Onde se Localizam os Primórdios da Criação de Uma Empresa? Quais as Principais Características da Fase do Desenvolvimento Industrial? Como se Caracterizou a Fase Artesanal? Quais os Principais Objetivos das Empresas Modernas?
As organizações empresariais têm no mundo contemporâneo enorme grau de importância, embora pouco se conheça sobre a história do nascimento das primeiras empresas. Apesar de haver uma consciência geral de que as organizações empresariais somente surgiram com o capitalismo moderno – século XVI – as empresas no sentido como as conhecemos hoje são bem anteriores, podendo-se afirmar que se trata de uma criação medieval. Seus primórdios se localizam no mundo muçulmano, onde o empreendimento coletivo era temporário e a empresa islâmica tinha sua dissolução obrigatória pelas regras de herança post-mortem do islamismo, quando ocorria o falecimento de seus membros. Os empreendedores cristãos imitaram tal instituição sem as restrições da lei religiosa muçulmana e durante o reinado do rei inglês Eduardo I, através do Estatuto da Mão Morta, as corporações adquiriram seu perfil definidor ao suprimir a imortalidade das organizações, sujeitando-as às taxas de herança, as quais o reino era extremamente dependente. As empresas, até meados do século XVIII, desenvolveram-se com extrema lentidão. Apesar do trabalho organizado sempre ter existido na história da humanidade, a história das empresas e, principalmente, a história da sua administração, são um capítulo recente, que teve seu início há pouco tempo.
· Fase Artesanal: Esta fase desenvolve-se até aproximadamente o ano de 1780 quando se inicia a Revolução Industrial, que surge apoiada na fonte de energia do carvão e utiliza como principal matéria-prima o ferro. Suas principais características são:
- Regime de produção – artesanato;
- Mão de obra – intensiva e não-qualificada na agricultura;
- Predomínio – pequenas oficinas e granjas;
- Trabalho – escravo;
- Poder – senhores feudais;
- Sistema comercial – trocas locais.
· Fase de Transição do Artesanato à Industrialização: Nesta fase inicia-se o nascimento da industrialização, da mecanização das oficinas e da agricultura. Os meios de transporte e de comunicação se desenvolveram com a locomotiva e os primeiros barcos a vapor, o revestimento com pedras das estradas e o telégrafo. Sua principal característica foi o uso do carvão e do ferro como energia e matéria-prima, respectivamente. No setor têxtil, a concorrência entre ingleses e franceses permitiu o surgimento da máquina de fiar, do descaroçador de algodão e o aperfeiçoamento de teares, com o tear hidráulico.
· Fase do Desenvolvimento Industrial: Esta fase corresponde a Segunda Revolução Industrial, entre os anos de 1860 a 1914, que tem como matéria-prima principal o aço e utiliza como energia a eletricidade. As primeiras descobertas no campo da eletricidade, como a lei da corrente elétrica e o eletromagnetismo, permitiram a introdução de profundas mudanças em todos os setores. As distâncias entre as pessoas, entre os países, entre os mercados se encurtaram, proporcionando contatos mais próximos entre o continente europeu e asiático. O aço tornou-se a mais valorizada matéria-prima, com o desenvolvimento do processo Bessemer de transformação de ferro em aço. A indústria bélica influenciou significativamente este avanço desenvolvendo a própria tecnologia metalúrgica. A explosão tecnológica entra em um ritmo ainda mais acelerado com a utilização extensiva da energia elétrica e dos motores a combustão interna. A energia elétrica, com a construção de hidrelétricas, impulsionou a indústria ao movimentar o maquinário, iluminar ruas e residências e impulsionar bondes. Os meios de transporte se sofisticaram com navios mais velozes e a expansão do desenvolvimento do telefone, do rádio e do telégrafo sem fio deu novos contornos à comunicação. Nessa fase, as principais características foram:
- Transformações nos transportes (automóvel e avião) e nas comunicações (telégrafo sem fio, telefone e cinema);
- Substituição do ferro pelo aço e do vapor pela eletricidade e depois pelos derivados do petróleo;
- O capitalismo industrial cede lugar ao capitalismo financeiro, surgindo grandes instituições financeiras;
- Crescimento das empresas passa por um processo de desburocratização em função do aumento do seu tamanho.
· Fase do Gigantismo Industrial: Esta fase transcorre entre a I Guerra Mundial (1914) e a II Guerra Mundial (1945), período no qual as empresas atingiram proporções econômicas enormes, atuando em operações de âmbito internacional e multinacional. As principais características foram:
- Uso de tecnologia para fins bélicos;
- Grande depressão econômica de 1929, levando a crise mundial;
- Atuação das empresas em âmbito internacional e multinacional;
- Aplicação técnico científica e ênfase em materiais petroquímicos;
- Utilização do automóvel, avião e navegação de grande porte;
- Comunicações amplas e rápidas (rádio e televisão).
· Fase Moderna: Esta fase ocorre no período pós II Guerra Mundial até 1980, quando os países que venceram o conflito (desenvolvidos) passam a vender tecnologia e bens de produção e capital para os países periféricos (subdesenvolvidos), onde as filiais das empresas multinacionais estavam instaladas. Com a ascensão do capitalismo as diferenças de ordem econômica entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos tornaram-se cada vez mais acentuadas. As características dessa fase foram:
- Separação das nações entre países desenvolvidos (industrializados), países em desenvolvimento e subdesenvolvidos (não-industrializados);
- Surgimento de materiais como o plástico, alumínio e concreto, energias nuclear e solar, computador e televisão por satélite;
- Predomínio das energias do petróleo e da eletricidade;
- Crise financeira mundial, acompanhada por inflação e recessão e aumento da dívida externa.
· Fase da Incerteza: Esta fase inicia-se a partir da década de 80. Algumas características são:
- Surgimento de grandes desafios para as empresas, com dificuldades, ameaças e toda sorte de adversidades;
- Revolução do computador;
- Grandes mudanças na administração das empresas.
A Empresa Como Organização
Na sociedade moderna, a maior parte dos processos produtivos é desenvolvida dentro das organizações. Como conceito de organização pode-se afirmar que são unidades sociais intencionalmente constituídas para atingir objetivos comuns e que nunca se constituem em uma unidade pronta e acabada, mas sim em um organismo social vivo e sujeito a mudanças. Devido ao ser humano passar a maior parte do seu tempo dentro destas organizações, três (3) razões podem ser destacadas para as suas existências:
· Razões Sociais: motivadas pela necessidade de relacionamento entre as pessoas na busca de satisfação social;
· Razões Materiais: com as organizações permitindo às pessoas aumentar suas habilidades, atingir seus objetivos e adquirir maiores conhecimentos;
· Razões Sinergéticas: quando um grupo de pessoas consegue produzir mais atuando em conjunto do que cada uma individualmente.
As principais características encontradas nas empresas são:
· Orientação para o lucro;
· Capacidade de assumir riscos que envolvem tempo;
· Somar recursos e esforços;
· Orientação por uma filosofia de negócios que busca sua vitalidade econômica;
· Propriedades privadas.
Entre os principais objetivos das empresas encontramos proporcionar satisfação das necessidades de bens e serviços da sociedade, de emprego produtivo para todos os fatores de produção, retorno justo aos investimentos e aumento do bem-estar da sociedade por meio do uso econômico dos fatores de recursos. O papel social desenvolvido pelas organizações também é muito importante, destacado pela melhora da qualidade de vida das pessoas, pela sua contribuição para a evolução dos conhecimentos e pela conquista de uma organização social melhor.
As Organizações Como Sistemas Abertos
A continuidade, a sobrevivência e o desenvolvimento de uma organização estão na sua capacidade de interagir com o ambiente em que está inserida, pois ela sofre influências externas e influencia o ambiente em que faz parte, conforme o seu poder de negociação e desenvolvimento econômico. Muitas das influências externas não podem ser previstas ou controladas. Sob o enfoque da teoria dos sistemas, as organizações caracterizam-se como um sistema aberto e dinâmico, onde o sistema é visto como um conjunto de elementos interdependentes que interagem entre si, com determinados objetivos e efetuam determinadas funções. Dessa forma, as empresas atuam tal como sistemas abertos, onde recebem recursos do ambiente externo, processam estes recursos no seu ambiente interno e os devolvem para o ambiente externo, como produtos e serviços acabados. Assim, organização se compõe de vários subsistemas do sistema principal, cada um com características próprias, porém de forma a se relacionarem na constituição de um todo, com objetivos ou razões que integram e justificam a reunião de suas partes. A organização, atuando como um sistema aberto, apresenta um padrão de atividades de troca de energia que tem caráter cíclico com o produto resultante do processo para o ambiente suprindo as fontes de energia para a repetição das atividades do ciclo. As organizações como sistema aberto segundo Katz & Khan (1987) tem como características:
· Entropia Negativa: os sistemas abertos precisam adquirir entropia negativa para sobreviver, os sistemas mantêm suas características internas de ordem, quando inputs são maiores que outputs no processo de transformação;
· Feedback: diz respeito aos inputs de informação e proporcionam alertas à estrutura sobre o ambiente e sobre seu próprio funcionamento do próprio sistema;
· Homeostase: é mais um equilíbrio dinâmico do que estático, pois os sistemas abertos não se acham em repouso, os inputs de energia para deter a entropia agem para manter certo equilíbrio no intercâmbio de energia, de modo que os sistemas sobrevivam;
· Diferenciação: os sistemas abertos em constantes movimentos tendem a diferenciação devido tanto a própria dinâmica de seus subsistemas como a relação entre crescimento e sobrevivência;
· Equifinalidade: um sistema pode alcançar mesmo estado final com origem em diferentes condições iniciais e através de caminhos diversos de desenvolvimento.
REFERÊNCIAS
KATZ, D. KHAN. L. Psicologia Social das Organizações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1987.
ROTH, Claudio Weissheimer. Gestão de Recursos. Santa Maria: CTI Universidade Federal de Santa Maria/Rede é-te, 2011.

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