segunda-feira, 2 de março de 2026

O Processo de Escolha do Local Para Empreendimentos

Que Impactos Causam o Processo de Escolha do Local Para Empreendimentos? Como Conduzir Um Estudo de Localização? Quais São os Passos Que Podem Definir o Local do Futuro Empreendimento?



O processo de escolha do local para um empreendimento é uma decisão estratégica que impacta diretamente os custos operacionais e o potencial de sucesso do negócio. Esse processo envolve uma análise detalhada de múltiplos fatores, que variam dependendo do tipo de atividade (comércio, indústria ou serviço), pois para alguns autores nenhum procedimento pode garantir que tenha sido escolhido o melhor local. Na verdade, a ideia é evitar a escolha de um lugar desastroso. Esta afirmação induz, de certa forma, à ideia de que um estudo para instalação de uma organização qualquer envolve um grau de complexidade considerável, uma vez que traduz em seu conteúdo uma ilustração de dificuldade enquanto possibilidade de se concluir que um determinado local é o perfeito para a localização da referida organização. Na realidade, um estudo desta natureza, dependendo do tipo de empresa, das pretensões e de uma série de condicionantes e critérios, envolve inúmeras variáveis e características a serem contempladas e que, portanto, não podem ser ignoradas, sob pena de correr riscos de se chegar a conclusões desastrosas quanto à escolha do “melhor local”.

 

Importância da Localização

 

Referindo-se ao varejo, Lord Seif, chefe da Marks and Spencer, citado por Slack et al.  (1997), organização varejista sediada no Reino Unido, afirma que: “Há três coisas importantes no varejo:  localização, localização e localização. A localização também é importante para outros tipos de organizações:  bombeiros, hospital, entretenimento, entre outras. Um aspecto importante, objeto de discussão, diz respeito a quem deve caber tal estudo:  equipe externa, equipe interna da empresa ou equipe mista. A equipe interna, embora não tenha conhecimento específico no assunto, conhece a realidade e a cultura da empresa. Já a equipe externa tem este conhecimento específico sobre estudos de localização, porém desconhece a cultura da organização. Optando-se por equipe mista, pode-se agregar as vantagens das duas anteriores e amenizar as fragilidades das mesmas. Trata-se, portanto, de buscar um equilíbrio. Quanto ao grau de dificuldade no estudo (flexibilidade), pode-se fazer um comparativo entre organizações produtoras de bens e serviço. No caso de bens, estes podem ser produzidos, armazenados e transportados até os clientes.  Já os serviços são consumidos no ato, ou seja, produzidos e consumidos simultaneamente, portanto parecem ser mais sensíveis à localização.

 

Perspectivas em Termos de Localização e Investimentos

 


Embora alguns autores afirmem que a tendência em termos de investimentos para a instalação de novas organizações, sobretudo as ligadas à manufatura, é de evitar as megalópoles devido ao alto custo da área nestes espaços e a dificuldade de funcionários se locomoverem até o local de trabalho, recentemente o que se observa é a instalação de empresas não nas grandes cidades, mas em cidades circunvizinhas a estas. Dada à dinâmica   conjuntural global, no entanto, a qual   se   mostra extremamente    turbulenta e instável, parece quase uma heresia afirmar categoricamente tendências acerca de perspectivas de localização. Em termos de decisões organizacionais quanto à estratégia de se expandir, a empresa deve levar em conta duas alternativas: aumentar as instalações existentes e construir outra unidade em outro local. A primeira alternativa possui a vantagem de diluir, até certo limite, os custos fixos e administrativos, e a segunda melhora a   distribuição e permite maior flexibilidade no atendimento aos mercados locais.  Moreira (2002) alerta que, de qualquer forma, tanto para as empresas novas quanto para as já existentes, as decisões sobre localização levam a um compromisso de longo prazo, especialmente no caso de indústrias, que exigem grandes esforços de projeto e instalação, que podem durar vários anos. Desnecessário dizer que o impacto sobre os custos e as receitas é bastante significativo.

 

Finalidades, Contextos e Complexidades das Decisões de Localização

 

A finalidade do estudo de localização, sob o critério econômico, é encontrar o lugar que permita, pelo menor custo total, transformar as matérias-primas em produtos acabados ou serviços e transportá-los aos consumidores.  Assim, o critério decisivo é o critério comparativo entre as diversas localidades sob o ponto de vista econômico, além desta finalidade sugerir uma limitação ao nível de manufatura de bens. Outros   critérios, no   entanto, podem   ser   relevantes   dependendo   das especificidades da organização.  Assim sendo, a decisão em termos de escolha de uma   nova   localização   organizacional é marcada por um nível de dificuldade importante, envolvendo a avaliação de inúmeros fatores, conduzindo a reflexões eternas nos custos de produção, fonte de matéria-prima, desperdício e qualificação de mão de obra, custo da expansão, aparecimento de novos mercados, atração por isenção de impostos, políticas internas e tendências   econômicas, entre outras variáveis. Neste sentido, de acordo com Slack et al. (2008), pode-se destacar dois grupos de fatores de influência:  influência do lado do fornecimento de insumos para a operação e influência do lado da demanda de bens e serviços.

Referente à influência quanto ao fornecimento de insumos (influência sobre os custos),  pode-se elencar  fatores  como custos  de  mão  de  obra,  em  que  se deve considerar  a  produtividade  da mesma, bem  como  taxas de  câmbio  quando  se  avalia diferentes países, custos da terra, custos de energia,   sobretudo   no   caso de organizações que usam grande quantidade de energia, como produtoras de alumínio, custo  de  transporte,  no  caso  de  transporte  de  insumos  e  bens  produzidos,  e  fatores de  comunidade,  que  são  os  que  influenciam  os  custos  de  uma  operação e que derivam  do  ambiente  social,  político  e  econômico  do  local,  como  impostos  locais, restrições de movimentação de capital, assistência financeira do governo, estabilidade política,  assistência  de  planejamento  do  governo, atividades  locais  em  relação  a investimentos  estrangeiros,  língua,  disponibilidade  de  serviços,  histórico  de  relações trabalhistas,  absenteísmo  da  mão  de  obra,  restrições  ambientais, entre outros do gênero. Em se tratando de demanda (influência sobre a receita), pode-se citar fatores como a habilidade da mão de obra, como no caso de parques tecnológicos/incubadoras, que se recomenda posicionar próximo de universidades em função da qualificação dos recursos humanos destas organizações e da demanda de clientes potenciais (universitários); a imagem do local em si, citando o caso dos ternos de Vasile Row (famosa rua de Londres notabilizada por ternos de qualidade) ou roupas de Milão, a adequação do local ao tipo de negócio pretendido, como no caso da  instalação  de  um  hotel  luxuoso focado no  turismo, o qual  logicamente  deve ser pensado em local paradisíaco; e a conveniência para clientes, citando o caso típico da instalação de um hospital, que deve posicionar-se próximo ao público a ser atendido.

 

Passos e Níveis de Decisão no Processo de Escolha

 

Os   seguintes passos referenciais podem ser elencados na definição do local do empreendimento:

 

1. Definir o objetivo da localização e as variáveis a ele ligadas;

2. Identificar o critério de escolha importante;

3. Quantitativo: econômico;

4. Qualitativo: menos tangível;

5. Descrever os objetivos para o critério na forma de um modelo:  ponto de equilíbrio, programação linear e análise de fator qualitativo, entre outros;

6. Criar os dados necessários e usar os modelos para avaliar os locais alternativos;

7. Escolher o local que melhor satisfaça ao critério.

 

Em se tratando de níveis geográficos de escolha, um estudo pode obedecer à seguinte hierarquia:

 

·        Escolha de região ou país;

·        Escolha de área dentro de região ou país;

·        Escolha de um local específico ou área.

 

Técnicas de Estudo de Localização

 

Embora os gerentes de produção precisem exercer um nível de julgamento considerável   na   escolha   de   localizações   alternativas, há   algumas técnicas sistemáticas e quantitativas que podem ajudar no processo de decisão.  Neste texto são descritas algumas:

 

·        Método da Pontuação Ponderada: Também denominado de Análise do Fator Qualitativo, este procedimento envolve, em primeiro lugar, a identificação de critérios que podem ser usados para avaliar as diversas localizações. Em segundo lugar, envolve a importância relativa de cada critério e a atribuição de fatores de ponderação (pesos) para cada um deles. O terceiro passo é avaliar cada localização segundo cada critério. Avaliar segundo esta sistemática consiste, portanto, na ponderação de fatores qualitativos e quantitativos, ou seja, é a atribuição de valores quantitativos a todos os critérios relacionados com cada alternativa de decisão e computar o peso relativo de cada uma para efeito de comparação. Esta avaliação permite que o tomador de decisão   injete   suas   próprias   preferências (valores) em uma decisão de local, abrigando tanto os fatores quantitativos quanto qualitativos.

·        Método do Centro de Gravidade: O transporte não adiciona valor ao produto, apenas onera-o. Este método, também denominado de Transporte, objetiva otimizar a lógica do transporte de produtos entre unidades produtoras e consumidoras, ou seja, a minimização dos custos de transporte. É baseado na ideia de que todas as localizações possíveis têm um “valor” que é a soma de todos os custos de transporte de e para aquela localização. A melhor localização, a que minimiza os custos, é representada pelo que, em uma analogia física, seria o centro de gravidade (CG) ponderado de todos os pontos de e para onde os bens são transportados.

 

Arranjo Físico ou Layout

 

O arranjo físico (ou layout) de uma operação produtiva preocupa-se com a localização física dos recursos de transformação.  Definir o arranjo físico é decidir onde colocar todas as instalações, máquinas, equipamentos e pessoal da produção. O arranjo físico é uma das características mais evidentes de uma operação produtiva porque determina sua “forma” e aparência. É aquilo que a maioria das pessoas nota quando entra pela primeira vez em um lugar. Também determina a maneira segundo a qual os recursos transformados –materiais, informações e clientes – fluem por meio da   operação. Mudanças relativamente pequenas na localização de uma máquina numa fábrica ou dos bens em um supermercado, ou a mudança de salas em um centro esportivo, podem afetar o fluxo de materiais e pessoas com a operação. Isto, por sua vez, pode afetar os custos e a eficácia geral da produção. De acordo com Slack et al. (2008), existe uma série de razões pelas quais as decisões de arranjo físico são importantes:

 

·        Arranjo físico é frequentemente uma atividade difícil e de longa duração devido às dimensões físicas dos recursos de transformação movidos;

·        O   rearranjo   físico   de   uma   operação   existente   pode   interromper   seu funcionamento suave, levando à insatisfação do cliente ou a perdas de produção;

·        Se o arranjo físico (examinado a posteriori) está errado, pode levar a padrões de fluxo excessivamente longos ou confusos, estoque de materiais, filas de clientes formando-se ao longo da operação, inconveniências para os clientes, tempos de processamento desnecessariamente longos, operações inflexíveis e altos custos;

·        A mudança de arranjo físico pode ser difícil e cara e, portanto, os gerentes de produção podem relutar em fazê-la com frequência;

·        Ao mesmo tempo, a consequência de qualquer mau julgamento na definição de arranjo físico terá um efeito considerável de longo prazo na operação.

 

Entre os principais objetivos de um bom arranjo físico podemos destacar:

 

·        Proporcionar Segurança Inerente:  o que significa que todos os processos que podem representar perigo, tanto para a mão de obra quanto para os clientes, não devem ser acessíveis a pessoas não autorizadas. Saídas de incêndio devem ser claramente sinalizadas com acesso desimpedido. Passagens devem ser claramente marcadas e mantidas livres;

·        Manter a Extensão do Fluxo: o fluxo de materiais, informações ou clientes deve ser canalizado pelo arranjo físico de forma a atender aos objetivos da operação. Em muitas operações, isso significa minimizar as distâncias percorridas pelos recursos transformados, embora isto nem sempre ocorra, pois, os supermercados gostam de garantir que os clientes passem por determinados produtos em seu trajeto dentro da loja.

·        Possibilitar a Clareza de Fluxo: todo o fluxo de materiais e clientes deve ser sinalizado de forma clara e evidente para consumidores e para a mão de obra. Operações de serviço, em geral, usam roteiros sinalizados, como alguns hospitais que usam faixas pintadas no chão com diferentes cores para indicar o roteiro para os diferentes departamentos;

·        Proporcionar o Conforto da Mão de Obra: ou seja, ela deve ser alocada para locais distantes de partes barulhentas ou desagradáveis da operação. O arranjo físico deve prover um ambiente de trabalho bem ventilado, iluminado e, quando possível, agradável;

·        Facilitar a Coordenação Gerencial:  a supervisão e coordenação devem ser facilitadas pela localização da mão de obra e dispositivos de comunicação;

·        Possibilitar o Acesso: o que significa que todas as máquinas, equipamentos e instalações devem estar acessíveis para permitir adequada limpeza e manutenção;

·        Fazer o Uso do Espaço: todos os arranjos físicos devem permitir uso adequado do espaço disponível da operação;

·        Ter Flexibilidade de Longo Prazo: os arranjos físicos devem ser mudados periodicamente à medida que as necessidades de operação mudam. Um bom arranjo físico terá sido concebido com potenciais necessidades futuras da operação em mente.

  

 

REFERÊNCIAS

 

 

ALVARENGA NETO; DRUMMOND, Rivadavia Correa. Gestão do conhecimento em organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo. São Paulo: Saraiva, 2008. 

DAMIAN, Ieda; VALENTIM, Marda, SANTOS. A cultura organizacional como fator crítico de sucesso à implantação da gestão do conhecimento em organizações. 2018.

DAVENPORT, Thomas H. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 1998. 

FREITAS, Eliezer da Silva. Gestão do conhecimento na Administração Pública: tendências de aprimoramento dos tribunais de contas. 2016.

ISO 30.401:2018 – Sistemas de gestão do conhecimento. Disponível em <http://lillianalvares.fci.unb.br/phocadownload/Estudos/ISO%2030401.pdf>. Acesso em:  14 nov. 2021.

 Mapeamento do conhecimento crítico. Disponível em <http://www.sbgc.org.br/mapeamento-de-conhecimento-criacutetico.html>. Acesso em:  14 nov. 2021.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Gestão do conhecimento. Brasília, 2020.

NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica de inovação. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

 

 

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

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