quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Como Otimizar Seu Tempo Profissional

O Que é o Método 5S? Por Que Categorizar Documentos? Como Criar Rotinas e Estabelecer Hábitos?

 


 

Para alguns especialistas em Gestão do Tempo, otimizar o tempo de um profissional requer definir metas claras, priorizar tarefas, criar rotinas, usar técnicas para pausas, minimizar distrações e aprender a dizer não. Porém, nesse texto iremos nos concentrar nos ambientes de trabalho desses profissionais. Nesse cenário, pode-se afirmar que manter um espaço de trabalho organizado e arrumado é crucial para melhorar a Gestão do Tempo, a Produtividade e o Bem-Estar Geral. Dessa forma, veremos a seguir algumas técnicas eficazes de organização e arrumação para ajudá-lo a criar um ambiente de trabalho funcional e agradável:

 

·        Método 5S: Originário do Japão, o método 5S é um sistema de organização e arrumação que se baseia em cinco princípios: Seiri (separar), Seiton (organizar), Seiso (limpar), Seiketsu (padronizar) e Shitsuke (manter). Aplique esses princípios em seu espaço de trabalho para manter a ordem e a eficiência.

·        Sistema de Arquivamento: Use um sistema de arquivamento eficiente para guardar documentos e materiais. Isso pode incluir pastas, arquivos e caixas de armazenamento, rotuladas e organizadas de maneira lógica e fácil de acessar.

·        Método de Arrumação Vertical: Aproveite o espaço vertical em seu ambiente de trabalho, utilizando prateleiras, estantes e organizadores de parede. Isso ajudará a liberar espaço na mesa e a manter itens essenciais à mão.

·        Caixas e Compartimentos: Use caixas e compartimentos para organizar itens menores, como canetas, clipes de papel e outros materiais de escritório. Isso ajudará a manter a ordem e a evitar a desordem.

·        Rotina de Limpeza Diária: Estabeleça uma rotina diária de limpeza e organização do seu espaço de trabalho. Dedique alguns minutos ao final de cada dia para arrumar sua mesa, guardar itens e preparar o espaço para o próximo dia de trabalho.

·        Método "Um Toque": Adote a regra do "um toque" para lidar com documentos e itens à medida que entram em seu espaço de trabalho. Isso significa que, sempre que tocar em algo, você deve decidir imediatamente o que fazer com ele: arquivar, descartar ou agir.

·        Estabeleça um Lugar Para Cada Coisa: Designe um local específico para cada item em seu espaço de trabalho e garanta que tudo seja devolvido ao seu lugar após o uso. Isso facilita a localização e o acesso aos itens e ajuda a manter a ordem.

  

Gerenciamento de Documentos e Arquivos

 

O gerenciamento eficiente de documentos e arquivos é uma parte essencial da organização pessoal e profissional. Um sistema de gerenciamento de documentos bem estruturado permite que você encontre informações rapidamente, reduza a desordem e aumente a eficiência. Siga estas dicas para melhorar o gerenciamento de documentos e arquivos em sua vida:

 

·        Categorização: Separe seus documentos e arquivos em categorias lógicas, como trabalho, finanças, saúde, educação e projetos pessoais. Isso facilitará a localização e o acesso a informações específicas.

·        Subcategorias: Dentro de cada categoria, crie subcategorias relevantes para ajudar a organizar ainda mais seus documentos. Por exemplo, na categoria trabalho, você pode ter subcategorias como projetos, reuniões e treinamentos.

·        Rotulagem Clara: Rotule claramente pastas, arquivos e documentos, tanto físicos quanto digitais, para facilitar a identificação. Inclua informações como o título, a data e quaisquer outros detalhes pertinentes.

·        Sistema de Arquivamento: Implemente um sistema de arquivamento consistente, seja em arquivos físicos, como pastas suspensas e caixas de arquivo, ou em arquivos digitais, como pastas no seu computador ou na nuvem. Mantenha a consistência na nomenclatura e estrutura de pastas.

·        Digitalização de Documentos: Sempre que possível, digitalize documentos físicos e armazene-os eletronicamente para reduzir a desordem e facilitar o acesso. Isso também pode ajudar a proteger documentos importantes contra perda ou danos.

·        Backup Regular: Faça backup regular de seus arquivos digitais, seja em um disco rígido externo, na nuvem ou em outro dispositivo de armazenamento seguro. Isso protegerá suas informações contra perda acidental ou falha de hardware.

·        Limpeza e Atualização Periódicas: Periodicamente, revise e atualize seus documentos e arquivos para garantir que todas as informações sejam relevantes e atualizadas. Descarte ou arquive documentos que não são mais necessários e atualize informações conforme necessário.

·        Proteção de Informações Confidenciais: Proteja documentos e arquivos confidenciais com senhas, criptografia ou armazenamento seguro para garantir a privacidade e a segurança das informações.

 

Categorização e Etiquetagem

 

São componentes fundamentais no gerenciamento eficiente de documentos e arquivos. Essas práticas facilitam a localização e o acesso às informações necessárias, aumentando a produtividade e a organização. Aqui estão algumas dicas sobre como categorizar e etiquetar seus documentos e arquivos de maneira eficaz:

 

·        Defina Categorias Principais: Comece identificando as categorias principais que abrangem todos os aspectos de sua vida pessoal e profissional, como trabalho, finanças, saúde, educação e projetos pessoais. Essas categorias servirão como base para a estruturação de seus documentos e arquivos.

·        Crie Subcategorias: Em cada categoria principal, crie subcategorias relevantes que ajudem a organizar ainda mais seus documentos. Por exemplo, na categoria trabalho, você pode ter subcategorias como projetos, reuniões, treinamentos e recursos.

·        Utilize Etiquetas Descritivas: Ao rotular seus documentos e arquivos, use etiquetas claras e descritivas que facilitem a identificação do conteúdo. Inclua informações como título, data, categoria e quaisquer outros detalhes relevantes.

·        Padronize a Nomenclatura: Estabeleça um sistema de nomenclatura consistente para categorias, subcategorias e etiquetas. Isso garantirá que seus documentos e arquivos sejam organizados de forma lógica e fácil de entender.

·        Adapte-se às Suas Necessidades: As categorias e etiquetas devem ser adaptadas às suas necessidades específicas. Considere o que funciona melhor para você e ajuste sua abordagem conforme necessário.

·        Revisão e Ajuste Periódicos: Com o tempo, suas necessidades e prioridades podem mudar. Periodicamente, revise suas categorias e etiquetas para garantir que elas ainda sejam relevantes e eficazes. Faça ajustes conforme necessário para manter a organização e a eficiência.

·        Aplique a Categorização e Etiquetagem em Ambientes Físicos e Digitais: Certifique-se de aplicar essas práticas tanto em documentos e arquivos físicos quanto digitais. Isso garantirá que você possa encontrar e acessar informações facilmente, independentemente do formato.

 

Digitalização e Armazenamento em Nuvem

 

A digitalização de documentos e o respectivo armazenamento em nuvem são práticas essenciais para aprimorar a organização e a gestão de documentos e arquivos. Essas estratégias permitem acesso rápido e fácil às informações, proteção contra perda ou danos e redução da desordem física. Aqui estão algumas dicas sobre como implementar efetivamente a digitalização e o armazenamento em nuvem:

 

·        Escolha um Scanner Adequado: Selecione um scanner de qualidade que atenda às suas necessidades e preferências. Isso pode incluir scanners de mesa, dispositivos portáteis ou aplicativos de digitalização de smartphone.

·        Digitalize Documentos Importantes: Digitalize documentos físicos importantes, como contratos, recibos, certificados e registros financeiros. Ao fazer isso, você reduzirá a desordem e terá acesso rápido e fácil a essas informações sempre que necessário.

·        Organize Arquivos Digitalizados: Crie uma estrutura de pastas lógica e consistente para organizar seus arquivos digitalizados. Use categorias e subcategorias, conforme mencionado anteriormente, e aplique etiquetas descritivas para facilitar a localização e o acesso.

·        Selecione um Serviço de Armazenamento em Nuvem: Escolha um serviço de armazenamento em nuvem confiável e seguro, como Google Drive, Dropbox ou OneDrive. Verifique as opções de armazenamento, recursos de compartilhamento e medidas de segurança oferecidas.

·        Faça o Upload de Arquivos Digitalizados Para a Nuvem: Envie seus documentos digitalizados para o serviço de armazenamento em nuvem escolhido. Isso permite que você acesse essas informações de qualquer dispositivo conectado à internet e proteja seus dados contra perda ou danos.

·        Sincronize Dispositivos: Configure a sincronização entre dispositivos para garantir que seus arquivos digitalizados estejam sempre atualizados e disponíveis em todos os seus dispositivos, como computadores, tablets e smartphones.

·        Estabeleça Rotinas de Digitalização: Desenvolva uma rotina regular de digitalização para manter seus documentos atualizados e garantir que as informações importantes sejam armazenadas de forma segura na nuvem.

·        Segurança e Privacidade: Proteja seus arquivos digitalizados e armazenados na nuvem usando senhas, criptografia e outras medidas de segurança para garantir a privacidade e a segurança de suas informações.

 

Organização de Rotinas e Hábitos

 

Ter rotinas e hábitos organizados é fundamental para uma gestão eficiente do tempo e uma vida equilibrada. Uma rotina bem estruturada ajuda a manter a disciplina, aumentar a produtividade e reduzir o estresse. Aqui estão algumas dicas para organizar suas rotinas e hábitos de forma eficaz:

 

·        Estabeleça Uma Rotina Diária: Desenvolva uma rotina diária que inclua atividades essenciais, como trabalho, exercícios físicos, alimentação saudável e tempo para relaxar. A rotina deve ser realista e adaptável às suas necessidades e preferências individuais.

·        Priorize Suas Atividades: Identifique as atividades mais importantes e priorize-as em sua rotina. Concentre-se em tarefas que têm o maior impacto em seus objetivos e prioridades.

·        Estabeleça Metas Diárias: Defina metas claras e alcançáveis para cada dia. Isso ajudará a manter o foco e a motivação e a garantir que você esteja progredindo em direção aos seus objetivos.

·        Hábitos Saudáveis: Incorpore hábitos saudáveis em sua rotina, como exercícios regulares, alimentação equilibrada e sono adequado. Esses hábitos ajudarão a melhorar sua saúde física e mental e a aumentar sua energia e produtividade.

·        Hábitos de Organização: Cultive hábitos que ajudem a manter a organização, como planejar o dia seguinte, revisar e atualizar listas de tarefas e manter seu espaço de trabalho limpo e organizado.

·        Hábitos de Aprendizado e Crescimento: Estabeleça uma rotina de aprendizado contínuo e desenvolvimento pessoal, como ler, assistir a palestras ou participar de cursos e workshops. Isso ajudará a manter sua mente afiada e a melhorar suas habilidades e conhecimentos.

·        Pratique a Autodisciplina: Cultive a autodisciplina para manter-se focado e persistente, mesmo diante de desafios e distrações. Lembre-se de que a consistência é fundamental para estabelecer hábitos duradouros e eficazes.

·        Ajuste e Revise Regularmente: Periodicamente, revise sua rotina e hábitos para garantir que eles ainda estejam alinhados com seus objetivos e prioridades. Faça ajustes conforme necessário para melhorar a eficácia e a eficiência.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

KELLER, Gary. A Única Coisa: a Verdade Surpreendentemente Simples Por Trás de Resultados Extraordinários. São Paulo, Sextante, 2021 

MCKEOWN, Greg. Essencialismo: a Disciplinada Busca Por Menos. São Paulo, Sextante, 2020

  

 

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A Crise do Sistema Colonial Brasileiro

Como Surgiram os Movimentos Nativistas? Por Que as Monarquias Absolutistas Europeias Entraram em Crise no Século 16? Quais Foram as Duas Grandes Revoltas Que Aconteceram no Brasil Que Contestaram o Poder de Portugal?




A partir da metade do século XVII começaram a surgir em grande parte do mundo os chamados “movimentos nativistas”, os quais ocorreram como uma reação contrária às imposições dos sistemas coloniais existentes. Esses movimentos tinham um caráter local e não chegaram a representar um movimento em âmbito colonial, tampouco ocorreram tendo em vista a independência e tiveram muitas vezes motivação econômica. Mas, esses foram apenas os primeiros movimentos que desafiaram a Coroa Portuguesa e iniciaram algum tipo de mobilização dessa população que estava se fixando no Brasil. Confira os movimentos nativistas e suas principais características:

 

·        Aclamação de Amador Bueno (São Paulo / 1641): Tinha como objetivo a instalação de um reino em São Paulo;

·        Revolta de Beckman (Maranhão / 1684): Escassez de mão de obra para a lavoura açucareira Altos juros cobrados pela Companhia de Comércio do Maranhão;

·        Guerra dos Emboabas (Minas Gerais / 1708-1709): Disputa pela posse das minas entre bandeirantes paulistas e forasteiros vindos de Portugal ou de outras regiões da colônia;

·        Guerra dos Mascates (Pernambuco / 1710-1714): Disputa entre senhores de engenho de Olinda e comerciantes de Recife;

·        Revolta de Felipe dos Santos (Minas Gerais / 1720): Revolta contra a criação das Casas de Fundição e a cobrança de altos tributos

 

Nas últimas décadas do século 18 ocorreram transformações significativas no mundo ocidental. O Antigo Regime; ou seja, a forma de governar – caracterizado pelas monarquias absolutistas existentes na Europa desde o século 16 – entrou em crise. Para a burguesia industrial o sistema colonial era visto como uma herança da estrutura medieval e uma barreira para o desenvolvimento do capitalismo. As ideias defendidas pela burguesia, o pensamento ilustrado e o liberalismo, começaram se expandir por todo o mundo ocidental:

 

·        Burguesia é o termo que representa um determinado grupo de pessoas que tem como atividade principal o comércio, a indústria ou mesmo financeiras;

·        Pensamento ilustrado é aquele ligado ao movimento Iluminista que defendia, de uma forma geral, que as pessoas eram iguais entre si e tinham os mesmos direitos. Este movimento foi fortemente atacado pelos reis autoritários que não aceitavam a condição de “iguais” com pessoas do povo;

·        Liberalismo é uma forma de pensar e de agir que possui duas (2) características muitos importantes: a política e a econômica. Na política, o liberalismo prega que todos devem ter os mesmos direitos e os mesmos deveres. Na economia, o liberalismo defende que o governo não deve interferir nas áreas econômicas deixando espaço para os empresários.

 

O Iluminismo passou a fazer muitas críticas ao pacto colonial. O pensamento iluminista e o liberalismo defendiam a necessidade de uma nova estrutura nas colônias para se adequar às novas exigências da economia mundial. Já a partir do século XVIII (ano 1701 a 1800) nas áreas coloniais da América ocorreram os chamados “movimentos de independência” que são exemplos de como se deu a crise do sistema colonial. O processo de industrialização iniciado na Inglaterra no século 18 acabou por desestruturar o sistema colonial, desenvolvido a partir do capital mercantil. Existiram fatores internos e externos que explicam o rompimento das áreas coloniais com as suas respectivas metrópoles (Exemplo: Brasil foi uma área colonial e Portugal foi uma metrópole).

Do ponto de vista interno o que ocorre é o desdobramento da colonização uma vez que as colônias se desenvolvem de alguma forma mesmo a partir da própria exploração que ser realiza sobre elas. Nas colônias formam-se as chamadas elites que passam a possuir poder sobre a sociedade colonial, por outro lado esta mesma elite se subordina aos interesses e às elites da metrópole. O desenvolvimento da colônia ocorreu mesmo com a opressão cada vez maior da metrópole. Esses movimentos anteriores à independência tiveram influência do pensamento iluminista, da independência dos Estados Unidos em 1776. De uma forma geral esses movimentos criticavam os altos tributos impostos pelo pacto colonial, eram contrários ao intervencionismo do mercantilismo metropolitano e se colocaram contrários à política metalista de Portugal. Duas (2) grandes revoltas aconteceram no Brasil e que contestaram o poder de Portugal sobre o Brasil:

 

1.     Inconfidência Mineira (1789)

 

·        Causas: Movimento de caráter elitista reagiu à cobrança de altos impostos pela Coroa junto aos colonos;

·        Objetivos: Fundar uma capital em São João Del Rei, criar universidades e indústrias;

·        Desfecho: Não obteve êxito. Os líderes foram presos e exilados. Tiradentes foi enforcado e seu corpo foi esquartejado.

 

2.     Conjuração Baiana (1798)

 

·        Causas: Fome, miséria, empobrecimento da população e discriminação contra os negros;

·        Objetivos: Proclamar uma República tendo Salvador como capital e abolir totalmente a escravidão;

·        Desfecho: Não obteve êxito. Os rebeldes de origem humilde foram presos, exilados e enforcados.

 

Em 1817, ocorreu em Pernambuco uma nova tentativa de emancipação do Brasil em relação a Portugal, chamada de Revolução Pernambucana de 1817. E, em 1821 D. João VI é obrigado a jurar respeito à Constituição portuguesa e acaba por voltar definitivamente a Portugal. No Brasil, quem ficou governando foi seu filho D. Pedro, como príncipe-regente. Portugal encontrava-se em grande crise econômica e as Cortes tentam assim recolonizar o Brasil, assegurando mercado consumidor para os produtos portugueses. As classes dominantes no Brasil se colocam contrárias à decisão de Portugal e articulam-se em torno de D. Pedro que “proclamou” a independência do Brasil no dia 7 de setembro de 1822. Portugal só viria a reconhecer a independência do Brasil em 1825.

 

A Independência das Colônias Ibero-Americanas

 

Entre o final do século 18 e O início do século seguinte, o Absolutismo e o Mercantilismo começaram a entrar em crise e decadência em grande parte da Europa ocidental. Eram sinais de que um novo tempo estava por nascer no qual a indústria, o livre comércio e a luta pela igualdade de direitos passaram a caracterizar essa nova fase da história. No final do século 18 ocorreram acontecimentos que refletiram na América espanhola e também na América portuguesa. Vejamos alguns deles: 

 

·        Em 1776, as colônias inglesas, denominadas de Treze Colônias, declararam a independência em relação à Inglaterra originando assim os Estados Unidos da América; 

·        Em 1807 a Inglaterra aboliu a escravidão; 

·        Em 1791 os escravos de São Domingos promoveram várias revoltas que conduziram à independência do Haiti. Essa rebelião correspondia com os acontecimentos da Revolução Francesa nas colônias americanas;

·        Entre 1794 a 1802 a escravidão foi extinta em todas as colônias francesas.

 

Os colonos espanhóis começaram o processo de independência no início do século 19 e o grande território – até então controlado pela Espanha – era formado por quatro (4) grandes vice-reinos e ainda algumas capitanias gerais, as quais posteriormente viriam a se dividir em vários países, que hoje são nossos vizinhos. A elite desse território era formada por pessoas nascidas na Espanha – os peninsulares – e pelos descendentes de espanhóis – os criollos – que eram grandes proprietários de terras e de escravos. Essas elites locais perceberam que a Espanha estava enfraquecida por causa do conflito com Napoleão Bonaparte e dos ideais revolucionários franceses e viram a possibilidade de cortar de forma definitiva os laços que uniam as colônias na América com a metrópole espanhola. Os peninsulares e os criollos lideraram as revoltas de independência e ficaram conhecidos como Libertadores da América. O maior campeonato de futebol do continente americano é uma homenagem a esses homens que obtiveram a independência desses países da Espanha. Homens como Simon Bolívar e San Martin.

Até meados do século 19 as antigas colônias hispano-americanas já estavam emancipadas da Espanha – mas pouca coisa mudou com as independências. Diferentemente dos Estados Unidos que de fato conseguiram promover uma grande ruptura dos laços coloniais, os demais países tiveram somente uma independência de caráter político, na qual a estrutura colonial - produção agrícola tropical para exportação, baseada na grande propriedade, no trabalho escravo e na monocultura, importação de produtos manufaturados - praticamente não sofreu grandes mudanças. Sob o ponto de vista da sociedade dos novos países é possível também afirmar que pouca coisa mudou. A população pobre não viu a sua situação melhorar nem tampouco a dos escravos que continuaram submetidos ao trabalho forçado. Já a elite criolla foi a maior beneficiária da independência uma vez que cortou os laços com a elite espanhola e passou a dominar exclusivamente a política e a economia das novas nações americanas.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

LIMA, Ederson Prestes Santos; SCHENA, Denilson Roberto. História. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.

SILVA, Daniel Neves. "Descobrimento da América"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/descobrimento-da-america.htm. Acesso em 25 de novembro de 2025.

 

 

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Inteligência Artificial e o Profissional de Marketing

 Qual o Principal Objetivo da Inteligência Artificial? Quais as Três Funções Mais Comuns da IA? Como São Classificadas as IA’s Quanto às Suas Aparências? Quais São as Quatro Metodologias de Aprendizagem da IA?

 



 

Inteligência Artificial (IA) é a capacidade de algumas máquinas poderem simular a inteligência humana a fim de aprender, raciocinar, resolver problemas e tomar decisões, usando grandes volumes de dados e algoritmos para reconhecer padrões e realizar tarefas complexas como traduzir idiomas, analisar dados e criar conteúdo novo (IA generativa), com aplicações de assistentes virtuais como Google, Siri e outros. Russel & Norvig (2013) explicam que a inteligência artificial reproduz faculdades humanas como a criatividade, auto aperfeiçoamento e uso da linguagem. Para eles, a inteligência está relacionada a uma ação racional, ou seja, a inteligência permite adotar a melhor ação possível para determinada situação. Então, o objetivo é que o sistema realize funções que se um humano fosse realizar, seriam consideradas inteligentes para o ser humano. Esses autores nos lembram que as tecnologias de inteligência artificial servem de base para muitas das ferramentas que usamos na internet, e que os profissionais de marketing utilizam para melhorar suas estratégias, como os mecanismos de pesquisa, os sistemas de recomendações. Para que a inteligência artificial chegasse ao ponto que vivenciamos, teve influência de várias áreas das ciências. 

Gabriel (2018) explica que existem duas linhas de pensamento que se referem à inteligência humana que baseiam o desenvolvimento da computação, a abordagem simbólica e a conexionista. A abordagem simbólica simula o comportamento inteligente, enquanto a conexionista simula o funcionamento do cérebro. Assim, enquanto a computação simbólica é baseada em programação (de cima para baixo), a conexionista se baseia em aprendizagem (de baixo para cima), que é a base da IA acreditando-se que a inteligência está na forma de processar a informação e não na informação em si –a capacidade de resolver problemas, e não de seguir regras (GABRIEL, 2018, p. 191). De forma bem simplista, a inteligência artificial é uma inteligência similar à inteligência humana praticada pelos softwares. Ela explica que o avanço na neurociência e da capacidade de hardware alcançados na última década permitiram que a computação conexionista alavancasse, baseando-se na aprendizagem da máquina. O que é importante frisar neste sentido, é que a máquina não é programada, mas sim que a máquina aprende. E como o profissional de marketing pode aproveitar a inteligência artificial a seu favor? Gabriel (2018) sugere três (3) funções mais comuns da inteligência artificial:

 

·        Visão Computacional: Como reconhecer objetos?

·        Processamento de Linguagem Natural: Como obter significados a partir da linguagem e fornecer significados por meio de sentenças criadas?

·        Raciocínio: Como combinar informações para se chegar a conclusões?

 

Outras aplicações da inteligência artificial são o reconhecimento de voz, a tradução automática, o combate ao spam e várias outras tecnologias que utilizamos no marketing digital, as quais veremos a seguir.

 

Machine Learning (Ml)

 

O objetivo de conhecer e utilizar a inteligência artificial é tornar a experiência do cliente cada vez mais personalizada, assim uma experiência cada vez melhor.  Isso porque com a inteligência artificial conseguimos usar as informações a favor das organizações e dos clientes.  Uma das ferramentas que ajudarão os profissionais de marketing é a machine learning. Gabriel (2018, p. 197) explica que Machine Learning ou “aprendizagem de máquinas” é um campo da inteligência artificial que lida com algoritmos que permitem a um programa aprender, ou seja, os programadores humanos não precisam especificar um código que determina as ações ou previsões que o programa vai realizar em determinada situação. Em vez disso o código reconhece padrões e similaridades das suas experiências anteriores e assume a ação apropriada baseada nesses dados. De uma forma bem simples, machine learning é quando a máquina aprende sozinha e toma decisões a partir dos padrões que encontrou nos dados. Partindo deste princípio e entendendo que a internet proporciona uma imensidão de dados é quase uma obrigação que os profissionais de marketing usem essa tecnologia para aprimorar suas estratégias. Quanto à forma de aprendizagem, Gabriel (2018) explica que existem quatro (4) metodologias:

 

1.     Aprendizagem Supervisionada: Envolve um “professor” que seja mais experiente no assunto do que a máquina, que alimenta alguns exemplos de dados sobre aquilo que ele já sabe sobre as respostas. Como exemplos, Gabriel (2018) cita os sistemas de reconhecimento de fala dos smartphones (Siri, Cortana), que fazem um teste com a voz antes de começar a funcionar; sistemas de e-mail que com base nas informações passadas filtram as novas mensagens em normais ou spam.

2.     Aprendizagem Não Supervisionada (Free Learning): Neste caso, Gabriel (2018) explica que é utilizada quando não existem exemplos de dados com respostas conhecidas.  Um exemplo é quando o sistema “aprende” quem é quem e organiza as fotos em vários arquivos separados, cada um com fotos de apenas uma pessoa.

3.     Aprendizagem Semi-Supervisionada: Aqui a situação é a seguinte, “deseja-se resolver um problema, mas o modelo precisa aprender as estruturas e organizar os dados, bem como fazer predições. Os dados de entrada são uma mistura de exemplos conhecidos e desconhecidos” (GABRIEL, 2018, p. 202). A autora cita como exemplo de aplicação a classificação de webpages, caso seja necessário classificar qualquer site em uma categoria existente, como educacional, shopping, fórum etc. Em vez de usar humanos durante meses para varrer milhares de páginas na web, pode-se escrever um programa para coletar esse enorme volume de páginas em apenas algumas horas.

4.     Aprendizagem Por Reforço: Neste caso, a machine learning tomará decisões a partir da experiência (tentativa e erro), utilizando a Psicologia Comportamental, construída por observação de resultados de ações (GABRIEL, 2018, p. 203). A tomada de decisão é baseada na observação do ambiente e agindo de acordo com sistemas de recompensas e punições, Gabriel (20118) lembra que o aprendizado não é baseado em exemplos, mas em resultados a serem alcançado, o sistema tenta descobrir por si só o que fazer para maximizar a recompensa. Um exemplo desta situação “é o videogame RoboSumo, no qual robôs lutam sumô controlados por machine learning e vão aprendendo conforme competem, tornando-se mais ágeis e inteligentes, melhorando habilidades como equilíbrio e drible do oponente” (GABRIEL, 2018, p. 203)

 

Sendo assim, entender o consumidor é uma das tarefas mais desafiadoras dos profissionais de marketing. No entanto, as organizações possuem uma série de dados, os quais não conseguem “ler” de forma correta sem o auxílio da tecnologia e, dessa forma, a machine learning ajuda esses profissionais neste sentido. No Brasil existe um caminho muito grande a ser percorrido, mas não há dúvida de que, cada vez mais, as ações de marketing digital devem ser guiadas por dados e, quem sabe, uma boa oportunidade de negócios?

 

ROBÓTICA




A Inteligência Artificial (IA) pode ser considerada “mente” artificial, embora a Robótica trate de “corpos” artificiais. Assim, os Robôs passaram a significar qualquer entidade – física ou virtual – que possua vida artificial, independentemente do seu nível de inteligência. No entanto, no sentido estrito da palavra, o termo “robô” é mais utilizado para corpos físicos totalmente artificiais e existem outras categorias mais específicas para cada tipo de robô, em função da sua aparência (GABRIEL, 2018, p. 216). Assim, quanto à aparência, as inteligências artificiais podem ser classificadas em: robôs, bots, androids e cyborgs. Veremos a seguir mais detalhes sobre cada um deles:

 

·        Robôs: São corpos físicos totalmente artificiais; o que principalmente diferencia os robôs das demais categorias de corpos para inteligência artificial é que eles têm forma, mas não humana. Um bom exemplo da utilização de robôs em marketing digital é Lil Miquela. Lil é uma influenciadora digital do mundo da moda que foi criada por meio de computação gráfica. A robô tem mais de 1,4 milhões de seguidores no Instagram e cria conteúdos impecáveis, como selfies, dicas de maquiagem, viagens, shows, até mesmo vídeos de bastidores. Uma das marcas que ela representa é a Prada, tradicional grife italiana de moda, Lil é um robô que influencia o consumo de milhares de pessoas.

·        Bots: Bot é o apelido para software robot, ou seja, um robô que não tem corpo físico. Os bots são programas computacionais que realizam tarefas automáticas. Assim, a maioria destes bots atuam sem serem vistos. Certamente, você já conversou com um bot e nem tenha percebido, os mais conhecidos bots são chamados de chatbots. Os chatbots “são bots que conversam em linguagem natural”, explica Gabriel (2018, p.  217).  O primeiro chatbot do mundo foi Eliza, criado em 1966, por Joseph Weinzenbaum, que funcionava como imitação de sessões de terapia (GABRIEL, 2018). A autora explica que, nas empresas, os chatbots são cada vez mais comuns para automatização, e filtragem de atendimento a clientes. Um exemplo de chatbots é a Lu, da Magazine Luiza, que oferece dicas aos usuários sobre equipamentos para que eles possam fazer as melhores escolhas. Assim, um chatbot tem como principal função agilizar o atendimento dos clientes, afinal eles estão disponíveis 24 horas por dia, 365 dias por ano, e otimizar os custos. Os chatbots são utilizados de forma mais comum em serviços de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) das empresas.

·        Androids: São robôs que possuem formas humanas ou organismo sintético projetados para agir como humanos, especialmente, aqueles projetados para se parecer e agir como humanos, especialmente, aqueles cujo revestimento assemelha-se com a pele humana. Os androids são considerados mais inteligentes do que os robôs. Para Gabriel (2018, p. 220), a criação de androids “está cada vez mais se relacionando com as tecnologias e questões de clonagem humana, ao invés de construir e desenvolver cérebros e corpos artificias, a partir do zero, existe uma linha de pesquisadores que investe na duplicação tanto de corpos humanos, quanto mentes para uso em androids”. A autora também lembra as questões éticas que devem pautar este tema.

·        Cyborg: “São seres híbridos, são seres formados tanto de partes orgânicas quanto biomecânicas” (GABRIEL, 2018, p. 222). A autora lembra que com a melhoria da interface entre tecnologias e o corpo humano, a evolução permitiu aplicações em um número maior de áreas como: medicina, arte, militar, esportes, entre outras

 

Como se observa, a tecnologia permite que os profissionais de marketing extrapolem sua capacidade cerebral de armazenar dados e transformá-los em informações. Estas tecnologias aqui apresentadas – e todas as outras que ainda estão por vir – apresentam grandes possibilidades para melhorarmos cada vez mais nossas Estratégias de Marketing.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

GABRIEL, Martha. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital. São Paulo: Atlas, 2018

RUSSELL, Stuart J; NORVIG, Peter. “Inteligência artificial: uma abordagem moderna”. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. 

VAZ, Conrado Adolpho.  Google marketing:  o guia definitivo de marketing digital.  São Paulo: Novatec Editora, 2010


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