Por Menos. São Paulo, Sextante, 2020

 

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

segunda-feira, 16 de março de 2026

Os Primórdios da Filosofia Política

Por Que Sócrates Foi Emblemático Para a Compreensão da Filosofia Política? Qual a Relação Entre a Filosofia Política e o Poder? Que Razões Levaram Platão a Rejeitar as Ideias de Sócrates Sobre a Monarquia Aristocrática?

 



A Filosofia Política é o ramo da Filosofia que estuda as questões fundamentais da organização social e do poder, buscando entender as relações entre o ser humano, o Estado e a sociedadeEla analisa temas como justiça, liberdade, e a natureza do governo, e se diferencia da ciência política por sua carga de valores e crítica normativa, buscando dizer como a política deveria ser, embora também possa descrever como ela é. Para o estudo da Filosofia Política a figura de Sócrates é emblemática, pois com ele, a Filosofia começou a refletir sobre o que podemos chamar de “poder do poder”; ou  seja, sobre o poder da verdade que é verdadeira e da verdade que  é aparência, que é apenas verossímil, que parece verdadeira mas não é, que por extensão parece justa mas é injusta. O poder político entra em questão, pois é a política que estabelece como e quem tem o poder de tomar decisões, sejam justas ou não. As reflexões acerca do poder e da justiça, no entanto, vêm de muito antes.  Desde os seus primórdios, no pensamento dos primeiros filósofos gregos, a filosofia refletiu de alguma maneira sobre o poder do conhecimento e da razão, sobre a relação entre o poder e a justiça. Anaximandro – por exemplo – afirmou que o princípio de todos os seres é o ilimitado, pois é dele que vêm os seres e para onde se corrompem segundo a justiça e a ordenação do tempo. Assim, os seres se geram e se corrompem segundo uma justiça contrária ao caos, à bagunça e à injustiça, motivo pelo qual os deuses são justos; ou seja, a justiça é o padrão de relação dos deuses entre si, a justiça e o tempo se impõem aos deuses como meio para evitar o caos, a justiça e o tempo são poderes impostos aos deuses. Há, assim, deuses com esses poderes específicos, Zeus (ou Júpiter) representando a justiça e Cronos (ou Saturno) como o senhor do tempo.

Parmênides (530 a.C.-460 a.C.), por sua vez, afirmava que “o ser é, o não-ser não é”, ou seja, o ser tem o poder para ser e o não-ser não tem o poder para ser e por isso não é. Desde o nascimento da Filosofia, já estavam presentes reflexões acerca do poder e da justiça. Será, no entanto, em Atenas, em meio à efervescência política da formação histórica da democracia que o problema político e as reflexões acerca da natureza do poder se colocarão de forma mais premente. À medida que a reflexão sobre o poder adquire um sentido mais propriamente político, o poder na polis entra em questão. O meio pelo qual o pensamento sobre o poder e a política se estruturava na Grécia Antiga e na origem da Filosofia estava vinculado à reflexão sobre as formas de governo. Quem, na Antiguidade, quisesse compreender o funcionamento e o princípio regulador da vida política perguntava qual era a forma de governo vigente na polis. Assim a tipologia das formas de governo caracterizou as primeiras reflexões da Filosofia Política e do poder político. A primeira exposição sistemática acerca das formas de governo foi apresentada pelo historiador Heródoto (485 a.C.-420 a.C.). Em sua obra, História (Heródoto, 1985, livro VIII, 79-81), ele narra a conversa entre três persas, Otanes, Megabises e Dario, que após a queda do tirano Cambises discutiam a fim de decidir a melhor maneira de reorganizar a Pérsia após a tirania. Cada um dos três defende uma forma de governo diferente e critica outra, apresenta argumentos favoráveis a uma ou outra.

Otanes afirma que a monarquia, devido à riqueza e inveja do monarca, degenera sempre em tirania, e o mesmo ocorre entre os que disputam a riqueza e o poder político, concluindo então que o melhor é entregar o poder ao povo e constituir uma democracia. Megabises, o segundo a falar, concorda com a crítica da monarquia, mas tem ressalvas quanto à democracia, pois a massa é inepta e desatinada. Trocar a prepotência de um tirano pela prepotência da turba implicaria no mesmo resultado.  Defende então a aristocracia, o poder entregue àqueles escolhidos como os melhores homens da Pérsia.  Dario, por sua vez, afirmou que, em seu estado perfeito, todas as três formas de governo são boas, mas entre elas a monarquia é a melhor quando ocupada pelo melhor homem, pois numa oligarquia surgem conflitos entre os que querem ser chefes, e numa democracia ocorre corrupção nos negócios públicos. Podemos notar que encontramos a classificação das formas de governo e um julgamento de cada uma. Uma questão é quantos governam e outra é como se governa. Há assim uma descrição de cada forma e em seguida o elogio de uma delas. Essa conversa inaugura o modelo teórico que a Antiguidade grega adotou na reflexão acerca das formas de governo.

 

Platão: A Lei e Degeneração da Lei

 

Platão discutiu as formas de governo no diálogo intitulado “República”, tradução usada para a palavra grega politeia, que por sua vez designa o que traduzimos como forma de governo. Nesse diálogo, as personagens discutem acerca do conceito de justiça. Inicialmente, o diálogo trata de refutar algumas teses apresentadas acerca da natureza da justiça. Em seguida, pesquisa a noção de cidade justa. Trata-se de encontrar a calipolis, a cidade ideal, a “cidade das palavras”, aquela que é totalmente descrita por meio do planejamento e da reflexão, em que todos os problemas são cuidadosamente pensados e resolvidos. Platão discutiu as diversas formas de governo e apresentou uma justificativa racional em defesa daquela que, para ele, era a melhor forma de governo. No livro VIII, Sócrates, um dos interlocutores da República, apresentou os tipos de homens e os tipos de polis. Na sua tipologia, a cidade ideal é a monarquia governada pelo mais sábio entre os sábios, o filósofo-rei, que recebe a melhor e mais completa educação, e que ouve atentamente os outros filósofos. Contudo essa calipolis é uma polis ideal, um “lugar no céu” (topos uranos, em grego), pois as polis reais são todas sombras projetadas pela polis ideal do mundo inteligível, não passam de degenerações no mundo da sensibilidade. Assim, todas as formas de governo são más, exceto a monarquia ou a aristocracia de sábios.

Platão elaborou então uma lista de razões pelas quais a calipolis monárquico-aristocrática se degenera.  Inicialmente surge a timocracia, ou seja, uma falsa aristocracia em que não são os melhores que governam, mas os que têm timé, honra, os que têm a reputação e a fama, os que parecem melhores. Estabeleceu-se uma distinção entre ser e parecer, o que parece pode ser, mas não é necessariamente. Os que parecem melhores, mas não são, usarão o poder para acumular riquezas e honrarias, e não para o bem comum. Assim, pouco a pouco a timocracia se degenera em oligarquia, quando o poder está com os ricos. Os ricos governam e se entregam às mais diversas dissipações.  Com isso, alguns ricos se esbaldam e empobrecem.  Uma vez empobrecidos e inconformados com sua situação, insuflam os pobres contra os ricos.  Com os distúrbios, a oligarquia degenera em democracia, onde os pobres, ou a maioria, governa. Quando a maioria governa, a tendência é a licenciosidade, cada um faz o que quer e não se preocupa com as leis, caímos em uma anarquia em que todos governam para ninguém e, na confusão, alguém impõe pela força a ordem política, surge a tirania, a pior das formas de governo.  O tirano domina pela força e violência, portanto, ninguém ter nenhuma segurança porque o tirano é sempre ameaçador e governa pelo medo. As análises de Platão são notáveis porque a cidade ideal (calipolis) só existe no mundo das ideias; poderíamos chamá-la de uma ideia reguladora para pensar a cidade, a polis, ou o Estado: um governo sábio e prudente que nunca se corrompe. Mas a distinção inevitável no mundo da vida é que não podemos saber quem é verdadeiramente sábio, precisamos nos contentar em aceitar quem parece, ou que aparece como sábio, nunca teremos certeza. Então é a honra, a time, que nos servirá para designar os melhores.  A degeneração desta é a oligarquia dos ricos, em que o que conta são os bens materiais e não a capacidade. Esta se transforma na boa democracia, onde todo o povo faz a lei da polis, um elemento de equilíbrio pelo pensamento, pela reflexão, a lei. Em seguida, ocorre a degeneração em licença e anarquia, a má democracia, quando a lei não vale mais nada e se suscita o que há de pior na polis: a tirania, o descontrole da violência e da força dos poderosos.

Então, podemos deduzir   que a reflexão e o pensamento presente na polis por meio da lei nos permite discriminar boas e más formas de governo: de um lado, timocracia e democracia, que têm a lei como referência, são as boas formas; e oligarquia, anarquia e tirania, de outro, em que se destaca a riqueza, a licenciosidade da plebe e a violência do chefe, são as más formas. Assim, a (boa) democracia é o pior regime entre os melhores, e a (má) democracia ou anarquia é o melhor regime entre os piores. Podemos observar a rejeição de Platão pela democracia, especialmente a democracia ateniense. Na democracia antiga, todos os cidadãos livres tinham direito a voz e voto na polis, os cargos públicos (taxis ton archon) eram distribuídos por sorteio. Segundo Platão, o bem falar é mais valorizado do que o bem pensar, a retórica é mais importante que a filosofia, o parecer mais considerado do que o ser. O exemplo que Platão dá no diálogo Górgias, acerca desse  sofista,  é  que  um  canastrão  que  se  apresente  como  médico  sem entender nada de medicina mas conhecedor das regras de persuasão pode convencer o doente a fazer um tratamento, ao passo que um médico capaz e bem preparado que desconhece a retórica não conseguirá convencer o doente a seguir o tratamento. A discussão é bastante interessante e, diante disso, pode-se perguntar: quem é dono da verdade? O filósofo que pensa bem, mas não sabe convencer, ou o orador que não sabe pensar mas convence bem?

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

CHATELET, F. ET AL. (ORG.). História das ideias políticas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1983. CHAUI, M. Introdução à história da filosofia. SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 2002-2010. (2 V.)

CONSTANT, B. Da liberdade dos antigos comparada à dos modernos. REVISTA FILOSOFIA POLÍTICA, PORTO ALEGRE, N.2, P. 9-25, 1985

DUSO, G (Org.). O poder: história da filosofia política moderna. Petrópolis: Vozes, 2005.

HAVELOCK, E. Prefácio a Platão. Tradução Enid Abreu Dobranzsky. Campinas: Papirus, 1996.

MONTEAGUDO, R.  Filosofia e paradigma em Cícero.  Trans/Form/Ação, Marília, n.25, p.53-65, 2002.  Disponível em:  <http://www.scielo.br/pdf/trans/v25n1/ v25n1a04.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2010.

PLATÃO.  Protágoras.  Tradução Carlos Alberto Nunes.  Belém:  Ufpa, 1983.  Disponível em:  <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000034.  Pdf>.  Acesso em:  10 dez. 2010. PLATÃO. República. Tradução Anna Lia de Almeida Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

quarta-feira, 11 de março de 2026

O Conflito Entre a Dissonância Cognitiva e a Política

 

Você já se perguntou por que tantas pessoas continuam defendendo certos líderes (ou partidos), mesmo diante de tantos escândalos e contradições?

A Psicologia Social tem a resposta: DISSONÂNCIA COGNITIVA.


Esse conceito explica o desconforto que algumas pessoas sentem quando suas crenças conflitam com fatos ou comportamentos. E, para reduzir essa tensão, muitas vezes essas pessoas reinterpretam a realidade, justificando suas atitudes ou destacando apenas os aspectos positivos desses escândalos e contradições.


Na política, isso se traduz em apoiadores que, mesmo diante de denúncias de corrupção, favorecimentos e falhas de gestão, continuam firmes na defesa de seus líderes. Não é uma exclusividade de um partido ou de um país. Na verdade, trata-se de um fenômeno humano universal.


Não existe “cura” para isso, porque não se trata de uma doença. Mas existem formas de lidar com isso; ou seja, é necessário refletir criticamente, estar aberto a MUDAR DE OPINIÃO e alinhar nossas atitudes aos nossos valores. Assim, reduzimos contradições internas e fortalecemos nossa capacidade de pensar de forma livre e consciente.


                                        PENSE NISSO

 

                        https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos




terça-feira, 10 de março de 2026

“A ECONOMIA É UMA CIÊNCIA FURADA” (Stephen Kanitz)

Centenas de economistas, ministros, secretários, presidentes do Banco Central, de estatais e gestores públicos que governaram o Brasil nos últimos 60 anos estiveram presentes a uma palestra ministrada pelo genial professor da USP que faleceu recentemente.




KANITZ disse: “Explique esses três (3) itens para um estudante do ensino médio e veja o que ele acha”:

 

1.) O patrimônio líquido do Brasil é 7 trilhões negativos. Se vendermos tudo, imóveis públicos e empresas estatais ainda temos que pagar 7 trilhões de dívida e, sendo assim, cada brasileiro já nasce devendo 55mil reais.

 

2.) Nosso sistema da Previdência apresenta um rombo de 40 trilhões não contabilizados, que não aparece como dívida pública. Trata-se do famoso regime de repartição simples, onde as contribuições dos trabalhadores ativos atuais financiam os benefícios dos inativos (aposentados e pensionistas) no mesmo período.

Ou seja, você contribuiu mensalmente durante 35 anos para Previdência, mas o seu dinheiro não está mais lá faz tempo, não foi separado, poupado, investido ou rendido. Na verdade, ele foi todo gasto para pagar os inativos, além de financiar outros gastos que você nem sabe. Isso gera um déficit público de 500 bilhões por ano, que também não é contabilizado.

O governo não corrigiu isso a tempo e, por isso, cada vez mais criam regras absurdas para não te pagar nada ou cada vez menos! Isso é legal, mas contabilmente insolvente porque lesa os mais os pobres e também a classe média.

Sendo assim, compare isso com o FGTS onde seu dinheiro está separado, individualizado, rendendo pouco (mas rendendo) e está lá. Ninguém tirou de lá, AINDA.

 

3.) O Brasil chega a 10 trilhões de dívida pública (sem contabilizar os 40 trilhões da Previdência). Então, para simplificar aos estudantes do ensino médio, vamos colocar que o Brasil deve apenas 100 reais.

Mas, o governo atual:

 

a) Pede emprestado os 100 ao investidor A e promete pagar mais 1 real daqui a 12 meses. - Depois de 12 meses o governo pede emprestado 101 reais ao investidor B e paga os 101 ao investidor A.

b) Depois de 12 meses pede emprestado 102 ao Investor C, paga o B.

c) Mas agora a dívida está em 110 porque o governo gasta mais do que ganha (fora os juros)

d) Já o Investidor D quer 2 reais por ano de juros e não só 1 porque a dívida aumentou e ele tem que emprestar 110

e) Em 10 anos a dívida duplicou, agora devemos 200.

 

Enfim o governo brasileiro administra mal, não paga o que deve (nem os 200 e nem os juros), trava o crescimento, gera inflação, endivida mais o país, aumenta cada vez mais os impostos para cobrir o rombo e deixa mais pobres os cidadãos.

 

Assim sendo, um estudante do ensino médio disse: "Tio, que enrolation, hein? isso vai dar ruim”



segunda-feira, 9 de março de 2026

Características dos Serviços e Seus Impactos na Logística

Quais as Principais Características dos Serviços? Onde se Observa a Característica de Heterogeneidade de Um Serviço? Por Que Um Serviço Só Poderá Ter o Resultado Avaliado na Sua Entrega?

 

 


A intangibilidade é uma das principais características de um serviço, a qual o diferencia um produto (bem). Alguns especialistas afirmam que um produto, um bem ou um serviço é tudo aquilo que uma organização (pública ou privada) desenvolve para oferecer a um determinado grupo de pessoas, visando resolver determinado problema. Na gestão pública podemos verificar esta oferta na educação, saúde, transporte, segurança, tratamento de esgoto, entre outros produtos (bens ou serviços) que são ofertados a um grupo de pessoas, resolvendo assim os seus problemas. Essa oferta da gestão pública se dá pela função e retribuição pelos impostos pagos. Já na gestão privada, o retorno desta oferta é obtido pelo lucro. Todo e qualquer produto, seja um bem ou serviço, apresentam os seguintes componentes: bem, serviço e ideia. Exemplos desses componentes podem ser vistos em todos os produtos.

 

Exemplo 1: (Restaurante fast-food)

·        Bens: refeição, bebidas, sanduíche, etc.

·        Serviços: preparação dos alimentos, atendimento do garçom, cobrança, etc.

·        Ideia: economia de tempo.

 

Exemplo 2: (Consulta médica)

·        Bens: infraestrutura, equipamentos, receita médica, medicamentos, etc.

·        Serviços: recepção, atendimento médico, diagnóstico, prescrição, etc.

·        Ideia: preservação da saúde.

 

Observação: Na área da logística, temos na essência a prestação de serviços de transporte, armazenagem, movimentação, gestão de estoques, entre outros. Assim, também teremos na prestação dos serviços, componentes tangíveis (bens) e também a ideia.

 

Exemplo 3: (Serviço de transporte)

·        Bens: modo de transporte, equipamentos para carga e descarga, documentação.

·        Serviços: deslocamento de um ponto de origem a um ponto de destino, ou de um ponto de fornecimento a um ponto de consumo.

·        Ideia: equilibrar o fluxo de produtos (oferta e demanda).

 

Outras Características de Um Serviço

 

Os serviços apresentam outras características que também merecem atenção, sobretudo de um profissional da área logística, uma vez que a sua gestão poderá representar o sucesso ou o fracasso de um serviço. São eles:

 

·        Heterogeneidade: Os serviços apresentam tendência de alta volatilidade em seu desempenho, ou seja, está relacionada à falta ou dificuldade de padronização de um serviço. Como exemplo, podemos citar o serviço de salão de beleza, mesmo que você vá várias vezes ao mesmo salão, e corte com o mesmo cabeleireiro, ou faça a mesma maquiagem, dificilmente o serviço será exatamente igual. Sendo assim, a heterogeneidade permite adaptar os serviços às necessidades individuais dos clientes, porém exige conhecimentos e habilidades específicas. Na logística, é possível observar essa característica em diversos serviços. Um exemplo é o serviço de transporte rodoviário, no qual o motorista atua como o produtor do serviço. No entanto, nem sempre ele conseguirá realizar o serviço da mesma forma em todas as situações. Além disso, os motoristas de uma mesma empresa dificilmente executarão o serviço de maneira exatamente igual, pois há variações individuais na forma de conduzir, nas decisões tomadas durante o trajeto e no atendimento ao cliente. Essas diferenças evidenciam a variabilidade comum em serviços que dependem diretamente da atuação humana. Provavelmente não, pois dificilmente os prazos serão cumpridos igualmente, bem como, a encomenda será entregue, sempre, nas mesmas condições. Assim, a qualidade e a essência de um serviço podem variar de um produtor para outro, e de um dia para outro.

·        Inseparabilidade: Os serviços, na sua maioria, são simultaneamente produzidos e consumidos. Esta característica revela a existência de um alto grau de interação entre cliente do serviço e o seu produtor, ou seja, isso ocorre porque alguns produtos exigem a presença do cliente, como por exemplo, no caso de uma cirurgia ou a presença de um passageiro para que o deslocamento ocorra. Ao inserir o consumidor no processo de produção, pode gerar incerteza ou imprevisibilidade do seu resultado, pois a presença do consumidor no processo de produção pode afetar a qualidade do serviço. A característica de inseparabilidade também poderá estar relacionada ao consumidor ou cliente do serviço. Dependendo deste, em termos de estado, físico, mental e psicológico, a qualidade do serviço poderá ser afetada ou impactada negativamente. O mesmo corte de cabelo em um dia que você está de bom humor, bem de saúde, com autoestima elevada será avaliada diferentemente, de um dia na qual você se encontra debilitado com problemas de saúde, pessoais ou autoestima baixa. Na prestação de serviços logísticos, essa característica deve ser gerenciada para que o impacto do prestador ou executor do serviço não impacte negativamente na percepção da qualidade do mesmo.

·        Perecibilidade: Um serviço não pode ser guardado ou estocado. Esta é uma das características mais difíceis na gestão. Quando a demanda é estável, o mercado pode ser abastecido sem maiores dificuldades, mas, a demanda é flutuante, ou seja, não é constante e uniforme. A perecibilidade impõe às empresas de serviços e, por consequência, aos gestores e demais profissionais operacionais um problema de difícil solução: equilibrar a oferta com a demanda.

 

Mecanismos de Gestão e Operação

 

Um serviço é uma promessa que somente poderá ter o resultado avaliado por completo, na sua entrega, tornando assim a promessa em algo real e passível de avaliação. Portanto, a gestão e operação de um serviço devem ser capazes de gerar expectativas para o cliente de que o serviço será executado. Antes e durante a execução de um serviço, a empresa fornecedora deverá oferecer formas – ou mecanismos – que reduzam ou minimizem possíveis incertezas ou dúvidas do serviço, por parte do consumidor. As principais formas são:

 

·        Provas: Também apresentadas sob a forma de evidências. Apesar de um serviço ser intangível, ou seja, impossível de tocar, para a sua execução, normalmente, serão necessários equipamentos, máquinas e utensílios que são tangíveis. As provas ou evidências se apresentam na forma tangível e fornecem ao consumidor do serviço, pistas de como o serviço será executado.

·        Participantes: São todas as pessoas que apresentam o serviço ou participam diretamente da sua execução. A forma como essas pessoas se apresentam, serve como referência para o comprador ou consumidor, de como o serviço será realizado, bem como, se a promessa feita vai ser cumprida com o menor risco possível. O componente humano na apresentação ou execução de um serviço resulta em um produto variável, ou seja, heterogêneo, pois o ser humano não é constante e, dependendo do seu estado físico ou emocional, poderá impactar positiva ou negativamente no serviço. Daí o sucesso de qualquer empresa – associada à geração e oferta por meio de serviços – depende da motivação e esforço do trabalho humano, seja individual ou em equipe. Em um cenário de alta competitividade, na qual a concorrência é global, torna-se fundamental que a gestão crie um ambiente interno capaz de estimular e, que seja propício para o desenvolvimento e o uso das competências do ser humano, pois este impactará diretamente na qualidade de um serviço. Mais do que envolvimento, a gestão deve buscar, das pessoas que executam o serviço, o comprometimento, para tornar a promessa do serviço em resultado de serviço de qualidade. De acordo com Shimoyama (2006), a diferenciação através de pessoas, aborda a contratação e treinamento das pessoas, visando ter pessoas mais qualificadas do que seus concorrentes.

·        Processo: Envolve todos os métodos, procedimentos e mecanismos empregados na execução do serviço, bem como o fluxo das atividades que geram o atendimento. Neste sentido, a gestão pode buscar padronizar o serviço, de forma a reduzir a variabilidade (realizado por pessoas), buscando evitar falhas ou erros. Contudo, o emprego de técnicas e ferramentas, bem como equipamentos, que em parte, substituem o ser humano na execução do serviço, pode não ser bem visto pelo consumidor. A substituição do ser humano por máquinas é vista como “robotização” do serviço e não estará adequada a todos os consumidores, que preferem ser atendidos por pessoas. O período de tempo no qual ocorre a interação do consumidor com o serviço é definido como Encontro no Serviço. O controle deste momento é crítico, pois insere, na sua grande maioria, o consumidor na execução do serviço, juntamente com os executores do serviço. Sendo assim, uma tarefa importante para a organização que o gestor deve planejar e ter mecanismos de controle e avaliação, já que a principal fonte de informações para o consumidor a respeito da qualidade da empresa que lhe prometeu o serviço e, decorrente do mecanismo de avaliação da qualidade vem deste encontro.

 

Neste sentido, a empresa ao desenvolver um serviço deve buscar quais são as reais necessidades e desejos dos futuros consumidores do serviço. E criar mecanismos de controle dos momentos de verdade, atuando assim de forma a buscar que o serviço prometido seja realizado da melhor forma possível e passível de ser reconhecido como adequado pelo consumidor. Ao ser verificado como adequado pelo consumidor, o resultado do serviço (entrega prometida) passou pelo teste de qualidade e tende a tornar os consumidores fiéis ou tentados a repetir o processo de compra e/ou consumo do serviço. Momentos da verdade são pontos de contato em que o cliente tem uma interação com a empresa, seja diretamente, como no seu atendimento, ou indiretamente, por exemplo, na publicidade veiculada em uma rede social. Esses momentos geram impactos positivos ou negativos na experiência do cliente, influenciando sua decisão de compra, lealdade à marca e recomendação para outras pessoas. Alguns momentos da verdade são:

 

·        Primeiro Contato: refere-se à primeira interação com a empresa, seja por telefone, e-mail, rede social ou presencialmente;

·        Venda: diz respeito ao processo de compra em si, desde a escolha do produto ou do serviço a ser prestado até o fechamento da transação;

·        Uso do Produto ou Realização do Serviço: pode se referir tanto à experiência do cliente ao usar o produto como no resultado do serviço realizado;

·        Atendimento ao Cliente: é a forma como a empresa resolve problemas ou dúvidas do cliente.

 

  

 REFERÊNCIAS

 

 

BALLOU, Ronald. Entrevista. Revista Mundo Logística, Rio de janeiro, nº. 22, ano. IV, p.22-26. Maio Junho 2011.

PALADINI, Edson Pacheco. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2.ed. 3. reimp. São Paulo: Atlas, 2006.

PIRES, Luciano J; BRITO, Fernando G. Logística em Serviços. Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec. Curitiba: 2014.

SHIMOYAMA, Claudio Santana. Sistema de inteligência competitiva de marketing como uma ferramenta de gestão para as instituições de ensino superior privadas. 2006. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Santa Catarina, 2006.

TÉBOUL, J. A. Era dos Serviços: Uma Nova Abordagem de Gerenciamento. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.

 

 


                                https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos