sexta-feira, 17 de julho de 2026

A Contribuição dos Tártaros Para o Descobrimento da Terra

Como os Mongóis Abriram o Caminho Para o Conhecimento Sobre o Oriente? Quais as Dificuldades Europeias Para Navegar ao Oriente? Como os Mercadores Venezianos Prosperavam Vendendo Mercadorias Já Que Nunca Tinham Visto a Índia ou a China? 




Os pioneiros das viagens terrestres da descoberta da Europa que seguiram para Oriente precisavam de recursos bem diferentes dos das viagens marítimas. Colombo teve de reunir uma grande quantia em dinheiro, arranjar navios, engajar uma tripulação, obter provisões, manter tripulantes satisfeitos, sem se amotinarem e navegar em oceanos desconhecidos. Outros talentos totalmente diversos foram exigidos aos primeiros viajantes por terra, os quais podiam seguir – com um ou dois companheiros – por estradas já conhecidas e, além disso, eles podiam viver da terra e encontrar o que comer e beber no caminho. Não precisavam recolher fundos ou serem mestres em organização, mas tinham de ser adaptáveis e afáveis. Os homens de Colombo quiseram amotinar-se quando a viagem se prolongou algumas semanas mais do que o esperado, mas os pioneiros das viagens por terra podiam prolongar a viagem o tempo que fosse necessário, mais um mês, um ano ou uma década.

Enquanto os viajantes marítimos percorriam longas distâncias de vazio cultural – e no mar, as notícias geralmente significavam complicações – os viajantes por terra (mercadores ou missionários) podiam praticar sua vocação pelo caminho e ir aprendendo à medida que avançavam. E, se um solitário viajante terrestre embarcasse em um barco para algumas fases da sua viagem, ele se tornava um passageiro. O barco era comandado e aprovisionado por alguém da região. O pioneiro da viagem foi mais e menos solitário do que o seu correspondente por mar, pois se por um lado lhe faltava a camaradagem e o apoio dos compatriotas – como os que foram com Colombo no Santa Maria – por outro lado tinha oportunidade de travar novas relações, calorosas e casuais nos dias e nas noites em que percorria seu caminho.

Os perigos do mar eram exatamente os mesmos em toda parte – ventos, ondas, tempestades – mas os perigos da terra eram variados como a paisagem e ajudavam a tornar a viagem interessante e cheia de suspense. Haveria ladrões na estrada? O viajante conseguiria digerir a comida local? Ele deveria usar seu próprio traje ou um nativo? Ele seria autorizado a transpor a porta da cidade? Em verdade, a viagem por terra jamais foi um passeio comum, mas sim uma laboriosa jornada individual. Data dessa época a palavra inglesa “travel” – com o significado de “labor” de natureza penosa – descrição bem adequada do que significava percorrer longas distâncias por terra. Embora os Europeus ainda estivessem mergulhados nas trevas da geografia dogmática, a muito tempo ouviam contar lendas do misterioso Oriente. Alguns homens desfrutavam até dos exóticos luxos do outro lado da Terra como banquetes – em salas forradas com tapetes persas – com pratos condimentados com as especiarias do Ceilão, além de passarem longos períodos jogando xadrez com peças de ébano do Sião.

No entanto, os mercadores de Veneza (ou Gênova) que prosperavam vendendo essas mercadorias orientais nunca tinham visto a Índia ou a China. O seu contato com o Oriente fazia-se nos portos do Mediterrâneo oriental e os seus estoques tinham sido trazidos por um de dois caminhos: (A) A famosa rota da seda era um caminho feito por terra que partia da China, atravessava a Ásia central e chegava às cidades costeiras do Mar Negro no Mediterrâneo oriental. (B) O outro caminho vinha pelo mar da China, Oceano Índico e pelo Mar Arábico e, para chegarem ao mercado europeu, essas mercadorias ainda teriam de viajar por terra através da Pérsia e da Síria. Em qualquer dessas rotas, os mercadores encontravam o caminho bloqueado assim que tentavam avançar dos portos mediterrâneos para o Oriente. Os Muçulmanos negociavam com eles em Alexandria e em Damasco, mas os turcos muçulmanos não permitiriam que os Europeus avançassem nem mais um passo. Era a “cortina de ferro” do fim da Idade Média.

Entre 1260 e 1350, essa cortina foi levantada e houve contato direto entre a Europa e a China e, durante esse intervalo, os mercadores italianos deixaram de ter de esperar que as mercadorias exóticas chegassem a Damasco ou Alexandria. Agora eles próprios conduziam caravanas pela rota da seda para as cidades da Índia e da China, onde podiam ouvir frades cristãos rezarem missas. Mas, o que poderia ter sido o início de um enriquecimento mútuo e um estímulo da visão do Oriente e do Ocidente, na verdade revelou-se apenas um levantar de cortinas, um episódio aventuroso após o qual a cortina caiu de novo. Seria outra espécie de interregno, um intervalo de luz na escuridão que durante a maior parte da história moderna obscureceu a visão do Oriente e do Ocidente. Na verdade, passariam décadas antes de a descoberta do oceano tornar possível de novo aos europeus entrar na Índia e, decorreriam séculos, antes de ser permitido que eles visitassem novamente a China.

Não foi a marcha de soldados cristãos, ou sequer as manobras dos estadistas europeus que levantou essa “cortina” e, se há de dar crédito a alguém, devemos dá-lo a um povo que durante tanto tempo bloquearam o caminho aos Europeus, a um povo mongol da Ásia Central: _ os Tártaros. Por constituírem uma ameaça para a Europa eles foram muito difamados e, muitas vezes, representados como destruidores e sanguinários. O nome Tártaro se tornou sinônimo de “bárbaro” e a palavra “horda”, que significava apenas “acampamento” acabou se confundindo com as tropas tártaras. A sua reputação foi estabelecida por escritores europeus que tinham ouvido falar dos horrores das investidas tártaras contra o Ocidente, mas poucos tinham visto um tártaro e não sabiam nada das notáveis realizações desse povo.

Os impérios mongóis tinham o dobro do tamanho do Império Romano e Gengis Khan desceu da Mongólia com suas hordas para Pequim, em 1214. No meio século que se seguiu ocupou toda a Ásia e depois se voltou para a Rússia, entrando pela Polônia e Hungria. Quando seu descendente subiu ao trono (1259), seu império ia do rio Amarelo na China às margens do Danúbio (na Europa) e da Sibéria até o Golfo Pérsico. Os mongóis de Khan formaram uma dinastia tão competente como qualquer outra que alguma vez tenha governado um grande império. Os mongóis possuíam uma combinação de talento militar, coragem pessoal, versatilidade administrativa e uma tolerância cultural inigualada por qualquer linhagem europeia de soberanos e, por esse motivo, merecem um lugar mais alto e diferente do que lhes tem sido atribuído pelos historiadores. Em 1241, um bando de tártaros devastou a Polônia e a Hungria, derrotando um exército de polacos e alemães enquanto outro exército seu derrotava os húngaros. O terror se abateu sobre a Europa e, no Mar do Norte, os corajosos pescadores da Frísia tiveram tanto medo que se mantiveram afastados das zonas de pesca. E, até o imperador do Império Romano Frederico II, que acabara de conquistar Jerusalém e fizera uma trégua de 10 anos com o sultão do Egito, temeu que a enxurrada tártara submergisse a cristandade.

O Papa Gregório IX conclamou nova cruzada, desta vez contra os Tártaros. Mas, em virtude do antagonismo entre o Papa e Frederico II, que já fora excomungado duas vezes, o pedido de socorro do rei da Hungria não foi atendido. No fim, a Europa foi salva por uma mercê de Deus, quando no apogeu dos seus êxitos, os tártaros receberam a notícia da morte de seu líder e, por isso, eles deveriam retornar imediatamente. Apesar do susto dos cristãos e das chacinas tártaras a polacos e húngaros, os Tártaros se revelaram aliados poderosos contra os muçulmanos e os turcos que bloqueavam o caminho para o Oriente. Pois, após terem tido sucesso na sua campanha contra os “assassinos” nas praias do Mar Cáspio, eles prosseguiram para derrubar o califa da Síria.

Os Tártaros que não se importavam com nenhum dogma para perseguirem em seu nome, abriram caminho a partir do Ocidente cristão. A conquista tártara da Pérsia pôs a funcionar a política mongol de direitos alfandegários baixos, estradas bem policiadas e passagem livre para todos, abrindo assim o caminho para a Índia. A conquista Tártara da Rússia abriu caminho para Catai e, a rota da seda, só foi frequentada pelos europeus nos anos da conquista tártara. As estradas egípcias, ainda nas mãos dos muçulmanos, continuaram interditadas aos europeus e as mercadorias que por lá passavam eram sujeitas a tarifas tão pesadas – impostas pelos mamelucos – que os preços dos produtos indianos tinham triplicado quando chegavam às mãos dos mercadores italianos.

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos  

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Inteligência Emocional e as Feridas Não Curadas

Onde se Originam as Feridas Emocionais no Ser Humano? Quais São os Tipos de Feridas Emocionais? Como Obter Inteligência Emocional nos Relacionamentos e no Trabalho? Quais as Principais Características das Pessoas Que Demonstram Falta de Inteligência Emocional no Trabalho?

 



 

A Inteligência Emocional é a bússola que permite identificar, compreender e gerir as suas próprias emoções, atuando como um antídoto prático para neutralizar as feridas emocionais. Essas, são dores profundas como rejeição, abandono, traição, humilhação e injustiça que se originam na infância e/ou juventude e sabotam os relacionamentos na vida adulta. Assim, pode-se dizer que as feridas não curadas moldam escolhas e reações diárias. As feridas emocionais frequentemente se originam na infância (geralmente até os 7 anos), por meio de diversas experiências que afetam as crianças de várias maneiras. Elas podem surgir de emoções, sensações, pensamentos, traumas e memórias dolorosas que são o resultado de necessidades emocionais não atendidas. Tais feridas não curadas permanecem inconscientemente na vida adulta. As crianças aprendem e moldam seu comportamento a partir do convívio com pais, familiares, amigos e colegas, absorvendo informações, boas ou ruins, sem maturidade para discernir entre o certo e o errado. Os ambientes como a relação com os pais, irmãos, amigos e experiências traumáticas na escola (bullying e abusos) podem gerar marcas emocionais profundas. Infelizmente, muitos adultos carregam essas feridas emocionais da infância sem resolvê-las, resultando em consequências negativas, como dificuldades em manter relacionamentos saudáveis, falta de confiança, medo de abandono, rejeição, traição e outras.  

 

Ferida Emocional do Abandono

 

A ferida do abandono pode surgir de experiências como falta de atenção dos pais, separação familiar ou perda de um dos pais na infância, gerando sentimentos de solidão, medo e insegurança. Na vida adulta, essas pessoas temem serem rejeitadas, buscando evitar o abandono nos relacionamentos, mas paradoxalmente, tendem a abandonar primeiro por receio de serem deixadas novamente. Manifestam comportamentos de término repentino, expressando frases como "vou deixar você antes que você me deixe" e agem de forma defensiva diante de sinais de abandono do parceiro. Essas atitudes refletem uma necessidade de proteção emocional, porém podem impactar negativamente os relacionamentos, mantendo um ciclo de medo e evitação do abandono.

 

Ferida Emocional do Rejeição

 

A ferida da rejeição pode surgir desde a infância, quando bebês podem sentir rejeição pela separação momentânea dos pais, interpretando ações simples, como dormir em outro quarto, como um ato de rejeição. Ambientes escolares também podem gerar essa ferida, como quando colegas excluem ou praticam bullying, ou quando um professor ignora um aluno, levando à sensação de não ser aceito, inútil e abandonado. Na fase adulta, essas pessoas tendem a ser esquivas, relutantes em se relacionar e expor por medo de serem rejeitadas, optando por solidão para evitar possíveis rejeições ou abandonos. Sentem-se indignas de afeto, têm pensamentos de serem indesejáveis ou inúteis, o que afeta sua capacidade de se alegrar com suas conquistas e dificulta seus relacionamentos em todas as áreas da vida.

 

Ferida Emocional da Injustiça

 

A ferida da injustiça surge em ambientes onde crianças são tratadas de forma autoritária, exigidas excessivamente ou diferenciadas das outras, levando a sentimentos de ineficácia e desvalorização. Sentem-se injustiçadas quando há tratamento desigual entre irmãos ou cobranças desiguais por parte dos pais e professores na escola. Esses sentimentos persistem na vida adulta, resultando em autocrítica intensa para provar sua eficácia, bloqueando a sensibilidade emocional. Tornam-se pessoas inseguras, pessimistas, esperando serem maltratadas, o que dificulta a construção dos relacionamentos duradouros. Essa ferida muitas vezes gera rigidez e busca por poder, levando a um fanatismo por ordem e perfeição. Além disso, há dificuldade em tomar decisões assertivas, refletindo a influência dessa ferida emocional no comportamento adulto.

 

Ferida Emocional da Humilhação

 

A ferida da humilhação se origina em ambientes familiares prejudiciais, onde a criança é criticada e humilhada, podendo ser vítima de bullying. Essas experiências geram traumas profundos, causando tristeza, baixa autoestima e vergonha, afetando sua expressão e autoconfiança. Na vida adulta, esses traumas impactam a autoestima, resultando em tristeza e ansiedade. Tais indivíduos têm pouca ambição e autoconfiança, enfrentando dificuldades em se expor e expressar devido ao medo de serem humilhados novamente. Em geral, essa ferida leva ao desenvolvimento de uma personalidade dependente. Alguns podem se tornar tirânicos ou egoístas como mecanismo de defesa, tentando evitar reviver as humilhações sofridas no passado.

 

Ferida Emocional da Traição

 

A ferida da traição nasce quando os pais prometem coisas as crianças e não cumprem, quebrando a confiança e causando decepção e frustração. Na vida adulta, essas pessoas têm dificuldade em confiar, tentando controlar tudo ao redor para evitar serem traídas. São perfeccionistas, exigindo perfeição em tudo e não tolerando mentiras, buscando controlar cada aspecto da vida. Essa necessidade de controle é interpretada como força de caráter, porém, muitas vezes são cegas para o que realmente acontece. A ferida da traição também leva a outro sentimento, tal como a indignidade em receber promessas ou afeto dos outros.

 

A Inteligência Emocional Como Solução

 

A Inteligência Emocional não elimina as feridas, mas impede que elas ditem o seu futuro e o processo baseia-se em:

 

A) Inteligência Emocional nos Relacionamentos: Sabemos que todos nós temos diferenças na forma de pensar, de agir e de nos comportar, e que muitas vezes divergimos em diversos aspectos em nossas relações com amigos, parceiros e familiares. No fundo, porém, todos nós buscamos relacionamentos saudáveis com quem nos relacionamos. Trabalhar a IE nas relações faz-se necessário para vivermos de forma mais sábia e com harmonia. Nas relações interpessoais, temos que entender que todas as pessoas têm seus sonhos, vivências, culturas, inseguranças, medos, crenças e perspectivas de vida que, muitas vezes, diferem dos nossos, mas todas as diferenças é que dão sentido aos relacionamentos, já que cada um tem uma identidade, uma personalidade. Já imaginou se todos nós pensássemos e agíssemos da mesma forma? Como seriam as relações, o mundo? Procurar ter relações mais saudáveis depende de uma série de fatores que uma pessoa pode aprender e pôr em prática. Abaixo, alguns desses fatores:

 

·        Autoconhecimento; Conheça as pessoas com que se relaciona: infância, educação, cultura, medos, traumas;

·        Tenha Empatia Com as Pessoas: Antes de fazer qualquer julgamento, tente entender o outro, seus comportamentos e atitudes;

·        Cultive o amor próprio: Você só pode passar para as pessoas o que tem dentro de si e se ame primeiramente;

·        Respeite as Pessoas: O respeito eleva a confiança e fortalece o relacionamento;

·        Converse Com as Pessoas: A falta de diálogo é um dos principais motivos de afastamento das pessoas, ainda mais nos tempos atuais informatizado está ficando ainda mais difícil e com isso os relacionamentos acabando;

·        Apoie as Pessoas Com Quem se Relaciona: Todo mundo gosta de relacionar com alguém que dê forças quando mais precisa;

·        Evite Comparações Com as Pessoas Com Quem se Relaciona: Lembre-se que pessoas são diferentes cada uma tem uma personalidade, evite ficar fazendo comparações;

·        Aprenda a Ouvir as Pessoas Com Quem se Relaciona: Muitas pessoas às vezes só querem desabafar com alguém, mas muitas das vezes ao invés de serem ouvidas, ouvem mais coisas negativas ainda do outro, aprenda a ouvir o outro;

·        Aprenda a Perdoar as Pessoas: Pode ser complicado para alguns perdoar, mas é uma sensação incrível quando se consegue perdoar alguém, bem só quem já perdoou sabe

·        Fale de seus sentimentos com quem você mais se relaciona;

·        Aceite as diferenças das pessoas com quem se relaciona;

 

B) Inteligência Emocional no Trabalho: Trata-se de uma competência que faz muita diferença nas relações interpessoais. Profissionais com essa competência dificilmente são vistos agindo com temperamento agressivo, explosivo, descontando seus problemas pessoais nos colegas de trabalho. Por saberem lidar com suas emoções e por terem empatia com os outros, são pessoas que pensam antes de falar, buscando manter o equilíbrio em situações adversas que possam acontecer no trabalho. Profissionais com inteligência emocional geralmente são mais satisfeitos, motivados, produtivos e criativos, seja na vida pessoal ou na profissional. Para as empresas, profissionais de liderança com essa competência são um diferencial para o clima organizacional, para a cultura e para produtividade das equipes.

 

Como Ter Inteligência Emocional no Trabalho?

 

Se você não sabe como administrar suas emoções e tem dificuldade em lidar com diversas situações no ambiente de trabalho, saiba que a inteligência emocional é uma competência que pode ser desenvolvida em todas as áreas de sua vida. Abaixo, alguns passos para você desenvolvê-la e utilizá-la no seu dia a dia:

 

·        Reconheça Suas Emoções ou Sentimentos: Estar atento (a) quando elas surgirem no trabalho;

·        Gerencie Suas Emoções: Ter conhecimento de suas emoções é importante para dar melhor direcionamento, é entender que está chateado ou descontente e não descontar em ninguém – colegas de trabalho ou clientes;

·        Automotivação: Direcionar suas emoções em prol de suas metas e objetivos;

·        Empatia: Identificar as emoções e sentimentos que estão por trás dos comportamentos das pessoas e agir de forma a buscar soluções mais assertivas, de forma harmoniosa, compreensiva, motivadora;

·        Relacione-se Interpessoalmente: Entender que cada pessoa age de uma forma, é respeitar as emoções dos seus colegas de trabalho sem julgamento, com empatia e com respeito, diminuindo os conflitos, ruídos, buscando sempre melhorar a relação.

 

Características das Pessoas Que Demonstram Falta de Inteligência Emocional no Trabalho:

 

 

·        Incapacidade de controlar suas próprias emoções – geralmente são pessoas que não conseguem lidar com suas próprias emoções e descontam nas pessoas;

·        Se estressam com facilidade – geralmente são pessoas que guardam dentro de si sentimentos negativos, que rapidamente se transformam em sensações desconfortáveis de estresse, tensão e ansiedade;

·        Não conseguem ter empatia pelas pessoas – geralmente são pessoas que não se preocupam com seus próprios comportamentos e muito menos param para pensar o que gerou os comportamentos das outras pessoas;

·        Guardam ressentimentos - geralmente são pessoas que não gostam de ouvir coisas que não lhe agrada e guarda ressentimento;

·        Não assumem seus erros – geralmente são pessoas que não assumem seus erros, procuram culpados a todo momento, sentem-se vítimas dos acontecimentos;

·        Levam tudo para o lado pessoal - geralmente são pessoas que se o chefe dizer que o relatório não está legal ou o colega de trabalho disser coisas que não elas não querem ouvir vão levar para o lado pessoal e não para o profissional;

·        Não respeitam opiniões diferentes da sua - geralmente são pessoas que se acham donas da verdade e fechadas.

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A Contribuição dos Peregrinos e Cruzados na Geografia Terrestre

 



A mesma fé que fanatizava a paisagem e aprisionava os cristãos na Geografia dogmática haveria de atrair peregrinos e cruzados da Europa para caminhos de descoberta do Oriente. A Estrela de Belém que atraiu os Três Magos, guiou em séculos posteriores incontáveis fiéis para sua Terra Santa. A peregrinação se tornou uma instituição cristã e caminhos de fé se tornaram caminhos de descoberta. Um século após a morte de Jesus um punhado de crentes viajava para Jerusalém a fim de pisar a terra que o seu Salvador pisara. Após o imperador Constantino se tornar cristão, sua mãe que se tornara arqueóloga, foi a Jerusalém, encontrou o Monte Calvário onde reuniu fragmentos da Verdadeira Cruz e até descobriu o Santo Sepulcro, onde Jesus fora alegadamente sepultado. Aí mandou o próprio Constantino construir a primeira Igreja do Santo Sepulcro. O sábio São Jerônimo se instalou (386 d.C.) em um mosteiro de Belém oferecido pela nobre dama romana Santa Paula, onde instruía peregrinos após visitarem os lugares santos. No início do século V havia 200 mosteiros e albergues para peregrinos nas imediações de Jerusalém. Santo Agostinho advertiu de que o turista cristão à Terra Santa poderia ser desviado da sua viagem, embora o fluxo de peregrinos tenha aumentado ajudado por incontáveis guias e uma cadeia de alojamentos hospitaleiros ao longo de todo o caminho. Abençoado pelo seu padre antes de partir, transportando o bordão e a vieira, usando o seu chapéu de aba larga e a insígnia do seu destino, o peregrino se tornou uma figura pitoresca no panorama medieval. O termo “peregrinatio” passou a designar qualquer perambulação e, “peregrinus” – que deu peregrino – se tornou sinônimo de estrangeiro. Mas o peregrino propriamente dito era alguém que ia a caminho de um destino sagrado.  O declínio do Império Romano do Ocidente e o aparecimento de piratas tornaram difícil e perigosa a vida dos peregrinos. As extensas conquistas árabes à volta do Mediterrâneo, o advento do Islã e o aumento dos peregrinos muçulmanos congestionaram os caminhos da peregrinação cristã e originaram uma implacável disputa por Jerusalém. Algumas tradições muçulmanas consideravam Jerusalém – e não Meca – o “umbigo” da Terra e, quando o Califa Omar entrou numa Jerusalém rendida 6 anos após a morte de Maomé, iniciou uma batalha milenar pela posse dos lugares santos. A grande época da peregrinação cristã começou no século X e, de modo geral, os Muçulmanos toleravam – ainda que desprezassem – esses “descrentes” apaixonados.

Mas, à medida que a distante Terra Santa ia se tornando menos acessível, os cristãos piedosos foram encontrando o bálsamo da peregrinação mais perto de casa. Criaram uma literatura híbrida de história, sociologia, mito e tradição. Santiago de Compostela (Espanha) tornou-se “lugar santo” por causa da descoberta ali feita no ano de 810 do corpo de São Tiago, que se pensava ter sido executado em Jerusalém e presumivelmente lá enterrado. Considerava-se que Carlos Magno se contava entre os primeiros peregrinos que tinham partido de toda Europa e, quando os Mouros conquistaram a Espanha para o Islã, surgiu o culto de S. Tiago, o “matador de mouros”. O grande imã para os peregrinos na Europa era Roma, onde Beda (em 735) narrou a viagem de homens e mulheres bretões que ansiavam por passar algumas horas da sua peregrinação terrena na vizinhança de lugares santos. Daí, talvez tenha derivado o verbo inglês “to roam” ([1]). O fluxo de peregrinos da Inglaterra (e de outros lugares) viria a se alargar depois do malogro da tentativa dos Cruzados em reconquistarem Jerusalém. Entretanto, os monges se organizavam para prestarem assistência aos peregrinos que iam para o Oriente e, jovens escandinavos que viam da Islândia, Noruega e Dinamarca, passavam anos servindo à Guarda do Imperador em Constantinopla e depois seguiam para Jerusalém antes de regressarem com seus ganhos militares. Em meados do século XI um príncipe dinamarquês pôs-se a caminho, mas nunca chegou à Terra Santa – morreu de frio nas montanhas do percurso. Depois, um sultão da Pérsia (cujo povo de língua turca se estendera através da Ásia até a Sibéria) lançou-se para o Ocidente, derrotou as forças dos cristãos bizantinos em 1071 e ocupou a maior parte da Ásia Menor. Sendo assim, os peregrinos cristãos e toda a cristandade oriental passaram a enfrentar novos desafios. Ao mesmo tempo uma nova vida comercial e uma população crescente, engrossavam a maré dos peregrinos. Os Normandos – descendentes dos escandinavos que no século X tinham invadido a Normandia, na costa da França – se converteram ao Cristianismo e enviaram sua força em todas as direções. Guilherme, o Conquistador, guiou-os para o Norte (Inglaterra) em 1066, percorrendo o Mediterrâneo, assolando a Itália Meridional e, em 1130, acabaram fundando o Reino da Sicília, onde cristão, judeus e árabes trocavam conhecimentos, arte e ideias.

Quando Urbano II se tornou Papa em 1808 a Igreja sentia muita necessidade de reforma, pois havia corrupção pela compra e venda de indulgências e cargos eclesiásticos. Reformador que não se compadecia com a corrupção, Urbano utilizou seus talentos de organizador e a sua eloquência para purificar e sarar a Igreja. Aleixo – imperador oriental – vendo a capital da sua Bizâncio ameaçada pelo Islã, mandou enviados a Urbano solicitando auxílio militar e, o energético Papa viu nisso uma oportunidade para unir as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Assim, para libertarem os lugares santos, os cristãos partiram para o Oriente em agosto de 1096. Deus seria o seu guia, a cruz branca o seu símbolo e os seus bens ficariam sob a proteção da Igreja. Com esta chamada ás armas, o Papa Urbano congregou as forças da Europa cristã para transformar peregrinos em Cruzados e, enquanto a peregrinação era apenas uma pequena viagem de um indivíduo, a Cruzada seria uma peregrinação maciça. Sendo assim, as pessoas em marcha não puderam deixar de ser consideradas descobridoras. Mas, na sua maior parte, não encontraram o que iam procurar e encontraram muito mais o que não tinham imaginado. 




Os Cruzados constituíram um dos movimentos mais variados e indisciplinados da história. Pedro, o Eremita, foi um presságio de coisas que iriam acontecer. Ele ganhou esse apelido por usar uma capa de eremita, embora fosse uma pessoa que adorava multidões e sabia influenciá-las. Criou um corpo de agentes recrutadores e formou um exército heterogêneo de peregrinos na França. Quando chegou à Colônia (Alemanha) em abril de 1096 cerca de 15 mil peregrinos de todas as idades, tamanhos e sexos tinham aderido ao seu grupo.

A chegada da horda de Pedro a Constantinopla gerou complicações, pois o grupo de Walter (o Pobre) se uniu a ele e avançaram até a Cidade Santa, pilhando por onde passavam. Saquearam aldeias, torturaram seus habitantes e assassinaram bebês em espetados na fogueira. O imperador bizantino Aleixo I tentou persuadir aventureiros a submeterem-se ao seu comendo, mas os mais ambiciosos pilharam para fundar novos reinos. Estas forças cristãs derrotaram os Turcos e entraram triunfalmente em Jerusalém em julho de 1099, terminando assim a 1ª Cruzada. Jerusalém foi transformada rapidamente em um novo reino romano que, de início, tratou-se de um movimento desordenado que durou dois séculos para tornar-se o caminho dos peregrinos. Mas, em um aspecto tratou-se também do fim das Cruzadas, pois foi a última expedição coroada de êxito para redimir os lugares santos. Posteriormente, as Cruzadas apenas ajudavam os cristãos já estabelecidos no Oriente e, após a queda de Jerusalém nas mãos de Saladino em 1187, os lugares santos mais acessíveis do Ocidente passaram a atrair cada vez mais os peregrinos.  Depois que as Cruzadas terminaram as peregrinações continuaram sendo uma força viva da cristandade europeia e, para muitos, Roma acabou substituindo Jerusalém. Em 1300, o Papa Bonifácio VII proclamou o 1º Ano Jubilar, quando ofereceu indulgências especiais aos fiéis que visitassem Roma e atraiu assim mais de 20 mil peregrinos. No Islã, a peregrinação sempre foi um dever sagrado, pois todo muçulmano era obrigado a visitar Meca pelo menos uma vez.

Meca foi um centro de peregrinação de idólatras árabes bem antes de Maomé e, para lá, iam aqueles que queriam fazer seu festival anual, além de dar boas-vindas ao ano que se renovava. Meca jamais deixou de ser a meta dos peregrinos muçulmanos e se transformou num sinônimo de qualquer meta de peregrinação. Também na Ásia, multidões de fiéis descobriram o seu próprio mundo. Ninguém sabe exatamente como, por que ou quando a cidade de Benares – a mais antiga do Mundo, segundo alguns – se tornou sagrada, mas no século VII já possuía cerca de 100 templos. Os budistas também ensinavam que o Parque dos Veados – em Sarnath, onde Buda pregara seu 1º sermão – era um degrau para o Céu. O imperador indiano Asoka conduziu peregrinações a todos os lugares sagrados budistas e, enquanto os visitava, reparava antigos santuários (as stupas) e construía novos. A Índia se tornou uma terra de lugares sagrados e, segundo Buda, “todas as montanhas, rios, lagos e templos dos deuses são lugares que destroem o pecado”. Dessa forma, multiplicaram-se os cultos de espíritos locais e incontáveis sacerdócios. O malogro das Cruzadas foi uma bênção para a cristandade e um catalisador da descoberta europeia do mundo oriental. A grande instituição internacional organizadora do Islã continuava a ser a peregrinação, que continuou a reunir-se em Meca, familiar bastião árabe-muçulmano.

Mas não havia nenhum lugar que correspondesse ao retorno dos peregrinos; ou seja, nenhum local acessível de regresso indispensável para todos os cristãos. Daí, sem nenhuma perspectiva de reconquistarem Jerusalém e os caminhos que lá levavam, a cristandade ocidental voltou-se para as missões. A peregrinação reunia os fiéis, mas as missões estendiam os braços para o desconhecido, mesmo nas terras desconhecidas. Assim, a história da expansão do Cristianismo foi uma história de missões. Claro que o Islã – começando pelo próprio Profeta – era uma religião com grande vigor proselitista e cada muçulmano era declarado um missionário. Mas, as missões nunca foram tão bem organizadas nem largamente difundidas como as do cristianismo. No Islã, o peregrino permaneceu um devoto da fé, cumprindo a viagem ritual prescrita a um destino sagrado conhecido. Na moderna linguagem da cristandade um peregrino ia a caminho de um estado misterioso de futura felicidade.

  

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos



([1])  Perambular, viajar sem destino definido. O autor estabelece uma analogia entre a pronúncia de “ROAM” e de “ROME” (Roma), que são iguais  

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Introdução ao Estudo da Psicologia

De Qual Ciência Deriva a Psicologia? Quem São os Principais Estudiosos da Psicanálise? Que Escolas de Formulações Teóricas Sustentam o Estudo da Psicologia?

 



 

Assim como muitas outras ciências, a Psicologia não é homogênea; ou seja, não existe um discurso uniforme e uma verdade única para explicar os fenômenos que ela estuda. Na verdade, a Psicologia nasceu como uma disciplina da Filosofia e se estabeleceu como uma ciência nos laboratórios de Fisiologia. Alguns autores afirmam que a Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano nas concepções cognitivas e afetivas. Porém, alguns especialistas vêm afirmando que a Psicologia estuda a alma, ou psique, ou mente, ou apenas o comportamento humano. Caracteriza-se por possuir várias linhas de atuação que permitem estudar o ser humano de formas diferenciadas e bem abrangentes em seus diversos contextos da vida. Derivando tanto da Filosofia e da Fisiologia a Psicologia tomou rumos diversos, elegendo objetos diversos (como a cognição, comportamento, emoção, consciência, personalidade, transtorno mental, etc.) e constituindo práticas diversas (como a Psicologia Clínica, Psicologia Social, Psicologia do Trabalho, Psicologia Escolar, etc.). Hoje em dia, a Psicoterapia se preocupa em proporcionar ao sujeito grande e benéfico bem-estar na sua busca pelo equilíbrio necessário. Atualmente a Psicologia exerce uma função muito importante para a sociedade, pois contribui para a busca do equilíbrio entre pensamento e ação que o ser humano manifesta em diferentes contextos do dia a dia. Desta forma, o estudo da Psicologia das Relações Humanas possui a cada dia maior credibilidade e prática entre aqueles que optam por bem-estar e um desenvolvimento biopsicossocial mais promissor ([1]).

Sabemos que a nossa história de vida se caracteriza por um longo desenvolvimento físico e mental, onde neste desenvolvimento podemos encontrar fatores bons ou ruins. O desenvolvimento psicológico consiste na formação de resumos mentais que construímos ao longo da caminhada da vida. Estes resumos se expressam na nossa maneira de ser e de agir juntamente com nossas características herdadas que constituem a personalidade. O ambiente em que vivemos é um objeto de estudo muito importante para a Psicologia, pois nesse ambiente farto de criatividade, visamos manifestar de várias formas e tipos os comportamentos, as ações, as sensações e os sentimentos para qualquer situação decorrente do dia a dia. O campo de estudo da psicologia é muito grande e com atividades em áreas como a clínica, a escola e a organização. Na verdade, a Psicologia é uma ciência aplicada, mas também uma ciência básica de grande importância para qualquer campo de conhecimento. A Psicologia que conhecemos hoje é o resultado da confluência de preocupações e métodos originários da Filosofia e da Fisiologia. Todas as funções psicológicas decorrem de processos orgânicos e, avanços nos campos da genética, da neurofisiologia e da bioquímica trouxeram importantes esclarecimentos sobre processos psicológicos básicos como, por exemplo, hereditariedade, agressividade, depressão e ansiedade. Por outro lado, o modo como formulamos perguntas, encaminhamos modos de resposta e organizamos nosso conhecimento é muito influenciado por toda a história da Filosofia. Então, de que forma podemos relacionar a Psicologia nos dias de hoje com o estudo das relações humanas? A Psicologia e as relações humanas andam juntas, de forma a ampliar a construção dos conhecimentos do sujeito em estudo nos seus diversos contextos de vivência, favorecendo ao seu equilíbrio da mente, corpo e comportamento onde desta forma proporcionará a todos ao seu redor uma melhor convivência entre grupos pessoais e profissionais ([2]).

 

 

Diferentes Modos Para Estudar a História da Psicologia

 

 

O campo da Psicologia é conhecido pela sua fragmentação e pelas disputas teóricas. A história da psicologia caracterizou-se por grandes escolas ou sistemas. Estas escolas eram formulações teóricas sobre o que é ou deve ser psicologia. Exemplo destas grandes escolas – algumas existindo até hoje – são a Psicanálise, o Behaviorismo e a Gestalt. Trata-se de diferentes vertentes do ramo da Psicologia, que pretendem observar, compreender e trabalhar o homem no que diz respeito a seus processos psíquicos, à construção de sua inteligência e afetos, a suas formas de ser, atuar e se relacionar no mundo. Sabe-se que a Psicologia não é um campo unitário. Há uma grande diversidade de teorias. Quando se diz que é psicólogo, logo a seguir, além de dizer qual a especialidade, se diz também qual é a abordagem preferida. Alguns autores contemplaram a história da Psicologia do ponto de vista das diferentes teorias.

 

Objetivos de Estudar Psicologia

 

A história da Psicologia é a história do pensamento sobre a consciência, o inconsciente e o comportamento humano. Temos, então, uma preocupação com os determinantes da racionalidade, da irracionalidade e da ação. Historicamente, temos uma Psicologia aliada à Filosofia para entender os processos da razão, pensamento, sentimento e percepção. Temos uma Psicologia aliada a expressões artísticas, literárias e existenciais para entender a irracionalidade e a criatividade. E, temos também uma Psicologia aliada com a Fisiologia para entender o comportamento enquanto função da ação do sistema nervoso. Mas, para podermos entender a prática é necessário reconhecer a matriz filosófica na qual essa prática se apoia. Desta forma, temos, entre outras, a Psicologia Behaviorista (derivada de uma corrente positivista e que definirá o homem e seus processos psíquicos como um ser governado por estímulos do meio), a Psicologia Humanista (derivada da Fenomenologia e do Existencialismo, e que definirá o homem como um ser intencional, dono de seus atos e de sua consciência), a Psicologia Cognitiva (derivada em parte de uma Filosofia pragmática, considera o homem em uma perspectiva interacionista, fruto da constante relação homem-meio, sendo este homem considerado como um sistema aberto e em sucessivas reestruturações); Gestalt (que com certa influência fenomenológica, explora a atenção, a percepção e a tomada de consciência pelo organismo como um todo), Psicanálise, que embora não tenha nascido no seio da Psicologia, caminha junto com ela na sua preocupação com o homem interior.

As quatro perguntas: “O que é? Como é? Por que é? e Para que é?” servirão de guia para comparação entre os grandes pensadores da psicologia. Curiosamente, as perguntas referem-se, respectivamente, ao que se entende hoje como as quatro grandes áreas da Filosofia. As vertentes são diferentes a até opostas, mas o foco incide sempre no mesmo homem, que ao ser estudado por outro homem confunde observador e observado, sujeito e objeto, numa trama que se refaz a cada novo suspiro, numa poesia que se reescreve a cada novo ato, numa música que se rearranja a cada novo compasso, criando e recriando as mesmas velhas dúvidas, dores, espantos, alegrias e rancores que fazem parte dele desde sua origem, quando do início de sua viagem por um caminho repleto de convergências, mãos duplas e obstáculos.

 

O Início das Linhas de Atuação da Psicologia

 

 

A Psicologia surgiu como ciência em 1879, na Alemanha, marcando a separação entre a especulação filosófica sobre a mente e o método experimental. A partir dessa base científica, desenvolveram-se as primeiras linhas de atuação e abordagens que formaram a base da prática psicológica atual

 

1) Psicanálise: Diversas linhas de pensamento da Psicologia concebem a existência do inconsciente e, dentre essas linhas, é possível destacar:

 

·        Sigmund Freud: Foi o médico austríaco considerado o “Pai da Psicanálise”. A Psicanálise baseia-se em um modelo psíquico composto por três (3) elementos: ID (instinto, lado primitivo), EGO (aquilo que você é, sendo relacionado a valores, atitudes e percepções) SUPEREGO (espécie de censura que o indivíduo se impõe, mas que é determinada pela sociedade). O desenvolvimento desses elementos está relacionado com as etapas importantes da vida, especialmente a infância. Utiliza a análise e a interpretação dos sonhos e também a técnica de associação livre: onde o paciente deve fazer associação entre palavras, ideias e pensamentos, depois interpretá-los. Objetivo: trazer à tona o material que está inconsciente.

·        Carl Gustav Jung: Foi um psiquiatra suíço que utilizava a linha Junguiana, onde também um inconsciente coletivo era compartilhado pela humanidade. São os arquétipos, ou símbolos que atravessam a história e são transculturais, isto é, desde os povos primitivos, em todas as civilizações criam-se as fantasias arcaicas da humanidade. Os sonhos são muito valorizados e vistos como códigos de determinadas passagens da vida.

·        Wilhelm Reich: Foi um médico e psicanalista austríaco que utilizou a linha Reichiana, onde se faz a integração corpo e mente. As tensões musculares crônicas são resultado da influência de regras repressivas que existem na sociedade que impedem a livre circulação da energia vital e causam desequilíbrio emocional. Quebrar as couraças musculares ou tensões crônicas é o objetivo da terapia Reichiana (através de toques, massagens, exercícios) e análise do inconsciente. Dentro do inconsciente individual mostrou a força do componente não verbal (corpo).

·        Jacques Lacan: Francês, médico e psicanalista, “o inconsciente está estruturado como uma linguagem”. Renovador do pensamento freudiano trouxe para a psicanálise elementos estruturalistas e criou uma “clínica do real”.

·        Donald Winnicott: Era um pediatra e psicanalista britânico que introduziu mudanças fundamentais na clínica psicanalítica com crianças. Destacou o desamparo, a dependência infantil de seu ambiente com as mães e as ansiedades catastróficas que acompanham o estado inicial de não-integração do ser humano em especial no contexto infantil ([3])

 

 

Abordagens na Psicoterapia

 

 

·        Cognitiva: Abordagem Cognitiva, Cognitivo Comportamental ou TCC foi desenvolvida por Aron Beck e Albert Ellis. Ela se baseia na ideia de que por trás do sofrimento humano, há pensamentos distorcidos que prejudicam emoções e comportamentos. O foco é ajudar o paciente e perceber esses pensamentos e melhorá-los. Ao mudar o pensamento, o paciente também muda suas ações e sentimentos.

·        Comportamental: Essa abordagem também é chamada de Behaviorista e surgiu por meio dos estudos de Pavlov, Thorndike e Skinner. O foco é na história de aprendizagem da pessoa e nas condições ambientais que mantém comportamentos prejudiciais. O paciente descreve esses comportamentos e condições ambientais para que o psicólogo possa ajudá-lo a transformar os comportamentos através de mudanças no ambiente.

·        Psicodinâmica: A Psicodinâmica é composta por diferentes teorias, sendo a primeira e mais famosa a Psicanálise de Freud. As demais teorias se desenvolveram a partir da Psicanálise, mas se diferenciaram dela. Essas teorias enfatizam a importância de explorar aspectos inconscientes da pessoa, tais como conflitos e desejos. Conhecer e explorar o inconsciente ajuda o paciente a se entender melhor e lidar com dificuldades.

·        Humanista: Essa abordagem também é chamada de Fenomelógico - existencial e possui diferentes variações. As teorias enfatizam a autonomia e a capacidade criativa das pessoas de lidar com suas dificuldades. Alguns nomes importantes dessa abordagem são Carl Rogers, Fritz Perls, Rollo May e outros. A Gestalt terapia é uma variação dessa teoria. Na abordagem humanista, psicólogo e paciente produzem, por meio de uma interação colaborativa, um conhecimento que o paciente pode usar para se entender e se desenvolver melhor.





([1])  DAVIDOFF, Linda L. “Introdução à Psicologia”. Makron Books, São Paulo, 1983,

 

([2])   ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012.

 

([3])  ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012, p. 5



https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

sexta-feira, 3 de julho de 2026

O Regresso a Uma Terra Plana: Um Retrocesso Científico na Idade Média

Por Que, na Visão de Cosmas, a Descrição da Terra Retangular Era Atraente? O Que Descreviam as Teorias dos Antípodas? Por Que os Cristãos Não Podiam Encarar a Possibilidade de Existirem Homens Que Não Descendessem de Adão?  

 

 



As clássicas teorias dos antípodas ([1]) descreviam uma intransponível zona que rodeava o equador e que nos separava de uma região habitada do outro lado do globo e, consequentemente, isso suscitou sérias dúvidas na mente cristã quanto à esfericidade da Terra. Os que viviam na parte de baixo dessa zona não podiam ser da raça de Adão ou incluídos como redimidos pela morte de Cristo. Se uma pessoa acreditava que a Arca de Noé fora parar no Monte Ararat a norte do equador, então não havia maneira de criaturas vivas terem chegado a um antípoda. Para evitar possibilidades heréticas, os cristãos preferiam acreditar que não podia haver antípodas, ou mesmo, se necessário, acreditarem que a Terra não era esférica. Santo Agostinho foi igualmente explícito e dogmático e a sua autoridade reforçada pela de Isidro – pela de Beda e de São Bonifácio – acautelou os espíritos irrefletidos. Os geógrafos da antiguidade não tinham se preocupado com tais problemas.

Mas nenhum cristão podia encarar a possibilidade de existirem homens que não descendessem de Adão ou se encontrassem tão separados deles pelos fogos tropicais que fossem inalcançáveis pelo Evangelho de Cristo. A crença em antípodas tornou-se mais uma das acusações comuns contra os candidatos à fogueira. Alguns conciliadores tentaram aceitar uma Terra esférica por razões geográficas, embora negassem, por razões teológicas, a existência de habitantes antípodas. Mas, o seu número não se multiplicou.

Cosmas de Alexandria – um convertido recente e fanático – foi o autor de “Topographia Christiana”, a qual sobreviveu séculos até hoje para espanto dos cristãos modernos. Não se sabe seu verdadeiro nome, mas chamavam-lhe de Cosmas, dada a fama da sua obra geográfica e teve por alcunha “Viajante Indiano” por ter sido mercador e viajado à volta do Mar Vermelho, do Oceano Índico e indo até o Ceilão. E, depois da sua conversão ao Cristianismo, fez-se monge e retirou-se para um mosteiro no Monte Sinai, onde escreveu suas memórias e sua defesa da visão cristã da Terra.

Esse tratado ilustrado em 12 tomos nos forneceu os mais antigos mapas de origem cristão que chegaram até o nosso tempo. Cosmas recompensou os fiéis com uma medida bem atestada de vitríolo ([2]) contra o erro pagão e um diagrama simples do Universo cristão. Logo no primeiro livro destruiu a heresia da esfericidade da Terra e, a seguir, expôs o seu sistema apoiando-se, claro, nas Escrituras e depois nos doutores da Igreja, e finalmente em algumas fontes não cristãs. O que ele ofereceu foi menos uma teoria do que um simples, claro e atraente modelo visual e, quando o Apóstolo Paulo declarou na Epístola aos Hebreus que o primeiro tabernáculo de Moisés era o modelo deste mundo inteiro, forneceu a Cosmas, de bandeja, o seu plano com todos os pormenores necessários.

Ele não teve qualquer dificuldade em traduzir as palavras de São Paulo para a realidade física, tanto que o primeiro tabernáculo tem regulamentos de culto divino e um santuário terrestre. Com um “santuário terrestre” São Paulo queria significar que “era por assim dizer, um modelo do Mundo, onde estava também o candelabro, significando com isso os luminares do Céu e a mesa; ou seja, a Terra, e o pão da proposição, significando com isso os frutos que ela produz. Quando as escrituras diziam que a mesa do tabernáculo deveria ter 2 cúbitos de comprimento e um de largura, significava que a Terra plana tinha de comprimento, de Leste para Oeste, o dobro da largura. No atraente plano de Cosmas a terra era uma imensa caixa retangular, muito semelhante a uma arca com uma tampa arqueada – a abóboda do Céu – por cima da qual o Criador observava sua obra.

No Norte havia uma grande montanha, à volta da qual o Sol se movia e cujas obstruções à luz solar explicavam as durações variáveis dos dias e das estações. As terras do Mundo eram simétricas no Oriente, os Indianos, no Sul, os Etíopes no Ocidente, os Celtas e no Norte, os Citas. E do Paraíso fluíam os 4 grandes rios: o Ganges, para a Índia; o Nilo através da Etiópia, para o Egito e o Tigres e Eufrates que banhavam a Mesopotâmia. Havia apenas uma face da Terra – aquela que Deus nos dava, os descendentes de Adão – o que tornava qualquer sugestão da existência de antípodas, além de absurda, também uma sugestão herética.       

Geógrafos cristãos encontraram um tesouro de recursos nas antigas fantasias e, desdenhando a ciência pagã que era considerada ameaça à fé cristã, os seus preconceitos não incluíam os mitos pagãos. Estes eram tão numerosos e tão contraditórios que satisfaziam aos mais dogmáticos objetivos cristãos. Apesar de temerem os cálculos muito aproximados da realidade de Erastóstenes, Hiparco e Ptolomeu, adornavam alegremente seus piedosos mapas que tinham Jerusalém como centro, com as mais extravagantes especulações da imaginação pagã. Júlio Solino (cognominado “Contador de Variadas Histórias”) forneceu a fonte do mito geográfico durante todos os anos do grande interregno, do século IV até o século XIV. Provavelmente ele não era cristão e, nove décimos da sua “Coletânea de Coisas Maravilhosas”, publicada entre 230-240 d.C., provinha diretamente da “História Natural” de Plínio, embora Solino sequer mencione o seu nome. E o resto foi forjado com base em outros autores clássicos, pois o talento peculiar de Solino era “extrair a escória e deixar o outro”. Porém, é duvidoso que alguém tenha, durante um período tão longo, influenciado a Geografia tão profunda e nocivamente. No entanto, a escória de Salino exercia grande atração, pois o próprio Santo Agostinho bebeu na sua fonte, assim como outros pensadores da Idade Média. As histórias e as fabulosas imagens de Salino deram vida aos mapas cristãos até a Era dos Descobrimentos e se tornaram uma rede abrangente de fantasia, substituindo a esquecida grelha racional de Latitude e Longitude que tinha sido o legado de Ptolomeu.     

Enquanto uma Terra esférica era a base da cartografia grega, uma Terra plana era a dos Chineses. Na altura em que Ptolomeu fizera seu o trabalho no Ocidente, cartógrafos chineses criaram técnicas de grelhas de mapas e uma rica tradição de cartografia do Mundo, a qual cresceu sem o amnésico interregno que atormentou o Ocidente. Os Gregos também tinham elaborado seu sistema de grelha por meio de linhas de latitude e longitude tão facilmente traçadas à volta de uma esfera. Mas, como era muito difícil projetar uma superfície esférica numa folha plana, na prática o sistema de grelha helênico (de latitude e longitude) não era diferente do que teria sido se eles tivessem concebido a superfície da Terra como sendo plana.

Visto o sistema de grelha helênico ter nascido dos requisitos de uma forma esférica, a grelha retangular chinesa – que tornou possível toda a sua cartografia – deve ter tido outras origens completamente diferentes. Quais? Na consulta aos antigos registros encontramos referências a mapas e a seus usos. A China era simultaneamente a criatura e o criador de uma imensa burocracia que tinha de conhecer as características de suas extensas regiões. E, quando o imperador Zhou viajava pelo seu reino, o geógrafo real ia a seu lado, explicando-lhe a topografia e os produtos característicos de cada parte do país. No apogeu da cartografia religiosa na Europa, os Chineses avançaram firme no sentido da cartografia quantitativa. Antes mesmo de Ptolomeu ter feito o seu trabalho em Alexandria, um pioneiro chinês já tinha projetado uma rede de coordenadas acerca do céu e da Terra e calculado na base dela.

Passados dois séculos, o Ptolomeu chinês – Pei Xiu – aplicou essas técnicas para fazer um mapa da China. No prefácio de seu atlas, Pei Xiu deu instruções para se fazer um mapa na escala devida, com grelhas retangulares: _ “Se traçarmos um mapa sem as divisões graduadas, não existiria maneiras de distinguir entre o que é perto ou longe. Assim, mesmo que existam grandes obstáculos como altas montanhas ou grandes lagos, tudo pode ser tomado em consideração e determinado. Quando o princípio da grelha retangular é devidamente aplicado, então o reto e o curvo, o próximo e o distante não podem ocultar-nos nada da sua forma”.

  



([1])  Quem, em relação a outra pessoa, vive do outro lado da Terra. Habitante de um lugar, no mundo, diametralmente oposto a outro: o japonês é antípoda do brasileiro.

 

([2])  Termo antigo para sulfatos metálicos (cristais com aparência de vidro) e, mais comumente, o ácido sulfúrico. Trata-se de um líquido extremamente corrosivo, nocivo que, na alquimia, representa a purificação, enquanto no sentido figurado refere-se a palavras ou críticas "vitriólicas"; ou seja, amargas, cáusticas e severamente condenatórias


https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos