Quais São os Modelos Econômicos da China, Índia e Tigres Asiáticos? Qual a Importância das Zonas Econômicas Especiais no Processo de Abertura Econômica Chinesa? Por Que a Índia Possui Uma Intensa Divisão Étnica? Como as Economias dos Tigres Asiáticos se Assemelham ao Desenvolvimento do Capitalismo Chinês e Japonês?
Alguns especialistas em geopolítica afirmam que o modelo econômico da China se baseia em um suposto “Socialismo de Mercado” com forte controle estatal, foco em exportações e investimentos pesados em infraestrutura industrial. Em contraste, outros especialistas afirmam que a Índia adota uma economia “Mista Democrática”, a qual é impulsionada pelo consumo interno, pelos serviços de tecnologia da informação e investimentos em telecomunicações. Já países como Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan formam o grupo clássico dos Tigres Asiáticos, os quais apresentam industrialização voltada para a exportação, investimentos pesados em educação e alta tecnologia. Assim, pode-se dizer que Hong Kong e Singapura atuam como potências financeiras globais, enquanto a Coreia do Sul e Taiwan lideram a produção de eletrônicos e semicondutores.
A China em Muitos Lugares
A China é um gigantesco país
localizado no leste da Ásia, banhado pelo Oceano Pacífico. Tem uma população
maior que 1,3 bilhão de habitantes, entre as cidades mais conhecidas estão Hong
Kong (que pode ser considerada uma região especial administrativa), sua capital
Pequim (também chamada de Beijing) e a cidade de Xangai. Olhando para o
contexto geral da população chinesa, eles se fragmentam em diferentes origens
étnicas (han, chuans, tibetanos, mongóis, coreanos, machus, entre outros).
Pode-se dizer que, aproximadamente, 40% de sua população não seguem nenhuma
manifestação religiosa, já os outros 60% se fragmentam em diferentes crenças
populares, o budismo, o cristianismo, o islamismo, entre outras manifestações. O
país não é urbano, pois a maioria de sua população habita o espaço rural. Seu
índice de desenvolvimento humano é médio (0,77) e sua renda per capita está na
média dos US$6.000,00, mas é marcado por ampla exploração do trabalho,
concentração de renda e problemas sociais. O processo acelerado de
industrialização das últimas duas décadas gerou um rápido e desordenado processo
de urbanização, promovendo uma periferização perversa de muitos trabalhadores,
estes, que acabam por não acessar todos os benefícios do desenvolvimento do
país.
Em 1949, a China se aproximou dos
ideais da URSS e se tornou socialista, a figura de maior destaque desse
contexto histórico foi Mao Tse Tung. Desde lá, os governos estiveram
centralizados nas mãos do Partido Comunista Chinês, que mantém, na atualidade,
uma gestão política e administrativa do território nas mãos do Estado (para
alguns, uma ditadura). Nos últimos 20 anos houve um processo de abertura
econômica, sendo criada as Zonas Econômicas Especiais. As chamadas Zonas
Econômicas Especiais foram criadas no litoral chinês, onde hoje estão
instaladas inúmeras indústrias (produção diversificada) cuja produção é
voltada, sobretudo, para exportação. Nesta área há uma série de regras que
facilitam a instalação de indústrias e o desenvolvimento da produção, tais
como: isenção de impostos, proximidade com os portos, mão de obra em grande
quantidade e muito barata, entre outros. Assim, a China vive o que vem sendo
chamado de um Socialismo de Mercado (ou Economia de Mercado
Socialista) – considerado por muitos estudiosos uma contradição, uma vez
que, na teoria socialista, jamais se estabeleceria uma lógica de mercado aos
moldes capitalista.
Você já consumiu produtos Made
in China? Às vezes compramos determinados eletrodomésticos, ou ainda,
produtos eletrônicos (televisões, celulares, brinquedos, entre outros), achando
que foram feitos no Brasil. Procurem bem nas etiquetas e nos selos o país de
origem destes produtos, muitos podem ter sido produzidos na China e acabam
chegando ao Brasil com seus preços razoavelmente baixos. Pode-se dizer que nas
últimas duas décadas a China é o país que mais cresce economicamente no mundo,
com uma média de crescimento de 10% ao ano, mantendo um PIB maior que US$7,5
trilhões (nos últimos dois anos), no mesmo momento em que vários países da
Europa e os EUA estão vivendo períodos tensos de crise econômica. No entanto,
embora haja um considerável crescimento, a costa leste chinesa vem sendo
marcada por situações de exploração do trabalho e de ampliação das
desigualdades sociais. Há sérias denúncias de que jovens chineses, entre 18 a
25 anos (a maioria mulheres), chegam a trabalhar 15 horas por dia, ganhando o
equivalente a R$0,65 por hora.
Aspectos Sociais e Culturais
da Realidade Indiana
A Índia também foi colônia
europeia (da Inglaterra) e a sua luta pela independência (conquistada em 1947)
ficou muito conhecida no mundo por meio da divulgação da filosofia da principal
liderança da época, Mahatma Gandhi. O referido líder, basicamente, pregava a
desobediência civil contra os ingleses, combatendo toda a ação neocolonial no
país. Atualmente, o país é extremamente populoso, contando com uma população de
pouco mais de 1,1 bilhão de habitantes, e possui internamente uma intensa
divisão étnica, permeada por especificidades religiosas relacionadas,
principalmente, com o Hinduísmo e o Islamismo. Hindus e muçulmanos,
historicamente, sempre estiveram em conflitos religiosos na região, marcando a
história do país. Os hindus indianos ainda se organizam em um sistema de
castas, o que determina a posição social de cada pessoa no contexto da sociedade
indiana. O que isso quer dizer? Que, uma vez nascido em uma determinada casta,
nunca mais sairá dela. Para muitos estudiosos, uma das explicações para a
ampliada desigualdade social no país, está na manutenção das castas.
Conflitos entre hindus e muçulmanos
marcaram e continuam marcando a história da região. Conjuntamente ao movimento
de independência do país na segunda metade do século XX, houve a criação do
Paquistão, para que todos os muçulmanos que estivessem na Índia pudessem se
deslocar para esse país. Grande parte dos muçulmanos, realmente, foi morar no
Paquistão.
O fato é que a criação do
Paquistão não resolveu as situações de conflito entre representantes das duas
manifestações religiosas, que ainda hoje é fortalecida pela disputa da região da
Caxemira (área de fronteira entre Índia e Paquistão).
Conflitos na Região
da Caxemira
A região da Caxemira sempre foi
estratégica, uma vez que faz fronteira com o Afeganistão, o Tibete e a China.
Durante a Guerra Fria, esteve em disputa, considerando que a Índia havia se
declarado uma importante aliada aos princípios da União Soviética (socialista)
e o Paquistão, um aliado dos EUA (e dos capitalistas). Na atualidade, esse
espaço territorial possui, em média, um pouco mais de 12 milhões de habitantes,
sendo a maioria muçulmana. A questão gira em torno do poder
político-administrativo sobre o território, onde 40% da área ficou sob
responsabilidade do Paquistão e maior parte do território está sob domínio
indiano. Cabe mencionar um detalhe, ambos os países são pobres, marcados por
uma má distribuição de renda e problemas sociais gravíssimos, no entanto,
possuem um forte arsenal nuclear (legado da Guerra Fria). Também cabe dizer
também que a Caxemira é uma importante fonte de matéria-prima mineral. Em 2005 ocorreu
um forte terremoto neste território, quando muitos indianos hindus acabaram
compondo as equipes de apoio mútuo em parceria com os paquistaneses muçulmanos,
essa ação tem sido considerada por especialistas como um sinal de que há
possibilidade de se estabelecer a paz na região. Mas, por que a Índia vem sendo
considerada uma das mais novas potências do século XXI?
Como vimos, a Índia é um país
populoso, juntamente com isso, desde as últimas duas décadas do século XX, vem
passando por um rápido processo de urbanização, possui altas taxas de
analfabetismo (cerca de 37% da população, principalmente entre as mulheres), um
IDH médio (0,519). Mas, atualmente, a Índia enfrenta sérios desafios na gestão
de políticas públicas sociais (saúde, educação, habitação, entre outros), mesmo
assim vem se tornando uma importante representação econômica na Nova Ordem
Mundial. Em 2010, o referido país chegou a ser considerado a 11ª potência
econômica do mundo (o Brasil a 8ª potência), fazendo parte dos G-20, o Grupo
dos 20 países de melhor desempenho econômico do mundo. Em 1947, no contexto da
independência do país, o Estado indiano adotou um regime político
centralizador, comum em países socialistas da época. Mas, no final dos anos de
1990, dado o fim da Guerra Fria e a inserção dos países no processo de
Globalização, novas medidas foram sendo adotadas, tais como:
·
Diminuição de barreiras protecionistas e redução
de impostos para importações;
·
Maior abertura econômica para os capitais
internacionais (em particular, para entrada de multinacionais);
·
Modernização do setor financeiro;
·
Flexibilização de leis trabalhistas e
ambientais, entre outros fatores.
Você percebeu alguma semelhança
com medidas políticas e econômicas adotadas pelo Brasil nesse mesmo período?
Seria essa uma semelhança entre os países que hoje estão em desenvolvimento (Brasil,
México, África do Sul, China, entre outros)? Medidas como essas, adotadas pelos
governos indianos, podem provocar que tipo de impacto aos cidadãos? Atualmente,
pode-se dizer que a Índia apresenta um importante polo industrial, com destaque
para a produção de tecnologia, sobretudo, por ter o maior complexo de
informática do mundo e investimentos em biotecnologia, tecnologia espacial e
nuclear. Cabe somar também o mercado cinematográfico, que é muito conhecido
como Bollywood. No entanto, há mais de 300 milhões de pessoas, consideradas
pelos parâmetros estabelecidos internacionalmente, em situação de extrema
pobreza.
Os Tigres Asiáticos
Você já ouviu falar em lugares
como Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan? Será que você já não andou
consumindo algum produto oriundo desses países? Pois saiba que estes são os
chamados Tigres Asiáticos, e podem ser consideradas economias desenvolvidas,
embora estejam localizadas junto aos países do Sul (pobres). Hong Kong, por
exemplo, até os anos de 1990, era administrada pela Inglaterra – que sempre foi
considerada uma ilha capitalista, embora estivesse geograficamente anexada à
China Socialista – só depois voltou a se anexar politicamente junto à China,
momento em que a abertura econômica da China vinha se constituindo. Estudos
dizem que mesmo os mercados de exportações tenham se mantido sempre fortes para
os Tigres Asiáticos, o crescimento das exportações foi maior para os chineses. As
economias desses países se assemelham ao desenvolvimento do capitalismo chinês
e japonês.
Com o tempo eles foram
desenvolvendo políticas de educação, distribuição de renda, assim como,
investimento na qualificação profissional e na construção de uma boa
infraestrutura de transporte e comunicação, facilitando o escoamento da
produção que é, praticamente, quase toda voltada para exportação. No entanto,
por ter uma economia exportadora, em situações de crise econômica mundial, que
acaba mexendo com o potencial de consumo das pessoas em diferentes partes
do globo, os países podem ser considerados como tendo uma economia frágil.
Recentemente, mais países passaram a ser conhecidos com Tigres Asiáticos, ou
ainda, os Novíssimos Tigres Asiáticos, a exemplo da Indonésia, da Tailândia, das
Filipinas e da Malásia.
REFERÊNCIAS
CONRAD, Geoffrey W. (1984). «Los incas». Historia de las Civilizaciones antiguas (II): Europa, América, China, India. Arthur Cotterell, ed. Barcelona: Editorial Crítica. ISBN 84-7423-252-X
SIMÕES, Willian. Geografia II. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.
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