Que Impactos Causam o Processo de Escolha do Local Para Empreendimentos? Como Conduzir Um Estudo de Localização? Quais São os Passos Que Podem Definir o Local do Futuro Empreendimento?
Importância da Localização
Referindo-se ao varejo, Lord
Seif, chefe da Marks and Spencer, citado por Slack et al. (1997), organização varejista sediada no
Reino Unido, afirma que: “Há três coisas importantes no varejo: localização, localização e localização. A
localização também é importante para outros tipos de organizações: bombeiros, hospital, entretenimento, entre
outras. Um aspecto importante, objeto de discussão, diz respeito a quem deve
caber tal estudo: equipe externa, equipe
interna da empresa ou equipe mista. A equipe interna, embora não tenha
conhecimento específico no assunto, conhece a realidade e a cultura da empresa.
Já a equipe externa tem este conhecimento específico sobre estudos de
localização, porém desconhece a cultura da organização. Optando-se por equipe
mista, pode-se agregar as vantagens das duas anteriores e amenizar as
fragilidades das mesmas. Trata-se, portanto, de buscar um equilíbrio. Quanto ao
grau de dificuldade no estudo (flexibilidade), pode-se fazer um comparativo
entre organizações produtoras de bens e serviço. No caso de bens, estes podem
ser produzidos, armazenados e transportados até os clientes. Já os serviços são consumidos no ato, ou
seja, produzidos e consumidos simultaneamente, portanto parecem ser mais
sensíveis à localização.
Perspectivas em
Termos de Localização e Investimentos
Embora alguns autores afirmem que a tendência em termos de investimentos para a
instalação de novas organizações, sobretudo as ligadas à manufatura, é de
evitar as megalópoles devido ao alto custo da área nestes espaços e a
dificuldade de funcionários se locomoverem até o local de trabalho,
recentemente o que se observa é a instalação de empresas não nas grandes
cidades, mas em cidades circunvizinhas a estas. Dada à dinâmica conjuntural global, no entanto, a qual se
mostra extremamente turbulenta
e instável, parece quase uma heresia afirmar categoricamente tendências acerca de
perspectivas de localização. Em termos de decisões organizacionais quanto à
estratégia de se expandir, a empresa deve levar em conta duas alternativas:
aumentar as instalações existentes e construir outra unidade em outro local. A
primeira alternativa possui a vantagem de diluir, até certo limite, os custos
fixos e administrativos, e a segunda melhora a
distribuição e permite maior flexibilidade no atendimento aos mercados
locais. Moreira (2002) alerta que, de
qualquer forma, tanto para as empresas novas quanto para as já existentes, as
decisões sobre localização levam a um compromisso de longo prazo, especialmente
no caso de indústrias, que exigem grandes esforços de projeto e instalação, que
podem durar vários anos. Desnecessário dizer que o impacto sobre os custos e as
receitas é bastante significativo.
Finalidades, Contextos
e Complexidades das Decisões de Localização
A finalidade do estudo de
localização, sob o critério econômico, é encontrar o lugar que permita, pelo
menor custo total, transformar as matérias-primas em produtos acabados ou
serviços e transportá-los aos consumidores.
Assim, o critério decisivo é o critério comparativo entre as diversas
localidades sob o ponto de vista econômico, além desta finalidade sugerir uma
limitação ao nível de manufatura de bens. Outros critérios, no entanto, podem ser
relevantes dependendo das especificidades da organização. Assim sendo, a decisão em termos de escolha
de uma nova localização
organizacional é marcada por um nível de dificuldade importante,
envolvendo a avaliação de inúmeros fatores, conduzindo a reflexões eternas nos
custos de produção, fonte de matéria-prima, desperdício e qualificação de mão
de obra, custo da expansão, aparecimento de novos mercados, atração por isenção
de impostos, políticas internas e tendências
econômicas, entre outras variáveis. Neste sentido, de acordo com Slack
et al. (2008), pode-se destacar dois grupos de fatores de influência: influência do lado do fornecimento de insumos
para a operação e influência do lado da demanda de bens e serviços.
Referente à influência quanto ao
fornecimento de insumos (influência sobre os custos), pode-se elencar fatores
como custos de mão
de obra, em que se deve considerar a
produtividade da mesma, bem como
taxas de câmbio quando
se avalia diferentes países,
custos da terra, custos de energia,
sobretudo no caso de organizações que usam grande
quantidade de energia, como produtoras de alumínio, custo de
transporte, no caso
de transporte de
insumos e bens
produzidos, e fatores de
comunidade, que são
os que influenciam
os custos de
uma operação e que derivam do
ambiente social, político
e econômico do
local, como impostos
locais, restrições de movimentação de capital, assistência financeira do
governo, estabilidade política,
assistência de planejamento
do governo, atividades locais
em relação a investimentos estrangeiros,
língua, disponibilidade de
serviços, histórico de
relações trabalhistas,
absenteísmo da mão
de obra, restrições
ambientais, entre outros do gênero. Em se tratando de demanda
(influência sobre a receita), pode-se citar fatores como a habilidade da mão de
obra, como no caso de parques tecnológicos/incubadoras, que se recomenda
posicionar próximo de universidades em função da qualificação dos recursos
humanos destas organizações e da demanda de clientes potenciais
(universitários); a imagem do local em si, citando o caso dos ternos de Vasile Row
(famosa rua de Londres notabilizada por ternos de qualidade) ou roupas de
Milão, a adequação do local ao tipo de negócio pretendido, como no caso da instalação
de um hotel
luxuoso focado no turismo, o
qual logicamente deve ser pensado em local paradisíaco; e a
conveniência para clientes, citando o caso típico da instalação de um hospital,
que deve posicionar-se próximo ao público a ser atendido.
Passos e Níveis de
Decisão no Processo de Escolha
Os seguintes passos referenciais podem ser
elencados na definição do local do empreendimento:
1. Definir o objetivo da
localização e as variáveis a ele ligadas;
2. Identificar o critério de
escolha importante;
3. Quantitativo: econômico;
4. Qualitativo: menos tangível;
5. Descrever os objetivos para o
critério na forma de um modelo: ponto de
equilíbrio, programação linear e análise de fator qualitativo, entre outros;
6. Criar os dados necessários e
usar os modelos para avaliar os locais alternativos;
7. Escolher o local que melhor
satisfaça ao critério.
Em se tratando de níveis
geográficos de escolha, um estudo pode obedecer à seguinte hierarquia:
·
Escolha de região ou país;
·
Escolha de área dentro de região ou país;
·
Escolha de um local específico ou área.
Técnicas de Estudo de
Localização
Embora os gerentes de produção
precisem exercer um nível de julgamento considerável na
escolha de localizações alternativas, há algumas técnicas sistemáticas e
quantitativas que podem ajudar no processo de decisão. Neste texto são descritas algumas:
·
Método da Pontuação Ponderada: Também
denominado de Análise do Fator Qualitativo, este procedimento envolve, em
primeiro lugar, a identificação de critérios que podem ser usados para avaliar
as diversas localizações. Em segundo lugar, envolve a importância relativa de cada
critério e a atribuição de fatores de ponderação (pesos) para cada um deles. O
terceiro passo é avaliar cada localização segundo cada critério. Avaliar
segundo esta sistemática consiste, portanto, na ponderação de fatores
qualitativos e quantitativos, ou seja, é a atribuição de valores quantitativos
a todos os critérios relacionados com cada alternativa de decisão e computar o
peso relativo de cada uma para efeito de comparação. Esta avaliação permite que
o tomador de decisão injete suas
próprias preferências (valores)
em uma decisão de local, abrigando tanto os fatores quantitativos quanto
qualitativos.
·
Método do Centro de Gravidade: O
transporte não adiciona valor ao produto, apenas onera-o. Este método, também
denominado de Transporte, objetiva otimizar a lógica do transporte de produtos
entre unidades produtoras e consumidoras, ou seja, a minimização dos custos de
transporte. É baseado na ideia de que todas as localizações possíveis têm um
“valor” que é a soma de todos os custos de transporte de e para aquela
localização. A melhor localização, a que minimiza os custos, é representada
pelo que, em uma analogia física, seria o centro de gravidade (CG) ponderado de
todos os pontos de e para onde os bens são transportados.
Arranjo Físico ou Layout
O arranjo físico (ou layout) de
uma operação produtiva preocupa-se com a localização física dos recursos de
transformação. Definir o arranjo físico
é decidir onde colocar todas as instalações, máquinas, equipamentos e pessoal
da produção. O arranjo físico é uma das características mais evidentes de uma
operação produtiva porque determina sua “forma” e aparência. É aquilo que a
maioria das pessoas nota quando entra pela primeira vez em um lugar. Também
determina a maneira segundo a qual os recursos transformados –materiais,
informações e clientes – fluem por meio da
operação. Mudanças relativamente pequenas na localização de uma máquina
numa fábrica ou dos bens em um supermercado, ou a mudança de salas em um centro
esportivo, podem afetar o fluxo de materiais e pessoas com a operação. Isto,
por sua vez, pode afetar os custos e a eficácia geral da produção. De acordo
com Slack et al. (2008), existe uma série de razões pelas quais as decisões de
arranjo físico são importantes:
·
Arranjo físico é frequentemente uma atividade
difícil e de longa duração devido às dimensões físicas dos recursos de
transformação movidos;
·
O
rearranjo físico de
uma operação existente
pode interromper seu funcionamento suave, levando à
insatisfação do cliente ou a perdas de produção;
·
Se o arranjo físico (examinado a posteriori)
está errado, pode levar a padrões de fluxo excessivamente longos ou confusos,
estoque de materiais, filas de clientes formando-se ao longo da operação,
inconveniências para os clientes, tempos de processamento desnecessariamente
longos, operações inflexíveis e altos custos;
·
A mudança de arranjo físico pode ser difícil e
cara e, portanto, os gerentes de produção podem relutar em fazê-la com
frequência;
·
Ao mesmo tempo, a consequência de qualquer mau
julgamento na definição de arranjo físico terá um efeito considerável de longo
prazo na operação.
Entre os principais objetivos de
um bom arranjo físico podemos destacar:
·
Proporcionar Segurança Inerente: o que significa que todos os processos que
podem representar perigo, tanto para a mão de obra quanto para os clientes, não
devem ser acessíveis a pessoas não autorizadas. Saídas de incêndio devem ser claramente
sinalizadas com acesso desimpedido. Passagens devem ser claramente marcadas e
mantidas livres;
·
Manter a Extensão do Fluxo: o fluxo de
materiais, informações ou clientes deve ser canalizado pelo arranjo físico de
forma a atender aos objetivos da operação. Em muitas operações, isso significa
minimizar as distâncias percorridas pelos recursos transformados, embora isto
nem sempre ocorra, pois, os supermercados gostam de garantir que os clientes
passem por determinados produtos em seu trajeto dentro da loja.
·
Possibilitar a Clareza de Fluxo: todo o
fluxo de materiais e clientes deve ser sinalizado de forma clara e evidente
para consumidores e para a mão de obra. Operações de serviço, em geral, usam
roteiros sinalizados, como alguns hospitais que usam faixas pintadas no chão
com diferentes cores para indicar o roteiro para os diferentes departamentos;
·
Proporcionar o Conforto da Mão de Obra: ou
seja, ela deve ser alocada para locais distantes de partes barulhentas ou
desagradáveis da operação. O arranjo físico deve prover um ambiente de trabalho
bem ventilado, iluminado e, quando possível, agradável;
·
Facilitar a Coordenação Gerencial: a supervisão e coordenação devem ser
facilitadas pela localização da mão de obra e dispositivos de comunicação;
·
Possibilitar o Acesso: o que significa
que todas as máquinas, equipamentos e instalações devem estar acessíveis para
permitir adequada limpeza e manutenção;
·
Fazer o Uso do Espaço: todos os arranjos
físicos devem permitir uso adequado do espaço disponível da operação;
·
Ter Flexibilidade de Longo Prazo: os
arranjos físicos devem ser mudados periodicamente à medida que as necessidades
de operação mudam. Um bom arranjo físico terá sido concebido com potenciais
necessidades futuras da operação em mente.
REFERÊNCIAS
ALVARENGA NETO; DRUMMOND, Rivadavia Correa. Gestão do conhecimento em organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo. São Paulo: Saraiva, 2008.
DAMIAN, Ieda; VALENTIM,
Marda, SANTOS. A cultura
organizacional como fator crítico de sucesso à implantação da gestão do
conhecimento em organizações. 2018.
DAVENPORT, Thomas H. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro:
Elsevier Brasil, 1998.
FREITAS, Eliezer da Silva. Gestão do conhecimento na Administração Pública:
tendências de aprimoramento dos tribunais de contas. 2016.
ISO 30.401:2018 – Sistemas de gestão do conhecimento. Disponível em
<http://lillianalvares.fci.unb.br/phocadownload/Estudos/ISO%2030401.pdf>.
Acesso em: 14 nov. 2021.
Mapeamento do conhecimento
crítico. Disponível em
<http://www.sbgc.org.br/mapeamento-de-conhecimento-criacutetico.html>.
Acesso em: 14 nov. 2021.
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Gestão do conhecimento. Brasília, 2020.
NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI,
Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram
a dinâmica de inovação. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

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