Quais São as Fase no Desenvolvimento do Conceito de Personalidade? Quais as Fases do Desenvolvimento Humano na Visão Psicológica?
Conforme alguns especialistas, desenvolvimento significa o ato – ou o efeito – de desenvolver; ou seja, tem a ver com crescimento, progresso ou adiantamento. Segundo Houaiss, desenvolvimento é tirar o que envolve – ou cobre – fazer crescer, tornar-se maior, mais forte. Ou seja, conduzir ou caminhar para um estágio mais avançado – ou eficaz. Mas, sob o conceito da Psicologia, Freud afirmava que o conceito de desenvolvimento da personalidade ocorre em sete (7) fases: oral, anal, fálica, latência, adolescência, maturidade e velhice. Afirmando que em cada fase, a pessoa deve aprender a resolver certos problemas específicos, originados do próprio crescimento físico e da interação com o meio. A solução dos diferentes problemas, que em grande parte depende do tipo de sociedade ou cultura, resulta na passagem de uma fase para a outra e na formação do tipo peculiar de personalidade.
No decorrer das fases, o indivíduo expressa seus impulsos e suas necessidades básicas dentro de moldes que visam a continuação da cultura, seu próprio crescimento e busca do prazer pessoal. Os estudos demonstram ser o bebê extremamente competente sob muitos aspectos, é sensível, curioso, um principiante eficaz, manifestando grande percepção ao tom de voz, gestos, atitudes, expressões e movimentos dos adultos que estão ao seu redor, principalmente àqueles que têm algum significado emocional para ele, como os pais primeiramente ([1]).
A criança ao explorar
seu meio em busca das descobertas, logo descobrirá que algumas restrições serão
impostas, e irá manifestar seu desagrado através de birras e choro, aprendendo,
no entanto, a lidar com as limitações que, saberá mais tarde, terá que conviver
por toda a vida, mudando a cada fase de seu desenvolvimento.
O ser humano aprende cedo e
rapidamente a lidar com as situações que influenciam, direta ou indiretamente,
a obtenção de seus desejos, o que lhe traz desconforto, o que interfere em suas
esperanças, bem como o que lhe traz medos e angústias, buscando formas
compensatórias de reação.
O nascimento é a primeira grande experiência vivida pelo ser humano e o primeiro obstáculo a ser superado no processo de desenvolvimento. Sair da segurança e proteção do útero materno e enfrentar os estímulos do mundo externo requerem grandes adaptações psicológicas. De acordo com vários autores, não resta ao recém-nascido outra alternativa senão viver a "angústia do desligamento”, a qual pode ser considerada como o modelo de fenômenos psicológicos, que aparecerão em outras fases do desenvolvimento, e que denominamos de angústia, ansiedade ou depressão.
O ser humano ao nascer, e durante bastante tempo, é totalmente dependente de outros seres humanos para alimentá-lo, cuidar de sua higiene, protegê-lo e dar o apoio emocional, que é essencial para o seu desenvolvimento psicológico. Desde os primeiros instantes de vida, o comportamento materno (ou seu substituto) exercerá influência na formação da personalidade da criança, mesmo que ainda não exista a comunicação verbal. A maneira como os problemas são solucionados, os gestos feitos na hora de segurar a criança e os sentimentos em relação a ela irão provocar respostas de prazer ou desprazer no bebê, que poderá trazer efeitos duradouros na percepção da realidade.
Devemos
dar atenção especial às mudanças que ocorrem na família com o nascimento de uma
criança, pois novos papéis são exigidos e, além de manter os anteriores,
aparecem os de pai, mãe, avô, avó, tios, primos, etc., acarretando,
inevitavelmente, uma redistribuição na energia emocional da família, bem como
alteração no status e nas exigências que serão feitas às pessoas para que
cumpram o correspondente ao “papel”, e que nem sempre será aceito, ou vivido,
com tranquilidade.
Fases do Desenvolvimento
Humano na Visão Psicológica
O desenvolvimento psicológico
ocorre paralelamente ao processo de crescimento físico e social do ser humano,
desde o seu nascimento até a sua morte, com todas as adaptações possíveis, sua
história pessoal, os dados biopsicológicos herdados, as idiossincrasias de seu
meio familiar, suas condições ambientais, sociais e culturais, os dados
adquiridos na interação hereditariedade-meio, as características e condições de
funcionamento do indivíduo nessa interação, possibilitando adaptações e
mudanças em situações futuras, as quais obedecem às seguintes fases:
·
Fase Oral: Período de aproximadamente um
ano que segue desde o nascimento. Os impulsos da criança são satisfeitos
principalmente na área da boca, ou seja, a libido está intimamente associada ao
processo da alimentação e contato humano, que vem associado ao ato de mamar. A
percepção da criança, nos primeiros meses após o nascimento, é de totalidade,
não distinguindo ainda o “eu” do “não eu”. Se o seio (ou substituto) for
gratificante, a imagem de aceitação será absorvida e as expectativas futuras do
mundo, em termos projetivos, serão otimistas, o que é conhecido como o “objeto
bom”, e o seu oposto irá gerar insegurança e desconfiança. Por volta dos seis
meses, já há uma percepção da mãe “como uma pessoa total”, integrada em seus
aspectos bons e maus, e a relação da criança com a mãe é mais realistas,
aprendendo a controlar sua ansiedade e seus impulsos frente às demandas do
meio, preparando-se para enfrentar os novos desafios da fase seguinte de seu
desenvolvimento.
·
Fase Anal: No final do primeiro ano de
vida estão presentes habilidades como virar, sentar, engatinhar, assim como o
início da comunicação verbal, ora para pedir coisas, ora como forma de
socialização. Nessa fase inicia-se a capacidade de julgar a realidade e
antecipar situações, possibilitando maior tolerância às tensões do cotidiano, e
normais no desenvolvimento. Durante o segundo e terceiro anos de vida a criança
será estimulada a desenvolver a autonomia, tornando-se mais independente,
inclusive no que se refere ao controle dos esfíncteres, e cuidados com a higiene
pessoal, que estará de acordo com as exigências do meio em que vive e de sua
cultura familiar. Os impulsos, nesta fase, levam a criança a vivenciar a busca
do domínio do ambiente, e das pessoas que estão à sua volta, para obter o
máximo de prazer possível. É a fase das “birras”, crises de nervos, parecendo
necessitar de limites claros, para então se acalmar.
·
Fase Fálica: No período que vai dos 3 aos
5/6 anos, a criança já tem maior consciência de si mesma, percebendo com maior
clareza o mundo que a rodeia, interessando-se pelo ambiente e indagando sobre o
significado e as causas dos fatos. Aumenta o interesse pelo próprio corpo,
principalmente pelos genitais, tornando-se mais exibicionista. Surge, nesta
fase, o fenômeno conhecido como complexo de Édipo, e o conflito da ambivalência
entre o amor e o ódio, pois o seu “objeto de amor” também é a figura
disciplinadora que coloca limites e restrições, e o “objeto odiado” é provedor,
lhe dá segurança e proteção. Na chamada iniciativa existe a busca dos objetos
que lhe dê a satisfação, e é o que move a criança a ligar-se ao “objeto de
amor”, tentando identificar-se como o modelo entendido como “adequado”. A
conduta social básica que pode manifestar-se nessa fase é a de tentar sempre
“tirar vantagem”, bem como o ataque frontal às pessoas que tentam colocar
limites, tendo prazer na competição e na conquista, insistência em alcançar uma
meta e, embora, demonstre segurança e tenha atitude resoluta, pode carregar
traços de inferioridade. Por outro lado, nessa fase a criança torna-se amigável,
colaboradora, amorosa, sendo capaz de proporcionar bem-estar as outras pessoas
uma vez que é capaz de ter empatia, podendo se colocar no lugar do outro.
·
Período de Latência: Dos 5 aos 10 anos a
criança utiliza sua energia psíquica para o fortalecimento do ego, o qual se
tornará melhor equipado para lidar com os impulsos que virão nos próximos anos,
e para adaptar-se aos novos ambientes. Volta-se para o mundo externo, como
escola, jogos, amizades e outras atividades, fora do ambiente familiar,
passando a buscar novos ídolos e heróis, fora de casa. Nesse período da vida
sua autoestima já não depende exclusivamente da aprovação externa, tendo a
própria crítica ao proceder de forma “certa ou errada”. A sensação de acerto
provoca sentimento de segurança, prazer e autovalorização, e ao contrário, a
sensação de erro traz culpa e remorso. Passa a ter importância vestir-se como
os de sua idade, o conhecimento intelectual, os valores sociais, os bens
materiais, bem como a imagem de perfeição que construiu para si mesma. Estabelecendo
relações interpessoais fora da família, começa a empreender a difícil tarefa de
ajustar-se às outras pessoas e manejar seus impulsos para conseguir viver
socialmente. Tem necessidade de pertencer a um grupo de iguais e de ser aceito
pelos companheiros, bem como de sentir-se responsável e capaz de realizar
feitos que recebam aprovação e lhe deem um status no grupo, desenvolvendo um
conceito de “si mesmo”. Meninos e meninas formam grupos separados, excluindo-se
mutuamente, buscando jogos diferentes, sendo que os meninos têm pavor de
parecer-se com meninas, e se vigiam para denunciar quando isso acontece. Identificam-se
com profissões e com determinados profissionais, surgindo vocações e talentos e
a famosa frase: “quando eu crescer serei...”, tentando obter reconhecimento
pessoal, mas já percebendo que terão que ajustar-se às normas do mundo e que
nem sempre são as mesmas de sua família de origem, deparando-se com os códigos
de lealdade, que poderão trazer muitos conflitos internos e embates familiares.
É a fase onde a transição está ocorrendo e não é mais criança, mas ainda não é
jovem (fase infanto-juvenil), desejando em alguns momentos permanecer num
estado de despreocupação, liberdade e aventura e, em outros indivíduos, em uma
total inércia.
·
Adolescência: A adolescência é uma fase
cheia de questionamentos e instabilidade, que se caracteriza por uma intensa
busca de “si mesmo” e da própria identidade. Nessa fase todos os padrões
estabelecidos são questionados, bem como criticadas todas as escolhas de vida
feitas pelos pais, buscando assim a liberdade e autoafirmação. Os adolescentes
são desajeitados em seus movimentos, sendo que a fala fica alterada, a voz
vibrante, desafinada e alta. O humor fica extremamente lábil, com crises de
raiva, choro e risos, alternados e exagerados, além da insatisfação constante,
e oposição a tudo o que o adulto sugere.
·
Maturidade: É o momento que anteriormente
chamávamos de “ninho vazio”, em que os pais, principalmente as mães,
consideravam-se sem função por não saber ser outra coisa na vida além de
cuidadoras. Com o grande investimento que se fez nos últimos anos, mostrando
que as mulheres têm outros afazeres além de ser cuidadora, e com a entrada da
mulher no mercado de trabalho, essa crise não é tão acentuada. A chamada crise
dos 40 ocorre quando se avalia que não se tem mais todo o futuro pela frente, e
que o recomeço não é tão simples, pois sair do conhecido, e lançar-se no escuro
amedronta, torna-se mais preocupante do que era antes. No entanto, Carl Jung
enxergava esta fase como extremamente criativa, afirmando tratar-se do
"início do libertar-se do aprisionamento do ego” e, em vez de representar
a última chance como pensam alguns, é sim um período especial, com
significativas possibilidades para a maturação saudável. E, que o importante, é
responder às seguintes perguntas: (A) Para o que quero usar meu potencial? (B) O
que tenho realmente que fazer na vida? (C) Qual é a minha verdadeira tarefa?
·
Velhice: É fácil observar que pessoas de
idade avançada realizam tarefas de grande importância em várias áreas de
atividade humana, quer na política, ciência ou nas artes, e que muitos sábios,
músicos, escritores, pintores e escultores realizaram suas conquistas já
bastante idosos.


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