Quem Fundou o Primeiro Laboratório de Psicologia? Que Psicopatologias Podem Afetar as Relações Humanas? Por Que o Nosso Equilíbrio Psíquico Depende do Nosso Ajuste ao Meio Ambiente? Qual é a Diferença Entre Grupos e Equipes?
Desde antes de Jesus Cristo a Psicologia
já fazia sua aparição, seja nas considerações sobre o comportamento humano ou
sob a forma de investigações sobre processos mentais – como a memória, a motivação,
e a percepção. Mas, foi somente na década de 80 que a Psicologia adquiriu o
status de ciência, com a criação do ‘primeiro laboratório de Psicologia do
mundo e, a partir daí, só podemos presenciar avanços nesta área de estudos, por
vezes tão controversa. Para tanto, a ciência psicológica – desde a sua fundação
até os dias atuais – aborda o assunto das relações humanas e as
psicopatologias. Foi de Wilhem Wundt (1832-1920) o crédito de fundação do
‘primeiro laboratório de Psicologia do mundo' ([1]). Desde cedo Wundt
desenvolveu gosto pela área da fisiologia. Com o passar dos anos e a
intensificação dos estudos, Wundt se interessou pela Psicologia. O trabalho de
Wundt constituiu o marco referencial do surgimento dessa nova área – a Psicologia.
A vertente encabeçada por Wundt denominou-se naturalista, pois se aplicava o
método das ciências da natureza (física, química, biologia) na compreensão dos
fenômenos mentais. Por outro lado, no final do século XIX, instaurou-se a
vertente humanista, como crítica ao naturalismo.
A Psicologia na primeira aula tem
como objeto de estudo o comportamento humano e suas implicações subjetivas.
Este comportamento é visto como um aglomerado de reações físicas, químicas e de
processos mentais complexos. Também, este comportamento é visto como de relação,
ou seja, que adquire sua unicidade ou forma única e com potencial criativo no
contato e no relacionamento com outras pessoas. A cada contato que se
estabelece com outra pessoa, novas conexões mentais são ativadas, novas
possibilidades são criadas e outras são destruídas. Não existe algo tão
gratificante e frustrante, ao mesmo tempo, como o relacionamento interpessoal. Diversas
são as patologias que apresentam repercussão no relacionamento interpessoal,
desde uma Depressão Maior, que o sujeito se isola do mundo perante um
sentimento de inutilidade e culpa, até um Transtorno de Personalidade
Esquizóide, onde há um padrão global de distanciamento emocional nos
relacionamentos.
Muitos dos transtornos mentais
são diagnosticados na branda infância. Outro, mais conhecido ainda como o
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode proporcionar
atraso nas relações pessoais. No TDAH, a criança apresenta um padrão
persistente de hiperatividade e desatenção, fazendo com que seu aprendizado
escolar seja prejudicado, caso não se faça o diagnóstico e tratamento precisos.
Neste último caso, o próprio comportamento agitado e desatento da criança faz
com que se diferencie das outras crianças da mesma idade. Este fato, por vezes,
faz com que a criança seja motivo de ‘chacotas’ pelos coleguinhas ou o chamado
atualmente bullying.
Já adulto, são muitas as
psicopatologias possíveis que afetam as relações humanas. Dentre elas,
destacamos algumas por serem mais conhecidas, tais como a Esquizofrenia, a
Depressão, a Fobia Social e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). A
Depressão acreditamos já ser de conhecimento da maioria das pessoas,
principalmente pela excessiva divulgação em meios de comunicação, tais como
internet, jornais, revistas e televisão. Cabe ressaltarmos que o quanto antes
um diagnóstico de Depressão for feito e o quanto antes se iniciar um tratamento
adequado, maiores são as chances de se ter sucesso neste quadro. A
probabilidade de recorrência do transtorno com o aumento do número de episódios
depressivos cresce na mesma proporção.
Também representando um
transtorno de domínio público, o TOC, como é mais conhecido o Transtorno
Obsessivo-Compulsivo, caracteriza-se por sintomas obsessivos e compulsões que
causam ansiedade e desconforto na vida de quem apresenta este transtorno.
Pessoas que gastam tempo excessivo com rituais de lavar as mãos, verificar
muitas vezes se as portas estão trancadas, dentre outros, são representantes
desta patologia. Claro que devemos avaliar o real comprometimento que determinados
rituais propiciam ao sujeito que os pratica, sempre avaliando o grau de
sofrimento e prejuízo ocupacional ocasionado por tais procedimentos
ritualísticos. A Psicologia teve seu avanço ao longo dos anos. Desde o
“primeiro laboratório de Psicologia do mundo” de Wundt, em 1879, até os dias
atuais esta ciência aprofundou conceitos, fundou escolas teóricas, ampliou seus
matizes diagnósticas, aprimorou métodos de tratamento. Enfim, aperfeiçoou tudo
o que diz respeito ao ser humano, seu comportamento e as implicações mentais.
Ser humano é visto como um ser de relação, que se constitui nas relações que
estabelece com os outros. Com isso, a ciência psicológica veio para auxiliar
quando as relações se demonstrarem falhas.
As Relações Humanas e
a Sociedade
Conforme alguns especialistas no
assunto, o homem é um animal que agrega muitas coisas ao longo da sua caminhada
pela vida e, suas maiores agregações são a família, a sociedade e o ambiente de
trabalho. Então, saber conviver é uma arte que está inserida no contexto da
“Arte de Viver”. Daí pode-se afirmar que as Relações Humanas se constituem em
uma ciência nova em um mundo velho – velho como o próprio tempo. Somos por
natureza egoístas, e Relações Humanas é, pois, um guia de comportamento que nos
ensina a compreensão, o respeito, a participação, a atenção e o reconhecimento
da dignidade humana. Nosso equilíbrio psíquico depende de nosso ajuste ao meio.
E esse ajuste depende de nossa comunicação com o próximo. Precisamos do
próximo, mas, como o próximo incomoda, cria-se então o conflito. As ciências
das Relações Humanas estudam a convivência, a comunicação, este fluido
magnético que aproxima as pessoas. É a ponte que liga um indivíduo a outro, um
indivíduo a grupos, e os grupos entre si. As dificuldades na comunicação estão
nos desajustes, nas divergências individuais, econômicas, sociais, políticas,
religiosas, filosóficas, educacionais, etc. – que tornam, tantas vezes,
desumanas as relações humanas.
Nosso equilíbrio psíquico depende
de nosso ajuste ao meio. E esse ajuste depende de nossa comunicação com o
próximo. Quem somos nós? O que é gente? Gente é um bolo, cujos ingredientes
são: defeitos, qualidades, erros, acertos, fraquezas, boas intenções, etc.
Variam as doses, mas todos nós temos esta mistura em nossa estrutura. Herdados
ou guardados, formam a argila de que somos feitos. As relações humanas são
também problemas ao longo de toda a vida, devido à diversidade de temperamentos
dos indivíduos. Basta pensar que cada um de nós é único, e não há dois indivíduos
idênticos. Somos como as impressões digitais: todas parecidas, mas não iguais. Esse
desacordo de características morais, intelectuais, temperamentais, entre
outras, cria barreiras entre indivíduos, mesmo quando se gostam e se
simpatizam.
Na velhice, como em outra idade
qualquer, existem problemas nas áreas de comunicação, de relacionamentos. Estes
se agravam pela incompreensão, hostilidade, medo e revolta com que as pessoas
adultas, os jovens e os próprios velhos encaram o envelhecimento. O fato é que,
quando se vencem essas barreiras, e muitas são as pessoas que o conseguem, os
grupos de relações e amizades, na família e fora dela, que não se impõem uma
discriminação de idades, atam laços de profundo afeto, onde a interação se
afirma entre pessoas de 8 a 80 anos. No grupo familiar, o velho que não se
deixa envenenar por sentimentos negativos de raiva, medo, revolta,
intolerância, etc., mas, ao contrário, procura comunicar-se à sua volta,
compreendendo e se fazendo compreender, pode marchar na vida, até a mais
avançada idade, sendo sempre querido e indispensável.
E é assim que tantas pessoas de
idade se sentem felizes, aproveitando a consideração e o carinho de seus
descendentes. “Os velhos morigerados, e tratáveis e humanos, carregam uma
velhice tolerável; o caráter difícil e o amor rabugento são molestos em toda
idade. ” – assim falou Cícero, o filósofo romano, o maior orador de sua época. A
característica mais importante que determina a personalidade normal é sua
capacidade de adaptação ao meio e ajuste nas relações humanas. Também o grau de
inteligência se mede pela melhor adaptação e aceitação das situações na vida.
A Formação de Grupos
e Equipes nos Ambientes de Trabalho
Não há dados que comprovem quando surgiu a ideia de reunir indivíduos em grupos em prol de um objetivo comum, mas sabe-se que esta concepção de equipe existe há muito tempo, desde que se começou a pensar no processo do trabalho. (A) Da necessidade histórica do homem de somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não seriam alcançados ou seriam de forma mais trabalhosa ou inadequada; (B) Da imposição que o desenvolvimento e a complexidade do mundo moderno têm imposto ao processo de produção, gerando relações de dependência ou complementaridade de conhecimentos e habilidades para o alcance dos objetivos. “O trabalho em equipe, portanto, pode ser entendido como uma estratégia, concebida pelo homem, para melhorar a efetividade do trabalho e elevar o grau de satisfação do trabalhador. ” ([2]). Mas, antes de discutir as questões que envolvem o trabalho em equipe e a importância do mesmo para o sucesso da organização, é preciso diferenciar o grupo da equipe. Sim, são duas (2) coisas diferentes. Podemos simplificar seus conceitos da seguinte forma:
·
Grupo é um conjunto de pessoas com objetivos comuns,
em geral se reúnem por semelhanças ou afinidades. O respeito e os benefícios
psicológicos que as pessoas que pertencem a um grupo encontram, em geral,
produzem resultados satisfatórios e bons. No entanto, neste grupo, não podemos
chamar de equipe.
·
Já a Equipe é um conjunto de pessoas com
objetivos comuns atuando na realização de metas e objetivos específicos. A
formação da equipe deve considerar as capacidades individuais necessárias para
o desenvolvimento das atividades e a ação das metas. O respeito aos princípios
da equipe, a interação entre seus membros e especialmente o reconhecimento da
interdependência entre seus membros em atingir os resultados da equipe, deve
favorecer ainda os resultados das outras equipes e da organização como um todo.
É isso que tornará o trabalho desse grupo em especial num verdadeiro trabalho
em equipe.
Segundo o site Psicologia Web
Node (2012), também é válido enfatizar que quando se trabalha em equipe,
pode-se contar com profissionais de diversas especializações e, certamente, isso
faz com que o mesmo seja mais dinâmico, pois, conforme a autora, a equipe deve
considerar as capacidades individuais.
Depois da distinção de grupos e
equipes vamos aos conceitos que estão relacionados aos mesmos. Os quatro
primeiros servem para os grupos e para as equipes, pois a equipe é uma espécie
de grupo, porém os dois últimos só são importantes para as equipes.
·
Papéis: as pessoas em um grupo ou
equipe não desempenham necessariamente a mesma função ou têm o mesmo propósito,
pois estes aspectos variam de acordo com o cargo que ocupam;
·
Normas: são regras de comportamento
informais aceitas pelos membros de um grupo de trabalho, que podem ter grande
influência no comportamento individual;
·
Coesão do Grupo: é a soma de forças
que atraem os membros do grupo e os mantêm unidos, para que isso aconteça os
membros devem estar motivados a permanecer no grupo;
·
Perda no Processo: refere-se ao
tempo e esforço que os membros gastam para manter o grupo em atividades que não
estão diretamente relacionadas com a produção;
·
Envolvimento de Equipe: é a força do
envolvimento de um indivíduo com uma equipe e abrange aceitação das metas e disposição
para trabalhar com constância e desejo de permanência na mesma;
·
Modelo Mental de Equipe: diz
respeito ao entendimento comum entre os membros da equipe quanto à tarefa, à
equipe, ao equipamento e à situação. Quanto maior a qualidade deste modelo mental
de equipe, melhor será o desempenho da equipe.
Conforme o site da Faculdade
Santa Helena, na teoria de equipes, existem grupos heterogêneos e homogêneos.
Usando um exemplo simples, poderíamos comparar uma equipe de futebol com uma de
basquete. Na de futebol, não existe necessariamente uma uniformidade no tipo de
atleta, já na de basquete, é possível dizer que jogadores baixos provavelmente
pouco irão contribuir com o sucesso da equipe. Outro ponto importante é a
autoconfiança dos profissionais, que devem ser tratados como adultos
responsáveis e capazes de realizar o trabalho. Para isso, é fundamental que os
erros sejam tratados como oportunidades de melhoria e, nesse caso, é preciso
achar responsáveis e não culpados. Com profissionais mais motivados e melhor
preparados, os problemas de comunicação nas equipes serão minimizados e o
trabalho terá resultado satisfatório. Se uma empresa ou qualquer outro
estabelecimento que trabalhe em grupos e equipes conseguir equacionar motivação
com preparação está resolvendo praticamente 80% de seus possíveis problemas.
Uma pessoa motivada, mas mal preparada é uma bomba atômica dentro de uma
organização; portanto, resolver esta situação maximizando motivação e
preparação é, sem dúvida, um grande passo.
REFERÊNCIAS
BRASIL Clínicas. Disponível em: http://www.brasilclinicas.com.br/artigos/ler.aspx?artigoID=50. Acesso em: 20 jun. 2023.
ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações
Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012.
([2]) MICHELETTI,
Camila. Trabalho em equipe: essencial para todas as empresas. In: Site
Carreiras Empregos. Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/carreira/administracao/ge/sucesso/
equipe/050704-trabalho_equipe.shtm. Acesso em: 14 set. 2021.
https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

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