segunda-feira, 9 de março de 2026

Características dos Serviços e Seus Impactos na Logística

Quais as Principais Características dos Serviços? Onde se Observa a Característica de Heterogeneidade de Um Serviço? Por Que Um Serviço Só Poderá Ter o Resultado Avaliado na Sua Entrega?

 

 


A intangibilidade é uma das principais características de um serviço, a qual o diferencia um produto (bem). Alguns especialistas afirmam que um produto, um bem ou um serviço é tudo aquilo que uma organização (pública ou privada) desenvolve para oferecer a um determinado grupo de pessoas, visando resolver determinado problema. Na gestão pública podemos verificar esta oferta na educação, saúde, transporte, segurança, tratamento de esgoto, entre outros produtos (bens ou serviços) que são ofertados a um grupo de pessoas, resolvendo assim os seus problemas. Essa oferta da gestão pública se dá pela função e retribuição pelos impostos pagos. Já na gestão privada, o retorno desta oferta é obtido pelo lucro. Todo e qualquer produto, seja um bem ou serviço, apresentam os seguintes componentes: bem, serviço e ideia. Exemplos desses componentes podem ser vistos em todos os produtos.

 

Exemplo 1: (Restaurante fast-food)

·        Bens: refeição, bebidas, sanduíche, etc.

·        Serviços: preparação dos alimentos, atendimento do garçom, cobrança, etc.

·        Ideia: economia de tempo.

 

Exemplo 2: (Consulta médica)

·        Bens: infraestrutura, equipamentos, receita médica, medicamentos, etc.

·        Serviços: recepção, atendimento médico, diagnóstico, prescrição, etc.

·        Ideia: preservação da saúde.

 

Observação: Na área da logística, temos na essência a prestação de serviços de transporte, armazenagem, movimentação, gestão de estoques, entre outros. Assim, também teremos na prestação dos serviços, componentes tangíveis (bens) e também a ideia.

 

Exemplo 3: (Serviço de transporte)

·        Bens: modo de transporte, equipamentos para carga e descarga, documentação.

·        Serviços: deslocamento de um ponto de origem a um ponto de destino, ou de um ponto de fornecimento a um ponto de consumo.

·        Ideia: equilibrar o fluxo de produtos (oferta e demanda).

 

Outras Características de Um Serviço

 

Os serviços apresentam outras características que também merecem atenção, sobretudo de um profissional da área logística, uma vez que a sua gestão poderá representar o sucesso ou o fracasso de um serviço. São eles:

 

·        Heterogeneidade: Os serviços apresentam tendência de alta volatilidade em seu desempenho, ou seja, está relacionada à falta ou dificuldade de padronização de um serviço. Como exemplo, podemos citar o serviço de salão de beleza, mesmo que você vá várias vezes ao mesmo salão, e corte com o mesmo cabeleireiro, ou faça a mesma maquiagem, dificilmente o serviço será exatamente igual. Sendo assim, a heterogeneidade permite adaptar os serviços às necessidades individuais dos clientes, porém exige conhecimentos e habilidades específicas. Na logística, é possível observar essa característica em diversos serviços. Um exemplo é o serviço de transporte rodoviário, no qual o motorista atua como o produtor do serviço. No entanto, nem sempre ele conseguirá realizar o serviço da mesma forma em todas as situações. Além disso, os motoristas de uma mesma empresa dificilmente executarão o serviço de maneira exatamente igual, pois há variações individuais na forma de conduzir, nas decisões tomadas durante o trajeto e no atendimento ao cliente. Essas diferenças evidenciam a variabilidade comum em serviços que dependem diretamente da atuação humana. Provavelmente não, pois dificilmente os prazos serão cumpridos igualmente, bem como, a encomenda será entregue, sempre, nas mesmas condições. Assim, a qualidade e a essência de um serviço podem variar de um produtor para outro, e de um dia para outro.

·        Inseparabilidade: Os serviços, na sua maioria, são simultaneamente produzidos e consumidos. Esta característica revela a existência de um alto grau de interação entre cliente do serviço e o seu produtor, ou seja, isso ocorre porque alguns produtos exigem a presença do cliente, como por exemplo, no caso de uma cirurgia ou a presença de um passageiro para que o deslocamento ocorra. Ao inserir o consumidor no processo de produção, pode gerar incerteza ou imprevisibilidade do seu resultado, pois a presença do consumidor no processo de produção pode afetar a qualidade do serviço. A característica de inseparabilidade também poderá estar relacionada ao consumidor ou cliente do serviço. Dependendo deste, em termos de estado, físico, mental e psicológico, a qualidade do serviço poderá ser afetada ou impactada negativamente. O mesmo corte de cabelo em um dia que você está de bom humor, bem de saúde, com autoestima elevada será avaliada diferentemente, de um dia na qual você se encontra debilitado com problemas de saúde, pessoais ou autoestima baixa. Na prestação de serviços logísticos, essa característica deve ser gerenciada para que o impacto do prestador ou executor do serviço não impacte negativamente na percepção da qualidade do mesmo.

·        Perecibilidade: Um serviço não pode ser guardado ou estocado. Esta é uma das características mais difíceis na gestão. Quando a demanda é estável, o mercado pode ser abastecido sem maiores dificuldades, mas, a demanda é flutuante, ou seja, não é constante e uniforme. A perecibilidade impõe às empresas de serviços e, por consequência, aos gestores e demais profissionais operacionais um problema de difícil solução: equilibrar a oferta com a demanda.

 

Mecanismos de Gestão e Operação

 

Um serviço é uma promessa que somente poderá ter o resultado avaliado por completo, na sua entrega, tornando assim a promessa em algo real e passível de avaliação. Portanto, a gestão e operação de um serviço devem ser capazes de gerar expectativas para o cliente de que o serviço será executado. Antes e durante a execução de um serviço, a empresa fornecedora deverá oferecer formas – ou mecanismos – que reduzam ou minimizem possíveis incertezas ou dúvidas do serviço, por parte do consumidor. As principais formas são:

 

·        Provas: Também apresentadas sob a forma de evidências. Apesar de um serviço ser intangível, ou seja, impossível de tocar, para a sua execução, normalmente, serão necessários equipamentos, máquinas e utensílios que são tangíveis. As provas ou evidências se apresentam na forma tangível e fornecem ao consumidor do serviço, pistas de como o serviço será executado.

·        Participantes: São todas as pessoas que apresentam o serviço ou participam diretamente da sua execução. A forma como essas pessoas se apresentam, serve como referência para o comprador ou consumidor, de como o serviço será realizado, bem como, se a promessa feita vai ser cumprida com o menor risco possível. O componente humano na apresentação ou execução de um serviço resulta em um produto variável, ou seja, heterogêneo, pois o ser humano não é constante e, dependendo do seu estado físico ou emocional, poderá impactar positiva ou negativamente no serviço. Daí o sucesso de qualquer empresa – associada à geração e oferta por meio de serviços – depende da motivação e esforço do trabalho humano, seja individual ou em equipe. Em um cenário de alta competitividade, na qual a concorrência é global, torna-se fundamental que a gestão crie um ambiente interno capaz de estimular e, que seja propício para o desenvolvimento e o uso das competências do ser humano, pois este impactará diretamente na qualidade de um serviço. Mais do que envolvimento, a gestão deve buscar, das pessoas que executam o serviço, o comprometimento, para tornar a promessa do serviço em resultado de serviço de qualidade. De acordo com Shimoyama (2006), a diferenciação através de pessoas, aborda a contratação e treinamento das pessoas, visando ter pessoas mais qualificadas do que seus concorrentes.

·        Processo: Envolve todos os métodos, procedimentos e mecanismos empregados na execução do serviço, bem como o fluxo das atividades que geram o atendimento. Neste sentido, a gestão pode buscar padronizar o serviço, de forma a reduzir a variabilidade (realizado por pessoas), buscando evitar falhas ou erros. Contudo, o emprego de técnicas e ferramentas, bem como equipamentos, que em parte, substituem o ser humano na execução do serviço, pode não ser bem visto pelo consumidor. A substituição do ser humano por máquinas é vista como “robotização” do serviço e não estará adequada a todos os consumidores, que preferem ser atendidos por pessoas. O período de tempo no qual ocorre a interação do consumidor com o serviço é definido como Encontro no Serviço. O controle deste momento é crítico, pois insere, na sua grande maioria, o consumidor na execução do serviço, juntamente com os executores do serviço. Sendo assim, uma tarefa importante para a organização que o gestor deve planejar e ter mecanismos de controle e avaliação, já que a principal fonte de informações para o consumidor a respeito da qualidade da empresa que lhe prometeu o serviço e, decorrente do mecanismo de avaliação da qualidade vem deste encontro.

 

Neste sentido, a empresa ao desenvolver um serviço deve buscar quais são as reais necessidades e desejos dos futuros consumidores do serviço. E criar mecanismos de controle dos momentos de verdade, atuando assim de forma a buscar que o serviço prometido seja realizado da melhor forma possível e passível de ser reconhecido como adequado pelo consumidor. Ao ser verificado como adequado pelo consumidor, o resultado do serviço (entrega prometida) passou pelo teste de qualidade e tende a tornar os consumidores fiéis ou tentados a repetir o processo de compra e/ou consumo do serviço. Momentos da verdade são pontos de contato em que o cliente tem uma interação com a empresa, seja diretamente, como no seu atendimento, ou indiretamente, por exemplo, na publicidade veiculada em uma rede social. Esses momentos geram impactos positivos ou negativos na experiência do cliente, influenciando sua decisão de compra, lealdade à marca e recomendação para outras pessoas. Alguns momentos da verdade são:

 

·        Primeiro Contato: refere-se à primeira interação com a empresa, seja por telefone, e-mail, rede social ou presencialmente;

·        Venda: diz respeito ao processo de compra em si, desde a escolha do produto ou do serviço a ser prestado até o fechamento da transação;

·        Uso do Produto ou Realização do Serviço: pode se referir tanto à experiência do cliente ao usar o produto como no resultado do serviço realizado;

·        Atendimento ao Cliente: é a forma como a empresa resolve problemas ou dúvidas do cliente.

 

  

 REFERÊNCIAS

 

 

BALLOU, Ronald. Entrevista. Revista Mundo Logística, Rio de janeiro, nº. 22, ano. IV, p.22-26. Maio Junho 2011.

PALADINI, Edson Pacheco. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2.ed. 3. reimp. São Paulo: Atlas, 2006.

PIRES, Luciano J; BRITO, Fernando G. Logística em Serviços. Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec. Curitiba: 2014.

SHIMOYAMA, Claudio Santana. Sistema de inteligência competitiva de marketing como uma ferramenta de gestão para as instituições de ensino superior privadas. 2006. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Santa Catarina, 2006.

TÉBOUL, J. A. Era dos Serviços: Uma Nova Abordagem de Gerenciamento. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.

 

 


                                https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

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