segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A Crise do Sistema Colonial Brasileiro

Como Surgiram os Movimentos Nativistas? Por Que as Monarquias Absolutistas Europeias Entraram em Crise no Século 16? Quais Foram as Duas Grandes Revoltas Que Aconteceram no Brasil Que Contestaram o Poder de Portugal?




A partir da metade do século XVII começaram a surgir em grande parte do mundo os chamados “movimentos nativistas”, os quais ocorreram como uma reação contrária às imposições dos sistemas coloniais existentes. Esses movimentos tinham um caráter local e não chegaram a representar um movimento em âmbito colonial, tampouco ocorreram tendo em vista a independência e tiveram muitas vezes motivação econômica. Mas, esses foram apenas os primeiros movimentos que desafiaram a Coroa Portuguesa e iniciaram algum tipo de mobilização dessa população que estava se fixando no Brasil. Confira os movimentos nativistas e suas principais características:

 

·        Aclamação de Amador Bueno (São Paulo / 1641): Tinha como objetivo a instalação de um reino em São Paulo;

·        Revolta de Beckman (Maranhão / 1684): Escassez de mão de obra para a lavoura açucareira Altos juros cobrados pela Companhia de Comércio do Maranhão;

·        Guerra dos Emboabas (Minas Gerais / 1708-1709): Disputa pela posse das minas entre bandeirantes paulistas e forasteiros vindos de Portugal ou de outras regiões da colônia;

·        Guerra dos Mascates (Pernambuco / 1710-1714): Disputa entre senhores de engenho de Olinda e comerciantes de Recife;

·        Revolta de Felipe dos Santos (Minas Gerais / 1720): Revolta contra a criação das Casas de Fundição e a cobrança de altos tributos

 

Nas últimas décadas do século 18 ocorreram transformações significativas no mundo ocidental. O Antigo Regime; ou seja, a forma de governar – caracterizado pelas monarquias absolutistas existentes na Europa desde o século 16 – entrou em crise. Para a burguesia industrial o sistema colonial era visto como uma herança da estrutura medieval e uma barreira para o desenvolvimento do capitalismo. As ideias defendidas pela burguesia, o pensamento ilustrado e o liberalismo, começaram se expandir por todo o mundo ocidental:

 

·        Burguesia é o termo que representa um determinado grupo de pessoas que tem como atividade principal o comércio, a indústria ou mesmo financeiras;

·        Pensamento ilustrado é aquele ligado ao movimento Iluminista que defendia, de uma forma geral, que as pessoas eram iguais entre si e tinham os mesmos direitos. Este movimento foi fortemente atacado pelos reis autoritários que não aceitavam a condição de “iguais” com pessoas do povo;

·        Liberalismo é uma forma de pensar e de agir que possui duas (2) características muitos importantes: a política e a econômica. Na política, o liberalismo prega que todos devem ter os mesmos direitos e os mesmos deveres. Na economia, o liberalismo defende que o governo não deve interferir nas áreas econômicas deixando espaço para os empresários.

 

O Iluminismo passou a fazer muitas críticas ao pacto colonial. O pensamento iluminista e o liberalismo defendiam a necessidade de uma nova estrutura nas colônias para se adequar às novas exigências da economia mundial. Já a partir do século XVIII (ano 1701 a 1800) nas áreas coloniais da América ocorreram os chamados “movimentos de independência” que são exemplos de como se deu a crise do sistema colonial. O processo de industrialização iniciado na Inglaterra no século 18 acabou por desestruturar o sistema colonial, desenvolvido a partir do capital mercantil. Existiram fatores internos e externos que explicam o rompimento das áreas coloniais com as suas respectivas metrópoles (Exemplo: Brasil foi uma área colonial e Portugal foi uma metrópole).

Do ponto de vista interno o que ocorre é o desdobramento da colonização uma vez que as colônias se desenvolvem de alguma forma mesmo a partir da própria exploração que ser realiza sobre elas. Nas colônias formam-se as chamadas elites que passam a possuir poder sobre a sociedade colonial, por outro lado esta mesma elite se subordina aos interesses e às elites da metrópole. O desenvolvimento da colônia ocorreu mesmo com a opressão cada vez maior da metrópole. Esses movimentos anteriores à independência tiveram influência do pensamento iluminista, da independência dos Estados Unidos em 1776. De uma forma geral esses movimentos criticavam os altos tributos impostos pelo pacto colonial, eram contrários ao intervencionismo do mercantilismo metropolitano e se colocaram contrários à política metalista de Portugal. Duas (2) grandes revoltas aconteceram no Brasil e que contestaram o poder de Portugal sobre o Brasil:

 

1.     Inconfidência Mineira (1789)

 

·        Causas: Movimento de caráter elitista reagiu à cobrança de altos impostos pela Coroa junto aos colonos;

·        Objetivos: Fundar uma capital em São João Del Rei, criar universidades e indústrias;

·        Desfecho: Não obteve êxito. Os líderes foram presos e exilados. Tiradentes foi enforcado e seu corpo foi esquartejado.

 

2.     Conjuração Baiana (1798)

 

·        Causas: Fome, miséria, empobrecimento da população e discriminação contra os negros;

·        Objetivos: Proclamar uma República tendo Salvador como capital e abolir totalmente a escravidão;

·        Desfecho: Não obteve êxito. Os rebeldes de origem humilde foram presos, exilados e enforcados.

 

Em 1817, ocorreu em Pernambuco uma nova tentativa de emancipação do Brasil em relação a Portugal, chamada de Revolução Pernambucana de 1817. E, em 1821 D. João VI é obrigado a jurar respeito à Constituição portuguesa e acaba por voltar definitivamente a Portugal. No Brasil, quem ficou governando foi seu filho D. Pedro, como príncipe-regente. Portugal encontrava-se em grande crise econômica e as Cortes tentam assim recolonizar o Brasil, assegurando mercado consumidor para os produtos portugueses. As classes dominantes no Brasil se colocam contrárias à decisão de Portugal e articulam-se em torno de D. Pedro que “proclamou” a independência do Brasil no dia 7 de setembro de 1822. Portugal só viria a reconhecer a independência do Brasil em 1825.

 

A Independência das Colônias Ibero-Americanas

 

Entre o final do século 18 e O início do século seguinte, o Absolutismo e o Mercantilismo começaram a entrar em crise e decadência em grande parte da Europa ocidental. Eram sinais de que um novo tempo estava por nascer no qual a indústria, o livre comércio e a luta pela igualdade de direitos passaram a caracterizar essa nova fase da história. No final do século 18 ocorreram acontecimentos que refletiram na América espanhola e também na América portuguesa. Vejamos alguns deles: 

 

·        Em 1776, as colônias inglesas, denominadas de Treze Colônias, declararam a independência em relação à Inglaterra originando assim os Estados Unidos da América; 

·        Em 1807 a Inglaterra aboliu a escravidão; 

·        Em 1791 os escravos de São Domingos promoveram várias revoltas que conduziram à independência do Haiti. Essa rebelião correspondia com os acontecimentos da Revolução Francesa nas colônias americanas;

·        Entre 1794 a 1802 a escravidão foi extinta em todas as colônias francesas.

 

Os colonos espanhóis começaram o processo de independência no início do século 19 e o grande território – até então controlado pela Espanha – era formado por quatro (4) grandes vice-reinos e ainda algumas capitanias gerais, as quais posteriormente viriam a se dividir em vários países, que hoje são nossos vizinhos. A elite desse território era formada por pessoas nascidas na Espanha – os peninsulares – e pelos descendentes de espanhóis – os criollos – que eram grandes proprietários de terras e de escravos. Essas elites locais perceberam que a Espanha estava enfraquecida por causa do conflito com Napoleão Bonaparte e dos ideais revolucionários franceses e viram a possibilidade de cortar de forma definitiva os laços que uniam as colônias na América com a metrópole espanhola. Os peninsulares e os criollos lideraram as revoltas de independência e ficaram conhecidos como Libertadores da América. O maior campeonato de futebol do continente americano é uma homenagem a esses homens que obtiveram a independência desses países da Espanha. Homens como Simon Bolívar e San Martin.

Até meados do século 19 as antigas colônias hispano-americanas já estavam emancipadas da Espanha – mas pouca coisa mudou com as independências. Diferentemente dos Estados Unidos que de fato conseguiram promover uma grande ruptura dos laços coloniais, os demais países tiveram somente uma independência de caráter político, na qual a estrutura colonial - produção agrícola tropical para exportação, baseada na grande propriedade, no trabalho escravo e na monocultura, importação de produtos manufaturados - praticamente não sofreu grandes mudanças. Sob o ponto de vista da sociedade dos novos países é possível também afirmar que pouca coisa mudou. A população pobre não viu a sua situação melhorar nem tampouco a dos escravos que continuaram submetidos ao trabalho forçado. Já a elite criolla foi a maior beneficiária da independência uma vez que cortou os laços com a elite espanhola e passou a dominar exclusivamente a política e a economia das novas nações americanas.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

LIMA, Ederson Prestes Santos; SCHENA, Denilson Roberto. História. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.

SILVA, Daniel Neves. "Descobrimento da América"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/descobrimento-da-america.htm. Acesso em 25 de novembro de 2025.

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

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