Quais as Principais Etapas na Determinação do Arranjo
Físico? Em Que Consiste o Arranjo Físico Posicional? Qual a Importância da
Ergonomia no Local de Trabalho? Qual a Principal Característica do Arranjo
Físico Celular?
O arranjo
físico (ou layout) de um determinado
empreendimento refere-se à disposição estratégica e/ou física das
instalações, das máquinas, dos equipamentos, dos postos de trabalho e das pessoas
dentro de certo espaço produtivo – ou de serviço. O objetivo principal é
organizar o espaço da forma mais eficiente e segura possível, otimizando o
fluxo de materiais, informações e pessoas, e maximizando a produtividade. Mas,
segundo Martins e Laugeni (1999) e Slack et al. (2008), as principais etapas para
se determinar o arranjo físico são:
·
Analisar sobre o que se pretende que o arranjo
físico propicie. Neste caso, são os objetivos estratégicos da operação que
devem ser muito bem compreendidos;
·
Selecionar o tipo de produção de manufatura ou
serviço, considerando a característica volume
(a quantidade de produtos e/ou serviços produzidos / oferecidos) e variedade (a
variedade de produtos e/ou serviços produzidos/oferecidos);
·
Selecionar o arranjo físico básico, ou seja, a
forma geral do arranjo de recursos produtivos da operação.
Na prática, a maioria dos
arranjos físicos deriva de apenas quatro tipos básicos de arranjo físico e um
tipo de produção não necessariamente implica um tipo básico de arranjo físico
em particular. Para Slack et al. (2008),
os quatro (4) tipos básicos de arranjo físico são:
1.
Arranjo Físico Posicional: Também
conhecido como arranjo físico de posição fixa.
Neste caso, os recursos transformadores é que se movem entre os recursos
transformados, ou seja, em vez de materiais, informações ou clientes fluírem
por meio de uma operação, quem sofre o processamento fica estacionário,
enquanto equipamento, maquinário, instalações e pessoas movem-se dos e para a
cena do processamento na medida do necessário. Como exemplo em serviços temos
uma cirurgia de coração, restaurante de alta classe do tipo “a lá carte”,
manutenção de computador de grande porte.
2.
Arranjo
Físico Por Processo: É
assim chamado porque as necessidades e conveniências dos recursos
transformadores que constituem o processo de operação dominam a decisão sobre o
arranjo físico. No arranjo por processo, processos similares são localizados
juntos um do outro. Isto se deve à conveniência para a operação de mantê-los
juntos, pois dessa forma a utilização dos recursos transformadores é
beneficiada. Isso significa que, quando produtos, informações ou clientes
fluírem com a operação, eles percorrerão um roteiro de processo a processo, de
acordo com as suas necessidades. Diferentes produtos ou clientes terão
diferentes necessidades e, portanto, percorrerão diferentes roteiros por meio
da operação. Por esta razão, o padrão de fluxo na operação será bastante
complexo. Como exemplo em serviços,
temos o caso dos hospitais, onde alguns processos (como aparelhos de raio x e
laboratórios) são necessários a um grande número de diferentes tipos de
pacientes, e alguns processos (como alas gerais) podem atingir altos níveis de
utilização de recursos (leitos e equipe de atendimento). Os supermercados
também são outro exemplo, onde alguns processos, como a área que dispõe de
vegetais e enlatados, oferecem maior facilidade na reposição dos produtos se
mantidos agrupados, produtos refrigerados.
Outro exemplo é uma biblioteca.
3.
Arranjo Físico Celular: É aquele em que
os recursos transformados, entrando na operação, são pré-selecionados (ou
pré-selecionam-se a si próprios) para se movimentar para uma parte específica
da operação (ou célula) na qual todos os recursos transformadores necessários a
atender as suas necessidades imediatas de processamento se encontram. A célula
em si pode ser organizada segundo um arranjo físico por processo ou por
produto. Como exemplo tem-se a área para produtos específicos em supermercados,
pois alguns clientes usam o estabelecimento apenas para comprar lanches na hora
do almoço (salgadinhos, refrigerantes, etc.). Estes, em geral, são localizados
juntos, de forma que o cliente que está comprando seu almoço não precise
procurá-lo pelo supermercado todo. Outro exemplo é uma loja de departamentos, que tem como layout
predominante por processos (pois cada área – calçados, roupas, livros, etc. – pode
ser considerada um processo separado dedicado a vender um tipo particular de
produto) e a exceção é o setor de esportes, que pode ser considerado uma loja
dentro da loja, dedicada a vender vários tipos de produto com um tema comum:
esporte.
4.
Arranjo físico por produto: Envolve
localizar os recursos produtivos transformadores inteiramente segundo a melhor
conveniência do recurso que está sendo transformado. Cada produto, elemento de informação ou
cliente, segue um roteiro pré-definido no qual a sequência de atividades
requerida coincide com a sequência na qual os processos foram arranjados
fisicamente. Este é o motivo pelo qual às vezes este tipo de arranjo físico é
chamado de arranjo físico em “fluxo” ou em “linha”. O fluxo de produtos,
informações ou clientes é muito claro e previsível no arranjo físico por
produto, o que faz dele um arranjo relativamente fácil de controlar. Como
exemplo, tem-se os restaurantes self service ou um programa de vacinação em
massa. Além de cada tipo de arranjo físico, também existem os arranjos físicos
mistos. Isto porque muitas operações ou projetam arranjos físicos mistos, que
combinam elementos de alguns ou de todos os
tipos básicos de arranjo físico ou, alternativamente, usam tipos básicos
de arranjo físico de forma “pura” em diferentes partes da operação. Por
exemplo, um hospital normalmente seria arranjado conforme os princípios do
arranjo físico por processo – cada departamento representando um tipo particular
de processo (departamento de radiologia, salas de cirurgia, laboratórios,
etc.). Ainda assim, dentro de cada departamento, diferentes tipos de arranjo
físico são utilizados. O departamento de radiologia é provavelmente arranjado
por processo, as salas de cirurgia segundo um arranjo físico posicional e o
laboratório conforme um arranjo físico por produto.
Efeito Volume contra
Variedade
Os exemplos anteriores dos quatro
tipos básicos de arranjo físico mostram que o fluxo de materiais, informações e
clientes dependerá bastante da específica configuração de arranjo físico
escolhido. A importância do fluxo para
uma operação dependerá de suas características de volume e variedade. Quando o
volume é baixo e a variedade é relativamente alta, o “fluxo” não é uma questão
central. Já com volumes maiores e
variedade menor, o fluxo dos recursos transformados torna-se uma questão mais
importante que deve ser tratada pela decisão referente a arranjo físico. A
decisão sobre qual tipo de arranjo físico adotar raramente envolve uma escolha
entre os quatro tipos básicos. As características de volume e variedade de uma
operação vão reduzir a escolha, grosso modo, a uma ou duas opções. A decisão
sobre qual arranjo físico escolher é influenciada por um entendimento correto
das vantagens e desvantagens de cada um (Slack et al., 2008)
Levando em consideração o processo
de desenvolvimento pelo qual
passam os setores industriais e de serviços em nosso país com o processo
de automação e informatização, a
adequação ergonômica dos postos de
trabalho e do sistema de produção são necessidades imediatas e
necessárias ao bom desempenho das
organizações. Com o processo de globalização que
estamos vivendo, a organização para sobreviver precisa tornar-se
mais competitiva, portanto, é
necessário que ela modernize seus recursos de
infraestrutura, tais como máquinas, equipamentos, ferramentas, bem
como os processos e métodos de execução do processo produtivo. Para isso é
necessário que se qualifique e capacite seus recursos humanos, ou seja, seus
colaboradores, e proporcione boas condições de trabalho aos mesmos. A qualidade
e a produtividade do produto ou do serviço estão intimamente ligadas ao
posto de trabalho e
ao sistema produtivo, e
estes deverão estar ergonomicamente adequados aos
operadores, para que possam realizar suas tarefas com conforto, eficiência e
eficácia, sem causar danos à saúde física, psíquica e mental. Os profissionais
da Segurança e Medicinado Trabalho são os responsáveis pela qualidade de vida
dos colaboradores de uma organização, portanto devem interagir com os
profissionais da área de produção e administrativa, para juntos, encarar de
frente os desafios que se apresentam no momento e planejar o futuro das
organizações. O futuro das organizações dependerá cada vez mais da criatividade
e da participação dos colaboradores na solução dos problemas, e isto só será
possível, se o ambiente de trabalho estiver ergonomicamente adequado às
atividades laborais. O que se tem observado em algumas organizações
brasileiras, especialmente no segmento industrial, é um descaso para com as
condições de trabalho e, consequentemente, com a qualidade de vida dos
colaboradores, contudo também se observa que na maioria das empresas de maior
porte, a ergonomia está sendo utilizada como ferramenta para melhorar a
eficiência e eficácia dos colaboradores nos postos de trabalho.
Vale salientar que a questão
ergonômica em uma empresa não se restringe a realizar a análise ergonômica para
atender a NR-17 de ergonomia do Ministério do Trabalho, como muitos
profissionais da área de Segurança do Trabalho fazem e conhecem e, muito menos,
a prevenção das chamadas doenças ocupacionais, tais como as Lesões por Esforço
Repetitivo (LER) e Doenças Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho (Dort). A
percepção em relação ao caráter multidisciplinar da ergonomia pode ter
contribuído, ou ainda estar contribuindo, para que muitos profissionais de
Segurança do Trabalho tenham ficado relegados a segundo plano em suas
organizações, para as quais as áreas de Segurança e Medicina do Trabalho não
passam de centros de despesas e custos, portanto não recebem investimentos e
inovações. Na verdade, a ergonomia deve estar presente nas mais diversas áreas
da empresa e deverá estar interagindo e se integrando na Gestão da Qualidade,
pois a busca da Qualidade Total passa necessariamente pela Qualidade de Vida no
Trabalho.
REFERÊNCIAS
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DAMIAN, Ieda; VALENTIM,
Marda, SANTOS. A cultura
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DAVENPORT, Thomas H. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro:
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FREITAS, Eliezer da Silva. Gestão do conhecimento na Administração Pública:
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ISO 30.401:2018 – Sistemas de gestão do conhecimento. Disponível em
<http://lillianalvares.fci.unb.br/phocadownload/Estudos/ISO%2030401.pdf>.
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Mapeamento do conhecimento
crítico. Disponível em
<http://www.sbgc.org.br/mapeamento-de-conhecimento-criacutetico.html>.
Acesso em: 14 nov. 2021.
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Gestão do conhecimento. Brasília, 2020.
NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI,
Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram
a dinâmica de inovação. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

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