segunda-feira, 6 de julho de 2026

Introdução ao Estudo da Psicologia

De Qual Ciência Deriva a Psicologia? Quem São os Principais Estudiosos da Psicanálise? Que Escolas de Formulações Teóricas Sustentam o Estudo da Psicologia?

 



 

Assim como muitas outras ciências, a Psicologia não é homogênea; ou seja, não existe um discurso uniforme e uma verdade única para explicar os fenômenos que ela estuda. Na verdade, a Psicologia nasceu como uma disciplina da Filosofia e se estabeleceu como uma ciência nos laboratórios de Fisiologia. Alguns autores afirmam que a Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano nas concepções cognitivas e afetivas. Porém, alguns especialistas vêm afirmando que a Psicologia estuda a alma, ou psique, ou mente, ou apenas o comportamento humano. Caracteriza-se por possuir várias linhas de atuação que permitem estudar o ser humano de formas diferenciadas e bem abrangentes em seus diversos contextos da vida. Derivando tanto da Filosofia e da Fisiologia a Psicologia tomou rumos diversos, elegendo objetos diversos (como a cognição, comportamento, emoção, consciência, personalidade, transtorno mental, etc.) e constituindo práticas diversas (como a Psicologia Clínica, Psicologia Social, Psicologia do Trabalho, Psicologia Escolar, etc.). Hoje em dia, a Psicoterapia se preocupa em proporcionar ao sujeito grande e benéfico bem-estar na sua busca pelo equilíbrio necessário. Atualmente a Psicologia exerce uma função muito importante para a sociedade, pois contribui para a busca do equilíbrio entre pensamento e ação que o ser humano manifesta em diferentes contextos do dia a dia. Desta forma, o estudo da Psicologia das Relações Humanas possui a cada dia maior credibilidade e prática entre aqueles que optam por bem-estar e um desenvolvimento biopsicossocial mais promissor ([1]).

Sabemos que a nossa história de vida se caracteriza por um longo desenvolvimento físico e mental, onde neste desenvolvimento podemos encontrar fatores bons ou ruins. O desenvolvimento psicológico consiste na formação de resumos mentais que construímos ao longo da caminhada da vida. Estes resumos se expressam na nossa maneira de ser e de agir juntamente com nossas características herdadas que constituem a personalidade. O ambiente em que vivemos é um objeto de estudo muito importante para a Psicologia, pois nesse ambiente farto de criatividade, visamos manifestar de várias formas e tipos os comportamentos, as ações, as sensações e os sentimentos para qualquer situação decorrente do dia a dia. O campo de estudo da psicologia é muito grande e com atividades em áreas como a clínica, a escola e a organização. Na verdade, a Psicologia é uma ciência aplicada, mas também uma ciência básica de grande importância para qualquer campo de conhecimento. A Psicologia que conhecemos hoje é o resultado da confluência de preocupações e métodos originários da Filosofia e da Fisiologia. Todas as funções psicológicas decorrem de processos orgânicos e, avanços nos campos da genética, da neurofisiologia e da bioquímica trouxeram importantes esclarecimentos sobre processos psicológicos básicos como, por exemplo, hereditariedade, agressividade, depressão e ansiedade. Por outro lado, o modo como formulamos perguntas, encaminhamos modos de resposta e organizamos nosso conhecimento é muito influenciado por toda a história da Filosofia. Então, de que forma podemos relacionar a Psicologia nos dias de hoje com o estudo das relações humanas? A Psicologia e as relações humanas andam juntas, de forma a ampliar a construção dos conhecimentos do sujeito em estudo nos seus diversos contextos de vivência, favorecendo ao seu equilíbrio da mente, corpo e comportamento onde desta forma proporcionará a todos ao seu redor uma melhor convivência entre grupos pessoais e profissionais ([2]).

 

 

Diferentes Modos Para Estudar a História da Psicologia

 

 

O campo da Psicologia é conhecido pela sua fragmentação e pelas disputas teóricas. A história da psicologia caracterizou-se por grandes escolas ou sistemas. Estas escolas eram formulações teóricas sobre o que é ou deve ser psicologia. Exemplo destas grandes escolas – algumas existindo até hoje – são a Psicanálise, o Behaviorismo e a Gestalt. Trata-se de diferentes vertentes do ramo da Psicologia, que pretendem observar, compreender e trabalhar o homem no que diz respeito a seus processos psíquicos, à construção de sua inteligência e afetos, a suas formas de ser, atuar e se relacionar no mundo. Sabe-se que a Psicologia não é um campo unitário. Há uma grande diversidade de teorias. Quando se diz que é psicólogo, logo a seguir, além de dizer qual a especialidade, se diz também qual é a abordagem preferida. Alguns autores contemplaram a história da Psicologia do ponto de vista das diferentes teorias.

 

Objetivos de Estudar Psicologia

 

A história da Psicologia é a história do pensamento sobre a consciência, o inconsciente e o comportamento humano. Temos, então, uma preocupação com os determinantes da racionalidade, da irracionalidade e da ação. Historicamente, temos uma Psicologia aliada à Filosofia para entender os processos da razão, pensamento, sentimento e percepção. Temos uma Psicologia aliada a expressões artísticas, literárias e existenciais para entender a irracionalidade e a criatividade. E, temos também uma Psicologia aliada com a Fisiologia para entender o comportamento enquanto função da ação do sistema nervoso. Mas, para podermos entender a prática é necessário reconhecer a matriz filosófica na qual essa prática se apoia. Desta forma, temos, entre outras, a Psicologia Behaviorista (derivada de uma corrente positivista e que definirá o homem e seus processos psíquicos como um ser governado por estímulos do meio), a Psicologia Humanista (derivada da Fenomenologia e do Existencialismo, e que definirá o homem como um ser intencional, dono de seus atos e de sua consciência), a Psicologia Cognitiva (derivada em parte de uma Filosofia pragmática, considera o homem em uma perspectiva interacionista, fruto da constante relação homem-meio, sendo este homem considerado como um sistema aberto e em sucessivas reestruturações); Gestalt (que com certa influência fenomenológica, explora a atenção, a percepção e a tomada de consciência pelo organismo como um todo), Psicanálise, que embora não tenha nascido no seio da Psicologia, caminha junto com ela na sua preocupação com o homem interior.

As quatro perguntas: “O que é? Como é? Por que é? e Para que é?” servirão de guia para comparação entre os grandes pensadores da psicologia. Curiosamente, as perguntas referem-se, respectivamente, ao que se entende hoje como as quatro grandes áreas da Filosofia. As vertentes são diferentes a até opostas, mas o foco incide sempre no mesmo homem, que ao ser estudado por outro homem confunde observador e observado, sujeito e objeto, numa trama que se refaz a cada novo suspiro, numa poesia que se reescreve a cada novo ato, numa música que se rearranja a cada novo compasso, criando e recriando as mesmas velhas dúvidas, dores, espantos, alegrias e rancores que fazem parte dele desde sua origem, quando do início de sua viagem por um caminho repleto de convergências, mãos duplas e obstáculos.

 

O Início das Linhas de Atuação da Psicologia

 

 

A Psicologia surgiu como ciência em 1879, na Alemanha, marcando a separação entre a especulação filosófica sobre a mente e o método experimental. A partir dessa base científica, desenvolveram-se as primeiras linhas de atuação e abordagens que formaram a base da prática psicológica atual

 

1) Psicanálise: Diversas linhas de pensamento da Psicologia concebem a existência do inconsciente e, dentre essas linhas, é possível destacar:

 

·        Sigmund Freud: Foi o médico austríaco considerado o “Pai da Psicanálise”. A Psicanálise baseia-se em um modelo psíquico composto por três (3) elementos: ID (instinto, lado primitivo), EGO (aquilo que você é, sendo relacionado a valores, atitudes e percepções) SUPEREGO (espécie de censura que o indivíduo se impõe, mas que é determinada pela sociedade). O desenvolvimento desses elementos está relacionado com as etapas importantes da vida, especialmente a infância. Utiliza a análise e a interpretação dos sonhos e também a técnica de associação livre: onde o paciente deve fazer associação entre palavras, ideias e pensamentos, depois interpretá-los. Objetivo: trazer à tona o material que está inconsciente.

·        Carl Gustav Jung: Foi um psiquiatra suíço que utilizava a linha Junguiana, onde também um inconsciente coletivo era compartilhado pela humanidade. São os arquétipos, ou símbolos que atravessam a história e são transculturais, isto é, desde os povos primitivos, em todas as civilizações criam-se as fantasias arcaicas da humanidade. Os sonhos são muito valorizados e vistos como códigos de determinadas passagens da vida.

·        Wilhelm Reich: Foi um médico e psicanalista austríaco que utilizou a linha Reichiana, onde se faz a integração corpo e mente. As tensões musculares crônicas são resultado da influência de regras repressivas que existem na sociedade que impedem a livre circulação da energia vital e causam desequilíbrio emocional. Quebrar as couraças musculares ou tensões crônicas é o objetivo da terapia Reichiana (através de toques, massagens, exercícios) e análise do inconsciente. Dentro do inconsciente individual mostrou a força do componente não verbal (corpo).

·        Jacques Lacan: Francês, médico e psicanalista, “o inconsciente está estruturado como uma linguagem”. Renovador do pensamento freudiano trouxe para a psicanálise elementos estruturalistas e criou uma “clínica do real”.

·        Donald Winnicott: Era um pediatra e psicanalista britânico que introduziu mudanças fundamentais na clínica psicanalítica com crianças. Destacou o desamparo, a dependência infantil de seu ambiente com as mães e as ansiedades catastróficas que acompanham o estado inicial de não-integração do ser humano em especial no contexto infantil ([3])

 

 

Abordagens na Psicoterapia

 

 

·        Cognitiva: Abordagem Cognitiva, Cognitivo Comportamental ou TCC foi desenvolvida por Aron Beck e Albert Ellis. Ela se baseia na ideia de que por trás do sofrimento humano, há pensamentos distorcidos que prejudicam emoções e comportamentos. O foco é ajudar o paciente e perceber esses pensamentos e melhorá-los. Ao mudar o pensamento, o paciente também muda suas ações e sentimentos.

·        Comportamental: Essa abordagem também é chamada de Behaviorista e surgiu por meio dos estudos de Pavlov, Thorndike e Skinner. O foco é na história de aprendizagem da pessoa e nas condições ambientais que mantém comportamentos prejudiciais. O paciente descreve esses comportamentos e condições ambientais para que o psicólogo possa ajudá-lo a transformar os comportamentos através de mudanças no ambiente.

·        Psicodinâmica: A Psicodinâmica é composta por diferentes teorias, sendo a primeira e mais famosa a Psicanálise de Freud. As demais teorias se desenvolveram a partir da Psicanálise, mas se diferenciaram dela. Essas teorias enfatizam a importância de explorar aspectos inconscientes da pessoa, tais como conflitos e desejos. Conhecer e explorar o inconsciente ajuda o paciente a se entender melhor e lidar com dificuldades.

·        Humanista: Essa abordagem também é chamada de Fenomelógico - existencial e possui diferentes variações. As teorias enfatizam a autonomia e a capacidade criativa das pessoas de lidar com suas dificuldades. Alguns nomes importantes dessa abordagem são Carl Rogers, Fritz Perls, Rollo May e outros. A Gestalt terapia é uma variação dessa teoria. Na abordagem humanista, psicólogo e paciente produzem, por meio de uma interação colaborativa, um conhecimento que o paciente pode usar para se entender e se desenvolver melhor.





([1])  DAVIDOFF, Linda L. “Introdução à Psicologia”. Makron Books, São Paulo, 1983,

 

([2])   ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012.

 

([3])  ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012, p. 5



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