De Qual Ciência Deriva a Psicologia? Quem São os Principais Estudiosos da Psicanálise? Que Escolas de Formulações Teóricas Sustentam o Estudo da Psicologia?
Assim como muitas outras
ciências, a Psicologia não é homogênea; ou seja, não existe um discurso
uniforme e uma verdade única para explicar os fenômenos que ela estuda. Na
verdade, a Psicologia nasceu como uma disciplina da Filosofia e se estabeleceu como
uma ciência nos laboratórios de Fisiologia. Alguns autores afirmam que a Psicologia
é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano nas
concepções cognitivas e afetivas. Porém, alguns especialistas vêm afirmando que
a Psicologia estuda a alma, ou psique, ou mente, ou apenas o comportamento
humano. Caracteriza-se por possuir várias linhas de atuação que permitem
estudar o ser humano de formas diferenciadas e bem abrangentes em seus diversos
contextos da vida. Derivando tanto da Filosofia e da Fisiologia a Psicologia tomou
rumos diversos, elegendo objetos diversos (como a cognição, comportamento,
emoção, consciência, personalidade, transtorno mental, etc.) e constituindo
práticas diversas (como a Psicologia Clínica, Psicologia Social, Psicologia do Trabalho,
Psicologia Escolar, etc.). Hoje em dia, a Psicoterapia se preocupa em
proporcionar ao sujeito grande e benéfico bem-estar na sua busca pelo
equilíbrio necessário. Atualmente a Psicologia exerce uma função muito
importante para a sociedade, pois contribui para a busca do equilíbrio entre
pensamento e ação que o ser humano manifesta em diferentes contextos do dia a
dia. Desta forma, o estudo da Psicologia das Relações Humanas possui a cada dia
maior credibilidade e prática entre aqueles que optam por bem-estar e um
desenvolvimento biopsicossocial mais promissor ([1]).
Sabemos que a nossa história de
vida se caracteriza por um longo desenvolvimento físico e mental, onde neste
desenvolvimento podemos encontrar fatores bons ou ruins. O desenvolvimento
psicológico consiste na formação de resumos mentais que construímos ao longo da
caminhada da vida. Estes resumos se expressam na nossa maneira de ser e de agir
juntamente com nossas características herdadas que constituem a personalidade.
O ambiente em que vivemos é um objeto de estudo muito importante para a Psicologia,
pois nesse ambiente farto de criatividade, visamos manifestar de várias formas
e tipos os comportamentos, as ações, as sensações e os sentimentos para
qualquer situação decorrente do dia a dia. O campo de estudo da psicologia é
muito grande e com atividades em áreas como a clínica, a escola e a
organização. Na verdade, a Psicologia é uma ciência aplicada, mas também uma
ciência básica de grande importância para qualquer campo de conhecimento. A Psicologia
que conhecemos hoje é o resultado da confluência de preocupações e métodos
originários da Filosofia e da Fisiologia. Todas as funções psicológicas
decorrem de processos orgânicos e, avanços nos campos da genética, da neurofisiologia
e da bioquímica trouxeram importantes esclarecimentos sobre processos
psicológicos básicos como, por exemplo, hereditariedade, agressividade,
depressão e ansiedade. Por outro lado, o modo como formulamos perguntas,
encaminhamos modos de resposta e organizamos nosso conhecimento é muito influenciado
por toda a história da Filosofia. Então, de que forma podemos relacionar a Psicologia
nos dias de hoje com o estudo das relações humanas? A Psicologia e as relações
humanas andam juntas, de forma a ampliar a construção dos conhecimentos do
sujeito em estudo nos seus diversos contextos de vivência, favorecendo ao seu
equilíbrio da mente, corpo e comportamento onde desta forma proporcionará a
todos ao seu redor uma melhor convivência entre grupos pessoais e profissionais
([2]).
Diferentes Modos Para
Estudar a História da Psicologia
O campo da Psicologia é conhecido
pela sua fragmentação e pelas disputas teóricas. A história da psicologia
caracterizou-se por grandes escolas ou sistemas. Estas escolas eram formulações
teóricas sobre o que é ou deve ser psicologia. Exemplo destas grandes escolas –
algumas existindo até hoje – são a Psicanálise, o Behaviorismo e a Gestalt.
Trata-se de diferentes vertentes do ramo da Psicologia, que pretendem observar,
compreender e trabalhar o homem no que diz respeito a seus processos psíquicos,
à construção de sua inteligência e afetos, a suas formas de ser, atuar e se
relacionar no mundo. Sabe-se que a Psicologia não é um campo unitário. Há uma
grande diversidade de teorias. Quando se diz que é psicólogo, logo a seguir,
além de dizer qual a especialidade, se diz também qual é a abordagem preferida.
Alguns autores contemplaram a história da Psicologia do ponto de vista das
diferentes teorias.
Objetivos de Estudar Psicologia
A história da Psicologia é a
história do pensamento sobre a consciência, o inconsciente e o comportamento
humano. Temos, então, uma preocupação com os determinantes da racionalidade, da
irracionalidade e da ação. Historicamente, temos uma Psicologia aliada à Filosofia
para entender os processos da razão, pensamento, sentimento e percepção. Temos
uma Psicologia aliada a expressões artísticas, literárias e existenciais para
entender a irracionalidade e a criatividade. E, temos também uma Psicologia
aliada com a Fisiologia para entender o comportamento enquanto função da ação
do sistema nervoso. Mas, para podermos entender a prática é necessário
reconhecer a matriz filosófica na qual essa prática se apoia. Desta forma,
temos, entre outras, a Psicologia Behaviorista (derivada de uma corrente
positivista e que definirá o homem e seus processos psíquicos como um ser
governado por estímulos do meio), a Psicologia Humanista (derivada da
Fenomenologia e do Existencialismo, e que definirá o homem como um ser
intencional, dono de seus atos e de sua consciência), a Psicologia Cognitiva
(derivada em parte de uma Filosofia pragmática, considera o homem em uma
perspectiva interacionista, fruto da constante relação homem-meio, sendo este
homem considerado como um sistema aberto e em sucessivas reestruturações);
Gestalt (que com certa influência fenomenológica, explora a atenção, a
percepção e a tomada de consciência pelo organismo como um todo), Psicanálise,
que embora não tenha nascido no seio da Psicologia, caminha junto com ela na
sua preocupação com o homem interior.
As quatro perguntas: “O que é?
Como é? Por que é? e Para que é?” servirão de guia para comparação entre os
grandes pensadores da psicologia. Curiosamente, as perguntas referem-se,
respectivamente, ao que se entende hoje como as quatro grandes áreas da Filosofia.
As vertentes são diferentes a até opostas, mas o foco incide sempre no mesmo
homem, que ao ser estudado por outro homem confunde observador e observado,
sujeito e objeto, numa trama que se refaz a cada novo suspiro, numa poesia que
se reescreve a cada novo ato, numa música que se rearranja a cada novo
compasso, criando e recriando as mesmas velhas dúvidas, dores, espantos,
alegrias e rancores que fazem parte dele desde sua origem, quando do início de
sua viagem por um caminho repleto de convergências, mãos duplas e obstáculos.
O Início das Linhas
de Atuação da Psicologia
A Psicologia surgiu como ciência
em 1879, na Alemanha, marcando a separação entre a especulação filosófica sobre
a mente e o método experimental. A partir dessa base científica, desenvolveram-se
as primeiras linhas de atuação e abordagens que formaram a base da prática
psicológica atual
1) Psicanálise: Diversas linhas de
pensamento da Psicologia concebem a existência do inconsciente e, dentre essas
linhas, é possível destacar:
·
Sigmund Freud: Foi o médico austríaco considerado
o “Pai da Psicanálise”. A Psicanálise baseia-se em um modelo psíquico composto
por três (3) elementos: ID (instinto, lado primitivo), EGO (aquilo que você é, sendo
relacionado a valores, atitudes e percepções) SUPEREGO (espécie de censura que
o indivíduo se impõe, mas que é determinada pela sociedade). O desenvolvimento
desses elementos está relacionado com as etapas importantes da vida,
especialmente a infância. Utiliza a análise e a interpretação dos sonhos e
também a técnica de associação livre: onde o paciente deve fazer associação
entre palavras, ideias e pensamentos, depois interpretá-los. Objetivo: trazer à
tona o material que está inconsciente.
·
Carl Gustav Jung: Foi um psiquiatra suíço
que utilizava a linha Junguiana, onde também um inconsciente coletivo era
compartilhado pela humanidade. São os arquétipos, ou símbolos que atravessam a
história e são transculturais, isto é, desde os povos primitivos, em todas as
civilizações criam-se as fantasias arcaicas da humanidade. Os sonhos são muito
valorizados e vistos como códigos de determinadas passagens da vida.
·
Wilhelm Reich: Foi um médico e psicanalista
austríaco que utilizou a linha Reichiana, onde se faz a integração corpo e
mente. As tensões musculares crônicas são resultado da influência de regras
repressivas que existem na sociedade que impedem a livre circulação da energia
vital e causam desequilíbrio emocional. Quebrar as couraças musculares ou
tensões crônicas é o objetivo da terapia Reichiana (através de toques,
massagens, exercícios) e análise do inconsciente. Dentro do inconsciente
individual mostrou a força do componente não verbal (corpo).
·
Jacques Lacan: Francês, médico e
psicanalista, “o inconsciente está estruturado como uma linguagem”. Renovador
do pensamento freudiano trouxe para a psicanálise elementos estruturalistas e
criou uma “clínica do real”.
·
Donald Winnicott: Era um pediatra e
psicanalista britânico que introduziu mudanças fundamentais na clínica
psicanalítica com crianças. Destacou o desamparo, a dependência infantil de seu
ambiente com as mães e as ansiedades catastróficas que acompanham o estado
inicial de não-integração do ser humano em especial no contexto infantil ([3])
Abordagens na Psicoterapia
·
Cognitiva: Abordagem Cognitiva, Cognitivo
Comportamental ou TCC foi desenvolvida por Aron Beck e Albert Ellis. Ela se
baseia na ideia de que por trás do sofrimento humano, há pensamentos
distorcidos que prejudicam emoções e comportamentos. O foco é ajudar o paciente
e perceber esses pensamentos e melhorá-los. Ao mudar o pensamento, o paciente
também muda suas ações e sentimentos.
·
Comportamental: Essa abordagem também é
chamada de Behaviorista e surgiu por meio dos estudos de Pavlov, Thorndike e
Skinner. O foco é na história de aprendizagem da pessoa e nas condições
ambientais que mantém comportamentos prejudiciais. O paciente descreve esses
comportamentos e condições ambientais para que o psicólogo possa ajudá-lo a
transformar os comportamentos através de mudanças no ambiente.
·
Psicodinâmica: A Psicodinâmica é composta
por diferentes teorias, sendo a primeira e mais famosa a Psicanálise de Freud.
As demais teorias se desenvolveram a partir da Psicanálise, mas se
diferenciaram dela. Essas teorias enfatizam a importância de explorar aspectos
inconscientes da pessoa, tais como conflitos e desejos. Conhecer e explorar o
inconsciente ajuda o paciente a se entender melhor e lidar com dificuldades.
·
Humanista: Essa abordagem também é
chamada de Fenomelógico - existencial e possui diferentes variações. As teorias
enfatizam a autonomia e a capacidade criativa das pessoas de lidar com suas
dificuldades. Alguns nomes importantes dessa abordagem são Carl Rogers, Fritz
Perls, Rollo May e outros. A Gestalt terapia é uma variação dessa teoria. Na
abordagem humanista, psicólogo e paciente produzem, por meio de uma interação
colaborativa, um conhecimento que o paciente pode usar para se entender e se
desenvolver melhor.
([2]) ZAITTER,
Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das
Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil,
2012.

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