segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Geopolítica de Índia, China e os Tigres Asiáticos

 Quais São os Modelos Econômicos da China, Índia e Tigres Asiáticos? Qual a Importância das Zonas Econômicas Especiais no Processo de Abertura Econômica Chinesa? Por Que a Índia Possui Uma Intensa Divisão Étnica? Como as Economias dos Tigres Asiáticos se Assemelham ao Desenvolvimento do Capitalismo Chinês e Japonês?

 



Alguns especialistas em geopolítica afirmam que o modelo econômico da China se baseia em um suposto “Socialismo de Mercado” com forte controle estatal, foco em exportações e investimentos pesados em infraestrutura industrial. Em contraste, outros especialistas afirmam que a Índia adota uma economia “Mista Democrática”, a qual é impulsionada pelo consumo interno, pelos serviços de tecnologia da informação e investimentos em telecomunicações. Já países como Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan formam o grupo clássico dos Tigres Asiáticos, os quais apresentam industrialização voltada para a exportação, investimentos pesados em educação e alta tecnologia. Assim, pode-se dizer que Hong Kong e Singapura atuam como potências financeiras globais, enquanto a Coreia do Sul e Taiwan lideram a produção de eletrônicos e semicondutores.

 

A China em Muitos Lugares

 

A China é um gigantesco país localizado no leste da Ásia, banhado pelo Oceano Pacífico. Tem uma população maior que 1,3 bilhão de habitantes, entre as cidades mais conhecidas estão Hong Kong (que pode ser considerada uma região especial administrativa), sua capital Pequim (também chamada de Beijing) e a cidade de Xangai. Olhando para o contexto geral da população chinesa, eles se fragmentam em diferentes origens étnicas (han, chuans, tibetanos, mongóis, coreanos, machus, entre outros). Pode-se dizer que, aproximadamente, 40% de sua população não seguem nenhuma manifestação religiosa, já os outros 60% se fragmentam em diferentes crenças populares, o budismo, o cristianismo, o islamismo, entre outras manifestações. O país não é urbano, pois a maioria de sua população habita o espaço rural. Seu índice de desenvolvimento humano é médio (0,77) e sua renda per capita está na média dos US$6.000,00, mas é marcado por ampla exploração do trabalho, concentração de renda e problemas sociais. O processo acelerado de industrialização das últimas duas décadas gerou um rápido e desordenado processo de urbanização, promovendo uma periferização perversa de muitos trabalhadores, estes, que acabam por não acessar todos os benefícios do desenvolvimento do país. 

Em 1949, a China se aproximou dos ideais da URSS e se tornou socialista, a figura de maior destaque desse contexto histórico foi Mao Tse Tung. Desde lá, os governos estiveram centralizados nas mãos do Partido Comunista Chinês, que mantém, na atualidade, uma gestão política e administrativa do território nas mãos do Estado (para alguns, uma ditadura). Nos últimos 20 anos houve um processo de abertura econômica, sendo criada as Zonas Econômicas Especiais. As chamadas Zonas Econômicas Especiais foram criadas no litoral chinês, onde hoje estão instaladas inúmeras indústrias (produção diversificada) cuja produção é voltada, sobretudo, para exportação. Nesta área há uma série de regras que facilitam a instalação de indústrias e o desenvolvimento da produção, tais como: isenção de impostos, proximidade com os portos, mão de obra em grande quantidade e muito barata, entre outros. Assim, a China vive o que vem sendo chamado de um Socialismo de Mercado (ou Economia de Mercado Socialista) – considerado por muitos estudiosos uma contradição, uma vez que, na teoria socialista, jamais se estabeleceria uma lógica de mercado aos moldes capitalista.

Você já consumiu produtos Made in China? Às vezes compramos determinados eletrodomésticos, ou ainda, produtos eletrônicos (televisões, celulares, brinquedos, entre outros), achando que foram feitos no Brasil. Procurem bem nas etiquetas e nos selos o país de origem destes produtos, muitos podem ter sido produzidos na China e acabam chegando ao Brasil com seus preços razoavelmente baixos. Pode-se dizer que nas últimas duas décadas a China é o país que mais cresce economicamente no mundo, com uma média de crescimento de 10% ao ano, mantendo um PIB maior que US$7,5 trilhões (nos últimos dois anos), no mesmo momento em que vários países da Europa e os EUA estão vivendo períodos tensos de crise econômica. No entanto, embora haja um considerável crescimento, a costa leste chinesa vem sendo marcada por situações de exploração do trabalho e de ampliação das desigualdades sociais. Há sérias denúncias de que jovens chineses, entre 18 a 25 anos (a maioria mulheres), chegam a trabalhar 15 horas por dia, ganhando o equivalente a R$0,65 por hora.

 

Aspectos Sociais e Culturais da Realidade Indiana

 


A Índia também foi colônia europeia (da Inglaterra) e a sua luta pela independência (conquistada em 1947) ficou muito conhecida no mundo por meio da divulgação da filosofia da principal liderança da época, Mahatma Gandhi. O referido líder, basicamente, pregava a desobediência civil contra os ingleses, combatendo toda a ação neocolonial no país. Atualmente, o país é extremamente populoso, contando com uma população de pouco mais de 1,1 bilhão de habitantes, e possui internamente uma intensa divisão étnica, permeada por especificidades religiosas relacionadas, principalmente, com o Hinduísmo e o Islamismo. Hindus e muçulmanos, historicamente, sempre estiveram em conflitos religiosos na região, marcando a história do país. Os hindus indianos ainda se organizam em um sistema de castas, o que determina a posição social de cada pessoa no contexto da sociedade indiana. O que isso quer dizer? Que, uma vez nascido em uma determinada casta, nunca mais sairá dela. Para muitos estudiosos, uma das explicações para a ampliada desigualdade social no país, está na manutenção das castas.

Conflitos entre hindus e muçulmanos marcaram e continuam marcando a história da região. Conjuntamente ao movimento de independência do país na segunda metade do século XX, houve a criação do Paquistão, para que todos os muçulmanos que estivessem na Índia pudessem se deslocar para esse país. Grande parte dos muçulmanos, realmente, foi morar no Paquistão.

O fato é que a criação do Paquistão não resolveu as situações de conflito entre representantes das duas manifestações religiosas, que ainda hoje é fortalecida pela disputa da região da Caxemira (área de fronteira entre Índia e Paquistão).

 

Conflitos na Região da Caxemira

 

A região da Caxemira sempre foi estratégica, uma vez que faz fronteira com o Afeganistão, o Tibete e a China. Durante a Guerra Fria, esteve em disputa, considerando que a Índia havia se declarado uma importante aliada aos princípios da União Soviética (socialista) e o Paquistão, um aliado dos EUA (e dos capitalistas). Na atualidade, esse espaço territorial possui, em média, um pouco mais de 12 milhões de habitantes, sendo a maioria muçulmana. A questão gira em torno do poder político-administrativo sobre o território, onde 40% da área ficou sob responsabilidade do Paquistão e maior parte do território está sob domínio indiano. Cabe mencionar um detalhe, ambos os países são pobres, marcados por uma má distribuição de renda e problemas sociais gravíssimos, no entanto, possuem um forte arsenal nuclear (legado da Guerra Fria). Também cabe dizer também que a Caxemira é uma importante fonte de matéria-prima mineral. Em 2005 ocorreu um forte terremoto neste território, quando muitos indianos hindus acabaram compondo as equipes de apoio mútuo em parceria com os paquistaneses muçulmanos, essa ação tem sido considerada por especialistas como um sinal de que há possibilidade de se estabelecer a paz na região. Mas, por que a Índia vem sendo considerada uma das mais novas potências do século XXI?

Como vimos, a Índia é um país populoso, juntamente com isso, desde as últimas duas décadas do século XX, vem passando por um rápido processo de urbanização, possui altas taxas de analfabetismo (cerca de 37% da população, principalmente entre as mulheres), um IDH médio (0,519). Mas, atualmente, a Índia enfrenta sérios desafios na gestão de políticas públicas sociais (saúde, educação, habitação, entre outros), mesmo assim vem se tornando uma importante representação econômica na Nova Ordem Mundial. Em 2010, o referido país chegou a ser considerado a 11ª potência econômica do mundo (o Brasil a 8ª potência), fazendo parte dos G-20, o Grupo dos 20 países de melhor desempenho econômico do mundo. Em 1947, no contexto da independência do país, o Estado indiano adotou um regime político centralizador, comum em países socialistas da época. Mas, no final dos anos de 1990, dado o fim da Guerra Fria e a inserção dos países no processo de Globalização, novas medidas foram sendo adotadas, tais como:

 

·        Diminuição de barreiras protecionistas e redução de impostos para importações;

·        Maior abertura econômica para os capitais internacionais (em particular, para entrada de multinacionais);

·        Modernização do setor financeiro;

·        Flexibilização de leis trabalhistas e ambientais, entre outros fatores.

 

Você percebeu alguma semelhança com medidas políticas e econômicas adotadas pelo Brasil nesse mesmo período? Seria essa uma semelhança entre os países que hoje estão em desenvolvimento (Brasil, México, África do Sul, China, entre outros)? Medidas como essas, adotadas pelos governos indianos, podem provocar que tipo de impacto aos cidadãos? Atualmente, pode-se dizer que a Índia apresenta um importante polo industrial, com destaque para a produção de tecnologia, sobretudo, por ter o maior complexo de informática do mundo e investimentos em biotecnologia, tecnologia espacial e nuclear. Cabe somar também o mercado cinematográfico, que é muito conhecido como Bollywood. No entanto, há mais de 300 milhões de pessoas, consideradas pelos parâmetros estabelecidos internacionalmente, em situação de extrema pobreza.

 

Os Tigres Asiáticos

 

Você já ouviu falar em lugares como Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan? Será que você já não andou consumindo algum produto oriundo desses países? Pois saiba que estes são os chamados Tigres Asiáticos, e podem ser consideradas economias desenvolvidas, embora estejam localizadas junto aos países do Sul (pobres). Hong Kong, por exemplo, até os anos de 1990, era administrada pela Inglaterra – que sempre foi considerada uma ilha capitalista, embora estivesse geograficamente anexada à China Socialista – só depois voltou a se anexar politicamente junto à China, momento em que a abertura econômica da China vinha se constituindo. Estudos dizem que mesmo os mercados de exportações tenham se mantido sempre fortes para os Tigres Asiáticos, o crescimento das exportações foi maior para os chineses. As economias desses países se assemelham ao desenvolvimento do capitalismo chinês e japonês.

Com o tempo eles foram desenvolvendo políticas de educação, distribuição de renda, assim como, investimento na qualificação profissional e na construção de uma boa infraestrutura de transporte e comunicação, facilitando o escoamento da produção que é, praticamente, quase toda voltada para exportação. No entanto, por ter uma economia exportadora, em situações de crise econômica mundial, que acaba mexendo com o potencial de consumo das pessoas em diferentes partes do globo, os países podem ser considerados como tendo uma economia frágil. Recentemente, mais países passaram a ser conhecidos com Tigres Asiáticos, ou ainda, os Novíssimos Tigres Asiáticos, a exemplo da Indonésia, da Tailândia, das Filipinas e da Malásia.

 

REFERÊNCIAS

 

 

CONRAD, Geoffrey W. (1984). «Los incas». Historia de las Civilizaciones antiguas (II): Europa, América, China, India. Arthur Cotterell, ed. Barcelona: Editorial Crítica. ISBN 84-7423-252-X

SIMÕES, Willian. Geografia II. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.

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