segunda-feira, 17 de agosto de 2026

COMO GERENCIAR EMOÇÕES E SENTIMENTOS

Quais as Práticas Mais Eficazes Para Obter o Autoconhecimento? Por Que Acreditamos em Crenças? Que Perguntas o Profissional Deve Fazer Sobre Si Mesmo Para Alcançar o Autoconhecimento? O Que São Crenças Limitantes?

 


 

Gerenciar emoções e sentimentos exige do gerente bom autoconhecimento, grande aceitação e regulação. E, o mais importante, é a não supressão dos sentimentos. Dessa forma, o profissional deve procurar identificar e nomear o que sente, respirando fundo para criar um espaço entre o estímulo e a resposta e, principalmente, aceitar as emoções sem julgamentos. Então, aprender a lidar com as próprias emoções é um processo que envolve várias etapas de autoconhecimento. Assim, veja abaixo as práticas mais eficazes para o dia a dia:

 

1) Aceite o Que Você Está Sentindo: Qualquer pessoa em algum momento da vida já sentiu raiva de pai, mãe, irmã, irmão, filho ou filha, mas o que todos devem ter em mente é que sentir raiva numa determinada ocasião é normal. Mas então, o que fazer com essa emoção/sentimento é o “X” da questão. Você pode até achar errado sentir raiva de seus familiares, pensar que isso não é correto, mas a verdade é que você sentiu raiva e pronto. Então, o primeiro passo é aceitar o que se sente e respeitar isso.

 

2) Faça Uma Análise do Que Você Está Sentindo: Vamos supor que você esteja triste com sua namorada por achar que ela nunca está com você, na maioria das vezes que você precisa. Será que nesse caso você não está criando expectativas demais em relação a ela? Querendo ou não, muitas vezes você estará com raiva de si mesmo, por não aceitar sua namorada do jeito que ela é, mas o ideal é que você faça uma reflexão com relação ao seu relacionamento. Será que você não está fazendo cobranças desnecessárias? Será que ela faz isso porque quer? Você já conversou com ela sobre o que sente? Dessa forma, assuma a sua tristeza, lembrando-se de que você é 100% responsável por sua tristeza e tenha em mente que ela e outras emoções nos trazem mensagens do que estamos fazendo com nós mesmos.

 

3) O que Fazer Com Essa Emoção: Agora que você já sabe o que está sentindo, o que fazer? Tome uma atitude e fale o que pensa, mas, claro, tome cuidado para não machucar ninguém com suas palavras. Demonstre sua emoção e sinta-a, pois, somente canalizá-la fará mal a você mesmo. Caso não faça isso, não estará finalizando o ciclo e não estará encaminhando corretamente, apenas estará internalizando sua TRISTEZA e isso não vai resolver o problema, muito pelo contrário, só vai aumentá-lo. No caso em questão, você poderá seguir alguns passos:

 

·        Converse com a pessoa a respeito do que você está sentindo;

·        Fale com ele (a) dos seus medos;

·        Mostre o quanto ele (a) é importante em sua vida;

·        Converse com alguém de sua confiança sobre o que está sentindo: mãe, pai, irmã, irmão, amigos etc.

 

Caso você não consiga resolver a situação com os passos citados acima e você perceber que a TRISTEZA está fora de controle, o melhor a se fazer é procurar um profissional: terapeuta ou psicólogo.

 

 

AUTOCONHECIMENTO

 

Autoconhecimento é a nossa capacidade de compreender a si mesmo, reconhecendo as emoções, os pensamentos, valores, forças e fraquezas. É uma jornada contínua de investigação interior que permite fazer escolhas alinhadas com sua essência, lidar melhor com os desafios e desenvolver relações mais saudáveis. A ideia é identificar suas características principais, seus gostos, comportamentos, habilidades, qualidades, limitações, defeitos, pensamentos e emoções vivenciadas, sejam elas positivas ou negativas. Esse autoconhecimento ajuda na tomada de decisão, autoconfiança, motivação, planos, definição de objetivos e metas com mais eficiência. Mesmo para quem nunca buscou se conhecer profundamente, é possível buscar o autoconhecimento fazendo-se algumas perguntas. E, se fizer as perguntas certas, você terá um bom conhecimento de si mesmo (a) e passará a refletir mais e mais sobre você. Abaixo, alguns exemplos práticos de perguntas:

 

·        Quais são as minhas forças e as minhas fraquezas?

·        Quais são as minhas habilidades?

·        Quais são os meus objetivos pessoais e profissionais?

·        Qual a minha visão de futuro?

·        O que me faz feliz ou triste?

·        Como eu me sinto com relação à vida que tenho?

·        Como eu me sinto emocionalmente?

·        Tomo decisões usando o meu lado emocional ou racional?

·        Sou uma pessoa calma ou explosiva?

·        Sou uma pessoa ansiosa?

·        Como eu enxergo a mim mesmo (a)?

 

 

O QUE SÃO CRENÇAS?

 

As crenças são percepções e verdades internas que moldam como interpretamos a realidade, nós mesmos e o mundo. Elas guiam nossos comportamentos, sentimentos e tomadas de decisão. Podem ser fortalecedoras ou limitantes, baseando-se em experiências de vida, cultura ou aprendizados. Assim, compreender o papel das crenças é fundamental para o desenvolvimento pessoal e emocional, e elas são divididas em três (3) categorias principais:

 

·        Identidade: Quem você acredita ser (ex.: "Sou inteligente", "Não tenho capacidade de liderança").

·        Capacidade: O que você acha que consegue (ou não) fazer.

·        Merecimento: A percepção do que você julga merecer alcançar ou receber na vida

 

As crenças são instaladas através da repetição do que vimos, ouvimos e sentimos ou, outras vezes, elas se instalam nas nossas mentes através do que vimos, ouvimos e sentimos por forte impacto emocional. Existem alguns tipos de crenças que se instalam em uma pessoa durante a sua trajetória de vida:

 

·        Crenças Hereditárias: São representadas por tudo aquilo que uma pessoa ouve, observa e sente com relação aos pais e em seu núcleo familiar. Exemplos de frases que ouvimos durante nossa infância que podem se transformar em crença hereditária: “Você não faz nada direito; “Você deixa tudo pela metade”; “Você nunca vai conseguir ser ninguém na vida”; “ Seu irmão é muito melhor do que você”; “Você é burro”. Então, você deve ter muito cuidado com que fala com as crianças, pois até os 7 anos elas não sabem filtrar as informações e as crenças instaladas nesta idade podem acarretar em feridas emocionais e prejudicá-la na vida adulta.  

·        Crenças Sociais: São aquelas crenças populares impostas pela mídia ou pela própria sociedade, as quais estão normalmente contidas em frases como: “O mundo é perigoso”; “Os ricos são mais felizes”; “Você só será aceito (a) se for magro (a)”. Essas crenças são reforçadas pelas instituições e círculos de amizades, mas a pergunta é: De fato o mundo é um lugar perigoso? Todos os lugares do mundo são perigosos? - Generalização. Os ricos são mais felizes? Quantos ricos você já ouviu falar que sofrem de depressão? – Generalização. Você só será aceito se for magro (a). Por que isso é uma verdade? Quantas pessoas não são magras e são aceitas?

·        Crenças Pessoais: São criadas com base nas experiências individuais de cada um e, apesar de a maioria ter origem hereditária, essas crenças só se tornam verdade porque são validadas pelas experiências pessoais. Exemplo: Você foi demitido (a) do trabalho ou não passou na prova do vestibular; você pode se culpar dizendo que é incapaz, burro (a) ou que não faz nada direito e por isso foi demitido (a).

·        Crenças Limitantes (Negativas): Muitas vezes, cultivamos crenças limitantes (verdades restritivas e inconscientes) que atrapalham o alcance das metas e bem-estar. Exemplos: “Eu não sou bom o suficiente para alcançar os meus sonhos”; “Não consigo aprender ou não sou capaz de fazer isto, não tem jeito”; “Eu não sou inteligente”; “Não sei fazer nada direito”; “Nunca vou chegar a esse nível”.

- Como Ressignificar as Crenças Limitantes? (A) Identifique sua (s) crença (s) limitante (s); (B) Investigue e reflita sobre as causas; (C) Faça questionamentos e busque informações; (D) Adote crenças fortalecedoras.

·        Crenças Fortalecedoras (Positivas): Essas nos impulsionam e nos ajudam, funcionando como uma alavanca para conseguirmos alcançar nossas metas e objetivos. Exemplos: “Se eu quero, então eu consigo fazer”; “Sou bom e vou fazer meus sonhos virarem realidade”; “Sou uma pessoa inteligente”; “Sou uma pessoa bonita”; “Tenho capacidade de aprender coisas novas”.

  

 

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Dobrando o Mundo Com Ptolomeu Revivido e Revisto




O bloqueio das rotas terrestres redundou numa dádiva do Céu, pois impelidos por novos caminhos marítimos, os europeus descobriram rotas para toda a parte ([1]). A ciência cartográfica começou a florescer no mar e, essa necessidade, desviou o interesse dos geógrafos do atacado para o varejo. Sendo assim, a geografia cristã se tornou um empreendimento cósmico, muito mais interessado em todos os lugares do que em qualquer lugar, mais preocupado com a Fé do que os fatos. O marinheiro que não encontrava muita ajuda na “caixinha perfeita” do Universo precisava conhecer a exata localização de rochedos, bancos de areia pertos dos portos de Atenas ou Roma e saber encontrar o caminho livre entre as pequenas ilhas do Mar Adriático. Durante o interregno do conhecimento geográfico europeu, marinheiros e viajantes foram acumulando informações a respeito do Mediterrâneo as quais lhes facilitariam o caminho e tornariam a passagem mais segura e rápida. No século V a. C. marinheiros do Mediterrâneo anotavam as suas experiências de marcos terrestres, características costeiras e outros fatos úteis.

Essas anotações se chamavam “périplo” (“navegar à volta”) e nós chamamos de “guia da costa”. O mais antigo desses périplos foi feito por Scylax, onde as suas instruções de navegação descrevem os perigos do Mediterrâneo; isto é, a melhor maneira de ir da ponta oriental até a boca do Nilo, no Egito ou às Colunas de Hércules em Gibraltar. Decorreriam muitos séculos antes de os marinheiros serem letrados e, até lá, não houve mercado para um texto escrito. No entanto, era difícil fornecer uma imagem útil da costa marítima, porque a cartografia continuava primitiva. A passagem mais curta e segura de um ponto para outro, além de ser um segredo profissional do marinheiro também era um segredo de Estado, pois constituía a oportunidade capaz de enriquecer uma cidade ou um império.

Portanto, não surpreende que os guias da costa manuscritos fossem poucos. Não chegou até nós nenhuma carta marítima de todo o período do século IV ao XIV. Nessa época de analfabetismo disseminado, os marinheiros transmitiam seu saber por via oral e, a partir de 1300, encontramos cartas marítimas do Mediterrâneo que proporcionaram pormenores úteis nos antigos périplos. Enquanto os guias antigos eram textos escritos que descreviam as condições de navegação, os guias posteriores passaram a ser as cartas. Estas cartas costeiras do Mediterrâneo são os primeiros e verdadeiros mapas, porque foram os primeiros a reproduzir uma parte considerável da superfície da Terra a partir de observações próximas que podemos chamar de “científicas”. Se tornaram conhecidas pelo seu nome italiano “portolanos” ou “guias de porto”. Apesar da sua origem humilde os portolanos foram fonte das informações mais merecedoras de crédito que viria a encontrar-se nos atlas impressos, até meados do século XVI. Os pioneiros da cartografia moderna encontraram pouco que lhes fosse útil em todas as especulações de teólogos cristãos, mas aproveitaram muitas das verificações de marinheiros práticos.

Em 1595, os portugueses – principais navegadores do Mundo – ainda se guiavam pelos contornos costeiros, pelas sugestões e pelos acautelamentos de marítimos que tinham compilado cartas marítimas dois séculos antes. Esses profissionais posteriores – dotados de grande poder de observação – perdiam suas faculdades críticas quando se aventuravam em terra. Os guias costeiros ou deixavam o interior em branco ou salpicavam-no de boatos. Foi na orla marítima – onde os contornos da terra eram postos à prova pela experiência de todos os dias – que nasceram as verdades vivas da cartografia moderna. Mas existiam ainda outras razões para que o mar fosse o viveiro das cartas científicas e precisas da Terra, pois os teólogos cristãos colocavam o Jardim do Éden no alto dos seus mapas. As Escrituras declaravam que existiam seis partes e, para esses teólogos, a Terra deveria ser composta de seis sétimos cobertos de terra e apenas um sétimo de água.

Sendo assim, os mares seriam apenas um elemento menor no seu esquema e na Idade Média – e durante todos os séculos antes da imprensa – essas fontes se acumularam. Chegar à Ásia por mar – partindo dos países mediterrâneos – significava trocar o mar fechado pelo mar aberto. As viagens mediterrâneas eram constituídas por navegação costeira, o que significava depender da experiência pessoal desses lugares específicos como ventos, correntes, pontos de referência terrestres e silhuetas de montanhas. Para além das Colunas de Hércules encontravam-se problemas novos. Quando os navegadores portugueses avançaram para sul pela costa da África abaixo, eles deixaram para trás suas referências terrestres familiares e, quanto mais desciam, mais eles se afastavam dos pormenores tranquilizadores. Não havia experiência acumulada nem guias práticos.

Quando uma costa marítima era pouco conhecida, os habitantes eram hostis e os perigos pouco assinalados nas cartas, a latitude era a melhor – e algumas vezes – a forma de definir a posição de um navio e, por isso mesmo, os navegantes tinham de aprender a determiná-la. Ao princípio, sabiam calculá-la pela altitude da Estrela Polar, mas à medida que avançavam para o sul, ela descia e eles tinham de utilizar tabelas de declinação com um astrolábio marítimo ou um quadrante, a fim de observarem a altitude do Sol ao meio-dia. Mas, no início do século XVI as cartas marítimas começaram a apresentar escalas de latitude e, gradualmente, inúmeros pontos da costa africana ficaram com a sua latitude definida. Esses auxiliares de navegação fomentaram a navegação para sul e norte, mas como vimos anteriormente, a definição da longitude para medir distâncias Leste-Oeste seria muito mais complicada.

Os marinheiros continuavam dependendo daquilo que poderíamos chamar de “cálculo de olho”; ou seja, calculavam a posição sem observação astronômica, avaliavam a distância viajada a partir de uma posição previamente determinada. O mapa cristão T-O de pouco servia aos europeus que procuravam uma passagem para o Oriente (Índias). Os soberanos europeus e os patrocinadores tiveram de trocar o ponto de vista teológico pelo dos navegadores marítimos e, dessa forma, Jerusalém não ficaria mais situada no centro, o Jardim do Éden foi relegado a outro mundo e, no lugar de ambos, apareceu a Geometria da latitude e da longitude.

Aqui entrou o grande Ptolomeu e foi precisamente nessa altura, quando a cortina da terra caiu através das rotas terrestres europeias para o Oriente, que a Geografia de Ptolomeu foi reavivada para reformar o pensamento dos cristãos europeus. Se existe uma relação entre esses acontecimentos, não sabemos; mas, a coincidência foi fecundada para o futuro do Mundo. Quando recomeçaram as perseguições aos Judeus em Aragão, o filho de Abraham Jehuda foi obrigado a emigrar e, aceitando o convite do Infante Dom Henrique (o Navegador), refugiou-se em Portugal, onde ajudou os Portugueses a elaborar os mapas e as cartas para suas jornadas ultramarinas.

Não foi por acaso que os Judeus desempenharam papel importante na libertação dos europeus da escravatura da geografia cristã. Empurrados de lugar para lugar ajudaram a transformar a Cartografia, oferecendo fatos válidos em terras de todas as fés. Marginais para os cristãos e muçulmanos, os Judeus se tornaram professores e emissários e trouxeram o saber árabe para o Mundo cristão. O atlas catalão tinha o objetivo proporcionar um mapa-múndi; isto é, uma imagem do mundo, das regiões da Terra e das várias espécies que a habitam. Ele expressava os interesses dos navegantes europeus da idade da terra que se aproximava do fim.

A extensão Leste-Oeste – que era o centro do seu mundo – era representada em 12 folhas montadas em tábuas que se fechavam como um biombo. Esses mapas não mostravam a Europa setentrional, a Ásia setentrional e a África meridional, mas mostrava o Oriente e o pouco que se conhecia do Oceano ocidental. Em contraste com os mapas cristãos eram um triunfo do empirismo. Por mais primitivo que possa parecer aos olhos modernos, o atlas catalão foi uma obra-prima do espírito empírico, pois muitos dados que constavam nos mapas durante todos os séculos cristãos estavam omitidos. O maior gesto de domínio do cartógrafo era deixar partes da Terra em branco e, fiel ao espírito portulano, o atlas catalão deixa de escrever vastas regiões do Norte e do Sul. Contudo, a descoberta e a delineação da Terra não podiam ser feitas somente com o espírito empírico, sem qualquer suporte para ajudar. Nesse aspecto, foram essenciais os conceitos estéticos de Ptolomeu. Como os autores de portulanos, ultrapassara a ideia homérica de um oceano totalmente circulante envolvendo terra e mar. A grande contribuição de Ptolomeu foi o espírito científico quantitativo. O seu esquema de latitude e longitude era uniforme e universal e, qualquer dos mapas feitos conforme as suas recomendações, seriam precisamente iguais.

As coordenadas que ele fornecia não dependiam do tamanho da folha ou da área específica mapeada. No primeiro livro da sua “Geografia”, em que ele fornece instruções quanto é confecção de mapas, explora o problema da transposição de uma superfície esférica – a Terra – para uma superfície plana de pergaminho. Aí ele explica a necessidade de indicar paralelos de latitude e meridianos de longitude. E, portanto, a revivescência de Ptolomeu significaria o despertar do espírito empírico. Agora os homens passariam a utilizar a sua experiência para medir toda a Terra, para distinguir o conhecido do desconhecido e para designar lugares acabados de descobrir. Daí a redescoberta de Ptolomeu foi um acontecimento da revivescência de saber que assinalou a Renascença um prólogo do mundo moderno. No início do século XIII chegaram os manuscritos da Geografia de Ptolomeu em língua grega, mas como a faculdade de ler grego era rara, o conhecimento da sua obra só pode se difundir após a sua tradução para o latim. A 1ª versão impressa dessa tradução em latim apresentava apenas textos.

Os estudiosos modernos se sentiram intrigados quanto ao que terá acontecido à obra de Ptolomeu durante grande interregno. Parece agora provável que só o 1º livro teórico da Geografia subsiste na forma como Ptolomeu escreveu, pois os livros restantes – incluindo as listas das cidades localizadas pelo sistema e os mapas – parecem ter sido compilados ao longo dos séculos por estudiosos bizantinos e árabes. Embora a teoria de mapear de Ptolomeu estivesse correta, os mapas que tinham aparecido anexos à sua Geografia continham alguns erros capitais que moldariam o futuro da exploração do Mundo. Por exemplo, a grosseira subestimação de Ptolomeu da circunferência da Terra e a grosseira superestimação da extensão da Ásia para leste se combinaram para dar a ideia de que a Ásia se encontrava muito mais perto da Europa – via oceano ocidental – do que na realidade estava.

Antes de os navegadores europeus poderem aceitar o desafio que lhes era feito pelo encerramento das passagens terrestres para a Ásia, esta parte sul-africana do mapa do Mundo de Ptolomeu tinha que ser revista. Na realidade, o próprio significado de “oceano” teria de ser modificado, pois àquele tempo, os Europeus estabeleciam uma distinção profunda entre o oceano e um mar (Mare). Havia de fato apena um oceano que, na mitologia grega, era “Oceanus”, a grande corrente de água circular que supostamente envolvia o disco da Terra. Daí que, em inglês, até o ano de 1650, o grande mar exterior – de extensão ilimitada – fosse chamado de “Ocean Sea” (Mar Oceano) e o oposto ao mar interior de Mediterrâneo, ou a outros mares interiores. Em meados do século XV alguns mapas do Mundo feitos na Europa mostravam a África como uma península solta e o oceano Índico como um mar aberto, onde se podia entrar por água à volta do continente africano, a caminho da Índia e da China.

Essas aberturas nas mentes – e nos mapas – ocorreram décadas antes de termos conhecimento de que alguns europeus dobravam realmente o cabo para o recém-descoberto Oceano Índico. Por exemplo, no famoso “Planisfério” de Frei Mauro (1459) a projeção de toda a esfera da Terra num círculo plano foi o último dos grandes mapas medievais. Em certo sentido, esse mapa é também um dos primeiros mapas modernos, pois já não mostra o oceano como um caminho proibido para lado nenhum, mas sim como uma estrada real marítima para as Índias. Ele apresenta os seus respeitos a Ptolomeu, mas explica que para obedecer ao esquema de latitude e longitude do mestre tem de lhe modificar alguns dos mapas e acrescentar-lhes lugares desconhecidos no seu tempo. Desse modo, justifica o preenchimento de algumas áreas que Ptolomeu rotulara de “Terra Incógnita”.

Esta abertura do oceano ainda não tinha sido comprovada pela experiência dos navegadores e, na verdade, ela continuava a ser especulativa, baseada em boatos e narrativas trazidas por viajantes terrestres. Mesmo depois do colapso do Império Mongol, quando a rota direta que partia da Síria e atravessava a Ásia, já não estava protegida para os Europeus, os mercadores de Veneza não quiseram desistir do seu comércio com o Oriente. Tentaram manter um tráfego próspero de mercadorias da Ásia pelo controle dos caminhos que seguiam para sudeste, por terra, atravessando o Egito, depois do Mar Vermelho e o Golfo de Adem e atravessando em seguida o Mar Arábico. Mesmo depois de alguns dos mais famosos mapas do Mundo mostrarem um caminho marítimo para as Índias, contornando a África, as antigas imagens ptolomaicas da África continuaram a circular. Até iniciar a era das descobertas marítimas, os velhos mapas de Ptolomeu continuariam a ser o padrão. Os atlas mais recentes reclamavam nas páginas de título de terem sido elaborados segundo os mapas originais de Ptolomeu.

O advento da imprensa modificaria não só o conteúdo, mas também a circulação e os usos do conhecimento geográfico. Porém, os efeitos não foram inteiramente progressistas. Com o advento da imagem impressa, da gravação em madeira e metal, não foi por acaso que foram os metalúrgicos, os ourives e os pintores alemães que optaram pela calco gravação. Os pesados investimentos dos editores de atlas nas suas chapas ajudaram a manter os mapas mais antigos em circulação e, nem sempre, como meros fac-símiles históricos.

Mesmo depois de as recentes descobertas geográficas terem tornado essas chapas obsoletas, elas eram usadas alguma vezes juntamente com mapas mais modernos, que as contradizem. As pessoas que tinham dificuldade em se acostumar à ideia de que era possível navegar à volta da África e desembocar num Oceano Índico aberto podiam continuar a tranquilizar-se com a imagem familiar dada por Ptolomeu, pois a representação de uma África peninsular e um oceano aberto feita por Frei Mauro continuava a ser tosca e parecia fantasiosa. A abertura do Oceano Índico foi a 1ª revisão europeia de Ptolomeu capaz de abalar o Mundo e, nos séculos seguintes ao encerramento das rotas comerciais terrestres para o Oriente, Ptolomeu seria revisto de outras maneiras. O mundo de Ptolomeu teria de ser prolongado na direção norte e noroeste, acrescentando-se todo um novo mundo entre a Europa e a Ásia. Assim, o espírito científico de Ptolomeu, a sua admissão de ignorância e a sua defesa da latitude (e longitude) encorajaram cartógrafos e navegadores.

 

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([1])  O tempo de ativo tráfego terrestre entre as extremidades da Terra não durou muito, pois o último arcebispo de Pequim (nomeado pelo Papa em 1333) parece nunca ter chegado ao seu destino, uma vez que os caminhos por terra para o Oriente foram abruptamente encerrados pelos chineses, decorridos apenas um século (N.A.)



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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

COMPETÊNCIAS



Conforme o dicionário competência é a faculdade para apreciar e resolver muitos assuntos. As competências humanas (ou soft skills) são habilidades comportamentais, emocionais e sociais que definem como os indivíduos interagem com outros e lida com desafios sociais e profissionais. Atualmente vivenciamos a Era da Automação e da Inteligência Artificial e as competências humanas se tornaram o principal diferencial, em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e na vida pessoal cada vez mais atribulada. Assim sendo, exige-se dos indivíduos a posse de várias capacidades nas áreas em que se diz competente e, por isso, é fundamental o autoconhecimento, a experiência, o auto investimento e o desenvolvimento em determinados segmentos, antes de intitular-se detentor da competência deste assunto em questão. 

Vamos pensar nas empresas ou nos contextos profissionais, onde o indivíduo precisa desenvolver maiores e diferentes formas de se manter no emprego. Hoje em dia, muitas organizações esperam que o profissional desenvolva competências em diversas áreas, isto é possível, embora, na maioria das vezes, não seja essencial ao sucesso profissional. Quando o profissional é competente e agrega a isto um aprimoramento constante de habilidades – mantendo-se atualizado quanto ao mercado e sobre as exigências deste, quanto ao perfil do profissional atual – torna-se de grande valor e muitas vezes é até disputado pelas organizações.

 

Competência e/ou Habilidade?

 

É muito natural que a experiência e o domínio numa determinada área proporcione segurança, confiança, facilidade de adaptação e aprendizagem, base para a pró atividade, criatividade e inovação. Logo, a competência favorece o desenvolvimento de diversas habilidades, oferecendo um campo fértil para uma carreira mais sólida ao indivíduo, em uma trajetória de sucesso. É importante entendermos que o sucesso – em qualquer segmento da nossa vida – tem como base o desejo e o estímulo ao crescimento. A ambição é uma perspectiva positiva e que compõe a atitude de um bom profissional, porque o mantém numa busca contínua por melhorar-se e aprimorar-se, gerando resultados produtivos e, como se pode observar, Competências e Habilidades estão diretamente ligadas ([1]). Atualmente, as competências mais valorizadas nos profissionais a incluem:

 

·        Inteligência Emocional: A capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as dos outros, permitindo relacionamentos saudáveis e um ambiente de trabalho colaborativo.

·        Comunicação Assertiva: Expressar ideias de forma clara, empática e objetiva, sabendo também praticar a escuta ativa.

·        Pensamento Crítico: Analisar informações complexas, questionar premissas e tomar decisões conscientes, algo que as máquinas não fazem por si sós.

·        Adaptabilidade e Resiliência: A capacidade de se ajustar rapidamente a novas mudanças e de se recuperar de situações de adversidade ou estresse.

·        Colaboração e Empatia: Trabalhar em equipe de maneira sinérgica, respeitando a diversidade e compreendendo a perspectiva dos colegas.

·        Aprendizado Contínuo: O compromisso constante em atualizar-se e adquirir novos conhecimentos.

 

O desenvolvimento dessas capacidades é fundamental para quem busca crescimento na carreira e, segundo especialistas, o foco atual das empresas tem sido a contratação e requalificação profissional (upskilling) baseada nessas aptidões interpessoais e intrapessoais.

 

Competências Interpessoais

 

“Porque é tão difícil as pessoas entenderem claramente o que penso ou as minhas ideias? ” Essa questão incomoda e nos faz refletir diante do desafio da convivência humana e de nos relacionarmos com as mesmas. Na busca constante da conquista pela competência, o primeiro momento é a competência técnica, mas o convívio em grupo nos desperta a necessidade de desenvolver outra competência, que envolve interação em situações de trabalho ou de atividades, exigindo de todos os indivíduos envolvidos nesse processo de interação. A comunicação como forma comum na interação humana, mesmo que seja verbal ou não verbal, é importante no processo de interação, na busca do entendimento, de entender e ser entendido requer esforços, conhecimentos, convivência com o outro, mas a percepção, o autoconhecimento e a auto percepção nos facilitam auxiliar no conhecimento, no convívio com o outro e compreender outro com suas diferenças individuais. O relacionamento interpessoal é e sempre será muito complexo, pois somos indivíduos com sentimentos, emoções, necessidades e por isso, quando nos relacionamos com as pessoas, podemos simpatizar sentir atrações, antipatizar, competir e nos afeiçoar. Essas reações constituem o processo de interação pessoal.

A competência técnica para desenvolver se busca em cursos, especializações, experiência e conhecimento literário específico, mas o desenvolvimento da competência interpessoal está na meta primordial no treinamento de laboratório, ou seja, na vivência dos contextos do dia a dia. Os componentes da competência interpessoal são a percepção e a habilidade. A percepção precisa ser treinada, que nos faz trocar através de técnicas, vivências e jogos, com uso de exercícios, de receber e dar opinião, proporcionando o crescimento pessoal com a auto percepção, auto aceitação, autoconhecimento, instrumento esse que possibilita a percepção real dos outros e da relação interpessoal vivenciada por nós. A habilidade engloba a flexibilidade perceptiva e comportamental onde se vê a situação de vários ângulos e atuamos de forma criativa, inovadora e não rotineira, assim permite ao indivíduo o desenvolvimento da capacidade criativa e o menos convencional e a habilidade de dar e receber opinião com a finalidade de se construir um relacionamento interpessoal autêntico.

O relacionamento também é considerado como um dos componentes, pois se refere a compreender a questão humana dos indivíduos, envolvidos e integrantes no grupo, a dimensão emocional-afetiva, que não podemos esquecer-nos de destacar o conteúdo cognitivo e a relação afetiva no relacionamento interpessoal, o equilíbrio desses componentes, fará com que o relacionamento humano, de maneira a lidar com as diferenças individuais cria-se um clima entre as pessoas, podendo o relacionamento interpessoal torna-se autêntico, duradouro e harmonioso. A Competência Interpessoal desenvolvida favorece aos integrantes de um grupo e ao relacionamento interpessoal satisfatório, quando for exercida tais atitudes:

 

·        Respeito às diferenças individuais (aceitação do eu e o outro);

·        Comunicação efetiva;

·        Feedback (produtivo, dar e receber);

·        Controle emocional (equilíbrio);

·        Autoconhecimento (auto percepção, auto aceitação, autocrítica);

 

Começamos a perceber que, quem não sabe dialogar prejudica o desenvolvimento dos outros e de si mesmo, tende a reter informações, subestimar os participantes do grupo e incentivar o individualismo. A questão fundamental é que o relacionamento com outras pessoas, passe primeiro pelo relacionamento consigo mesmo. Assim, a Competência Interpessoal requer uma capacidade de percepção, de auto percepção e de autocrítica. Quem segue num grupo sem olhar para si, tende a abandonar-se e abandonar os outros e o grupo.

 

Competências Intrapessoais

 

Muitas vezes ouvimos a seguinte frase: Conviver é uma arte! Não é verdade? Sim, desde sempre, nas mais diversas sociedades, a convivência sempre foi um desafio. A busca pelo equilíbrio entre as afinidades, a atração pela falta delas (o diferente), interesses comuns, enfim uma infinidade de razões e emoções entram em jogo. A ideia de desafio foi levada a sério, haveria então a necessidade de uma competência, uma habilidade que solucionasse ou avaliasse um determinado conflito. Foi Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard, que relacionou as múltiplas inteligências do indivíduo, quem classificou entre essas a inteligência Intrapessoal e Interpessoal, já comentada na aula anterior.

O relacionamento intrapessoal refere-se à capacidade do indivíduo de conhecer a si mesmo, controlar suas emoções, administrar seus sentimentos, projetos, podendo assim construir um modelo de si mesmo e utilizar esse modelo a favor de si na tomada de decisões. Este relacionamento permite que o indivíduo conheça suas capacidades e possa usá-las da melhor forma possível. Supõe a capacidade de compreender a si mesmo, de ter um modelo útil e eficaz de si, que inclua os próprios desejos, medos e capacidades de empregar esta informação com eficiência na regulação da própria vida.

Manifestam-se positivamente em pessoas possuidoras de boa autoestima e capazes de boa interação. Diretamente relacionada ao autoconhecimento, é a habilidade de controlar e administrar suas emoções e sentimentos. Esse conhecimento e autocontrole trabalham em favor do indivíduo, são ferramentas eficazes e positivamente manifestadas em pessoas com elevada autoestima e que interagem com facilidade. O reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprias é a capacidade para formular uma imagem precisa de si própria e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. 

Assim, a expressão intrapessoal é a nossa relação com os nossos sonhos, desejos, angústias, aspirações, emoções e tudo que se refere aos nossos próprios sentimentos, sejam eles, positivos ou negativos. É a partir desses estímulos internos, que nos relacionamos com o externo. É da “conversa” que consigo ter comigo e do conhecimento real das minhas emoções que exteriorizo, ou seja, que comunico verbal (fala) ou não verbal (gestos e expressões corporais) e estabeleço meus elos, meus relacionamentos com as pessoas. O oposto ao sentimento de conflito é a harmonia, um estado de ordem, simetria, acordo e conformidade. Pondo em ordem minhas emoções, entram em acordo com a vida e transmito um estado de paz.

 



([1])  ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012.


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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Aspectos Culturais e Geopolíticos no Oriente Médio

Quais São as Três Matrizes Religiosas de Grande Expressão Que Surgiram no Oriente Médio? Por Que Árabes Muçulmanos Entram em Conflito Com Judeus Israelenses? Quais São os Verdadeiros Motivos Desses Conflitos? Quais os Impactos Mundiais Desses Conflitos?

 

 




Assim como o continente africano, o Oriente Médio é de uma riqueza étnica e religiosa tão grande que seria impossível abranger aqui todas as suas especificidades. Essa região do planeta é composta por países como Arábia Saudita, Bahrein, Chipre, Egito, Emirados Árabes, Israel, Irã, Iraque, Afeganistão, Jordânia, entre outros, em uma área que se estende desde a Turquia até o Afeganistão. Historicamente, essa é uma das regiões mais antigas habitadas pelos seres humanos; ou seja, muitas das passagens da Bíblia cristã se passam neste território. Essa região pode ser considerada o berço do surgimento de três matrizes religiosas de grande expressão no mundo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. A maior parte da população é formada por árabes, havendo presença de outras etnias, a exemplo dos Judeus no estado de Israel. Ouvimos falar muito em alguns dos países do Oriente Médio por meio dos noticiários, sobretudo quando o assunto é conflito, ora aqueles relacionados à questão religiosa, ora relacionas ao petróleo. A questão gira em torno de como compreendemos esses fenômenos. Mas, por que esta região do globo é tão conflituosa?

Quando o conflito se dá por motivos religiosos entre árabes muçulmanos e judeus israelenses, parece mais fácil de compreendermos, talvez porque sabemos que as duas religiões acreditam em deuses diferentes e se manifestam de formas diferentes. Mas, vimos durante a operação militar estadunidense no Iraque, sobretudo mais recentemente, que árabes muçulmanos acabam entrando em conflito entre eles. Por que isso acontece?

Para os Muçulmanos, Alá é o verdadeiro Deus e Maomé o profeta. Desde a morte deste último, a religião muçulmana se dividiu em duas formas de organização político-religiosa: os xiitas e os sunitas. Os xiitas sempre foram considerados pelos estudiosos como sendo aqueles que fazem uma leitura mais ortodoxa e/ou radical de sua bíblia sagrada (o Corão Sagrado ou Alcorão), enquanto que os sunitas teriam uma leitura mais branda e um segundo livro de leis, a Suna. No mundo Árabe, os xiitas são encontrados na grande maioria apenas no Irã e no Iraque, enquanto que os sunitas são maioria em todos os outros países. Esses últimos são considerados, também, os responsáveis em disseminar a religião muçulmana pelo mundo. Assim, em países como o Iraque, considerando as fortes influências políticas, econômicas e culturais do mundo ocidental (caso do neocolonialismo e da recente operação militar estadunidense na região) essas divergências são intensificadas, gerando conflitos entre as duas representações.

 

Os Verdadeiros Motivos do Conflitos

 

Quando nos baseamos apenas pelos noticiários, podemos ter a impressão de que todos os conflitos existentes nos países árabes e muçulmanos, ou até africanos, ocorrem por causa de suas diferenças étnicas e/ou religiosas. A democracia, de origem ocidental (como conhecemos no Brasil, com eleições diretas para presidentes, entre outras características), parece não se consolidar em um país como o Iraque, justamente porque há tensões entre xiitas e sunitas. Mas seriam estes os reais motivos? Que outros fatores contribuem para gerar determinadas tensões no Oriente Médio? Para muitos estudiosos há dois grandes fatores territoriais que geram tensão em países do Oriente Médio: a água (o ouro azul) e o petróleo (o ouro negro). Sabemos que a água é um recurso renovável, porém mal distribuído, no Planeta. Para citar duas importantes fontes de recursos hídricos no Oriente Médio, que servem para consumo humano (consumo doméstico, irrigação, entre outros), podemos trazer as Bacias Hidrográficas do Rio Jordão (situada entre os territórios de Israel, Síria, Líbano e a Jordânia), e do Rio Tigres e Eufrates (tendo maior área de abrangência no Iraque, mas cuja disputa se dá entre países como Turquia e Síria).

O mundo assiste aos conflitos entre árabes muçulmanos e judeus desde os anos de 1950, para além de questões religiosas e pela independência política de ambas as representações, a posse da água pode ser considerada um motivo estratégico para conflitos, uma vez que assentamentos e vilarejos judeus e muçulmanos disputam espaços às margens do Jordão. O território reivindicado pelos Curdos, na fronteira com a Turquia, Síria e Iraque nunca foi concedido, pior do que isso, por muito tempo o povo Curdo vem passando por inúmeros atentados contra seus Direitos Humanos. Um dos detalhes a serem considerados é o fato de esse território reivindicado estar nas áreas das nascentes do Rio Tigres e Eufrates; não estaria aí um fator relevante para tensões geopolíticas na região? O petróleo, sem dúvida nenhuma, pode ser considerado um dos principais motivos para intervenções internacionais na região. Os conflitos no Oriente Médio geram mudanças nos preços dos produtos derivados do petróleo, o que é ruim para a economia dos países ocidentais. Veremos abaixo o percentual referente às reservas de petróleo por regiões:

 

·        Ásia / Pacífico: 4,2%

·        América do Norte: 5,5%

·        África: 8,9%

·        América Central e do Sul: 8,9%

·        Europa e Eurásia: 9,2%

·        Oriente Médio: 63,3%

 

Fonte: https://sosdoaquecimento.blogspot.com/2012/11/paises-emergentes-grafico.html?m=1

 

Considerando os dados apresentados na projeção acima, podemos considerar – ou não – o petróleo como um dos mais importantes motivos de intervenção internacional no Oriente Médio? Tal fato poderia nos ajudar a entender conflitos como a Guerra do Golfo (ocorrida em 1991), a operação militar no Iraque desde 2003, entre outras.

 

Os Conflitos Territoriais e os Impactos Mundiais

 

Certamente, as pessoas devem se perguntar se algum dia haverá paz no Oriente Médio. Talvez essa seja a pergunta que nos deixa ainda mais curiosos em compreender melhor a região. Você acredita que a verdadeira paz – ou seja, a inexistência de conflitos econômicos, políticos, culturais, entre outros – possa existir na Nova Ordem Mundial? Quando se tratam de dois grandes antagonistas como os judeus e os árabes muçulmanos, talvez essa resposta ainda esteja um pouco distante. Os judeus (antigos hebreus), assim como os árabes, sempre habitaram a região, que já possuíam seus conflitos, porém, não como conhecemos hoje. Os primeiros, sempre foram perseguidos, acabaram se espalhando pelo mundo e muitos foram parar na Europa. Como se sabe, os judeus que se estabeleceram no continente europeu, em sua maioria, foram perseguidos, torturados e/ou mortos durante a II Guerra Mundial, com destaque ao contexto alemão. Nesse período, o território onde hoje é o Estado de Israel (antiga Palestina) pertencia à Inglaterra.

Com o fim da II Guerra Mundial, depois de algumas negociações, se fortaleceu um movimento de retorno dos judeus a Israel, movimento que ficou conhecido como sionismo. Como árabes e judeus passaram a habitar novamente de forma considerável o território, não houve muitos acordos sobre quem assumiria o poder político e como deveriam ser divididas as terras. Em 1947 houve uma proposta da ONU em repartir o terreno em dois estados, um muçulmano (42,9% do espaço) e um judeu (56,5%). A questão ocorreu que, em 1948, a ONU aprovou a proposta, os Judeus criaram o Estado de Israel e os Árabes-Muçulmanos (palestinos) não aceitaram a imposição, criando uma situação de conflito na região que persiste até os dias de hoje.

Essa tensão existente na região é também conhecida como Questão Palestina, tendo como um dos principais personagens o Yasser Arafat. Cabe destacar também a participação da organização guerrilheira denominada de Hamas, que, na atualidade, já pode ser considerada uma importante representação política no mundo árabe-muçulmano. Nessa primeira década de nosso século foi construído um muro que divide os Israelenses dos Árabes Muçulmanos que habitam a Cisjordânia, muro este, também conhecido como “Muro da Vergonha”. Cabe considerar as iniciativas do antigo governo estadunidense de Bill Clinton em tentar mediar processos de paz entre árabes e judeus nos anos de 1990, os chamados Acordos de Oslo ([1]). Mas, a despeito da tentativa americana, alguns conflitos territoriais, étnicos e religiosos causaram profundos impactos no mundo, tais como:  

 

·        A Guerra dos Seis Dias: Em 1967, Egito, Jordânia e Síria entraram em conflito com Israel, que com apoio internacional, derrotou o mundo Árabe. Esse conflito ficou conhecido como a Guerra dos Seis Dias, quando Israel anexou a seu território a península do Sinai (que pertencia ao Egito), as Colinas de Golã (nascentes do Rio Jordão e pertencentes à Síria) e a Cisjordânia (da Jordânia). Após alguns acordos diplomáticos, Israel devolveu a Península do Sinai ao Egito, mas continuou com o restante dos territórios tomados.

·        A Guerra do Yom Kippur: Como retaliação aos judeus, em 1973 os árabes realizaram um ataque surpresa durante o feriado judaico, conhecido como Yom Kippur (Dia do Perdão). O conflito durou 19 dias e terminou com uma nova vitória de Israel. Foi durante esse conflito que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), em oposição ao que estava ocorrendo na região, ocasionou a crise de petróleo que culminou em uma crise energética mundial.

·        A Revolução Xiita no Irã: O Irã sempre foi um país estratégico no Oriente Médio, banhado pelas águas do Golfo Pérsico, faz fronteiras com o Iraque, a URSS, o Afeganistão e o Paquistão, e contém uma importante reserva de petróleo. Após a II Guerra Mundial, foi governado por um líder Sunita, o Xá Reza Phalevi, que permaneceu no poder até o final dos anos de 1970. Mas vocês lembram que no Irã e no Iraque a maioria da população é Xiita? Por isso seu mandato não durou muito tempo, um importante líder popular, o Aiatolá Khomeini, de representação Xiita, organizou politicamente o povo e em 1979 o poder de Xá foi derrubado por meio de uma revolução, assumindo o Aiatolá. Para os países ocidentais essa não foi uma boa notícia, uma vez que os Xiitas não negociavam com os ocidentais capitalistas, ou pouco negociavam, em tempos de Guerra Fria, isso era perder aliados na luta contra os países socialistas. Você já imaginou que tensão essa revolução provocou na época para o mundo capitalista? Muitos estudiosos afirmam que, para evitar que essa mesma revolução fosse realizada no Iraque, os EUA apoiaram Saddam Hussein (um Sunita) no comando político do Iraque, por meio de ditadura militar.

·        Os Conflitos no Iraque: O Iraque é um país vizinho do Irã, faz fronteira com a Síria, com a Turquia e com a Arábia Saudita e também é um país estratégico, por ter uma considerável reserva de petróleo em seu território. Na história mais atual, um dos primeiros conflitos em que o Iraque esteve envolvido foi com o Irã, como vimos anteriormente, a Revolução Xiita acabou mexendo um pouco as estruturas políticas na região. O conflito entre o Irã e o Iraque teve seu início em 1980 e durou quase uma década, tudo por causa de uma área de fronteira estratégica, o Chatt al Arab, a única saída iraquiana para o mar. Em oito anos de guerra morreram em combate mais de 1 milhão de pessoa. O conflito só acabou com a intervenção da ONU e outras organizações internacionais. No início dos anos de 1990, o Iraque entrou em um novo cenário de guerra, onde as tropas iraquianas invadiram as áreas de fronteira com o Kuwait. Saddam Hussein acusou o governo do Kuwait de prejudicar o comércio de petróleo, assim como reivindicou um pedaço do território do Kuwait que, para ele, era historicamente do Iraque.

 

A ONU chegou a solicitar a retirada das tropas iraquianas do Kuwait, mas nada foi resolvido, por isso, a guerra explodiu – conhecida como Guerra do Golfo. A Guerra durou mais de um mês e trouxe sérios problemas ao Iraque, pois esse país acabou um embargo econômico imposto pela ONU. Em 2003, uma nova guerra explodiu e os EUA acusaram Saddam Hussein de fabricar e armazenar armas de destruição em massa (bombas atômicas). Naquele momento, inspetores da ONU foram enviados para analisar o caso, nada foi encontrado, no entanto o governo estadunidense de George W. Bush resolver instalar uma operação militar no país, sustentado pelo argumento da luta contra o terror – relacionando a figura de Saddam ao de Osama Bin Laden (acusado de ter promovido os atentados às Torres Gêmeas). O ditador Saddam Hussein foi deposto, preso, julgado e por fim, condenado à morte e a sua execução ocorreu em novembro de 2006.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

BLASCO, Maria de lá Concepcional (1 de setembro de 1993). El Bonce final (1ª adicione). Madrid: Editorial Sínteses. p. 176. ISBN 84-7738-195-X. CLAIRBORNE, Robert (1977). Los primeros americanos. Ciudad de México: Lito Offset Latina. Libros TIMELIFE. Clark, John E., ed. (1994). Los olmecas en Mesoamérica. Ciudad de México: Ediciones del Equilibrista. ISBN 968-7318-22-8.

CONRAD, Geoffrey W. (1984). «Los incas». Historia de las Civilizaciones antiguas (II): Europa, América, China, India. Arthur Cotterell, ed. Barcelona: Editorial Crítica. ISBN 84-7423-252-X

SIMÕES, Willian. Geografia II. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.



([1]) Trata-se de uma série de pactos históricos firmados na década de 1990 entre o governo de Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Eles estabeleceram o reconhecimento mútuo entre as partes e criaram a Autoridade Palestina, projetada para ser um governo autônomo temporário de transição


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