quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O Arranjo Físico de Um Empreendimento

Quais as Principais Etapas na Determinação do Arranjo Físico? Em Que Consiste o Arranjo Físico Posicional? Qual a Importância da Ergonomia no Local de Trabalho? Qual a Principal Característica do Arranjo Físico Celular?

 


 


O arranjo físico (ou layout) de um determinado empreendimento refere-se à disposição estratégica e/ou física das instalações, das máquinas, dos equipamentos, dos postos de trabalho e das pessoas dentro de certo espaço produtivo – ou de serviço. O objetivo principal é organizar o espaço da forma mais eficiente e segura possível, otimizando o fluxo de materiais, informações e pessoas, e maximizando a produtividade. Mas, segundo Martins e Laugeni (1999) e Slack et al. (2008), as principais etapas para se determinar o arranjo físico são:

 

·        Analisar sobre o que se pretende que o arranjo físico propicie. Neste caso, são os objetivos estratégicos da operação que devem ser muito bem compreendidos;

·        Selecionar o tipo de produção de manufatura ou serviço, considerando   a característica volume (a quantidade de produtos e/ou serviços produzidos / oferecidos) e variedade (a variedade de produtos e/ou serviços produzidos/oferecidos);

·        Selecionar o arranjo físico básico, ou seja, a forma geral do arranjo de recursos produtivos da operação.

 

Na prática, a maioria dos arranjos físicos deriva de apenas quatro tipos básicos de arranjo físico e um tipo de produção não necessariamente implica um tipo básico de arranjo físico em particular. Para Slack et al.  (2008), os quatro (4) tipos básicos de arranjo físico são:

 

1.     Arranjo Físico Posicional: Também conhecido como arranjo físico de posição fixa.  Neste caso, os recursos transformadores é que se movem entre os recursos transformados, ou seja, em vez de materiais, informações ou clientes fluírem por meio de uma operação, quem sofre o processamento fica estacionário, enquanto equipamento, maquinário, instalações e pessoas movem-se dos e para a cena do processamento na medida do necessário. Como exemplo em serviços temos uma cirurgia de coração, restaurante de alta classe do tipo “a lá carte”, manutenção de computador de grande porte.

2.     Arranjo Físico Por Processo: É assim chamado porque as necessidades e conveniências dos recursos transformadores que constituem o processo de operação dominam a decisão sobre o arranjo físico. No arranjo por processo, processos similares são localizados juntos um do outro. Isto se deve à conveniência para a operação de mantê-los juntos, pois dessa forma a utilização dos recursos transformadores é beneficiada. Isso significa que, quando produtos, informações ou clientes fluírem com a operação, eles percorrerão um roteiro de processo a processo, de acordo com as suas necessidades. Diferentes produtos ou clientes terão diferentes necessidades e, portanto, percorrerão diferentes roteiros por meio da operação. Por esta razão, o padrão de fluxo na operação será bastante complexo. Como   exemplo em serviços, temos o caso dos hospitais, onde alguns processos (como aparelhos de raio x e laboratórios) são necessários a um grande número de diferentes tipos de pacientes, e alguns processos (como alas gerais) podem atingir altos níveis de utilização de recursos (leitos e equipe de atendimento). Os supermercados também são outro exemplo, onde alguns processos, como a área que dispõe de vegetais e enlatados, oferecem maior facilidade na reposição dos produtos se mantidos agrupados, produtos refrigerados.  Outro exemplo é uma biblioteca.

3.     Arranjo Físico Celular: É aquele em que os recursos transformados, entrando na operação, são pré-selecionados (ou pré-selecionam-se a si próprios) para se movimentar para uma parte específica da operação (ou célula) na qual todos os recursos transformadores necessários a atender as suas necessidades imediatas de processamento se encontram. A célula em si pode ser organizada segundo um arranjo físico por processo ou por produto. Como exemplo tem-se a área para produtos específicos em supermercados, pois alguns clientes usam o estabelecimento apenas para comprar lanches na hora do almoço (salgadinhos, refrigerantes, etc.). Estes, em geral, são localizados juntos, de forma que o cliente que está comprando seu almoço não precise procurá-lo pelo supermercado todo. Outro exemplo é uma loja de   departamentos, que tem como layout predominante por processos (pois cada área – calçados, roupas, livros, etc. – pode ser considerada um processo separado dedicado a vender um tipo particular de produto) e a exceção é o setor de esportes, que pode ser considerado uma loja dentro da loja, dedicada a vender vários tipos de produto com um tema comum: esporte.

4.     Arranjo físico por produto: Envolve localizar os recursos produtivos transformadores inteiramente segundo a melhor conveniência do recurso que está sendo transformado.  Cada produto, elemento de informação ou cliente, segue um roteiro pré-definido no qual a sequência de atividades requerida coincide com a sequência na qual os processos foram arranjados fisicamente. Este é o motivo pelo qual às vezes este tipo de arranjo físico é chamado de arranjo físico em “fluxo” ou em “linha”. O fluxo de produtos, informações ou clientes é muito claro e previsível no arranjo físico por produto, o que faz dele um arranjo relativamente fácil de controlar. Como exemplo, tem-se os restaurantes self service ou um programa de vacinação em massa. Além de cada tipo de arranjo físico, também existem os arranjos físicos mistos. Isto porque muitas operações ou projetam arranjos físicos mistos, que combinam elementos de alguns ou de todos os   tipos básicos de arranjo físico ou, alternativamente, usam tipos básicos de arranjo físico de forma “pura” em diferentes partes da operação. Por exemplo, um hospital normalmente seria arranjado conforme os princípios do arranjo físico por processo – cada departamento representando um tipo particular de processo (departamento de radiologia, salas de cirurgia, laboratórios, etc.). Ainda assim, dentro de cada departamento, diferentes tipos de arranjo físico são utilizados. O departamento de radiologia é provavelmente arranjado por processo, as salas de cirurgia segundo um arranjo físico posicional e o laboratório conforme um arranjo físico por produto.

 

Efeito Volume contra Variedade

 

Os exemplos anteriores dos quatro tipos básicos de arranjo físico mostram que o fluxo de materiais, informações e clientes dependerá bastante da específica configuração de arranjo físico escolhido.  A importância do fluxo para uma operação dependerá de suas características de volume e variedade. Quando o volume é baixo e a variedade é relativamente alta, o “fluxo” não é uma questão central.  Já com volumes maiores e variedade menor, o fluxo dos recursos transformados torna-se uma questão mais importante que deve ser tratada pela decisão referente a arranjo físico. A decisão sobre qual tipo de arranjo físico adotar raramente envolve uma escolha entre os quatro tipos básicos. As características de volume e variedade de uma operação vão reduzir a escolha, grosso modo, a uma ou duas opções. A decisão sobre qual arranjo físico escolher é influenciada por um entendimento correto das vantagens e desvantagens de cada um (Slack et al., 2008)

                                           Ergonomia e Organização do Trabalho

 

Levando em consideração o processo de desenvolvimento  pelo  qual  passam os setores industriais e de serviços em nosso país com o processo de  automação e informatização, a adequação ergonômica dos postos de  trabalho e do sistema de produção são necessidades imediatas e necessárias  ao bom desempenho das organizações. Com o processo de globalização que  estamos vivendo, a organização para sobreviver precisa tornar-se mais   competitiva, portanto, é necessário que ela modernize seus recursos de  infraestrutura,  tais  como máquinas, equipamentos, ferramentas, bem como os processos e métodos de execução do processo produtivo. Para isso é necessário que se qualifique e capacite seus recursos humanos, ou seja, seus colaboradores, e proporcione boas condições de trabalho aos mesmos. A qualidade e a produtividade do produto ou do serviço estão intimamente ligadas   ao   posto   de   trabalho e   ao   sistema   produtivo, e   estes   deverão   estar ergonomicamente adequados aos operadores, para que possam realizar suas tarefas com conforto, eficiência e eficácia, sem causar danos à saúde física, psíquica e mental. Os profissionais da Segurança e Medicinado Trabalho são os responsáveis pela qualidade de vida dos colaboradores de uma organização, portanto devem interagir com os profissionais da área de produção e administrativa, para juntos, encarar de frente os desafios que se apresentam no momento e planejar o futuro das organizações. O futuro das organizações dependerá cada vez mais da criatividade e da participação dos colaboradores na solução dos problemas, e isto só será possível, se o ambiente de trabalho estiver ergonomicamente adequado às atividades laborais. O que se tem observado em algumas organizações brasileiras, especialmente no segmento industrial, é um descaso para com as condições de trabalho e, consequentemente, com a qualidade de vida dos colaboradores, contudo também se observa que na maioria das empresas de maior porte, a ergonomia está sendo utilizada como ferramenta para melhorar a eficiência e eficácia dos colaboradores nos postos de trabalho.

Vale salientar que a questão ergonômica em uma empresa não se restringe a realizar a análise ergonômica para atender a NR-17 de ergonomia do Ministério do Trabalho, como muitos profissionais da área de Segurança do Trabalho fazem e conhecem e, muito menos, a prevenção das chamadas doenças ocupacionais, tais como as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Doenças Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho (Dort). A percepção em relação ao caráter multidisciplinar da ergonomia pode ter contribuído, ou ainda estar contribuindo, para que muitos profissionais de Segurança do Trabalho tenham ficado relegados a segundo plano em suas organizações, para as quais as áreas de Segurança e Medicina do Trabalho não passam de centros de despesas e custos, portanto não recebem investimentos e inovações. Na verdade, a ergonomia deve estar presente nas mais diversas áreas da empresa e deverá estar interagindo e se integrando na Gestão da Qualidade, pois a busca da Qualidade Total passa necessariamente pela Qualidade de Vida no Trabalho.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

ALVARENGA NETO; DRUMMOND, Rivadavia Correa. Gestão do conhecimento em organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo. São Paulo: Saraiva, 2008. 

DAMIAN, Ieda; VALENTIM, Marda, SANTOS. A cultura organizacional como fator crítico de sucesso à implantação da gestão do conhecimento em organizações. 2018.

DAVENPORT, Thomas H. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 1998. 

FREITAS, Eliezer da Silva. Gestão do conhecimento na Administração Pública: tendências de aprimoramento dos tribunais de contas. 2016.

ISO 30.401:2018 – Sistemas de gestão do conhecimento. Disponível em <http://lillianalvares.fci.unb.br/phocadownload/Estudos/ISO%2030401.pdf>. Acesso em:  14 nov. 2021.

 Mapeamento do conhecimento crítico. Disponível em <http://www.sbgc.org.br/mapeamento-de-conhecimento-criacutetico.html>. Acesso em:  14 nov. 2021.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Gestão do conhecimento. Brasília, 2020.

NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica de inovação. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos


Nenhum comentário :

Postar um comentário