Conforme o dicionário competência é a faculdade para apreciar e resolver muitos assuntos. As competências humanas (ou soft skills) são habilidades comportamentais, emocionais e sociais que definem como os indivíduos interagem com outros e lida com desafios sociais e profissionais. Atualmente vivenciamos a Era da Automação e da Inteligência Artificial e as competências humanas se tornaram o principal diferencial, em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e na vida pessoal cada vez mais atribulada. Assim sendo, exige-se dos indivíduos a posse de várias capacidades nas áreas em que se diz competente e, por isso, é fundamental o autoconhecimento, a experiência, o auto investimento e o desenvolvimento em determinados segmentos, antes de intitular-se detentor da competência deste assunto em questão.
Vamos pensar nas empresas ou nos contextos profissionais, onde o indivíduo precisa desenvolver maiores e diferentes formas de se manter no emprego. Hoje em dia, muitas organizações esperam que o profissional desenvolva competências em diversas áreas, isto é possível, embora, na maioria das vezes, não seja essencial ao sucesso profissional. Quando o profissional é competente e agrega a isto um aprimoramento constante de habilidades – mantendo-se atualizado quanto ao mercado e sobre as exigências deste, quanto ao perfil do profissional atual – torna-se de grande valor e muitas vezes é até disputado pelas organizações.
Competência e/ou
Habilidade?
É muito natural que a experiência e o domínio numa determinada área proporcione segurança, confiança, facilidade de adaptação e aprendizagem, base para a pró atividade, criatividade e inovação. Logo, a competência favorece o desenvolvimento de diversas habilidades, oferecendo um campo fértil para uma carreira mais sólida ao indivíduo, em uma trajetória de sucesso. É importante entendermos que o sucesso – em qualquer segmento da nossa vida – tem como base o desejo e o estímulo ao crescimento. A ambição é uma perspectiva positiva e que compõe a atitude de um bom profissional, porque o mantém numa busca contínua por melhorar-se e aprimorar-se, gerando resultados produtivos e, como se pode observar, Competências e Habilidades estão diretamente ligadas ([1]). Atualmente, as competências mais valorizadas nos profissionais a incluem:
·
Inteligência Emocional: A capacidade de
reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as dos outros,
permitindo relacionamentos saudáveis e um ambiente de trabalho colaborativo.
·
Comunicação Assertiva: Expressar ideias
de forma clara, empática e objetiva, sabendo também praticar a escuta ativa.
·
Pensamento Crítico: Analisar informações
complexas, questionar premissas e tomar decisões conscientes, algo que as
máquinas não fazem por si sós.
·
Adaptabilidade e Resiliência: A
capacidade de se ajustar rapidamente a novas mudanças e de se recuperar de
situações de adversidade ou estresse.
·
Colaboração e Empatia: Trabalhar em
equipe de maneira sinérgica, respeitando a diversidade e compreendendo a
perspectiva dos colegas.
·
Aprendizado Contínuo: O compromisso
constante em atualizar-se e adquirir novos conhecimentos.
O desenvolvimento dessas
capacidades é fundamental para quem busca crescimento na carreira e, segundo
especialistas, o foco atual das empresas tem sido a contratação e
requalificação profissional (upskilling)
baseada nessas aptidões interpessoais e intrapessoais.
Competências Interpessoais
“Porque é tão difícil as pessoas entenderem claramente o que penso ou as minhas ideias? ” Essa questão incomoda e nos faz refletir diante do desafio da convivência humana e de nos relacionarmos com as mesmas. Na busca constante da conquista pela competência, o primeiro momento é a competência técnica, mas o convívio em grupo nos desperta a necessidade de desenvolver outra competência, que envolve interação em situações de trabalho ou de atividades, exigindo de todos os indivíduos envolvidos nesse processo de interação. A comunicação como forma comum na interação humana, mesmo que seja verbal ou não verbal, é importante no processo de interação, na busca do entendimento, de entender e ser entendido requer esforços, conhecimentos, convivência com o outro, mas a percepção, o autoconhecimento e a auto percepção nos facilitam auxiliar no conhecimento, no convívio com o outro e compreender outro com suas diferenças individuais. O relacionamento interpessoal é e sempre será muito complexo, pois somos indivíduos com sentimentos, emoções, necessidades e por isso, quando nos relacionamos com as pessoas, podemos simpatizar sentir atrações, antipatizar, competir e nos afeiçoar. Essas reações constituem o processo de interação pessoal.
A competência técnica para
desenvolver se busca em cursos, especializações, experiência e conhecimento
literário específico, mas o desenvolvimento da competência interpessoal está na
meta primordial no treinamento de laboratório, ou seja, na vivência dos
contextos do dia a dia. Os componentes da competência interpessoal são a
percepção e a habilidade. A percepção precisa ser treinada, que nos faz trocar
através de técnicas, vivências e jogos, com uso de exercícios, de receber e dar
opinião, proporcionando o crescimento pessoal com a auto percepção, auto
aceitação, autoconhecimento, instrumento esse que possibilita a percepção real
dos outros e da relação interpessoal vivenciada por nós. A habilidade engloba a
flexibilidade perceptiva e comportamental onde se vê a situação de vários
ângulos e atuamos de forma criativa, inovadora e não rotineira, assim permite
ao indivíduo o desenvolvimento da capacidade criativa e o menos convencional e
a habilidade de dar e receber opinião com a finalidade de se construir um
relacionamento interpessoal autêntico.
O relacionamento também é
considerado como um dos componentes, pois se refere a compreender a questão
humana dos indivíduos, envolvidos e integrantes no grupo, a dimensão
emocional-afetiva, que não podemos esquecer-nos de destacar o conteúdo
cognitivo e a relação afetiva no relacionamento interpessoal, o equilíbrio
desses componentes, fará com que o relacionamento humano, de maneira a lidar
com as diferenças individuais cria-se um clima entre as pessoas, podendo o
relacionamento interpessoal torna-se autêntico, duradouro e harmonioso. A Competência
Interpessoal desenvolvida favorece aos integrantes de um grupo e ao
relacionamento interpessoal satisfatório, quando for exercida tais atitudes:
·
Respeito às diferenças individuais (aceitação do
eu e o outro);
·
Comunicação efetiva;
·
Feedback (produtivo, dar e receber);
·
Controle emocional (equilíbrio);
·
Autoconhecimento (auto percepção, auto
aceitação, autocrítica);
Começamos a perceber que, quem
não sabe dialogar prejudica o desenvolvimento dos outros e de si mesmo, tende a
reter informações, subestimar os participantes do grupo e incentivar o
individualismo. A questão fundamental é que o relacionamento com outras
pessoas, passe primeiro pelo relacionamento consigo mesmo. Assim, a Competência
Interpessoal requer uma capacidade de percepção, de auto percepção e de
autocrítica. Quem segue num grupo sem olhar para si, tende a abandonar-se e
abandonar os outros e o grupo.
Competências Intrapessoais
Muitas vezes ouvimos a seguinte frase: Conviver é uma arte! Não é verdade? Sim, desde sempre, nas mais diversas sociedades, a convivência sempre foi um desafio. A busca pelo equilíbrio entre as afinidades, a atração pela falta delas (o diferente), interesses comuns, enfim uma infinidade de razões e emoções entram em jogo. A ideia de desafio foi levada a sério, haveria então a necessidade de uma competência, uma habilidade que solucionasse ou avaliasse um determinado conflito. Foi Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard, que relacionou as múltiplas inteligências do indivíduo, quem classificou entre essas a inteligência Intrapessoal e Interpessoal, já comentada na aula anterior.
O relacionamento intrapessoal
refere-se à capacidade do indivíduo de conhecer a si mesmo, controlar suas
emoções, administrar seus sentimentos, projetos, podendo assim construir um
modelo de si mesmo e utilizar esse modelo a favor de si na tomada de decisões.
Este relacionamento permite que o indivíduo conheça suas capacidades e possa
usá-las da melhor forma possível. Supõe a capacidade de compreender a si mesmo,
de ter um modelo útil e eficaz de si, que inclua os próprios desejos, medos e
capacidades de empregar esta informação com eficiência na regulação da própria
vida.
Manifestam-se positivamente em
pessoas possuidoras de boa autoestima e capazes de boa interação. Diretamente
relacionada ao autoconhecimento, é a habilidade de controlar e administrar suas
emoções e sentimentos. Esse conhecimento e autocontrole trabalham em favor do
indivíduo, são ferramentas eficazes e positivamente manifestadas em pessoas com
elevada autoestima e que interagem com facilidade. O reconhecimento de
habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprias é a capacidade para
formular uma imagem precisa de si própria e a habilidade para usar essa imagem
para funcionar de forma efetiva.
Assim, a expressão intrapessoal é
a nossa relação com os nossos sonhos, desejos, angústias, aspirações, emoções e
tudo que se refere aos nossos próprios sentimentos, sejam eles, positivos ou
negativos. É a partir desses estímulos internos, que nos relacionamos com o
externo. É da “conversa” que consigo ter comigo e do conhecimento real das
minhas emoções que exteriorizo, ou seja, que comunico verbal (fala) ou não
verbal (gestos e expressões corporais) e estabeleço meus elos, meus
relacionamentos com as pessoas. O oposto ao sentimento de conflito é a harmonia,
um estado de ordem, simetria, acordo e conformidade. Pondo em ordem minhas
emoções, entram em acordo com a vida e transmito um estado de paz.

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