segunda-feira, 16 de março de 2026

Os Primórdios da Filosofia Política

Por Que Sócrates Foi Emblemático Para a Compreensão da Filosofia Política? Qual a Relação Entre a Filosofia Política e o Poder? Que Razões Levaram Platão a Rejeitar as Ideias de Sócrates Sobre a Monarquia Aristocrática?

 



A Filosofia Política é o ramo da Filosofia que estuda as questões fundamentais da organização social e do poder, buscando entender as relações entre o ser humano, o Estado e a sociedadeEla analisa temas como justiça, liberdade, e a natureza do governo, e se diferencia da ciência política por sua carga de valores e crítica normativa, buscando dizer como a política deveria ser, embora também possa descrever como ela é. Para o estudo da Filosofia Política a figura de Sócrates é emblemática, pois com ele, a Filosofia começou a refletir sobre o que podemos chamar de “poder do poder”; ou  seja, sobre o poder da verdade que é verdadeira e da verdade que  é aparência, que é apenas verossímil, que parece verdadeira mas não é, que por extensão parece justa mas é injusta. O poder político entra em questão, pois é a política que estabelece como e quem tem o poder de tomar decisões, sejam justas ou não. As reflexões acerca do poder e da justiça, no entanto, vêm de muito antes.  Desde os seus primórdios, no pensamento dos primeiros filósofos gregos, a filosofia refletiu de alguma maneira sobre o poder do conhecimento e da razão, sobre a relação entre o poder e a justiça. Anaximandro – por exemplo – afirmou que o princípio de todos os seres é o ilimitado, pois é dele que vêm os seres e para onde se corrompem segundo a justiça e a ordenação do tempo. Assim, os seres se geram e se corrompem segundo uma justiça contrária ao caos, à bagunça e à injustiça, motivo pelo qual os deuses são justos; ou seja, a justiça é o padrão de relação dos deuses entre si, a justiça e o tempo se impõem aos deuses como meio para evitar o caos, a justiça e o tempo são poderes impostos aos deuses. Há, assim, deuses com esses poderes específicos, Zeus (ou Júpiter) representando a justiça e Cronos (ou Saturno) como o senhor do tempo.

Parmênides (530 a.C.-460 a.C.), por sua vez, afirmava que “o ser é, o não-ser não é”, ou seja, o ser tem o poder para ser e o não-ser não tem o poder para ser e por isso não é. Desde o nascimento da Filosofia, já estavam presentes reflexões acerca do poder e da justiça. Será, no entanto, em Atenas, em meio à efervescência política da formação histórica da democracia que o problema político e as reflexões acerca da natureza do poder se colocarão de forma mais premente. À medida que a reflexão sobre o poder adquire um sentido mais propriamente político, o poder na polis entra em questão. O meio pelo qual o pensamento sobre o poder e a política se estruturava na Grécia Antiga e na origem da Filosofia estava vinculado à reflexão sobre as formas de governo. Quem, na Antiguidade, quisesse compreender o funcionamento e o princípio regulador da vida política perguntava qual era a forma de governo vigente na polis. Assim a tipologia das formas de governo caracterizou as primeiras reflexões da Filosofia Política e do poder político. A primeira exposição sistemática acerca das formas de governo foi apresentada pelo historiador Heródoto (485 a.C.-420 a.C.). Em sua obra, História (Heródoto, 1985, livro VIII, 79-81), ele narra a conversa entre três persas, Otanes, Megabises e Dario, que após a queda do tirano Cambises discutiam a fim de decidir a melhor maneira de reorganizar a Pérsia após a tirania. Cada um dos três defende uma forma de governo diferente e critica outra, apresenta argumentos favoráveis a uma ou outra.

Otanes afirma que a monarquia, devido à riqueza e inveja do monarca, degenera sempre em tirania, e o mesmo ocorre entre os que disputam a riqueza e o poder político, concluindo então que o melhor é entregar o poder ao povo e constituir uma democracia. Megabises, o segundo a falar, concorda com a crítica da monarquia, mas tem ressalvas quanto à democracia, pois a massa é inepta e desatinada. Trocar a prepotência de um tirano pela prepotência da turba implicaria no mesmo resultado.  Defende então a aristocracia, o poder entregue àqueles escolhidos como os melhores homens da Pérsia.  Dario, por sua vez, afirmou que, em seu estado perfeito, todas as três formas de governo são boas, mas entre elas a monarquia é a melhor quando ocupada pelo melhor homem, pois numa oligarquia surgem conflitos entre os que querem ser chefes, e numa democracia ocorre corrupção nos negócios públicos. Podemos notar que encontramos a classificação das formas de governo e um julgamento de cada uma. Uma questão é quantos governam e outra é como se governa. Há assim uma descrição de cada forma e em seguida o elogio de uma delas. Essa conversa inaugura o modelo teórico que a Antiguidade grega adotou na reflexão acerca das formas de governo.

 

Platão: A Lei e Degeneração da Lei

 

Platão discutiu as formas de governo no diálogo intitulado “República”, tradução usada para a palavra grega politeia, que por sua vez designa o que traduzimos como forma de governo. Nesse diálogo, as personagens discutem acerca do conceito de justiça. Inicialmente, o diálogo trata de refutar algumas teses apresentadas acerca da natureza da justiça. Em seguida, pesquisa a noção de cidade justa. Trata-se de encontrar a calipolis, a cidade ideal, a “cidade das palavras”, aquela que é totalmente descrita por meio do planejamento e da reflexão, em que todos os problemas são cuidadosamente pensados e resolvidos. Platão discutiu as diversas formas de governo e apresentou uma justificativa racional em defesa daquela que, para ele, era a melhor forma de governo. No livro VIII, Sócrates, um dos interlocutores da República, apresentou os tipos de homens e os tipos de polis. Na sua tipologia, a cidade ideal é a monarquia governada pelo mais sábio entre os sábios, o filósofo-rei, que recebe a melhor e mais completa educação, e que ouve atentamente os outros filósofos. Contudo essa calipolis é uma polis ideal, um “lugar no céu” (topos uranos, em grego), pois as polis reais são todas sombras projetadas pela polis ideal do mundo inteligível, não passam de degenerações no mundo da sensibilidade. Assim, todas as formas de governo são más, exceto a monarquia ou a aristocracia de sábios.

Platão elaborou então uma lista de razões pelas quais a calipolis monárquico-aristocrática se degenera.  Inicialmente surge a timocracia, ou seja, uma falsa aristocracia em que não são os melhores que governam, mas os que têm timé, honra, os que têm a reputação e a fama, os que parecem melhores. Estabeleceu-se uma distinção entre ser e parecer, o que parece pode ser, mas não é necessariamente. Os que parecem melhores, mas não são, usarão o poder para acumular riquezas e honrarias, e não para o bem comum. Assim, pouco a pouco a timocracia se degenera em oligarquia, quando o poder está com os ricos. Os ricos governam e se entregam às mais diversas dissipações.  Com isso, alguns ricos se esbaldam e empobrecem.  Uma vez empobrecidos e inconformados com sua situação, insuflam os pobres contra os ricos.  Com os distúrbios, a oligarquia degenera em democracia, onde os pobres, ou a maioria, governa. Quando a maioria governa, a tendência é a licenciosidade, cada um faz o que quer e não se preocupa com as leis, caímos em uma anarquia em que todos governam para ninguém e, na confusão, alguém impõe pela força a ordem política, surge a tirania, a pior das formas de governo.  O tirano domina pela força e violência, portanto, ninguém ter nenhuma segurança porque o tirano é sempre ameaçador e governa pelo medo. As análises de Platão são notáveis porque a cidade ideal (calipolis) só existe no mundo das ideias; poderíamos chamá-la de uma ideia reguladora para pensar a cidade, a polis, ou o Estado: um governo sábio e prudente que nunca se corrompe. Mas a distinção inevitável no mundo da vida é que não podemos saber quem é verdadeiramente sábio, precisamos nos contentar em aceitar quem parece, ou que aparece como sábio, nunca teremos certeza. Então é a honra, a time, que nos servirá para designar os melhores.  A degeneração desta é a oligarquia dos ricos, em que o que conta são os bens materiais e não a capacidade. Esta se transforma na boa democracia, onde todo o povo faz a lei da polis, um elemento de equilíbrio pelo pensamento, pela reflexão, a lei. Em seguida, ocorre a degeneração em licença e anarquia, a má democracia, quando a lei não vale mais nada e se suscita o que há de pior na polis: a tirania, o descontrole da violência e da força dos poderosos.

Então, podemos deduzir   que a reflexão e o pensamento presente na polis por meio da lei nos permite discriminar boas e más formas de governo: de um lado, timocracia e democracia, que têm a lei como referência, são as boas formas; e oligarquia, anarquia e tirania, de outro, em que se destaca a riqueza, a licenciosidade da plebe e a violência do chefe, são as más formas. Assim, a (boa) democracia é o pior regime entre os melhores, e a (má) democracia ou anarquia é o melhor regime entre os piores. Podemos observar a rejeição de Platão pela democracia, especialmente a democracia ateniense. Na democracia antiga, todos os cidadãos livres tinham direito a voz e voto na polis, os cargos públicos (taxis ton archon) eram distribuídos por sorteio. Segundo Platão, o bem falar é mais valorizado do que o bem pensar, a retórica é mais importante que a filosofia, o parecer mais considerado do que o ser. O exemplo que Platão dá no diálogo Górgias, acerca desse  sofista,  é  que  um  canastrão  que  se  apresente  como  médico  sem entender nada de medicina mas conhecedor das regras de persuasão pode convencer o doente a fazer um tratamento, ao passo que um médico capaz e bem preparado que desconhece a retórica não conseguirá convencer o doente a seguir o tratamento. A discussão é bastante interessante e, diante disso, pode-se perguntar: quem é dono da verdade? O filósofo que pensa bem, mas não sabe convencer, ou o orador que não sabe pensar mas convence bem?

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

CHATELET, F. ET AL. (ORG.). História das ideias políticas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1983. CHAUI, M. Introdução à história da filosofia. SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 2002-2010. (2 V.)

CONSTANT, B. Da liberdade dos antigos comparada à dos modernos. REVISTA FILOSOFIA POLÍTICA, PORTO ALEGRE, N.2, P. 9-25, 1985

DUSO, G (Org.). O poder: história da filosofia política moderna. Petrópolis: Vozes, 2005.

HAVELOCK, E. Prefácio a Platão. Tradução Enid Abreu Dobranzsky. Campinas: Papirus, 1996.

MONTEAGUDO, R.  Filosofia e paradigma em Cícero.  Trans/Form/Ação, Marília, n.25, p.53-65, 2002.  Disponível em:  <http://www.scielo.br/pdf/trans/v25n1/ v25n1a04.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2010.

PLATÃO.  Protágoras.  Tradução Carlos Alberto Nunes.  Belém:  Ufpa, 1983.  Disponível em:  <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000034.  Pdf>.  Acesso em:  10 dez. 2010. PLATÃO. República. Tradução Anna Lia de Almeida Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

 

 

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quarta-feira, 11 de março de 2026

O Conflito Entre a Dissonância Cognitiva e a Política

 

Você já se perguntou por que tantas pessoas continuam defendendo certos líderes (ou partidos), mesmo diante de tantos escândalos e contradições?

A Psicologia Social tem a resposta: DISSONÂNCIA COGNITIVA.


Esse conceito explica o desconforto que algumas pessoas sentem quando suas crenças conflitam com fatos ou comportamentos. E, para reduzir essa tensão, muitas vezes essas pessoas reinterpretam a realidade, justificando suas atitudes ou destacando apenas os aspectos positivos desses escândalos e contradições.


Na política, isso se traduz em apoiadores que, mesmo diante de denúncias de corrupção, favorecimentos e falhas de gestão, continuam firmes na defesa de seus líderes. Não é uma exclusividade de um partido ou de um país. Na verdade, trata-se de um fenômeno humano universal.


Não existe “cura” para isso, porque não se trata de uma doença. Mas existem formas de lidar com isso; ou seja, é necessário refletir criticamente, estar aberto a MUDAR DE OPINIÃO e alinhar nossas atitudes aos nossos valores. Assim, reduzimos contradições internas e fortalecemos nossa capacidade de pensar de forma livre e consciente.


                                        PENSE NISSO

 

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terça-feira, 10 de março de 2026

“A ECONOMIA É UMA CIÊNCIA FURADA” (Stephen Kanitz)

Centenas de economistas, ministros, secretários, presidentes do Banco Central, de estatais e gestores públicos que governaram o Brasil nos últimos 60 anos estiveram presentes a uma palestra ministrada pelo genial professor da USP que faleceu recentemente.




KANITZ disse: “Explique esses três (3) itens para um estudante do ensino médio e veja o que ele acha”:

 

1.) O patrimônio líquido do Brasil é 7 trilhões negativos. Se vendermos tudo, imóveis públicos e empresas estatais ainda temos que pagar 7 trilhões de dívida e, sendo assim, cada brasileiro já nasce devendo 55mil reais.

 

2.) Nosso sistema da Previdência apresenta um rombo de 40 trilhões não contabilizados, que não aparece como dívida pública. Trata-se do famoso regime de repartição simples, onde as contribuições dos trabalhadores ativos atuais financiam os benefícios dos inativos (aposentados e pensionistas) no mesmo período.

Ou seja, você contribuiu mensalmente durante 35 anos para Previdência, mas o seu dinheiro não está mais lá faz tempo, não foi separado, poupado, investido ou rendido. Na verdade, ele foi todo gasto para pagar os inativos, além de financiar outros gastos que você nem sabe. Isso gera um déficit público de 500 bilhões por ano, que também não é contabilizado.

O governo não corrigiu isso a tempo e, por isso, cada vez mais criam regras absurdas para não te pagar nada ou cada vez menos! Isso é legal, mas contabilmente insolvente porque lesa os mais os pobres e também a classe média.

Sendo assim, compare isso com o FGTS onde seu dinheiro está separado, individualizado, rendendo pouco (mas rendendo) e está lá. Ninguém tirou de lá, AINDA.

 

3.) O Brasil chega a 10 trilhões de dívida pública (sem contabilizar os 40 trilhões da Previdência). Então, para simplificar aos estudantes do ensino médio, vamos colocar que o Brasil deve apenas 100 reais.

Mas, o governo atual:

 

a) Pede emprestado os 100 ao investidor A e promete pagar mais 1 real daqui a 12 meses. - Depois de 12 meses o governo pede emprestado 101 reais ao investidor B e paga os 101 ao investidor A.

b) Depois de 12 meses pede emprestado 102 ao Investor C, paga o B.

c) Mas agora a dívida está em 110 porque o governo gasta mais do que ganha (fora os juros)

d) Já o Investidor D quer 2 reais por ano de juros e não só 1 porque a dívida aumentou e ele tem que emprestar 110

e) Em 10 anos a dívida duplicou, agora devemos 200.

 

Enfim o governo brasileiro administra mal, não paga o que deve (nem os 200 e nem os juros), trava o crescimento, gera inflação, endivida mais o país, aumenta cada vez mais os impostos para cobrir o rombo e deixa mais pobres os cidadãos.

 

Assim sendo, um estudante do ensino médio disse: "Tio, que enrolation, hein? isso vai dar ruim”



segunda-feira, 9 de março de 2026

Características dos Serviços e Seus Impactos na Logística

Quais as Principais Características dos Serviços? Onde se Observa a Característica de Heterogeneidade de Um Serviço? Por Que Um Serviço Só Poderá Ter o Resultado Avaliado na Sua Entrega?

 

 


A intangibilidade é uma das principais características de um serviço, a qual o diferencia um produto (bem). Alguns especialistas afirmam que um produto, um bem ou um serviço é tudo aquilo que uma organização (pública ou privada) desenvolve para oferecer a um determinado grupo de pessoas, visando resolver determinado problema. Na gestão pública podemos verificar esta oferta na educação, saúde, transporte, segurança, tratamento de esgoto, entre outros produtos (bens ou serviços) que são ofertados a um grupo de pessoas, resolvendo assim os seus problemas. Essa oferta da gestão pública se dá pela função e retribuição pelos impostos pagos. Já na gestão privada, o retorno desta oferta é obtido pelo lucro. Todo e qualquer produto, seja um bem ou serviço, apresentam os seguintes componentes: bem, serviço e ideia. Exemplos desses componentes podem ser vistos em todos os produtos.

 

Exemplo 1: (Restaurante fast-food)

·        Bens: refeição, bebidas, sanduíche, etc.

·        Serviços: preparação dos alimentos, atendimento do garçom, cobrança, etc.

·        Ideia: economia de tempo.

 

Exemplo 2: (Consulta médica)

·        Bens: infraestrutura, equipamentos, receita médica, medicamentos, etc.

·        Serviços: recepção, atendimento médico, diagnóstico, prescrição, etc.

·        Ideia: preservação da saúde.

 

Observação: Na área da logística, temos na essência a prestação de serviços de transporte, armazenagem, movimentação, gestão de estoques, entre outros. Assim, também teremos na prestação dos serviços, componentes tangíveis (bens) e também a ideia.

 

Exemplo 3: (Serviço de transporte)

·        Bens: modo de transporte, equipamentos para carga e descarga, documentação.

·        Serviços: deslocamento de um ponto de origem a um ponto de destino, ou de um ponto de fornecimento a um ponto de consumo.

·        Ideia: equilibrar o fluxo de produtos (oferta e demanda).

 

Outras Características de Um Serviço

 

Os serviços apresentam outras características que também merecem atenção, sobretudo de um profissional da área logística, uma vez que a sua gestão poderá representar o sucesso ou o fracasso de um serviço. São eles:

 

·        Heterogeneidade: Os serviços apresentam tendência de alta volatilidade em seu desempenho, ou seja, está relacionada à falta ou dificuldade de padronização de um serviço. Como exemplo, podemos citar o serviço de salão de beleza, mesmo que você vá várias vezes ao mesmo salão, e corte com o mesmo cabeleireiro, ou faça a mesma maquiagem, dificilmente o serviço será exatamente igual. Sendo assim, a heterogeneidade permite adaptar os serviços às necessidades individuais dos clientes, porém exige conhecimentos e habilidades específicas. Na logística, é possível observar essa característica em diversos serviços. Um exemplo é o serviço de transporte rodoviário, no qual o motorista atua como o produtor do serviço. No entanto, nem sempre ele conseguirá realizar o serviço da mesma forma em todas as situações. Além disso, os motoristas de uma mesma empresa dificilmente executarão o serviço de maneira exatamente igual, pois há variações individuais na forma de conduzir, nas decisões tomadas durante o trajeto e no atendimento ao cliente. Essas diferenças evidenciam a variabilidade comum em serviços que dependem diretamente da atuação humana. Provavelmente não, pois dificilmente os prazos serão cumpridos igualmente, bem como, a encomenda será entregue, sempre, nas mesmas condições. Assim, a qualidade e a essência de um serviço podem variar de um produtor para outro, e de um dia para outro.

·        Inseparabilidade: Os serviços, na sua maioria, são simultaneamente produzidos e consumidos. Esta característica revela a existência de um alto grau de interação entre cliente do serviço e o seu produtor, ou seja, isso ocorre porque alguns produtos exigem a presença do cliente, como por exemplo, no caso de uma cirurgia ou a presença de um passageiro para que o deslocamento ocorra. Ao inserir o consumidor no processo de produção, pode gerar incerteza ou imprevisibilidade do seu resultado, pois a presença do consumidor no processo de produção pode afetar a qualidade do serviço. A característica de inseparabilidade também poderá estar relacionada ao consumidor ou cliente do serviço. Dependendo deste, em termos de estado, físico, mental e psicológico, a qualidade do serviço poderá ser afetada ou impactada negativamente. O mesmo corte de cabelo em um dia que você está de bom humor, bem de saúde, com autoestima elevada será avaliada diferentemente, de um dia na qual você se encontra debilitado com problemas de saúde, pessoais ou autoestima baixa. Na prestação de serviços logísticos, essa característica deve ser gerenciada para que o impacto do prestador ou executor do serviço não impacte negativamente na percepção da qualidade do mesmo.

·        Perecibilidade: Um serviço não pode ser guardado ou estocado. Esta é uma das características mais difíceis na gestão. Quando a demanda é estável, o mercado pode ser abastecido sem maiores dificuldades, mas, a demanda é flutuante, ou seja, não é constante e uniforme. A perecibilidade impõe às empresas de serviços e, por consequência, aos gestores e demais profissionais operacionais um problema de difícil solução: equilibrar a oferta com a demanda.

 

Mecanismos de Gestão e Operação

 

Um serviço é uma promessa que somente poderá ter o resultado avaliado por completo, na sua entrega, tornando assim a promessa em algo real e passível de avaliação. Portanto, a gestão e operação de um serviço devem ser capazes de gerar expectativas para o cliente de que o serviço será executado. Antes e durante a execução de um serviço, a empresa fornecedora deverá oferecer formas – ou mecanismos – que reduzam ou minimizem possíveis incertezas ou dúvidas do serviço, por parte do consumidor. As principais formas são:

 

·        Provas: Também apresentadas sob a forma de evidências. Apesar de um serviço ser intangível, ou seja, impossível de tocar, para a sua execução, normalmente, serão necessários equipamentos, máquinas e utensílios que são tangíveis. As provas ou evidências se apresentam na forma tangível e fornecem ao consumidor do serviço, pistas de como o serviço será executado.

·        Participantes: São todas as pessoas que apresentam o serviço ou participam diretamente da sua execução. A forma como essas pessoas se apresentam, serve como referência para o comprador ou consumidor, de como o serviço será realizado, bem como, se a promessa feita vai ser cumprida com o menor risco possível. O componente humano na apresentação ou execução de um serviço resulta em um produto variável, ou seja, heterogêneo, pois o ser humano não é constante e, dependendo do seu estado físico ou emocional, poderá impactar positiva ou negativamente no serviço. Daí o sucesso de qualquer empresa – associada à geração e oferta por meio de serviços – depende da motivação e esforço do trabalho humano, seja individual ou em equipe. Em um cenário de alta competitividade, na qual a concorrência é global, torna-se fundamental que a gestão crie um ambiente interno capaz de estimular e, que seja propício para o desenvolvimento e o uso das competências do ser humano, pois este impactará diretamente na qualidade de um serviço. Mais do que envolvimento, a gestão deve buscar, das pessoas que executam o serviço, o comprometimento, para tornar a promessa do serviço em resultado de serviço de qualidade. De acordo com Shimoyama (2006), a diferenciação através de pessoas, aborda a contratação e treinamento das pessoas, visando ter pessoas mais qualificadas do que seus concorrentes.

·        Processo: Envolve todos os métodos, procedimentos e mecanismos empregados na execução do serviço, bem como o fluxo das atividades que geram o atendimento. Neste sentido, a gestão pode buscar padronizar o serviço, de forma a reduzir a variabilidade (realizado por pessoas), buscando evitar falhas ou erros. Contudo, o emprego de técnicas e ferramentas, bem como equipamentos, que em parte, substituem o ser humano na execução do serviço, pode não ser bem visto pelo consumidor. A substituição do ser humano por máquinas é vista como “robotização” do serviço e não estará adequada a todos os consumidores, que preferem ser atendidos por pessoas. O período de tempo no qual ocorre a interação do consumidor com o serviço é definido como Encontro no Serviço. O controle deste momento é crítico, pois insere, na sua grande maioria, o consumidor na execução do serviço, juntamente com os executores do serviço. Sendo assim, uma tarefa importante para a organização que o gestor deve planejar e ter mecanismos de controle e avaliação, já que a principal fonte de informações para o consumidor a respeito da qualidade da empresa que lhe prometeu o serviço e, decorrente do mecanismo de avaliação da qualidade vem deste encontro.

 

Neste sentido, a empresa ao desenvolver um serviço deve buscar quais são as reais necessidades e desejos dos futuros consumidores do serviço. E criar mecanismos de controle dos momentos de verdade, atuando assim de forma a buscar que o serviço prometido seja realizado da melhor forma possível e passível de ser reconhecido como adequado pelo consumidor. Ao ser verificado como adequado pelo consumidor, o resultado do serviço (entrega prometida) passou pelo teste de qualidade e tende a tornar os consumidores fiéis ou tentados a repetir o processo de compra e/ou consumo do serviço. Momentos da verdade são pontos de contato em que o cliente tem uma interação com a empresa, seja diretamente, como no seu atendimento, ou indiretamente, por exemplo, na publicidade veiculada em uma rede social. Esses momentos geram impactos positivos ou negativos na experiência do cliente, influenciando sua decisão de compra, lealdade à marca e recomendação para outras pessoas. Alguns momentos da verdade são:

 

·        Primeiro Contato: refere-se à primeira interação com a empresa, seja por telefone, e-mail, rede social ou presencialmente;

·        Venda: diz respeito ao processo de compra em si, desde a escolha do produto ou do serviço a ser prestado até o fechamento da transação;

·        Uso do Produto ou Realização do Serviço: pode se referir tanto à experiência do cliente ao usar o produto como no resultado do serviço realizado;

·        Atendimento ao Cliente: é a forma como a empresa resolve problemas ou dúvidas do cliente.

 

  

 REFERÊNCIAS

 

 

BALLOU, Ronald. Entrevista. Revista Mundo Logística, Rio de janeiro, nº. 22, ano. IV, p.22-26. Maio Junho 2011.

PALADINI, Edson Pacheco. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2.ed. 3. reimp. São Paulo: Atlas, 2006.

PIRES, Luciano J; BRITO, Fernando G. Logística em Serviços. Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec. Curitiba: 2014.

SHIMOYAMA, Claudio Santana. Sistema de inteligência competitiva de marketing como uma ferramenta de gestão para as instituições de ensino superior privadas. 2006. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Santa Catarina, 2006.

TÉBOUL, J. A. Era dos Serviços: Uma Nova Abordagem de Gerenciamento. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.

 

 


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segunda-feira, 2 de março de 2026

O Processo de Escolha do Local Para Empreendimentos

Que Impactos Causam o Processo de Escolha do Local Para Empreendimentos? Como Conduzir Um Estudo de Localização? Quais São os Passos Que Podem Definir o Local do Futuro Empreendimento?



O processo de escolha do local para um empreendimento é uma decisão estratégica que impacta diretamente os custos operacionais e o potencial de sucesso do negócio. Esse processo envolve uma análise detalhada de múltiplos fatores, que variam dependendo do tipo de atividade (comércio, indústria ou serviço), pois para alguns autores nenhum procedimento pode garantir que tenha sido escolhido o melhor local. Na verdade, a ideia é evitar a escolha de um lugar desastroso. Esta afirmação induz, de certa forma, à ideia de que um estudo para instalação de uma organização qualquer envolve um grau de complexidade considerável, uma vez que traduz em seu conteúdo uma ilustração de dificuldade enquanto possibilidade de se concluir que um determinado local é o perfeito para a localização da referida organização. Na realidade, um estudo desta natureza, dependendo do tipo de empresa, das pretensões e de uma série de condicionantes e critérios, envolve inúmeras variáveis e características a serem contempladas e que, portanto, não podem ser ignoradas, sob pena de correr riscos de se chegar a conclusões desastrosas quanto à escolha do “melhor local”.

 

Importância da Localização

 

Referindo-se ao varejo, Lord Seif, chefe da Marks and Spencer, citado por Slack et al.  (1997), organização varejista sediada no Reino Unido, afirma que: “Há três coisas importantes no varejo:  localização, localização e localização. A localização também é importante para outros tipos de organizações:  bombeiros, hospital, entretenimento, entre outras. Um aspecto importante, objeto de discussão, diz respeito a quem deve caber tal estudo:  equipe externa, equipe interna da empresa ou equipe mista. A equipe interna, embora não tenha conhecimento específico no assunto, conhece a realidade e a cultura da empresa. Já a equipe externa tem este conhecimento específico sobre estudos de localização, porém desconhece a cultura da organização. Optando-se por equipe mista, pode-se agregar as vantagens das duas anteriores e amenizar as fragilidades das mesmas. Trata-se, portanto, de buscar um equilíbrio. Quanto ao grau de dificuldade no estudo (flexibilidade), pode-se fazer um comparativo entre organizações produtoras de bens e serviço. No caso de bens, estes podem ser produzidos, armazenados e transportados até os clientes.  Já os serviços são consumidos no ato, ou seja, produzidos e consumidos simultaneamente, portanto parecem ser mais sensíveis à localização.

 

Perspectivas em Termos de Localização e Investimentos

 


Embora alguns autores afirmem que a tendência em termos de investimentos para a instalação de novas organizações, sobretudo as ligadas à manufatura, é de evitar as megalópoles devido ao alto custo da área nestes espaços e a dificuldade de funcionários se locomoverem até o local de trabalho, recentemente o que se observa é a instalação de empresas não nas grandes cidades, mas em cidades circunvizinhas a estas. Dada à dinâmica   conjuntural global, no entanto, a qual   se   mostra extremamente    turbulenta e instável, parece quase uma heresia afirmar categoricamente tendências acerca de perspectivas de localização. Em termos de decisões organizacionais quanto à estratégia de se expandir, a empresa deve levar em conta duas alternativas: aumentar as instalações existentes e construir outra unidade em outro local. A primeira alternativa possui a vantagem de diluir, até certo limite, os custos fixos e administrativos, e a segunda melhora a   distribuição e permite maior flexibilidade no atendimento aos mercados locais.  Moreira (2002) alerta que, de qualquer forma, tanto para as empresas novas quanto para as já existentes, as decisões sobre localização levam a um compromisso de longo prazo, especialmente no caso de indústrias, que exigem grandes esforços de projeto e instalação, que podem durar vários anos. Desnecessário dizer que o impacto sobre os custos e as receitas é bastante significativo.

 

Finalidades, Contextos e Complexidades das Decisões de Localização

 

A finalidade do estudo de localização, sob o critério econômico, é encontrar o lugar que permita, pelo menor custo total, transformar as matérias-primas em produtos acabados ou serviços e transportá-los aos consumidores.  Assim, o critério decisivo é o critério comparativo entre as diversas localidades sob o ponto de vista econômico, além desta finalidade sugerir uma limitação ao nível de manufatura de bens. Outros   critérios, no   entanto, podem   ser   relevantes   dependendo   das especificidades da organização.  Assim sendo, a decisão em termos de escolha de uma   nova   localização   organizacional é marcada por um nível de dificuldade importante, envolvendo a avaliação de inúmeros fatores, conduzindo a reflexões eternas nos custos de produção, fonte de matéria-prima, desperdício e qualificação de mão de obra, custo da expansão, aparecimento de novos mercados, atração por isenção de impostos, políticas internas e tendências   econômicas, entre outras variáveis. Neste sentido, de acordo com Slack et al. (2008), pode-se destacar dois grupos de fatores de influência:  influência do lado do fornecimento de insumos para a operação e influência do lado da demanda de bens e serviços.

Referente à influência quanto ao fornecimento de insumos (influência sobre os custos),  pode-se elencar  fatores  como custos  de  mão  de  obra,  em  que  se deve considerar  a  produtividade  da mesma, bem  como  taxas de  câmbio  quando  se  avalia diferentes países, custos da terra, custos de energia,   sobretudo   no   caso de organizações que usam grande quantidade de energia, como produtoras de alumínio, custo  de  transporte,  no  caso  de  transporte  de  insumos  e  bens  produzidos,  e  fatores de  comunidade,  que  são  os  que  influenciam  os  custos  de  uma  operação e que derivam  do  ambiente  social,  político  e  econômico  do  local,  como  impostos  locais, restrições de movimentação de capital, assistência financeira do governo, estabilidade política,  assistência  de  planejamento  do  governo, atividades  locais  em  relação  a investimentos  estrangeiros,  língua,  disponibilidade  de  serviços,  histórico  de  relações trabalhistas,  absenteísmo  da  mão  de  obra,  restrições  ambientais, entre outros do gênero. Em se tratando de demanda (influência sobre a receita), pode-se citar fatores como a habilidade da mão de obra, como no caso de parques tecnológicos/incubadoras, que se recomenda posicionar próximo de universidades em função da qualificação dos recursos humanos destas organizações e da demanda de clientes potenciais (universitários); a imagem do local em si, citando o caso dos ternos de Vasile Row (famosa rua de Londres notabilizada por ternos de qualidade) ou roupas de Milão, a adequação do local ao tipo de negócio pretendido, como no caso da  instalação  de  um  hotel  luxuoso focado no  turismo, o qual  logicamente  deve ser pensado em local paradisíaco; e a conveniência para clientes, citando o caso típico da instalação de um hospital, que deve posicionar-se próximo ao público a ser atendido.

 

Passos e Níveis de Decisão no Processo de Escolha

 

Os   seguintes passos referenciais podem ser elencados na definição do local do empreendimento:

 

1. Definir o objetivo da localização e as variáveis a ele ligadas;

2. Identificar o critério de escolha importante;

3. Quantitativo: econômico;

4. Qualitativo: menos tangível;

5. Descrever os objetivos para o critério na forma de um modelo:  ponto de equilíbrio, programação linear e análise de fator qualitativo, entre outros;

6. Criar os dados necessários e usar os modelos para avaliar os locais alternativos;

7. Escolher o local que melhor satisfaça ao critério.

 

Em se tratando de níveis geográficos de escolha, um estudo pode obedecer à seguinte hierarquia:

 

·        Escolha de região ou país;

·        Escolha de área dentro de região ou país;

·        Escolha de um local específico ou área.

 

Técnicas de Estudo de Localização

 

Embora os gerentes de produção precisem exercer um nível de julgamento considerável   na   escolha   de   localizações   alternativas, há   algumas técnicas sistemáticas e quantitativas que podem ajudar no processo de decisão.  Neste texto são descritas algumas:

 

·        Método da Pontuação Ponderada: Também denominado de Análise do Fator Qualitativo, este procedimento envolve, em primeiro lugar, a identificação de critérios que podem ser usados para avaliar as diversas localizações. Em segundo lugar, envolve a importância relativa de cada critério e a atribuição de fatores de ponderação (pesos) para cada um deles. O terceiro passo é avaliar cada localização segundo cada critério. Avaliar segundo esta sistemática consiste, portanto, na ponderação de fatores qualitativos e quantitativos, ou seja, é a atribuição de valores quantitativos a todos os critérios relacionados com cada alternativa de decisão e computar o peso relativo de cada uma para efeito de comparação. Esta avaliação permite que o tomador de decisão   injete   suas   próprias   preferências (valores) em uma decisão de local, abrigando tanto os fatores quantitativos quanto qualitativos.

·        Método do Centro de Gravidade: O transporte não adiciona valor ao produto, apenas onera-o. Este método, também denominado de Transporte, objetiva otimizar a lógica do transporte de produtos entre unidades produtoras e consumidoras, ou seja, a minimização dos custos de transporte. É baseado na ideia de que todas as localizações possíveis têm um “valor” que é a soma de todos os custos de transporte de e para aquela localização. A melhor localização, a que minimiza os custos, é representada pelo que, em uma analogia física, seria o centro de gravidade (CG) ponderado de todos os pontos de e para onde os bens são transportados.

 

Arranjo Físico ou Layout

 

O arranjo físico (ou layout) de uma operação produtiva preocupa-se com a localização física dos recursos de transformação.  Definir o arranjo físico é decidir onde colocar todas as instalações, máquinas, equipamentos e pessoal da produção. O arranjo físico é uma das características mais evidentes de uma operação produtiva porque determina sua “forma” e aparência. É aquilo que a maioria das pessoas nota quando entra pela primeira vez em um lugar. Também determina a maneira segundo a qual os recursos transformados –materiais, informações e clientes – fluem por meio da   operação. Mudanças relativamente pequenas na localização de uma máquina numa fábrica ou dos bens em um supermercado, ou a mudança de salas em um centro esportivo, podem afetar o fluxo de materiais e pessoas com a operação. Isto, por sua vez, pode afetar os custos e a eficácia geral da produção. De acordo com Slack et al. (2008), existe uma série de razões pelas quais as decisões de arranjo físico são importantes:

 

·        Arranjo físico é frequentemente uma atividade difícil e de longa duração devido às dimensões físicas dos recursos de transformação movidos;

·        O   rearranjo   físico   de   uma   operação   existente   pode   interromper   seu funcionamento suave, levando à insatisfação do cliente ou a perdas de produção;

·        Se o arranjo físico (examinado a posteriori) está errado, pode levar a padrões de fluxo excessivamente longos ou confusos, estoque de materiais, filas de clientes formando-se ao longo da operação, inconveniências para os clientes, tempos de processamento desnecessariamente longos, operações inflexíveis e altos custos;

·        A mudança de arranjo físico pode ser difícil e cara e, portanto, os gerentes de produção podem relutar em fazê-la com frequência;

·        Ao mesmo tempo, a consequência de qualquer mau julgamento na definição de arranjo físico terá um efeito considerável de longo prazo na operação.

 

Entre os principais objetivos de um bom arranjo físico podemos destacar:

 

·        Proporcionar Segurança Inerente:  o que significa que todos os processos que podem representar perigo, tanto para a mão de obra quanto para os clientes, não devem ser acessíveis a pessoas não autorizadas. Saídas de incêndio devem ser claramente sinalizadas com acesso desimpedido. Passagens devem ser claramente marcadas e mantidas livres;

·        Manter a Extensão do Fluxo: o fluxo de materiais, informações ou clientes deve ser canalizado pelo arranjo físico de forma a atender aos objetivos da operação. Em muitas operações, isso significa minimizar as distâncias percorridas pelos recursos transformados, embora isto nem sempre ocorra, pois, os supermercados gostam de garantir que os clientes passem por determinados produtos em seu trajeto dentro da loja.

·        Possibilitar a Clareza de Fluxo: todo o fluxo de materiais e clientes deve ser sinalizado de forma clara e evidente para consumidores e para a mão de obra. Operações de serviço, em geral, usam roteiros sinalizados, como alguns hospitais que usam faixas pintadas no chão com diferentes cores para indicar o roteiro para os diferentes departamentos;

·        Proporcionar o Conforto da Mão de Obra: ou seja, ela deve ser alocada para locais distantes de partes barulhentas ou desagradáveis da operação. O arranjo físico deve prover um ambiente de trabalho bem ventilado, iluminado e, quando possível, agradável;

·        Facilitar a Coordenação Gerencial:  a supervisão e coordenação devem ser facilitadas pela localização da mão de obra e dispositivos de comunicação;

·        Possibilitar o Acesso: o que significa que todas as máquinas, equipamentos e instalações devem estar acessíveis para permitir adequada limpeza e manutenção;

·        Fazer o Uso do Espaço: todos os arranjos físicos devem permitir uso adequado do espaço disponível da operação;

·        Ter Flexibilidade de Longo Prazo: os arranjos físicos devem ser mudados periodicamente à medida que as necessidades de operação mudam. Um bom arranjo físico terá sido concebido com potenciais necessidades futuras da operação em mente.

  

 

REFERÊNCIAS

 

 

ALVARENGA NETO; DRUMMOND, Rivadavia Correa. Gestão do conhecimento em organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo. São Paulo: Saraiva, 2008. 

DAMIAN, Ieda; VALENTIM, Marda, SANTOS. A cultura organizacional como fator crítico de sucesso à implantação da gestão do conhecimento em organizações. 2018.

DAVENPORT, Thomas H. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 1998. 

FREITAS, Eliezer da Silva. Gestão do conhecimento na Administração Pública: tendências de aprimoramento dos tribunais de contas. 2016.

ISO 30.401:2018 – Sistemas de gestão do conhecimento. Disponível em <http://lillianalvares.fci.unb.br/phocadownload/Estudos/ISO%2030401.pdf>. Acesso em:  14 nov. 2021.

 Mapeamento do conhecimento crítico. Disponível em <http://www.sbgc.org.br/mapeamento-de-conhecimento-criacutetico.html>. Acesso em:  14 nov. 2021.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Gestão do conhecimento. Brasília, 2020.

NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica de inovação. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos