quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Inteligência Artificial e o Profissional de Marketing

 Qual o Principal Objetivo da Inteligência Artificial? Quais as Três Funções Mais Comuns da IA? Como São Classificadas as IA’s Quanto às Suas Aparências? Quais São as Quatro Metodologias de Aprendizagem da IA?

 



 

Inteligência Artificial (IA) é a capacidade de algumas máquinas poderem simular a inteligência humana a fim de aprender, raciocinar, resolver problemas e tomar decisões, usando grandes volumes de dados e algoritmos para reconhecer padrões e realizar tarefas complexas como traduzir idiomas, analisar dados e criar conteúdo novo (IA generativa), com aplicações de assistentes virtuais como Google, Siri e outros. Russel & Norvig (2013) explicam que a inteligência artificial reproduz faculdades humanas como a criatividade, auto aperfeiçoamento e uso da linguagem. Para eles, a inteligência está relacionada a uma ação racional, ou seja, a inteligência permite adotar a melhor ação possível para determinada situação. Então, o objetivo é que o sistema realize funções que se um humano fosse realizar, seriam consideradas inteligentes para o ser humano. Esses autores nos lembram que as tecnologias de inteligência artificial servem de base para muitas das ferramentas que usamos na internet, e que os profissionais de marketing utilizam para melhorar suas estratégias, como os mecanismos de pesquisa, os sistemas de recomendações. Para que a inteligência artificial chegasse ao ponto que vivenciamos, teve influência de várias áreas das ciências. 

Gabriel (2018) explica que existem duas linhas de pensamento que se referem à inteligência humana que baseiam o desenvolvimento da computação, a abordagem simbólica e a conexionista. A abordagem simbólica simula o comportamento inteligente, enquanto a conexionista simula o funcionamento do cérebro. Assim, enquanto a computação simbólica é baseada em programação (de cima para baixo), a conexionista se baseia em aprendizagem (de baixo para cima), que é a base da IA acreditando-se que a inteligência está na forma de processar a informação e não na informação em si –a capacidade de resolver problemas, e não de seguir regras (GABRIEL, 2018, p. 191). De forma bem simplista, a inteligência artificial é uma inteligência similar à inteligência humana praticada pelos softwares. Ela explica que o avanço na neurociência e da capacidade de hardware alcançados na última década permitiram que a computação conexionista alavancasse, baseando-se na aprendizagem da máquina. O que é importante frisar neste sentido, é que a máquina não é programada, mas sim que a máquina aprende. E como o profissional de marketing pode aproveitar a inteligência artificial a seu favor? Gabriel (2018) sugere três (3) funções mais comuns da inteligência artificial:

 

·        Visão Computacional: Como reconhecer objetos?

·        Processamento de Linguagem Natural: Como obter significados a partir da linguagem e fornecer significados por meio de sentenças criadas?

·        Raciocínio: Como combinar informações para se chegar a conclusões?

 

Outras aplicações da inteligência artificial são o reconhecimento de voz, a tradução automática, o combate ao spam e várias outras tecnologias que utilizamos no marketing digital, as quais veremos a seguir.

 

Machine Learning (Ml)

 

O objetivo de conhecer e utilizar a inteligência artificial é tornar a experiência do cliente cada vez mais personalizada, assim uma experiência cada vez melhor.  Isso porque com a inteligência artificial conseguimos usar as informações a favor das organizações e dos clientes.  Uma das ferramentas que ajudarão os profissionais de marketing é a machine learning. Gabriel (2018, p. 197) explica que Machine Learning ou “aprendizagem de máquinas” é um campo da inteligência artificial que lida com algoritmos que permitem a um programa aprender, ou seja, os programadores humanos não precisam especificar um código que determina as ações ou previsões que o programa vai realizar em determinada situação. Em vez disso o código reconhece padrões e similaridades das suas experiências anteriores e assume a ação apropriada baseada nesses dados. De uma forma bem simples, machine learning é quando a máquina aprende sozinha e toma decisões a partir dos padrões que encontrou nos dados. Partindo deste princípio e entendendo que a internet proporciona uma imensidão de dados é quase uma obrigação que os profissionais de marketing usem essa tecnologia para aprimorar suas estratégias. Quanto à forma de aprendizagem, Gabriel (2018) explica que existem quatro (4) metodologias:

 

1.     Aprendizagem Supervisionada: Envolve um “professor” que seja mais experiente no assunto do que a máquina, que alimenta alguns exemplos de dados sobre aquilo que ele já sabe sobre as respostas. Como exemplos, Gabriel (2018) cita os sistemas de reconhecimento de fala dos smartphones (Siri, Cortana), que fazem um teste com a voz antes de começar a funcionar; sistemas de e-mail que com base nas informações passadas filtram as novas mensagens em normais ou spam.

2.     Aprendizagem Não Supervisionada (Free Learning): Neste caso, Gabriel (2018) explica que é utilizada quando não existem exemplos de dados com respostas conhecidas.  Um exemplo é quando o sistema “aprende” quem é quem e organiza as fotos em vários arquivos separados, cada um com fotos de apenas uma pessoa.

3.     Aprendizagem Semi-Supervisionada: Aqui a situação é a seguinte, “deseja-se resolver um problema, mas o modelo precisa aprender as estruturas e organizar os dados, bem como fazer predições. Os dados de entrada são uma mistura de exemplos conhecidos e desconhecidos” (GABRIEL, 2018, p. 202). A autora cita como exemplo de aplicação a classificação de webpages, caso seja necessário classificar qualquer site em uma categoria existente, como educacional, shopping, fórum etc. Em vez de usar humanos durante meses para varrer milhares de páginas na web, pode-se escrever um programa para coletar esse enorme volume de páginas em apenas algumas horas.

4.     Aprendizagem Por Reforço: Neste caso, a machine learning tomará decisões a partir da experiência (tentativa e erro), utilizando a Psicologia Comportamental, construída por observação de resultados de ações (GABRIEL, 2018, p. 203). A tomada de decisão é baseada na observação do ambiente e agindo de acordo com sistemas de recompensas e punições, Gabriel (20118) lembra que o aprendizado não é baseado em exemplos, mas em resultados a serem alcançado, o sistema tenta descobrir por si só o que fazer para maximizar a recompensa. Um exemplo desta situação “é o videogame RoboSumo, no qual robôs lutam sumô controlados por machine learning e vão aprendendo conforme competem, tornando-se mais ágeis e inteligentes, melhorando habilidades como equilíbrio e drible do oponente” (GABRIEL, 2018, p. 203)

 

Sendo assim, entender o consumidor é uma das tarefas mais desafiadoras dos profissionais de marketing. No entanto, as organizações possuem uma série de dados, os quais não conseguem “ler” de forma correta sem o auxílio da tecnologia e, dessa forma, a machine learning ajuda esses profissionais neste sentido. No Brasil existe um caminho muito grande a ser percorrido, mas não há dúvida de que, cada vez mais, as ações de marketing digital devem ser guiadas por dados e, quem sabe, uma boa oportunidade de negócios?

 

ROBÓTICA




A Inteligência Artificial (IA) pode ser considerada “mente” artificial, embora a Robótica trate de “corpos” artificiais. Assim, os Robôs passaram a significar qualquer entidade – física ou virtual – que possua vida artificial, independentemente do seu nível de inteligência. No entanto, no sentido estrito da palavra, o termo “robô” é mais utilizado para corpos físicos totalmente artificiais e existem outras categorias mais específicas para cada tipo de robô, em função da sua aparência (GABRIEL, 2018, p. 216). Assim, quanto à aparência, as inteligências artificiais podem ser classificadas em: robôs, bots, androids e cyborgs. Veremos a seguir mais detalhes sobre cada um deles:

 

·        Robôs: São corpos físicos totalmente artificiais; o que principalmente diferencia os robôs das demais categorias de corpos para inteligência artificial é que eles têm forma, mas não humana. Um bom exemplo da utilização de robôs em marketing digital é Lil Miquela. Lil é uma influenciadora digital do mundo da moda que foi criada por meio de computação gráfica. A robô tem mais de 1,4 milhões de seguidores no Instagram e cria conteúdos impecáveis, como selfies, dicas de maquiagem, viagens, shows, até mesmo vídeos de bastidores. Uma das marcas que ela representa é a Prada, tradicional grife italiana de moda, Lil é um robô que influencia o consumo de milhares de pessoas.

·        Bots: Bot é o apelido para software robot, ou seja, um robô que não tem corpo físico. Os bots são programas computacionais que realizam tarefas automáticas. Assim, a maioria destes bots atuam sem serem vistos. Certamente, você já conversou com um bot e nem tenha percebido, os mais conhecidos bots são chamados de chatbots. Os chatbots “são bots que conversam em linguagem natural”, explica Gabriel (2018, p.  217).  O primeiro chatbot do mundo foi Eliza, criado em 1966, por Joseph Weinzenbaum, que funcionava como imitação de sessões de terapia (GABRIEL, 2018). A autora explica que, nas empresas, os chatbots são cada vez mais comuns para automatização, e filtragem de atendimento a clientes. Um exemplo de chatbots é a Lu, da Magazine Luiza, que oferece dicas aos usuários sobre equipamentos para que eles possam fazer as melhores escolhas. Assim, um chatbot tem como principal função agilizar o atendimento dos clientes, afinal eles estão disponíveis 24 horas por dia, 365 dias por ano, e otimizar os custos. Os chatbots são utilizados de forma mais comum em serviços de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) das empresas.

·        Androids: São robôs que possuem formas humanas ou organismo sintético projetados para agir como humanos, especialmente, aqueles projetados para se parecer e agir como humanos, especialmente, aqueles cujo revestimento assemelha-se com a pele humana. Os androids são considerados mais inteligentes do que os robôs. Para Gabriel (2018, p. 220), a criação de androids “está cada vez mais se relacionando com as tecnologias e questões de clonagem humana, ao invés de construir e desenvolver cérebros e corpos artificias, a partir do zero, existe uma linha de pesquisadores que investe na duplicação tanto de corpos humanos, quanto mentes para uso em androids”. A autora também lembra as questões éticas que devem pautar este tema.

·        Cyborg: “São seres híbridos, são seres formados tanto de partes orgânicas quanto biomecânicas” (GABRIEL, 2018, p. 222). A autora lembra que com a melhoria da interface entre tecnologias e o corpo humano, a evolução permitiu aplicações em um número maior de áreas como: medicina, arte, militar, esportes, entre outras

 

Como se observa, a tecnologia permite que os profissionais de marketing extrapolem sua capacidade cerebral de armazenar dados e transformá-los em informações. Estas tecnologias aqui apresentadas – e todas as outras que ainda estão por vir – apresentam grandes possibilidades para melhorarmos cada vez mais nossas Estratégias de Marketing.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

GABRIEL, Martha. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital. São Paulo: Atlas, 2018

RUSSELL, Stuart J; NORVIG, Peter. “Inteligência artificial: uma abordagem moderna”. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. 

VAZ, Conrado Adolpho.  Google marketing:  o guia definitivo de marketing digital.  São Paulo: Novatec Editora, 2010


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Brasil de 1930 a 1964 (Um Período de Transformações Políticas e Econômicas)

Como se Caracterizou a Fase do Populismo no Brasil? Por que Getúlio Vargas Conseguiu Ficar Tanto Tempo no Governo Usando o Autoritarismo Para Governar? Que Organismos Foram Criados Por Vargas Com o Objetivo de Institucionalizar a Política Industrial no Brasil?


 


 

No período de 1930 a 1964, instalou-se no Brasil a fase do populismo, a qual ainda hoje guarda suas marcas na maneira personalista como se conduz a Administração Pública. Nesse período, o Estado brasileiro adquiriu algumas características patrimonialistas em que o público se tornou quase que uma extensão do privado, inaugurando uma outra fase na economia nacional, na qual o setor dinâmico deixou de ser a agricultura e, nesse momento, a indústria passou a ser o centro das atenções. Os dois marcos – tanto 1930 como 1964 – são tidos como marcas de revolução, denominação essa difícil de ser aceita, pelo caráter distinto das duas situações, como veremos mais a seguir. Na Primeira República, os Estados tinham força, mas, a partir de 1930, com Getúlio Vargas, o governo brasileiro se fortaleceu, centralizando as decisões e retirando o poder das regiões. Isso facilitou a condução das políticas econômicas no período. O governo do presidente Getúlio Vargas, que foi de 1930 a 1945, caracterizou-se por três (3) situações distintas:

 

·        Primeira – de 1930 a1934:  fase do governo provisório, que entrou em choque com o movimento Constitucionalista de 1932, pedindo um governo em que a Constituição desse as cartadas.

·        Segunda – de 1934 a 1937: fase do governo Constitucionalista, regida pela Constituição de 1934.

·        Terceira – de 1937 a 1945: fase do Estado Novo.  Surgiu a figura dos decretos-leis, o judiciário perdeu forças, o autoritarismo e a repressão dominaram o quadro da época, foi nomeado interventores para governarem os Estados.

 

Por que Getúlio Vargas conseguiu ficar tanto tempo no governo usando o autoritarismo para governar? A resposta à essa indagação encontra respaldo no populismo utilizado em que os acordos iam dos coronéis aos industriais e as políticas com a classe trabalhadora. Foi tão forte a sua presença política junto aos trabalhadores que quase tornou-se possível a sua permanência no poder em 1945, com o movimento do Queremismo, ou “Queremos Getúlio”. Mas o seu final estava decretado, as forças armadas não mais o apoiavam e Vargas teve de sair do cargo. O desenvolvimento decisivo da indústria a partir de 1930 no Brasil foi motivado pela Grande Depressão, que fez todos perceberem que não havia outra saída para a economia do País. Na interpretação de Furtado (1984, p. 198), [...] o fator dinâmico principal, nos anos que se seguem à crise, passa a ser, sem nenhuma dúvida, o mercado interno. A produção industrial, que se destinava em sua totalidade ao mercado interno, sofre durante a depressão uma queda de menos de dez por cento, e já em 1933 recupera o nível de 1929.  [...] Algumas das indústrias de maior vulto instaladas no país, na depressão, o foram com equipamentos provenientes de fábricas que haviam fechado suas portas em países mais fundamente atingidos pela crise industrial. Foi nessa fase que começou o processo induzido de industrialização por substituição de importações, que teve suas primeiras explicações com Furtado e depois com o trabalho de Maria da Conceição Tavares cuja contribuição preencheu a lacuna que faltava para o entendimento da questão. É importante frisarmos ainda que o maior problema do processo de substituição de importações na industrialização brasileira e na da América Latina centrou-se na redução do coeficiente de importação, em outras palavras, a relação entre o valor das importações e o produto interno.

A partir do momento em que essa relação se torna insuficiente para atender às necessidades da expansão da economia, tem-se o esgotamento do processo de substituição de importações, que Tavares (1983, p.  118)  assim expressou a sua preocupação à época sobre o problema estratégico de [...] como o transitar de um modelo de substituição de importações para um modelo autossustentado de crescimento? [Em seguida, respondeu] [...] só o setor público, com o seu peso relativo dentro da economia, tem capacidade de exercer uma demanda autônoma, capaz de se opor às tendências negativas que emergem do esgotamento do impulso externo. Esse trabalho de Maria da Conceição Tavares foi publicado em 1963 como forma de externar a sua preocupação com a situação que o Brasil começava a enfrentar no início da década de 1960, devido à anunciada estagnação que se vislumbrava pelo período. Isso indicava que o modelo havia chegado ao esgotamento de fato, apesar das propostas de uma condução alternativa visando romper com as dificuldades. Contudo, a estagnação no final da década de 1960 não se confirmou, pelo contrário iniciou-se uma fase de crescimento do produto interno bruto que levou ao famoso “milagre econômico”, ocorrido entre 1968 e 1972. Antes de falarmos sobre o “milagre econômico”, recuperemos rapidamente alguns pontos do governo de Eurico Gaspar Dutra, o retorno de Getúlio Vargas e a entrada de Juscelino Kubitschek à presidência da República do Brasil, dando continuidade à proposta da discussão sobre a organização política, econômica e social. Com base em Vianna (1990), podemos afirmar que o governo de Eurico Gaspar Dutra deu continuação aos objetivos de modernização econômica iniciados na era Vargas cujo governo havia criado uma série de organismos com o objetivo de institucionalizar a política industrial no País. Entre eles, podemos destacar:

 

·        A Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional;

·        O Conselho Nacional do Petróleo;

·        O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);

·        A Companhia Vale do Rio Doce;

·        A Comissão da Indústria de Material Elétrico;

·        O Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial; 

·        A Comissão Nacional de Ferrovias etc.

 




Para Vianna (1990, p. 116), é preciso relativizar, portanto, a ideia de que o Governo Dutra abandonou as políticas de governo e ações diretas voltadas para a promoção do desenvolvimento industrial. Na verdade, o Governo Dutra revela, de certo modo, sua preocupação em dar seguimento à acumulação industrial e à manutenção dos investimentos iniciados no   estado novo (particularmente a Companhia Siderúrgica nacional). Isto se revela tanto no momento em que libera as importações – entre outras razões para satisfazer a demanda reprimida de bens de capital e matérias-primas da indústria nacional – como, após a instalação do controle, quando este evolui paulatinamente no sentido de introduzir critérios de seletividade. [...] A única iniciativa planejada do estado para o desenvolvimento econômico, porém foi   o Plano Salte, tentativa de coordenação dos gastos públicos visando essencialmente aos setores de saúde, alimentação, transporte e energia, prevendo investimentos para os anos de 1949 e 1953. Vargas retornou à presidência da República, eleito democraticamente em 1950. Alguns meses antes de sua posse, foi concretizada a criação da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos (CMBEU), com a finalidade de elaborar projetos conjuntos, visando à expansão da infraestrutura em território nacional, com atenção voltada ao setor energético e de transporte, mas que acabou sendo interrompida no governo do republicano Eisenhower. Ainda assim o Plano Nacional de Rodovias continuou a ser incrementado, contando com o apoio de estratégias políticas do Estado.  Com a finalidade de assegurar o desenvolvimento, criou-se, em 1952, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e, em 1953, a Petrobras. Em 1954, em uma tentativa de golpe ao seu governo, Getúlio Vargas se suicidou.  Foi substituído em um primeiro momento por João Café Filho (vice-presidente), logo em seguida por Carlos Coimbra da Luz (presidente da Câmara dos Deputados) e, finalmente, para terminar o mandato, Nereu de Oliveira Ramos (vice-presidente do Senado Federal).  Todos os três ficaram por pouco tempo no poder. Nesse interregno até a posse do presidente Juscelino Kubitschek, combateu-se a inflação, por meio de uma política econômica severa, formulada pelo economista Eugênio Guin., Ministro da Fazenda.Com a entrada do presidente Juscelino Kubitschek, foram tomadas uma série de medidas de combate aos desequilíbrios externos. 

A política de industrialização marcou profundamente o período, cujo principal emblema foi o Plano de Metas, lançado em 1956.  Entretanto, do ponto de vista estrutural, a política de ciência e tecnologia nacional não foi tratada com a devida prioridade. Segundo Araújo (2004, p.  29), apesar de já existirem algumas instituições científicas desde o século XIX, o desenvolvimento tecnológico brasileiro não tem sido suficiente para que o país possa impor uma lógica de desenvolvimento econômico mais independente dos avanços obtidos por outros países. Apenas na primeira metade da década de 50, instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Nível Superior (CAPES) foram fundadas. Na segunda metade da década de 50, no governo de Kubitschek, a busca de autonomia tecnológica brasileira foi abandonada com a implementação do Plano de Metas. Nesse Plano, dado o objetivo de implantar em um curto   período de tempo segmentos industriais com uma maior complexidade tecnológica, o desenvolvimento tecnológico brasileiro foi posto em segundo plano, já que a importação de tecnologia e o desenvolvimento tecnológico feito pelas filiais das empresas transnacionais – obtidos dos matizes localizados nos Países Centrais – eram vistos como mais importantes. Além do incremento da industrialização no governo de Juscelino Kubitschek, foi construída Brasília, a nova capital do Brasil, no Centro-Oeste brasileiro.

Contudo, mesmo com essa série de projetos, os desequilíbrios regionais não foram superados, as dificuldades na captação de recursos se mantiveram, houve endividamento e a ampliação da rede ferroviária sofreu um forte abalo, tendo como consequência o seu enfraquecimento. Com a entrada de Jânio Quadros, em 1961, na presidência da República, houve um recrudescimento da política industrial.  A inflação herdada do governo do presidente Juscelino Kubitschek acelerou-se, e os problemas fiscais e de balanço de pagamentos precisaram   ser   reorganizados.   No   curto   espaço   de   tempo   que permaneceu como presidente, Jânio Quadros procurou uma aproximação com a ex-União Soviética e mostrou-se favorável à descolonização da África. Apesar de estar legitimado por uma votação impressionante, Quadros renunciou em 25 de agosto de 1961, por falta de apoio político para a implementação de um projeto econômico de tipo liberal, segundo Dreyfus (1981).

Após a renúncia de Jânio Quadros da presidência da República, houve momentos de impasse para que o vice-presidente João Goulart assumisse a pasta de presidente.  No dia da renúncia, quando João Goulart estava na China, tentaram impedir o seu retorno ao País e a sua posse como presidente.  Para que Goulart assumisse o poder, o Congresso Nacional teve de alterar o regime de governo de presidencialismo para parlamentarismo e transferir a responsabilidade do governo ao Primeiro Ministro. Goulart teve o mandato marcado por uma série de conflitos no campo e nas cidades. A política econômica exposta no Plano Trienal, elaborado por Celso Furtado, centrou-se na resolução das questões mais imediatas, como a inflação, e deixou a industrialização para o segundo plano.  Houve muita revolta popular, o País clamava por reformas de base, mas por baixo conspiravam contra o seu governo.  Em 31 de março de 1964, Goulart foi deposto pelos militares, que assumiram o governo com o pretexto de ser por um curto período de tempo e ficaram por vinte anos (1964-1984).

  

REFERÊNCIAS

 

ARAÚJO, Rogério Dias de. Desempenho inovador brasileiro e comportamento tecnológico das firmas domésticas e transnacionais no final da década de 90.  Dissertação de Mestrado (UNICAMP). Campinas: São Paulo, 2004.

DREIFUSS, René Armand.  1964:  A conquista do Estado.  Ação política, poder e golpe de classe. Petrópolis: Vozes, 1981.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 19. ed. São Paulo: Nacional, 1984.

______. O longo amanhecer. Reflexões sobre a formação do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

______. Introdução ao desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000. ______.  Economia Colonial no Brasil nos séculos XVI e XVII.  São Paulo:   HUCITEC e ABPHE, 2001.

______. Raízes do subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

TAVARES, Maria da Conceição; FIORI, José Luís.  (Des) ajuste global e modernização conservadora. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

VIANNA, Sérgio Besserman. Política Econômica Externa e Industrialização: 1946-1951. In: ABREU, Marcelo de Paiva (Org.). A ordem do progresso. Cem anos de Política Econômica Republicana (1889-1989).  15.  tiragem. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

 

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Os Acidentes de Trabalho e as Funções da Segurança

 O Que Considerar na Análise de Acidentes? Por Quais Motivos Podem Surgir as Falhas? Como Modular o Comportamento Seguro de Uma Organização? O Que São Atos Inseguros? Quais os Principais Modelos de Análises de Acidentes?

 


 

A conceituação legal de “acidente de trabalho” restringe o acidente àquele que provoca lesão corporal ou perturbação funcional, e ao mesmo tempo, estabelece equiparações de casos acidentários e de doenças, para fins trabalhistas e previdenciários. Entretanto, para alguns especialistas, o interesse pela análise de acidentes não deve se restringir somente ao conceito legal de acidentes de trabalho, pois a ausência de vítimas com lesões ou óbitos, não retira a importância de um acidente com danos patrimoniais. Não se trata de visão de empresas seguradoras, que buscam reparar financeiramente os danos materiais, principalmente, mas a necessidade de compreender e apreender com o evento acidentário e seus riscos. Um acidente que não tenha gerado vítimas, que não tenha sido estudado e que não tenha controle sobre os riscos que o motivaram, poderá no futuro repetir-se, produzindo mortes e ferimentos. Daí a importância de considerarmos qualquer acidente para fins de análise, com vítimas ou sem vítimas. Então, a análise de um acidente exige observar os fatores humanos, de infraestrutura, desde aspectos fisiológicos, psicológicos, sociais, tecnológicos e de organização do trabalho que possam explicar a natureza, as causas e consequências dos acidentes. Assim, a análise de acidentes utiliza-se de diversos modelos que tentam explicar determinadas faces do fenômeno acidentário. Levantando hipóteses sobre as relações dos fatores, o analista tenta explicar tecnicamente o desenvolvimento do acidente. É como um jogo de “quebra cabeças”, montado, peça por peça, onde as interações dos fatores são comprovadas pelas hipóteses levantadas pelo analista. Dessa forma, a análise de acidentes requer uma visão holística e sistêmica do conjunto de fatores, baseando-se na teoria da organização e de falhas, ou teoria de controle de falhas, em conceitos básicos e em mecanismo de controle do comportamento. O olhar simultâneo para o detalhe (visão reducionista) e para o conjunto das interações de fatores (visão sistêmica) permitirá ao analista pericial obter uma resposta científica e consistente.

 

Função da Segurança

 

A função de segurança de uma empresa é constituída de ações de controle que visam reduzir a frequência e a intensidade da manifestação dos riscos, bem como eliminar ou mitigar os impactos dos acidentes com medidas de emergência. As falhas podem surgir pelos seguintes motivos:

 

A) Falhas Por Descuidos Internos:

·        Pessoal: cansaço, preocupação e estresse.

·        Externos: falta de infraestrutura, falta de sinalização e mau funcionamento das máquinas.

 

B) Falha Técnica Por Limitação de Algum Recurso, Capacidade ou Habilidade:

·        Exemplo: fadiga de material, arranjo físico inadequado, falta de manutenção, limitação cognitiva, falta de habilitação e falta de conhecimento em emergências.

 

C) Falhas Conscientes:

·        Exemplo: devido a conflito de escolha entre duas alternativas.

 

Comportamento Seguro

 

 

A modulação de um comportamento seguro na empresa, virá a longo prazo, por meio de treinamentos, capacitações, diálogos, dinâmicas práticas que conscientizem os trabalhadores, gestores e diretores de todos os níveis hierárquicos. O papel da CIPA e do SESMT tornam-se muito importantes para o envolvimento de todos em uma cultura para a segurança. É muito comum ouvir na sociedade que “a segurança só é valorizada quando há acidentes com danos e vítimas; porém, se não ocorrem sinistros todos tendem a relaxar seu comportamento e viver de forma inconsequente frente aos riscos”. Ter a verdadeira consciência de nossas “atitudes e suas consequências” torna-se fundamental para evitarmos acidentes. O ditado popular: “a pessoa colhe o que planta” é facilmente estendido para “a organização tem o padrão de segurança que implanta”. O comportamento seguro permite às pessoas identificar com antecipação os riscos e de modo consciente adotar as medidas preventivas que evitem os acidentes. Além do mais, o comportamento seguro representa o conhecimento, a obediência e observação das normas e prescrições para o trabalho, as formas corretas de realizar as operações, de acordo com manuais técnicos. Assim, evitando-se a improvisação nas soluções de trabalho, popularmente conhecida como “gambiarra”, estaremos dentro da faixa operacional de segurança. Se todos na organização tiverem comportamentos seguros por princípio de trabalho, cria-se na organização uma “rede de segurança” cujo olhar coletivo corrigirá as possíveis falhas nos controles.

O ideal é que a função de segurança de uma empresa seja concebida e observada por todos. Para isto, investimentos em treinamentos, capacitações, informações, etc., nunca será muito, pois para que haja comportamento seguro as pessoas necessitam internalizar e vivenciar os conceitos de SST na forma correta de como agir antes dos acidentes, ou seja, na prevenção, como após a ocorrência dos mesmos, nas medidas de emergência e mitigação das consequências. Segurança e saúde no trabalho torna-se cultura da empresa, quando esta a observa e pratica com zelo e perseverança. Falhas ativas ou latentes, que eventualmente existam no processo de produção tendem a ser neutralizadas no decorrer do tempo, a medidas em que todos participam das ações de segurança e saúde no trabalho. Acidente de trabalho é tudo aquilo que ocorre com o empregado no exercício de sua atividade profissional e que causa, de algum modo, lesão corporal, alguma perturbação funcional ou até mesmo a morte. A seguir, assista o vídeo do canal “CHC Advocacia”, para aprimorar seus conhecimentos sobre acidente de trabalho, e suas divisões, exemplificando as diferenças e suas causas. 

 

Ato Inseguro

 

Os acidentes ocorrem por interações complexas entre fatores físicos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Trata-se de eventos não planejados, com impactos negativos, cuja ocorrência tem a participação direta ou indireta da mão humana, seja por ignorância, omissão ou negligência. Não se trata de “encontrar culpados”; isto seria muito precário e limitado. A análise de acidente bem-feita, naturalmente, evidencia as responsabilidades de cada um: empresários, gerentes, supervisores, fornecedores, trabalhadores, etc. No Brasil, atualmente, muitas análises de acidentes realizadas pelas empresas, por ignorância ou por esperteza, apontam a vítima como a principal responsável pelo acidente. Na verdade, trata-se de dupla penalização para o trabalhador acidentado, que além de se ver prejudicado, morto ou incapacitado, é considerado irresponsável, distraído, desobediente, negligente, etc., resumida na conclusão de ato inseguro. Sem querer menosprezar falhas humanas, que realmente podem existir, o analista pericial de acidentes deve antes, alcançar a raiz da questão, mergulhar a profundeza dos riscos, buscar a realidade sombria dos locais de trabalho onde se escondem os perigos. O Brasil aboliu de sua legislação o “ato inseguro”, como justificativa acidentária, através da Portaria nº 84 de 04/03/2009, da Secretaria de Inspeção do Trabalho – MTE, que alterou a alínea “b” do item 1.7 da NR 01.

 

Iceberg Organizacional

 

Toda organização pode ser comparada a um iceberg, em que partes visíveis da empresa como metas, tecnologia, mercado, estrutura hierárquica, finanças e competência técnicas são aspectos explícitos e de domínio comum de todos os níveis da empresa. Outros aspectos não tão visíveis como valores e atitudes, interações, normas grupais, competência interpessoal, mecanismos de defesa, motivações e desejos para serem observados e compreendidos requerem conhecimento do dia-a-dia da empresa e de seus interlocutores. Assim, o iceberg organizacional pode ser entendido como confronto dos lados visível com o invisível da organização. Parece claro que as questões discutidas sobre temas visíveis, coloca todos os interlocutores (diretores, supervisores, trabalhadores, etc.) em uma área de domínio comum à qual sentem-se bem para discutir e argumentar.

Ao contrário, temas mais subjetivos e invisíveis, ao serem discutidos pelo grupo, podem trazer grande dificuldade e diversidade de interpretações, tornando incerta a tomada de decisões. Assim, debates e soluções de problemas considerando os fatores produtivos como material, equipamento, energia, tempo, espaço tendem a não ser tão polêmicos quanto aspectos mais subjetivos como conhecimento, informação, habilidade, experiência, criatividade que são diversos nos seres humanos. Imagine-se participando de uma análise de acidente, por exemplo: choque elétrico, onde a diretoria insiste em definir a causa do acidente como rebeldia da vítima em acatar as normas de segurança da empresa. Devemos ter cautela na análise e prudência nas conclusões. Conclusões precipitadas podem ter origem no desconhecimento, no preconceito ou má-fé. É natural que as diferentes interpretações das causas do acidente possam gerar conflitos e até divergências. Por isso, um acidente deverá ter suas causas visíveis (aparentes ou explícitas) e invisíveis (latentes, potenciais ou implícitas) plenamente investigadas. Trata-se de um trabalho pericial que requer conhecimento técnico, bom senso e sentido de proporção.

 

Modelos de Análises de Acidentes

 

Com objetivo de explicar os diferentes modelos de análises de acidentes apresentamos formas de análise que parte de uma visão determinística até a visão probabilística. Quando os acidentes ocorrem de modo simples e direto, temos fatos e eventos determinados, que explicam suficientemente o acidente. Porém quando os acidentes ocorrem em plantas industriais complexas, com sistemas produtivos ininterruptos, aí as causas dos acidentes podem não ser tão diretas como imaginamos. Nestes casos, trabalhamos com cenários que possam explicar razoável e estatisticamente o infortúnio. Vamos a eles:

 

·        Jogo de Dominós (Modelo Sequencial): As primeiras análises de acidentes consideram o acidente como resultado determinístico de uma sucessão de fenômenos encadeados em “causas e efeitos”. À semelhança de um jogo de dominós dispostos sequencialmente, em que a primeira pedra derruba a segunda, e assim sucessivamente, todas cairão. Sem sombra de dúvidas, uma vez iniciado o processo (estopim), todas as pedras cairão e derrubaram a próxima, a não ser que uma delas seja removida antes, interrompendo a sequência iniciada. Nesta forma de análise todos os riscos estão em uma ordem definida, conhecida e pré-determinada, sendo natural a ocorrência do acidente se um dos dominós for derrubado. Simples em sua concepção, este modo de análise linear estabelece a “ordem sucessória dos fatos para o surgimento do dano”. Sua aplicação, no entanto, é limitada quanto mais complexa for a natureza dos acidentes e dos fatores desencadeantes.

·        Queijo Suíço (Modelo Epidemiológico): Outra abordagem de análise, um pouco mais sofisticada, é apresentada na representação do “queijo suíço”. Sabemos que os furos (riscos) fazem parte do queijo (organização), contudo, quanto mais furos em sua estrutura, mais frágil é sua consistência. Deste modo, o acidente ocorrerá quando um vetor (flecha) conseguir atravessar uma sequência de furos que estejam alinhados. A probabilidade de ocorrência do acidente dependerá da combinação de fatores de risco, do momento e de variáveis importantes do sistema produtivo. Apesar de ser um avanço em relação à primeira abordagem, o “queijo suíço” apresenta pouca flexibilidade para captar sinergias entre os riscos e para sistemas de produção que trabalham com variáveis que operam dentro do conceito de “faixa de segurança”. Exemplos podem ser as pressões de uma caldeira que variam entre “um máximo e um mínimo” durante sua operação. O mesmo é válido para outras variáveis como temperatura, vazão, dilatação, etc.

 

Podemos deduzir que os acidentes não são fatos inesperados, pois se todos os aspectos organizacionais forem previamente analisados, certamente este “raio X” da empresa destacará restrições e potenciais da organização. Dispomos, hoje, de um arsenal técnico consistente para reconhecer e dimensionar os problemas existentes. Porém, quando falamos de fatores implícitos entramos em uma área de “areia movediça”, mais pelo silêncio das pessoas, sua indisposição para falar ou receio tocam em questões pessoais como valores, sentimentos, sonhos, bem-estar, etc. Compreender as faces visíveis e ocultas da empresa é necessário para a análise de acidentes e principalmente para implantar uma política de SST. O modelo do queijo suíço de causalidade de acidentes é o modelo usado em análise e gerenciamento de riscos, incluindo segurança de aviação, engenharia, saúde e organização de serviços de emergência, e traz o princípio por trás da segurança em camadas, conforme usado em segurança e defesa de computador em profundidade. 

  

 

REFERÊNCIAS

 

 

BARROS, Sérgio Silveira. Análise de Riscos. Rede e-Tec/Instituto Federal Paraná, Curitiba: 2013.

FADEYI, Kunle. AI In Cybersecurity: Revolutionizing Safety. Forbes, [S. l.], p. 1-2, 15 fev. 2024. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/forbestechcouncil/2024/02/15/ai-in-cybersecurity-revolutionizing-safety/. Acesso em: 20 jun. 2024.

MATTIOLI, Guglielmo. What caused the Genoa bridge collapse – and the end of an Italian national myth?. The guardian, [S. l.], p. 1-3, 26 fev. 2019. Disponível em: https://www.theguardian.com/cities/2019/feb/26/what-caused-the-genoa-morandi-bridge-collapse-and-the-end-of-an-italian-national-myth. Acesso em: 20 jun. 2024.

Organização Mundial da Saúde (OMS). Doença do novo coronavírus (COVID-19). [2019]. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019. Acesso em: 24 abr. 2024. 

Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). [2012?]. Disponível em: https://www.ipcc.ch/. Acesso em: 24 abr. 2024.

PANETTA, Kasey. Top 10 Data and Analytics Trends for 2021. Gartner, [S. l.], p. 1-3, 15 mar. 2021. Disponível em: https://www.gartner.com/smarterwithgartner/gartner-top-10-data-and-analytics-trends-for-2021. Acesso em: 20 jun. 2024.


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Tipos de Operações da Produção

 O Que Significa Input e Output? O Que São os 4Vs da Produção? Quais os Tipos de Sistema de Produção na Manufatura?




 

Para alguns especialistas no assunto, os principais tipos de operações de produção são produção em massa, produção contínua, produção intermitente (em lote), produção por projeto (sob encomenda) e produção de serviços. A escolha do tipo ideal dependerá de fatores como volume, variedade e demanda, com a produção em massa e contínua sendo mais padronizadas, e a intermitente e por projeto focando em customização ou lotes menores. Mas, para outros, as operações são similares entre si na forma de transformar recursos de input em output de bens e serviços e, por isso mesmo, é necessário observarmos algumas diferenças entre as operações e quais as implicações destas diferenças. Segundo Slack et al., (2008), existem quatro (4) dimensões, que são conhecidos como “4Vs da Produção”, que podem ser usados para distinguir diferentes operações:  volume de output, variedade de output, variação da demanda do output e grau de contato com o cliente envolvido na produção do output. A posição de uma organização em cada uma dessas dimensões determinará muitas das características de sua produção como:  sistematização, padronização, repetições, grau de tarefa de processamento assumido individualmente pelos funcionários, flexibilidade e, acima de tudo, o custo unitário da produção de bens e serviços.

 

·        Dimensão Volume: A produção e venda de hambúrgueres é um exemplo. O volume de produção do McDonald’s tem implicações importantes na maneira como a produção está organizada.  Olhe atrás do balcão de uma lanchonete a e primeira coisa que você percebe é o grau de repetição das tarefas que as pessoas estão fazendo. Em função dessa repetição, frequentemente faz sentido a especialização de tarefas: uma pessoa designada para fritar os hambúrgueres, outra para montar os sanduíches, etc. Isso possibilitará a sistematização do trabalho, pela qual os procedimentos padrões serão estabelecidos em um manual, com instruções de como cada parte do trabalho deve ser realizada.  A implicação mais importante do alto volume é a obtenção de custos unitários baixos:  os custos fixos de produção, como aluguel, ar condicionado, etc., são diluídos em um grande número de produtos ou serviços. Comparando com um pequeno restaurante que serve alguns pratos rápidos, a variedade de itens no cardápio pode ser similar a uma grande operação, mas o volume será consideravelmente menor. Dessa forma, o grau de repetição também será menor. Além disso, o número de funcionários será menor e cada funcionário provavelmente executará maior variedade de tarefas.

·        Dimensão Variedade: Uma empresa de táxi oferece grande variedade de serviços. Pode restringir-se ao transporte de pessoas e bagagens, estando preparada para buscá-las em qualquer lugar e levá-las para outro. Pode, ainda, a determinado preço, fazer o roteiro que você escolher. A variedade do serviço oferecido permite atender bem às necessidades de seus clientes.  Isso, contudo, tem seu preço.  O custo por km rodado será mais alto para um táxi do que para uma forma de transporte como um serviço de ônibus.

·        Dimensão Variação: Consideremos o padrão de demanda de um hotel resort bem-sucedido nas férias de verão. Não constitui surpresa o fato de muitos clientes preferirem o hotel na época de verão à de inverno.  Possivelmente o hotel poderia, no pico da temporada, desejar acomodar o dobro de hospedes que sua capacidade permite se tivesse espaço disponível. Se a demanda fora da estação for apenas uma pequena fração de sua capacidade, entretanto, poderá   até   considerar   o   fechamento   em   períodos   de demanda muito fraca.  A implicação de tal variação nos níveis de demanda é que a operação deve, de alguma forma, mudar sua capacidade.

·        Dimensão Visibilidade: Significa quanto da operação é exposta ao cliente, ou seja, qual o contato do cliente com a operação.

 

Tipos de Sistemas de Produção

 

Existem diversas maneiras de apresentar as classificações dos sistemas de produção. De modo geral, no entanto, todos os critérios que servem como base para as classificações relacionam-se com os elementos do modelo: input –transformação –output. Para segmentar a atividade manufatureira de serviço, Slack et al., (2008) fracionam a classificação anteriormente referida em dois tópicos:

 

Tipos de Sistema de Produção na Manufatura

 

Destacam-se cinco (5) tipos de produção em termos de manufatura, buscando correlacionar com o volume de produção e com a variedade de produtos a serem manufaturados:

 

1.     Processos de Projeto: Cada produto tem recursos dedicados exclusivamente para ele / Bastante customizados / Períodos longos de manufatura / Exemplos: navios, túnel sobre o Canal da Mancha.

2.     Processos de Jobbing: Alta variedade de tipos de produtos e baixos volumes de produção / Cada produto deve compartilhar os recursos de operação com diversos outros / Os processos de jobbing produzem mais itens e usualmente menores se comparados aos processos de projeto / Exemplos: restauradores de móveis, alfaiates, gráfica que produz ingressos.

3.     Processos em Lotes ou Bateladas: As operações acabam se repetindo, pelo menos enquanto se produz o lote / Não tem o mesmo grau de variedade que os processos de jobbing / Exemplos: alimentos congelados, peças para automóveis, produção de roupas.

4.     Processos de Produção em Massa:  em alguns casos são literalmente ininterruptos / Alto volume e variedade estreita / Cada produto deve compartilhar os recursos de operação com diversos outros / Exemplos: automóveis, TVs, eletrodomésticos, CDs.

5.     Processos Contínuos: Maiores quantidades e menores variedades se comparados aos processos de produção em massa; –Exemplos: petroquímica, eletricidade, siderúrgicas

 

 

Tipos de Sistema de Produção em Operações de Serviços

 

Os serviços classificam-se em três (3) tipos de produção, utilizando a mesma correlação em termos de volume e variedade:

 

1.     Serviços Profissionais: Baseados nas pessoas, não em equipamentos. Orientados para o processo / Alta customização / Muito tempo de pessoal é despendida no atendimento / O pessoal de contato possui considerável autonomia / Exemplos: consultores, advogados, arquitetos, cirurgiões, engenheiros.

2.     Lojas de Serviços: O serviço é proporcionado por combinações de atividades dos escritórios da linha de frente e da retaguarda, pessoas, equipamentos e ênfase no produto / processo / Exemplos: bancos, shopping centers, lojas comerciais, aluguel de carros, hotéis, escolas.

3.     Serviços de Massa: Muitas transações de clientes / Menor customização / Tempo de pessoal é limitado / Baseados em equipamentos e orientados para o produto. / O pessoal, em geral, não profissional, provavelmente tem uma divisão de trabalho precisamente definida / Exemplos: supermercados, aeroportos, serviços   de   telecomunicações, livrarias, emissoras de TVs, polícia.

 

Diferentes autores apresentam outros tipos de classificações que, embora tenham denominações um pouco diferentes, têm como base a mesma ideia. Russomano (1979) e Rocha (1995) destacam e caracterizam quatro (4) tipos de produção, a saber:

 

1.     Contínua: Uma indústria pode ser considerada do tipo contínuo se o tempo de preparação dos equipamentos é pequeno em relação ao tempo de operação. Exemplo:  indústria de processo, como o químico e a petroquímica, papel, cimento e alimentos.

2.     Intermitente: Refere-se aos casos em que uma dada preparação é usada por um período pequeno e, logo em seguida, alterada para produzir outra operação.  Neste caso, o tempo de preparação é, em geral, grande em relação ao tempo de operação.  Não existe, no entanto, relação definida entre os dois.  Dependendo do programa de produção ou da quantidade a ser produzida, uma dada preparação pode ser utilizada durante minutos ou horas; –Exemplo: móveis, eletrodomésticos, máquinas, autopeças, motores elétricos.

3.     Intermitente repetitiva ou em Série: o caso de fabricação de artigos padronizados em lotes repetitivos, os quais serão colocados em lojas de revendedores à disposição dos consumidores. Eventualmente um mesmo modelo de produto acabado é produzido ao longo de anos, sofrendo apenas alterações de forma, assemelhando-se, portanto, à   produção contínua; –Exemplo: móveis, eletrodomésticos, máquinas, autopeças, motores elétricos.

4.     Intermitente sob Encomenda: No caso de fabricação de artigos especiais especificados pelo consumidor (cliente), quando a produção somente inicia-se após o recebimento do pedido de compra, uma vez que dificilmente o mesmo produto terá sua produção repetida, quer para o mesmo ou para outro cliente; –Exemplo: móveis sob encomenda, edificações, navios

  

REFERÊNCIAS

 

 

ALVARENGA NETO; DRUMMOND, Rivadavia Correa. Gestão do conhecimento em organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo. São Paulo: Saraiva, 2008. 

DAMIAN, Ieda; VALENTIM, Marda, SANTOS. A cultura organizacional como fator crítico de sucesso à implantação da gestão do conhecimento em organizações. 2018.

DAVENPORT, Thomas H. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 1998. 

FREITAS, Eliezer da Silva. Gestão do conhecimento na Administração Pública: tendências de aprimoramento dos tribunais de contas. 2016.

ISO 30.401:2018 – Sistemas de gestão do conhecimento. Disponível em <http://lillianalvares.fci.unb.br/phocadownload/Estudos/ISO%2030401.pdf>. Acesso em:  14 nov. 2021.

 Mapeamento do conhecimento crítico. Disponível em <http://www.sbgc.org.br/mapeamento-de-conhecimento-criacutetico.html>. Acesso em:  14 nov. 2021.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Gestão do conhecimento. Brasília, 2020.

NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica de inovação. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

 

 

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