segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Os Robôs Industriais

Quais os Três Tipos de Robôs? O Que é Um Efetuador (ou Órgão Terminal)? Como as Garras Podem Ser Acionadas? Que Tipo de Ferramenta é Um Alternador Automático de Garras? Por Que Um Robô Terá Mais Movimentos se Tiver Mais Juntas?

 

 


Dentre os três (3) tipos de robôs existentes (Industrial, Móvel e Humanoide), o foco deste texto serão os robôs industriais, os quais abordaremos sua construção, sua programação e a integração em sistemas de produção automática. No âmbito dos equipamentos industriais, os robôs industriais se inserem na classificação das máquinas automáticas programáveis e, por isso, devemos organizar nosso estudo partindo das partes que o compõem:

 

·        Fonte: Fornece a energia na forma adequada para os acionadores do robô

·        Sistema: É o conjunto de sensores que permitem ao robô reconhecer suas mudanças de condições

·        Controlador: É o responsável pela coordenação e execução das funções a serem desempenhadas pelo robô

·        Manipulador: É uma estrutura mecânica composta de engrenagens, elementos de transmissão e acionadores, possuindo graus de liberdade suficientes para a execução das tarefas destinadas ao Robô.

·        Dispositivo de Programação de Tarefas: É uma unidade de entrada e saída com funções tais que, facilitem a programação do robô por um operador

·        Memória de Tarefas: É o meio de armazenamento utilizado pelo controlador para guardar programas de novas tarefas ou a partir de programas anteriormente guardados executar uma tarefa já aprendida

·        Dispositivos de Sincronização: São dispositivos e funções que permitem a coordenação das ações do robô com as máquinas e/ou eventos externos

 

Os Efetuadores

 

Um Efetuador (ou Órgão Terminal) é um dispositivo fixado no punho do braço de um robô de uso geral, permitindo-lhe realizar uma tarefa específica. Às vezes, ele é chamado de robô porque a maioria das máquinas de produção exige dispositivos e ferramentas especificamente desenhados para uma determinada operação e o robô não é exceção à regra. A empresa que instala o robô poderá realizar ela mesma os serviços de engenharia ou contratar os serviços de uma empresa especializada. Existe uma ampla variedade de órgão terminais necessários para a realização de várias tarefas, e podem ser divididos em duas (2) categorias principais:

 

I) GARRAS

 

São efetuadores destinados a pegar e segurar objetos para seu deslocamento dentro do espaço de trabalho do manipulador. Podem ser pequenos e frágeis (como os componentes eletrônicos que são montados numa placa pelo robô) ou pesados e robustos (como os carros que são colocados de uma parte para outra, de uma linha de produção). O acionamento pode ser elétrico, pneumático ou hidráulico (para grandes esforços).

 

A) Garra de Três Membros: É similar à garra de dois membros, mas permite maior segurança ao manipular os objetos, que podem ser esféricos ou triangulares.

B) Garra Para Objetos Cilíndricos: Possui dois dedos com depressões circulares capazes de agarrar objetos cilíndricos de diversos tamanhos. Uma desvantagem evidente desta garra é a sua limitação de abertura, que impossibilita a manipulação de objetos maiores que a sua abertura total.

C) Garra Para Objetos Frágeis: Para manipularmos um objeto frágil, sem danificá-lo, os dedos da garra devem exercer um grau de força controlado que não se concentrasse em apenas um ponto do objeto. Muitas garras têm sido projetadas com esta finalidade, das quais uma é ilustrada a seguir, na qual temos dois dedos flexíveis que se curvam para dentro quando inflados pelo ar, que é aplicado de forma controlada, cuja expressão determina a força com que o objeto é agarrado

D) Garra de Juntas: Essas garras são desenvolvidas para manipularem objetos de vários tamanhos e de superfícies irregulares. As conexões são movidas através de paredes de cabos. Um cabo flexiona a junta, a outra a estende e, para pegar um objeto, as juntas dos dedos envolvem este objeto e seguram firmemente. Então, quanto menor for o tamanho das juntas dos dedos, maior será a firmeza e a capacidade de manipular objetos irregulares.

E) Garras à Vácuo (ou Ventosas): São órgãos terminais empregados para apanhar peças delicadas, como no caso de peças injetadas em termoplásticos (injetoras). São ligadas a uma bomba de vácuo através de uma eletroválvula e, quando a eletroválvula é acionada, o ar é puxado pela bomba, criando um vazio na ventosa que adere a peça. É necessário que as peças a serem manuseadas estejam limpas, lisas e planas, condições necessárias para formar um vácuo perfeito entre o objeto e as ventosas.

F) Garras Magnéticas: São similares em seu formato às garras a vácuo e são um meio razoável para manipular materiais ferromagnéticos. Assim como, no caso das garras a vácuo, as peças a serem transportadas pelas garras magnéticas devem apresentar pelo menos uma superfície limpa. Algumas vantagens no uso de garras magnéticas são: (1) Tempo de pega muito rápido; (2) Variações razoáveis nos tamanhos das peças são toleradas; (3) Não necessita de um projeto específico para cada tipo de peça; (4) Permite manusear peças metálicas com furos. Por outro lado, a grande desvantagem está no fato de somente manusear peças de material ferromagnético.


 

II) FERRAMENTAS

 

Em muitas aplicações, o robô é utilizado para manipular uma ferramenta, ao invés de uma peça. O robô deve movimentar a ferramenta sobre o objeto a ser trabalhado e o uso de uma garra permitirá que as ferramentas sejam trocadas durante o ciclo de trabalho, facilitando o manuseio de várias ferramentas. Na maioria das aplicações de robôs nas quais uma ferramenta é manipulada, a ferramenta é presa diretamente no punho do robô, sendo nesses casos, a ferramenta o órgão terminal. Veremos abaixo alguns exemplos de ferramentas usadas como efetuadores em aplicações robóticas:

 

·        Maçaricos para soldagem a arco;

·        Bicos para pintura por pulverização;

·        Mandris para operações como: furação, ranhuramento, polimento, retifica e etc.

·        Aplicadores de cimento ou adesivo líquido para montagem;

·        Ferramentas de corte por jato d’água e laser;

·        Ferramentas para soldagem a ponto.

 

OBSERVAÇÃO: Em todos os casos o robô controla a atuação das ferramentas.

 

A) ALTERNADOR AUTOMÁTICO de GARRAS: É um adaptador que permite a troca rápida de garras de mesma conexão (pneumáticas, hidráulicas, etc.). Como desvantagens, esse tipo de alternador possui o acréscimo de peso ao braço do robô, custo elevado e desperdício de tempo na troca de garras.

B) BASE: É o elemento de fixação do braço mecânico em uma superfície (solo, parede, teto) ou à Estação de Trabalho em um determinado setor da fábrica. Ela sustenta todo o braço mecânico e serve como ponto de apoio e de referência para todos os seus movimentos. Possibilita o movimento de rotação do Braço Mecânico.

C) LIGAMENTOS (ou ELOS): São os termos mais adequados para definirmos o termo Link, o qual é o nome dado à haste que interliga duas Juntas. Em robôs industriais, os links são recobertos com capas de ligas metálicas que os tornam mais resistentes aos rigores do ambiente e também mais “pesados”. Os links são estruturas leves de perfis metálicos muitas vezes vazados para se tornarem mais “leves” sem comprometimento da rigidez. Um braço com baixa rigidez reduz a precisão do robô, devido às vibrações e reações à pressão. O conjunto de links forma o “esqueleto” do Robô e o volume de “Envelope de Trabalho” de um Robô depende muito da dimensão de seus links. Para incrementar a rigidez no braço, sem aumentar o seu peso, formas estruturais como a armação oca, são frequentemente usadas. Um braço com esse tipo de construção tem uma maior rigidez em relação ao seu peso, do que um braço de construção sólida. Mesmo assim, os braços apresentam-se muito pesados, em relação às cargas que podem mover. A maioria dos robôs mantém a razão entre a carga movimentada e o peso do braço na ordem de 1:20, enquanto que no braço humano temos a razão de 1:1.

D) JUNTAS: É o nome dado ao ponto de ligação entre dois Links. É a junta que permite que exista movimento relativo entre os dois links que ela interliga. A primeira junta de um Braço Mecânico é ligada a sua base. Além desta, as outras juntas de um Braço Mecânico são denominadas analogamente as de um braço humano: “Shoulder” (ombro), “Elbow” (cotovelo), “Wrist” (pulso) e, assim por diante. Geralmente, quanto maior o número de juntas no braço, maior é a sua destreza. O número de juntas determina o que se chama de “Graus de Liberdade” de um Robô. Isto significa que um Robô tem mais liberdade de movimentos se tiver mais juntas – o que é bem coerente. Cada junta corresponde a um grau de liberdade. Existem três (3) tipos de Juntas:

 

·        Junta Prismática: Permite o movimento linear entre dois links adjacentes, sendo composta de dois links encaixados interna ou lateralmente. Devido ao seu tipo de construção, este tipo de junta é bastante rígido.

·        Junta de Revolução: Permite o movimento de rotação entre dois links adjacentes, sendo composta de um eixo (ou dobradiça) que conecta dois links.

·        Junta de Encaixe Esférico: Funciona como uma combinação de três juntas de revolução permitindo um movimento combinado de três eixos de movimento (X, Y e Z). Este tipo de junta é aplicada pouquíssimas vezes em projetos de robôs já que sua construção é difícil e seu controle, complexo. Quando o seu uso é necessário, costuma-se projetar três juntas de revolução separadas, mas cujos movimentos se interseccionam num único ponto.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 


AXEL Daneels; WAYNE Salter. What is SCADA? IT/CO. Silva, Sérgio Francisco (2000). Automação Industrial Via Internet: Uma Abordagem de Software Voltada à Pequena Empresa, Centro Universitário do Triângulo - Unit, Uberlândia − MG.

FERREIRA, Ed’Wilson T. (2001). Segurança de Redes de Computadores em Ambiente Industrial, Universidade Federal de Uberlândia - UFU, Uberlândia – MG.

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

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