Aonde Surgiram as Primeiras Cidades? Como Era a Estrutura Hierárquica na Antiga Mesopotâmia? E na Civilização Egípcia? Que Influências a Civilização Grega Exerce Sobre Nós Até Hoje?
Para muitos estudiosos, o início da civilização ocorreu por volta do ano de 4000 a.C. com o desenvolvimento da agricultura e o sedentarismo, os quais permitiram o surgimento de aldeias permanentes e posteriormente algumas cidades. As primeiras grandes civilizações – Mesopotâmia (rios Tigre e Eufrates), do Egito (rio Nilo) e do Vale do Indo – surgiram em áreas férteis e próximas a grandes rios. Esse período foi marcado pela invenção da escrita (como a cuneiforme pelos sumérios), que é usada para delimitar o fim da Pré-História e o início da Idade Antiga. Atualmente onde está localizado o Iraque, a sudoeste do Irã, a leste da Síria e a sudeste da Turquia (no Oriente Médio localizava-se a Mesopotâmia, cujo nome significa “entre – rios”. Situava-se entre os rios Tigre e Eufrates. Diversos povos, como os sumérios, acádios, assírios e babilônios viveram nessa região. Esses povos apresentavam muitas diferenças entre si, contudo, o grande contato existente entre eles permitiu a formação de culturas muito semelhantes. A civilização mesopotâmica concentrou-se nas cidades-estados do Sul, área chamada de Suméria devido ao idioma falado na região, a língua suméria. As cidades=estado, como Uruk, Kish, Acádia e Ur, vez ou outra se ligavam através do comércio ou por relações diplomáticas, cooperavam e competiam entre si, fortaleciam ou decaíam, dominavam ou eram dominadas por outras cidades e povos.
Na Mesopotâmia, a sociedade
apresentava uma hierarquia e estrutura que tinha um soberano como centralizador
do poder. Existia ainda a classe de especialistas como burocratas, escribas e
mercadores, profissionais que eram necessários para a organização e
administração da sociedade mesopotâmica. Assim como na maior parte das
sociedades antigas, a religião era politeísta. Para os povos da Mesopotâmia os
elementos da natureza como a terra, os rios, o Sol e a Lua eram considerados
sagrados. Em certos períodos, cada cidade possuía seus próprios deuses. Na
área das ciências, os povos mesopotâmicos se destacaram na astronomia e na
matemática. Na área da astronomia estudaram as estrelas e planetas, criaram o
calendário lunar de doze meses. Já na matemática dedicavam-se em resolver
problemas de geometria e aritmética. Sendo assim, conforme alguns
historiadores, a Mesopotâmia sempre exerceu muita influência sobre outros
povos.
A Civilização Egípcia
O Egito – situado no Nordeste do
continente africano – limitava-se a uma extensa faixa de terra fértil às
margens do rio Nilo. Essa faixa de terra (20 km de largura) era fertilizada de
tempos em tempos pelas cheias no Nilo. O “Egito Antigo” corresponde ao período
de 4000 a.C. até a época que ele foi dominado pelos romanos, no século I a.C.
Inicialmente a população egípcia viva em aldeias, nomos, que foram
unificadas e submetidas ao governo de um único imperador, denominado Faraó. De
2686 a.C. a 2052 a.C. - período conhecido como Antigo Império, houve o
desenvolvimento da agricultura e a construção das grandes pirâmides. Foi um dos
principais períodos da história egípcia. A sociedade egípcia apresentava a
seguinte formação: faraó, nobreza, sacerdotes, escribas, artesãos, camponeses e
escravos. O faraó era considerado com um deus pelos egípcios. A nobreza era um
grupo social de elite vinculada às principais atividades econômicas. Os
escribas dominavam a leitura e a escrita e por esse motivo trabalhavam para o
Estado egípcio e também para os templos. Na base social encontramos os
artesãos, camponeses e escravos. Os egípcios, assim como outros povos da
Antiguidade, eram politeístas divindades. Os deuses possuíam poderes próprios. Suas
aparências eram diferentes das que estamos acostumados a ver, pois, esses
deuses podiam ter forma humana (antropomórfica), ou humana e animal (antropozoomórfica),
ou ainda só forma de animal (zoomórfica). Para a religião egípcia os animais
como o boi, o crocodilo e o gato eram vistos também como elementos sagrados.
Anúbis, deus da morte, era representado com cabeça de chacal num corpo com
forma humana. A civilização egípcia ainda exerce forte influência cultural e
tecnológica nas sociedades atuais. Em várias áreas do conhecimento humano,
estes africanos se destacaram na astronomia, na geometria, na matemática, na
criação de calendário solar com ano de 365 dias, dividido em doze (12) meses de
trinta dias.
As Pirâmides do Egito
As pirâmides foram construídas
como tumbas permanentes para os faraós, onde eles e os bens que eles possuíam
seriam levados para o outro mundo. Os egípcios antigos acreditavam na vida após
a morte. Durante muito tempo preparavam-se para a morte, para os rituais
funerários e para a vida futura. Segundo eles a alma ia para outro mundo,
assim, as almas só poderiam sobreviver se o corpo fosse bem preservado, sem
apodrecer. Dessa forma, os corpos eram mumificados. Os não faraós e nobres eram
enterrados em buracos na areia quente ou numa tumba muito simples, cavada no
chão. De acordo com essa crença, o morto era julgado no Tribunal de Osíris. O
coração dele era pesado e, de acordo com o que havia feito em vida, receberia
um julgamento. Para aqueles que foram considerados bons, haveria o paraíso, já
para aqueles que tiveram uma vida má, Ammut devoraria o coração.
A Civilização Grega
Desde a Antiguidade até os dias
atuais, a civilização grega exerce em todos nós muitas influências. Você
consegue perceber quais seriam essas influências? Vejamos alguns exemplos: as
Olimpíadas, a democracia, o teatro clássico na sua forma de drama ou de
comédia, a vida militar, a medicina, enfim, a influência da Grécia Antiga em
nosso dia a dia está mais presente do que possamos imaginar. Atualmente a
Grécia é considerada uma nação pobre, não possui expressão política ou
econômica na Europa. Por outro lado, na Antiguidade, o mundo grego era
considerado um importante elo entre os diversos centros de civilização. A
importância da Grécia se evidenciava por ser um importante pilar da cultura do
mundo ocidental, do pensamento racional que valorizava o uso da razão e o
conhecimento científico. A Grécia é considerada uma das bases da civilização
ocidental, isto é, apresentou importantes contribuições na política, arte,
pensamento científico e filosófico. Por sua vez, ela também foi influenciada
pelas contribuições das civilizações orientais e, ainda, por ter elaborado as
visões de mundo que caracterizaram o Renascimento Cultural europeu entre os
séculos XIV (1301- 1400) - XVI (1501-1600). A Grécia Antiga não formou
exatamente o que entendemos por um Império unificado em torno de um único
governo. Por volta de 700 a.C., a Grécia estava organizada em diversas cidades,
as cidades-estados, ou seja, cada uma delas possuía uma forma própria de
organização política, administrativa, econômica e jurídica.
Atenas e Esparta foram as
cidades-estados gregas que mais se destacaram devido ao poderio. A ciência, a
filosofia, as artes e a democracia tiveram grande importância entre os atenienses.
Já em Esparta, a arte da guerra e a vida militar foram uma das principais
características daquela sociedade. Diferentemente das mulheres atenienses, as
espartanas eram mais independentes da figura masculina. O filme 300 (de Zack
Snyder, 2007) apresenta trechos onde o diretor do filme apresenta algumas
diferenças entre espartanos e atenienses. Devido à existência de um clima
quente e seco e o fato do território da Grécia ser montanhoso, a agricultura
não encontrou condições adequadas para se desenvolver. Naturalmente se
desenvolvia a agricultura em algumas áreas da Grécia, porém, ela não era
autossuficiente na produção de grãos. Basicamente a sociedade grega era
formada pelos cidadãos e os não cidadãos. Os cidadãos formavam a classe social
mais privilegiada; eram os nascidos nas cidades-estados; somente eles podiam
participar das decisões políticas; possuíam as melhores terras e podiam falar
nos tribunais. As mulheres gregas não eram consideradas cidadãs. Em geral
eram controladas sempre por uma figura masculina, inicialmente controlada pelo
pai e mais tarde pelo marido. A mulher geralmente casava-se por volta dos 15
anos, enquanto o marido poderia ser muito mais velho que a noiva. As mulheres
gregas não tinham direito à herança e não podiam participar da vida política.
Era permitido às mulheres gregas somente os cuidados domésticos, gerar filhos e
cuidar de seus maridos. Na Grécia Antiga existiam também os metecos,
geralmente comerciantes nascidos fora da cidade-estado; eram livres, mas não
tinham direitos políticos. Na Grécia, como na maior parte do mundo antigo,
também existia a figura dos escravos. Alguns deles eram prisioneiros de
guerra, comercializados em mercados de escravos, ou ainda quando uma pessoa não
pagava suas dívidas ficava obrigada à condição de escravo. A religião grega
antiga era politeísta; acreditavam em vários deuses e deusas que eram
protetores das diversas cidades gregas. Os deuses tinham características,
virtudes ou até mesmo as falhas humanas. Veremos abaixo algumas características
dessa importante civilização:
·
A Origem da Democracia: A Democracia teve
origem na cidade-estado de Atenas. Inicialmente essa cidade estava organizada
politicamente sob uma monarquia, passando ainda por regimes aristocráticos e
tirânicos, até chegar ao princípio de igualdade entre todos os cidadãos. Porém,
como acontecia também em outras cidades gregas, mulheres, escravos e
estrangeiros não faziam parte da democracia ateniense, pois não eram
considerados cidadãos e, portanto, não poderiam fazer parte do processo
político da cidade.
·
A Ciência Grega: A ciência é um tipo de
conhecimento que tem por objetivo entender e explicar o mundo. A ciência, como
nós a conhecemos nos dias de hoje, teve suas origens nos gregos antigos, uma
vez que foram eles que fizeram uso do pensamento científico e assim buscar com
o uso da razão, da lógica e da observação, respostas possíveis para os
problemas colocados pela vida. O conhecimento prático era usado no dia a dia
para tornar a vida mais fácil. Algumas pessoas devido ao uso desse conhecimento
foram adquirindo conhecimentos na matemática e na observação astronômica, mas
sempre com o objetivo de resolver questões de ordem prática. Dessa forma, a
matemática era utilizada no comércio e na construção de prédios ou templos.
A Civilização Romana
Roma – capital da Itália – conta com
uma população de aproximadamente três (3) milhões de habitantes e, no início,
ela era simplesmente um grupo de vilarejos próximo do rio Tibre, no centro da
Península Itálica. Roma, ao longo da Antiguidade, passou por três fases
políticas: Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.) sendo governada por reis; República
(510 a.C. a 27 d.C.) governada por dois cônsules eleitos pelo Senado, e Império
(27 d.C. a 476 d.C.) na qual Roma, capital do Império Romano do Ocidente, foi
governada por imperadores. De uma pequena aldeia a influência de Roma ao
longo de sua história foi se estendendo para além da Península Itálica,
atingindo toda a Europa, Ásia Menor e Norte da África. Enfim, Roma dominou
praticamente todo o chamado mundo mediterrânico, mar que inclusive ficou
conhecido pelos romanos como mare est nostrum, isto é, nosso mar.
No fim do século II (101 d.C. a
200 d.C.), o Império Romano do Ocidente estava começando a apresentar sinais de
crise. Povos bárbaros, povos que não falavam a língua grega e a latina e que
viviam fora das fronteiras do império, passaram a invadir o território romano,
seja de forma pacífica ou violenta, não encontrando muita resistência por parte
do exército romano. A sociedade romana basicamente era formada pelas seguintes
classes sociais: patrícios (elite aristocrática, a mais rica), plebeus
(cidadãos comuns) e escravos. Na Antiguidade, uma pessoa poderia vir a se
tornar escravo nas seguintes condições: quando do não pagamento de dívidas,
prisioneiro de guerra ou ainda filho de escravos. A agricultura era a
principal atividade econômica dos romanos. A maioria da população dependia dessa
atividade para trabalhar e assim ter o que comer. Grande parte da riqueza
produzida em Roma vinha do campo. O homem que trabalhava no campo era alguém de
valor e tinha o reconhecimento da sociedade romana. Fosse grande ou pequeno
proprietário todos utilizavam a mão de obra escrava. A religião romana
antiga era politeísta, ou seja, existia a crença em muitos deuses. A religião
grega, com seus deuses e deusas serviram de modelo para os deuses romanos:
Comparação Entre as
Divindades Gregas e Romanas
·
Divindades Gregas: Afrodite (deusa do
amor; Ares (deus da guerra); Hermes (mensageiro dos deuses, deus dos viajantes);
Zeus (deus dos deuses dos céus).
·
Divindades Romanas: Vênus (deusa do amor);
Marte (deus da guerra); Mercúrio (mensageiro dos deuses, deus da venda, lucro e
comércio); Júpiter (deus romano do dia).
Após a morte de Jesus Cristo, o
Cristianismo passou a ser divulgado inicialmente pelos apóstolos e pelos
seguidores que aumentavam dia a dia. Os cristãos passaram a não mais aceitar o
caráter divino do imperador e por esse motivo foram perseguidos pelo governo
romano. De uma religião perseguida inicialmente, em 391, a Igreja Católica,
representante do cristianismo, passou a ser a religião oficial do Império
Romano. Os romanos antigos deixaram muitas heranças e contribuições para o
mundo ocidental atual. Na engenharia e arquitetura os romanos antigos se
destacaram na construção de grandes obras como estradas, aquedutos, estádios,
sendo o Coliseu um dos mais conhecidos com capacidade para 50 mil pessoas. O
idioma dos romanos, o latim, originou novas línguas como o português, o
francês, o espanhol e o italiano. A literatura romana antiga serviu também
de inspiração para outros escritores tempos mais tarde. Do ponto de vista das
leis, o Direito romano até hoje é uma referência para os diversos sistemas
jurídicos dos países do mundo ocidental. Nas artes, vale destacar a escultura e
a pintura, bem como os mosaicos, feitos de pedaços de pedra ou cerâmica que
eram empregados na decoração de paredes e pisos.
REFERÊNCIAS
LIMA, Ederson Prestes Santos; SCHENA, Denilson Roberto; CHAVES, Edilson Aparecido. História II. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.
PINSKI, Jaime. As Primeiras Civilizações. Ed. Contexto. São Paulo,
2004

Nenhum comentário :
Postar um comentário