segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

As Primeiras Civilizações Humanas

 Aonde Surgiram as Primeiras Cidades? Como Era a Estrutura Hierárquica na Antiga Mesopotâmia? E na Civilização Egípcia? Que Influências a Civilização Grega Exerce Sobre Nós Até Hoje?




 

Para muitos estudiosos, o início da civilização ocorreu por volta do ano de 4000 a.C. com o desenvolvimento da agricultura e o sedentarismo, os quais permitiram o surgimento de aldeias permanentes e posteriormente algumas cidades. As primeiras grandes civilizações – Mesopotâmia (rios Tigre e Eufrates), do Egito (rio Nilo) e do Vale do Indo – surgiram em áreas férteis e próximas a grandes rios. Esse período foi marcado pela invenção da escrita (como a cuneiforme pelos sumérios), que é usada para delimitar o fim da Pré-História e o início da Idade Antiga. Atualmente onde está localizado o Iraque, a sudoeste do Irã, a leste da Síria e a sudeste da Turquia (no Oriente Médio localizava-se a Mesopotâmia, cujo nome significa “entre – rios”. Situava-se entre os rios Tigre e Eufrates. Diversos povos, como os sumérios, acádios, assírios e babilônios viveram nessa região. Esses povos apresentavam muitas diferenças entre si, contudo, o grande contato existente entre eles permitiu a formação de culturas muito semelhantes. A civilização mesopotâmica concentrou-se nas cidades-estados do Sul, área chamada de Suméria devido ao idioma falado na região, a língua suméria. As cidades=estado, como Uruk, Kish, Acádia e Ur, vez ou outra se ligavam através do comércio ou por relações diplomáticas, cooperavam e competiam entre si, fortaleciam ou decaíam, dominavam ou eram dominadas por outras cidades e povos.

Na Mesopotâmia, a sociedade apresentava uma hierarquia e estrutura que tinha um soberano como centralizador do poder. Existia ainda a classe de especialistas como burocratas, escribas e mercadores, profissionais que eram necessários para a organização e administração da sociedade mesopotâmica. Assim como na maior parte das sociedades antigas, a religião era politeísta. Para os povos da Mesopotâmia os elementos da natureza como a terra, os rios, o Sol e a Lua eram considerados sagrados. Em certos períodos, cada cidade possuía seus próprios deuses. Na área das ciências, os povos mesopotâmicos se destacaram na astronomia e na matemática. Na área da astronomia estudaram as estrelas e planetas, criaram o calendário lunar de doze meses. Já na matemática dedicavam-se em resolver problemas de geometria e aritmética. Sendo assim, conforme alguns historiadores, a Mesopotâmia sempre exerceu muita influência sobre outros povos.

 

A Civilização Egípcia

 

O Egito – situado no Nordeste do continente africano – limitava-se a uma extensa faixa de terra fértil às margens do rio Nilo. Essa faixa de terra (20 km de largura) era fertilizada de tempos em tempos pelas cheias no Nilo. O “Egito Antigo” corresponde ao período de 4000 a.C. até a época que ele foi dominado pelos romanos, no século I a.C. Inicialmente a população egípcia viva em aldeias, nomos, que foram unificadas e submetidas ao governo de um único imperador, denominado Faraó. De 2686 a.C. a 2052 a.C. - período conhecido como Antigo Império, houve o desenvolvimento da agricultura e a construção das grandes pirâmides. Foi um dos principais períodos da história egípcia. A sociedade egípcia apresentava a seguinte formação: faraó, nobreza, sacerdotes, escribas, artesãos, camponeses e escravos. O faraó era considerado com um deus pelos egípcios. A nobreza era um grupo social de elite vinculada às principais atividades econômicas. Os escribas dominavam a leitura e a escrita e por esse motivo trabalhavam para o Estado egípcio e também para os templos. Na base social encontramos os artesãos, camponeses e escravos. Os egípcios, assim como outros povos da Antiguidade, eram politeístas divindades. Os deuses possuíam poderes próprios. Suas aparências eram diferentes das que estamos acostumados a ver, pois, esses deuses podiam ter forma humana (antropomórfica), ou humana e animal (antropozoomórfica), ou ainda só forma de animal (zoomórfica). Para a religião egípcia os animais como o boi, o crocodilo e o gato eram vistos também como elementos sagrados. Anúbis, deus da morte, era representado com cabeça de chacal num corpo com forma humana. A civilização egípcia ainda exerce forte influência cultural e tecnológica nas sociedades atuais. Em várias áreas do conhecimento humano, estes africanos se destacaram na astronomia, na geometria, na matemática, na criação de calendário solar com ano de 365 dias, dividido em doze (12) meses de trinta dias.

 

As Pirâmides do Egito

 

As pirâmides foram construídas como tumbas permanentes para os faraós, onde eles e os bens que eles possuíam seriam levados para o outro mundo. Os egípcios antigos acreditavam na vida após a morte. Durante muito tempo preparavam-se para a morte, para os rituais funerários e para a vida futura. Segundo eles a alma ia para outro mundo, assim, as almas só poderiam sobreviver se o corpo fosse bem preservado, sem apodrecer. Dessa forma, os corpos eram mumificados. Os não faraós e nobres eram enterrados em buracos na areia quente ou numa tumba muito simples, cavada no chão. De acordo com essa crença, o morto era julgado no Tribunal de Osíris. O coração dele era pesado e, de acordo com o que havia feito em vida, receberia um julgamento. Para aqueles que foram considerados bons, haveria o paraíso, já para aqueles que tiveram uma vida má, Ammut devoraria o coração.

 

A Civilização Grega

 

Desde a Antiguidade até os dias atuais, a civilização grega exerce em todos nós muitas influências. Você consegue perceber quais seriam essas influências? Vejamos alguns exemplos: as Olimpíadas, a democracia, o teatro clássico na sua forma de drama ou de comédia, a vida militar, a medicina, enfim, a influência da Grécia Antiga em nosso dia a dia está mais presente do que possamos imaginar. Atualmente a Grécia é considerada uma nação pobre, não possui expressão política ou econômica na Europa. Por outro lado, na Antiguidade, o mundo grego era considerado um importante elo entre os diversos centros de civilização. A importância da Grécia se evidenciava por ser um importante pilar da cultura do mundo ocidental, do pensamento racional que valorizava o uso da razão e o conhecimento científico. A Grécia é considerada uma das bases da civilização ocidental, isto é, apresentou importantes contribuições na política, arte, pensamento científico e filosófico. Por sua vez, ela também foi influenciada pelas contribuições das civilizações orientais e, ainda, por ter elaborado as visões de mundo que caracterizaram o Renascimento Cultural europeu entre os séculos XIV (1301- 1400) - XVI (1501-1600). A Grécia Antiga não formou exatamente o que entendemos por um Império unificado em torno de um único governo. Por volta de 700 a.C., a Grécia estava organizada em diversas cidades, as cidades-estados, ou seja, cada uma delas possuía uma forma própria de organização política, administrativa, econômica e jurídica. 

Atenas e Esparta foram as cidades-estados gregas que mais se destacaram devido ao poderio. A ciência, a filosofia, as artes e a democracia tiveram grande importância entre os atenienses. Já em Esparta, a arte da guerra e a vida militar foram uma das principais características daquela sociedade. Diferentemente das mulheres atenienses, as espartanas eram mais independentes da figura masculina. O filme 300 (de Zack Snyder, 2007) apresenta trechos onde o diretor do filme apresenta algumas diferenças entre espartanos e atenienses. Devido à existência de um clima quente e seco e o fato do território da Grécia ser montanhoso, a agricultura não encontrou condições adequadas para se desenvolver. Naturalmente se desenvolvia a agricultura em algumas áreas da Grécia, porém, ela não era autossuficiente na produção de grãos. Basicamente a sociedade grega era formada pelos cidadãos e os não cidadãos. Os cidadãos formavam a classe social mais privilegiada; eram os nascidos nas cidades-estados; somente eles podiam participar das decisões políticas; possuíam as melhores terras e podiam falar nos tribunais. As mulheres gregas não eram consideradas cidadãs. Em geral eram controladas sempre por uma figura masculina, inicialmente controlada pelo pai e mais tarde pelo marido. A mulher geralmente casava-se por volta dos 15 anos, enquanto o marido poderia ser muito mais velho que a noiva. As mulheres gregas não tinham direito à herança e não podiam participar da vida política. Era permitido às mulheres gregas somente os cuidados domésticos, gerar filhos e cuidar de seus maridos. Na Grécia Antiga existiam também os metecos, geralmente comerciantes nascidos fora da cidade-estado; eram livres, mas não tinham direitos políticos. Na Grécia, como na maior parte do mundo antigo, também existia a figura dos escravos. Alguns deles eram prisioneiros de guerra, comercializados em mercados de escravos, ou ainda quando uma pessoa não pagava suas dívidas ficava obrigada à condição de escravo. A religião grega antiga era politeísta; acreditavam em vários deuses e deusas que eram protetores das diversas cidades gregas. Os deuses tinham características, virtudes ou até mesmo as falhas humanas. Veremos abaixo algumas características dessa importante civilização:

 

·        A Origem da Democracia: A Democracia teve origem na cidade-estado de Atenas. Inicialmente essa cidade estava organizada politicamente sob uma monarquia, passando ainda por regimes aristocráticos e tirânicos, até chegar ao princípio de igualdade entre todos os cidadãos. Porém, como acontecia também em outras cidades gregas, mulheres, escravos e estrangeiros não faziam parte da democracia ateniense, pois não eram considerados cidadãos e, portanto, não poderiam fazer parte do processo político da cidade.

·        A Ciência Grega: A ciência é um tipo de conhecimento que tem por objetivo entender e explicar o mundo. A ciência, como nós a conhecemos nos dias de hoje, teve suas origens nos gregos antigos, uma vez que foram eles que fizeram uso do pensamento científico e assim buscar com o uso da razão, da lógica e da observação, respostas possíveis para os problemas colocados pela vida. O conhecimento prático era usado no dia a dia para tornar a vida mais fácil. Algumas pessoas devido ao uso desse conhecimento foram adquirindo conhecimentos na matemática e na observação astronômica, mas sempre com o objetivo de resolver questões de ordem prática. Dessa forma, a matemática era utilizada no comércio e na construção de prédios ou templos.

 

A Civilização Romana

 

Roma – capital da Itália – conta com uma população de aproximadamente três (3) milhões de habitantes e, no início, ela era simplesmente um grupo de vilarejos próximo do rio Tibre, no centro da Península Itálica. Roma, ao longo da Antiguidade, passou por três fases políticas: Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.) sendo governada por reis; República (510 a.C. a 27 d.C.) governada por dois cônsules eleitos pelo Senado, e Império (27 d.C. a 476 d.C.) na qual Roma, capital do Império Romano do Ocidente, foi governada por imperadores. De uma pequena aldeia a influência de Roma ao longo de sua história foi se estendendo para além da Península Itálica, atingindo toda a Europa, Ásia Menor e Norte da África. Enfim, Roma dominou praticamente todo o chamado mundo mediterrânico, mar que inclusive ficou conhecido pelos romanos como mare est nostrum, isto é, nosso mar.

No fim do século II (101 d.C. a 200 d.C.), o Império Romano do Ocidente estava começando a apresentar sinais de crise. Povos bárbaros, povos que não falavam a língua grega e a latina e que viviam fora das fronteiras do império, passaram a invadir o território romano, seja de forma pacífica ou violenta, não encontrando muita resistência por parte do exército romano. A sociedade romana basicamente era formada pelas seguintes classes sociais: patrícios (elite aristocrática, a mais rica), plebeus (cidadãos comuns) e escravos. Na Antiguidade, uma pessoa poderia vir a se tornar escravo nas seguintes condições: quando do não pagamento de dívidas, prisioneiro de guerra ou ainda filho de escravos. A agricultura era a principal atividade econômica dos romanos. A maioria da população dependia dessa atividade para trabalhar e assim ter o que comer. Grande parte da riqueza produzida em Roma vinha do campo. O homem que trabalhava no campo era alguém de valor e tinha o reconhecimento da sociedade romana. Fosse grande ou pequeno proprietário todos utilizavam a mão de obra escrava. A religião romana antiga era politeísta, ou seja, existia a crença em muitos deuses. A religião grega, com seus deuses e deusas serviram de modelo para os deuses romanos:

 

 

Comparação Entre as Divindades Gregas e Romanas

 

 

·        Divindades Gregas: Afrodite (deusa do amor; Ares (deus da guerra); Hermes (mensageiro dos deuses, deus dos viajantes); Zeus (deus dos deuses dos céus).

·        Divindades Romanas: Vênus (deusa do amor); Marte (deus da guerra); Mercúrio (mensageiro dos deuses, deus da venda, lucro e comércio); Júpiter (deus romano do dia).

 

Após a morte de Jesus Cristo, o Cristianismo passou a ser divulgado inicialmente pelos apóstolos e pelos seguidores que aumentavam dia a dia. Os cristãos passaram a não mais aceitar o caráter divino do imperador e por esse motivo foram perseguidos pelo governo romano. De uma religião perseguida inicialmente, em 391, a Igreja Católica, representante do cristianismo, passou a ser a religião oficial do Império Romano. Os romanos antigos deixaram muitas heranças e contribuições para o mundo ocidental atual. Na engenharia e arquitetura os romanos antigos se destacaram na construção de grandes obras como estradas, aquedutos, estádios, sendo o Coliseu um dos mais conhecidos com capacidade para 50 mil pessoas. O idioma dos romanos, o latim, originou novas línguas como o português, o francês, o espanhol e o italiano. A literatura romana antiga serviu também de inspiração para outros escritores tempos mais tarde. Do ponto de vista das leis, o Direito romano até hoje é uma referência para os diversos sistemas jurídicos dos países do mundo ocidental. Nas artes, vale destacar a escultura e a pintura, bem como os mosaicos, feitos de pedaços de pedra ou cerâmica que eram empregados na decoração de paredes e pisos.

 

 

REFERÊNCIAS

 

LIMA, Ederson Prestes Santos; SCHENA, Denilson Roberto; CHAVES, Edilson Aparecido. História II. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.

PINSKI, Jaime. As Primeiras Civilizações. Ed. Contexto. São Paulo, 2004

 

 

 

Nenhum comentário :

Postar um comentário