Onde se Originam as Feridas Emocionais no Ser Humano? Quais São os Tipos de Feridas Emocionais? Como Obter Inteligência Emocional nos Relacionamentos e no Trabalho? Quais as Principais Características das Pessoas Que Demonstram Falta de Inteligência Emocional no Trabalho?
A Inteligência Emocional é a
bússola que permite identificar, compreender e gerir as suas próprias emoções,
atuando como um antídoto prático para neutralizar as feridas emocionais. Essas,
são dores profundas como rejeição, abandono, traição, humilhação e injustiça
que se originam na infância e/ou juventude e sabotam os relacionamentos na vida
adulta. Assim, pode-se dizer que as feridas não curadas moldam escolhas e
reações diárias. As feridas emocionais frequentemente se originam na infância (geralmente
até os 7 anos), por meio de diversas experiências que afetam as crianças de
várias maneiras. Elas podem surgir de emoções, sensações, pensamentos, traumas
e memórias dolorosas que são o resultado de necessidades emocionais não
atendidas. Tais feridas não curadas permanecem inconscientemente na vida
adulta. As crianças aprendem e moldam seu comportamento a partir do convívio
com pais, familiares, amigos e colegas, absorvendo informações, boas ou ruins,
sem maturidade para discernir entre o certo e o errado. Os ambientes como a
relação com os pais, irmãos, amigos e experiências traumáticas na escola (bullying
e abusos) podem gerar marcas emocionais profundas. Infelizmente, muitos adultos
carregam essas feridas emocionais da infância sem resolvê-las, resultando em
consequências negativas, como dificuldades em manter relacionamentos saudáveis,
falta de confiança, medo de abandono, rejeição, traição e outras.
Ferida Emocional do
Abandono
A ferida do abandono pode surgir
de experiências como falta de atenção dos pais, separação familiar ou perda de
um dos pais na infância, gerando sentimentos de solidão, medo e insegurança. Na
vida adulta, essas pessoas temem serem rejeitadas, buscando evitar o abandono
nos relacionamentos, mas paradoxalmente, tendem a abandonar primeiro por receio
de serem deixadas novamente. Manifestam comportamentos de término repentino,
expressando frases como "vou deixar você antes que você me deixe" e
agem de forma defensiva diante de sinais de abandono do parceiro. Essas
atitudes refletem uma necessidade de proteção emocional, porém podem impactar
negativamente os relacionamentos, mantendo um ciclo de medo e evitação do
abandono.
Ferida Emocional do
Rejeição
A ferida da rejeição pode surgir
desde a infância, quando bebês podem sentir rejeição pela separação momentânea
dos pais, interpretando ações simples, como dormir em outro quarto, como um ato
de rejeição. Ambientes escolares também podem gerar essa ferida, como quando
colegas excluem ou praticam bullying, ou quando um professor ignora um aluno,
levando à sensação de não ser aceito, inútil e abandonado. Na fase adulta,
essas pessoas tendem a ser esquivas, relutantes em se relacionar e expor por
medo de serem rejeitadas, optando por solidão para evitar possíveis rejeições
ou abandonos. Sentem-se indignas de afeto, têm pensamentos de serem
indesejáveis ou inúteis, o que afeta sua capacidade de se alegrar com suas
conquistas e dificulta seus relacionamentos em todas as áreas da vida.
Ferida Emocional da
Injustiça
A ferida da injustiça surge em
ambientes onde crianças são tratadas de forma autoritária, exigidas excessivamente
ou diferenciadas das outras, levando a sentimentos de ineficácia e
desvalorização. Sentem-se injustiçadas quando há tratamento desigual entre
irmãos ou cobranças desiguais por parte dos pais e professores na escola. Esses
sentimentos persistem na vida adulta, resultando em autocrítica intensa para
provar sua eficácia, bloqueando a sensibilidade emocional. Tornam-se pessoas
inseguras, pessimistas, esperando serem maltratadas, o que dificulta a
construção dos relacionamentos duradouros. Essa ferida muitas vezes gera
rigidez e busca por poder, levando a um fanatismo por ordem e perfeição. Além
disso, há dificuldade em tomar decisões assertivas, refletindo a influência
dessa ferida emocional no comportamento adulto.
Ferida Emocional da
Humilhação
A ferida da humilhação se origina
em ambientes familiares prejudiciais, onde a criança é criticada e humilhada,
podendo ser vítima de bullying. Essas experiências geram traumas profundos,
causando tristeza, baixa autoestima e vergonha, afetando sua expressão e
autoconfiança. Na vida adulta, esses traumas impactam a autoestima, resultando
em tristeza e ansiedade. Tais indivíduos têm pouca ambição e autoconfiança,
enfrentando dificuldades em se expor e expressar devido ao medo de serem
humilhados novamente. Em geral, essa ferida leva ao desenvolvimento de uma
personalidade dependente. Alguns podem se tornar tirânicos ou egoístas como
mecanismo de defesa, tentando evitar reviver as humilhações sofridas no
passado.
Ferida Emocional da Traição
A ferida da traição nasce quando
os pais prometem coisas as crianças e não cumprem, quebrando a confiança e
causando decepção e frustração. Na vida adulta, essas pessoas têm dificuldade
em confiar, tentando controlar tudo ao redor para evitar serem traídas. São
perfeccionistas, exigindo perfeição em tudo e não tolerando mentiras, buscando
controlar cada aspecto da vida. Essa necessidade de controle é interpretada
como força de caráter, porém, muitas vezes são cegas para o que realmente
acontece. A ferida da traição também leva a outro sentimento, tal como a
indignidade em receber promessas ou afeto dos outros.
A Inteligência
Emocional Como Solução
A Inteligência Emocional não
elimina as feridas, mas impede que elas ditem o seu futuro e o processo
baseia-se em:
A) Inteligência Emocional nos
Relacionamentos: Sabemos que todos nós temos diferenças na forma de pensar,
de agir e de nos comportar, e que muitas vezes divergimos em diversos aspectos
em nossas relações com amigos, parceiros e familiares. No fundo, porém, todos
nós buscamos relacionamentos saudáveis com quem nos relacionamos. Trabalhar a
IE nas relações faz-se necessário para vivermos de forma mais sábia e com
harmonia. Nas relações interpessoais, temos que entender que todas as pessoas
têm seus sonhos, vivências, culturas, inseguranças, medos, crenças e
perspectivas de vida que, muitas vezes, diferem dos nossos, mas todas as
diferenças é que dão sentido aos relacionamentos, já que cada um tem uma
identidade, uma personalidade. Já imaginou se todos nós pensássemos e agíssemos
da mesma forma? Como seriam as relações, o mundo? Procurar ter relações mais
saudáveis depende de uma série de fatores que uma pessoa pode aprender e pôr em
prática. Abaixo, alguns desses fatores:
·
Autoconhecimento; Conheça as pessoas com
que se relaciona: infância, educação, cultura, medos, traumas;
·
Tenha Empatia Com as Pessoas: Antes de
fazer qualquer julgamento, tente entender o outro, seus comportamentos e
atitudes;
·
Cultive o amor próprio: Você só pode
passar para as pessoas o que tem dentro de si e se ame primeiramente;
·
Respeite as Pessoas: O respeito eleva a
confiança e fortalece o relacionamento;
·
Converse Com as Pessoas: A falta de
diálogo é um dos principais motivos de afastamento das pessoas, ainda mais nos
tempos atuais informatizado está ficando ainda mais difícil e com isso os
relacionamentos acabando;
·
Apoie as Pessoas Com Quem se Relaciona: Todo
mundo gosta de relacionar com alguém que dê forças quando mais precisa;
·
Evite Comparações Com as Pessoas Com Quem se
Relaciona: Lembre-se que pessoas são diferentes cada uma tem uma
personalidade, evite ficar fazendo comparações;
·
Aprenda a Ouvir as Pessoas Com Quem se Relaciona:
Muitas pessoas às vezes só querem desabafar com alguém, mas muitas das vezes ao
invés de serem ouvidas, ouvem mais coisas negativas ainda do outro, aprenda a
ouvir o outro;
·
Aprenda a Perdoar as Pessoas: Pode ser
complicado para alguns perdoar, mas é uma sensação incrível quando se consegue
perdoar alguém, bem só quem já perdoou sabe
·
Fale de seus sentimentos com quem você mais
se relaciona;
·
Aceite as diferenças das pessoas com quem se
relaciona;
B) Inteligência Emocional no
Trabalho: Trata-se de uma competência que faz muita diferença nas relações
interpessoais. Profissionais com essa competência dificilmente são vistos
agindo com temperamento agressivo, explosivo, descontando seus problemas
pessoais nos colegas de trabalho. Por saberem lidar com suas emoções e por
terem empatia com os outros, são pessoas que pensam antes de falar, buscando
manter o equilíbrio em situações adversas que possam acontecer no trabalho. Profissionais
com inteligência emocional geralmente são mais satisfeitos, motivados,
produtivos e criativos, seja na vida pessoal ou na profissional. Para as
empresas, profissionais de liderança com essa competência são um diferencial
para o clima organizacional, para a cultura e para produtividade das equipes.
Como Ter Inteligência
Emocional no Trabalho?
Se você não sabe como administrar
suas emoções e tem dificuldade em lidar com diversas situações no ambiente de
trabalho, saiba que a inteligência emocional é uma competência que pode ser
desenvolvida em todas as áreas de sua vida. Abaixo, alguns passos para você
desenvolvê-la e utilizá-la no seu dia a dia:
·
Reconheça Suas Emoções ou Sentimentos: Estar
atento (a) quando elas surgirem no trabalho;
·
Gerencie Suas Emoções: Ter conhecimento
de suas emoções é importante para dar melhor direcionamento, é entender que
está chateado ou descontente e não descontar em ninguém – colegas de trabalho
ou clientes;
·
Automotivação: Direcionar suas emoções em
prol de suas metas e objetivos;
·
Empatia: Identificar as emoções e
sentimentos que estão por trás dos comportamentos das pessoas e agir de forma a
buscar soluções mais assertivas, de forma harmoniosa, compreensiva, motivadora;
·
Relacione-se Interpessoalmente: Entender
que cada pessoa age de uma forma, é respeitar as emoções dos seus colegas de
trabalho sem julgamento, com empatia e com respeito, diminuindo os conflitos,
ruídos, buscando sempre melhorar a relação.
Características das
Pessoas Que Demonstram Falta de Inteligência Emocional no Trabalho:
·
Incapacidade de controlar suas próprias emoções
– geralmente são pessoas que não conseguem lidar com suas próprias emoções e
descontam nas pessoas;
·
Se estressam com facilidade – geralmente são
pessoas que guardam dentro de si sentimentos negativos, que rapidamente se
transformam em sensações desconfortáveis de estresse, tensão e ansiedade;
·
Não conseguem ter empatia pelas pessoas –
geralmente são pessoas que não se preocupam com seus próprios comportamentos e
muito menos param para pensar o que gerou os comportamentos das outras pessoas;
·
Guardam ressentimentos - geralmente são pessoas
que não gostam de ouvir coisas que não lhe agrada e guarda ressentimento;
·
Não assumem seus erros – geralmente são pessoas
que não assumem seus erros, procuram culpados a todo momento, sentem-se vítimas
dos acontecimentos;
·
Levam tudo para o lado pessoal - geralmente são
pessoas que se o chefe dizer que o relatório não está legal ou o colega de
trabalho disser coisas que não elas não querem ouvir vão levar para o lado
pessoal e não para o profissional;
·
Não respeitam opiniões diferentes da sua -
geralmente são pessoas que se acham donas da verdade e fechadas.




