Como Ocorre a Comunicação nos Relacionamentos? Qual o Papel da Afetividade no Processo de Relacionamento Interpessoal?
O adulto ensina falando e a
criança descobre que o ato e a palavra vêm juntos, passando a ter, desde muito
cedo, significado dentro de um “sistema de crenças”, altamente complexo, o qual
irá regular muitas atitudes futuras ou contribuir para evitar algumas situações
que, de acordo com os valores impostos, poderiam constrangê-la. Essas crenças
dizem respeito à imagem do próprio eu, ou seja, do como se é: corajoso ou
covarde, esperto ou “bobo”, muito amado ou tolerado, organizada ou
desorganizado, sadio ou doente, e assim outras maneiras das quais nos moldamos
a fazer e a ser. Na relação humana não existe a linguagem linear ou aquela que
tem por objetivo um significado constante, sem distorções, confuso, com
separação clara entre significado real ou emocional ([1]). Conta-se que,
nos livros de Leonardo da Vinci, onde ele escrevia durante suas insônias, vez
ou outra se encontrava uma frase perdida: “Scrivi,
Leonardo, Che cosa è anima? ”. Essa insistência do grande homem em
perguntar-se “o que era a alma”, tem sido interpretada como ato de
arrependimento individual, humilde da sabedoria perturbada diante de si mesmo,
pois nada há mais triste do que ser homem e não se saber o que é o homem. Muita
indecisão perdura na ciência, diante do problema da personalidade, embora já
existisse uma Psicologia da Personalidade, duas correntes procuram equacionar a
personalidade: a primeira considera personalidade atributo, e a segunda,
relação. De acordo com a primeira concepção, define-se personalidade como o
produto das disposições naturais, das inclinações hereditárias, das influências
psicofísicas do ambiente, da educação, com a ajuda da própria vontade.
Para a segunda corrente,
personalidade é a reação do indivíduo ao papel que lhe é imposto pelo grupo. Na
personalidade como atributo, a Comunicação humana é decisiva. As faculdades
intelectuais precisam aparecer, comunicar-se. Na maioria das vezes, essas
pessoas pensam ter qualidades; a avaliação individual é feita com exagero. Há,
entretanto, casos em que a ausência de Comunicação humana impossibilita que
importe na vida social e na realização individual. A personalidade não apenas
depende da comunicação humana; ela é a própria Comunicação humana em ação:
somos aquilo que comunicamos. Na personalidade como relação, é a reação do
indivíduo ao papel que lhe é imposto pelo grupo, essa resposta é essencialmente
comunicativa, isto é, reagiremos de determinada forma, e dessa forma, seja ela
qual for, será sempre uma Comunicação humana. Tudo quanto revela a
personalidade pertence à Comunicação humana.
A Comunicação e o
Relacionamento Interpessoal
Quando se fala em comunicação
logo se pensa: refere-se à fala, propriamente dita, aos métodos de conversação,
as representações de sinais e aos meios que a imprensa encontra de levar
informações a todos da sociedade. Mas não implica somente nisso, vai mais além
destas simples respostas. Sendo o homem um ser relacional, como que acontecem
estas trocas de informação entre os indivíduos inseridos em diferentes grupos
sociais? Sendo a comunicação uma troca de informações entre as pessoas então
comunicar representa compartilhar, dividir, tornar comum a todos, trazer ao
conhecimento de todos, alguma coisa que antes apenas alguns conheciam. Dentro
do processo de comunicar-se existem “ruídos” de comunicação que são as
interferências ou barreiras que podem atrapalhar o processo e que poderá trazer
falhas ou até prejuízos para a organização ([2]). Os tipos de
comunicação apresentam-se nas seguintes formas: escrita, verbal, não verbal e,
hoje em dia, a eletrônica.
A comunicação e o relacionamento
interpessoal são duas ferramentas muito importantes, pois para realizar
objetivos pessoais e profissionais precisa-se de pessoas. Necessita-se que as
pessoas acreditem no sonho de cada um e participem dele para que o mesmo possa
ser concretizado. Assim, são necessárias palavras certas que sejam ditas de
forma adequada. Quantas vezes presenciam-se problemas de relacionamento
interpessoal por falta de comunicação assertiva. A comunicação humana é
uma ferramenta para construir relacionamentos. Ela oferece a possibilidade
de gerar conhecimento, entendimento, aceitação, comprometimento e ação. A
comunicação é fundamental para o ser humano conhecer pessoas, descobrir
caminhos e oportunidades de troca e crescimento. O conteúdo que se fala por um
emissor pode ser interpretado de forma diferente pelo receptor. Desta forma,
para que a comunicação flua de forma harmoniosa, precisa-se ter um bom
relacionamento interpessoal cativando as pessoas, estabelecendo laços empáticos
e transmitindo confiança através da boa postura, gestos, voz e
palavras. Sabe-se que ser responsável pelas próprias escolhas é dever de
cada um, então praticar tais conhecimentos em comunicações diárias e abrir
canais de comunicação com as mesmas é, consequentemente, crescer com
relacionamentos interpessoais.
A Afetividade no Processo
de Relacionamento Interpessoal
De forma geral, as pessoas necessitam
se relacionar e, conforme Silva et. al (2011), desde os primórdios,
quando os seres humanos começaram a viver em sociedade, procuram maneiras de
melhorar essas relações, daí surgiram, por exemplo, as regras, que mais tarde
viraram leis que auxiliaram nesse processo. A partir da evolução da cultura
humana, a afetividade começou a ter um papel muito importante nas relações
interpessoais. Afetividade esta, que já começa no âmbito familiar, onde as
pessoas já ao nascerem, são acolhidas por laços afetivos que duram a vida
inteira. O desenvolvimento humano não acontece somente relacionado aos aspectos
cognitivos, mas também e principalmente aos aspectos afetivos. O homem precisa
ser ouvido, acolhido e valorizado, e isso contribui para a construção da sua
autoestima, para que se sintam confiantes para enfrentar os desafios. Então, a
importância de uma relação está nas pessoas envolvidas, seja na sala de aula,
em casa, no trabalho, na academia, etc.
A afetividade no contexto social
pode tornar as relações mais produtivas, pois se estiver aliada a sentimentos
de respeito, gentilezas, compreensão, pode fazer com que o relacionamento se
torne mais próximo e as interações permitam mais e melhores trocas. As relações
interpessoais estão condicionadas ao contexto sociocultural. A convivência das
pessoas do grupo e o contato com diferentes grupos sociais possibilita a
construção do autoconceito da pessoa. Através do autoconceito a pessoa reflete
sobre suas ações e a forma como é percebida e tratada pelas outras pessoas. A
convivência em grupos diversificados contribui para a formação das pessoas. Por
isso, nas relações interpessoais, as pessoas que se sentem inferiores ou
discriminadas, acabam se tornando hostis ou indiferentes, já as que se sentem
acolhidas se sentem confiantes e otimistas para enfrentar os desafios, são
alegres e determinadas. A qualidade das interações ocorridas no grupo é que
poderá levar a pessoa ao desenvolvimento de suas capacidades, sejam elas
cognitivas ou afetivas.
O comportamento afetivo
influencia profundamente o desenvolvimento intelectual, pois o desenvolvimento
humano tem um elemento cognitivo e outro afetivo que se desenvolvem
paralelamente, a cognição e a afetividade estão ligadas, se interagem, e a
afetividade é o combustível para o desenvolvimento da inteligência, acelerando
ou diminuindo a velocidade do desenvolvimento. A afetividade está intimamente
ligada à construção da autoestima. Se essa autoestima é positiva, a pessoa tem
uma boa imagem de si, acredita que outras pessoas gostam e confiam nela, mas se
for negativa, a pessoa achará que não gostam e não acreditam nela. A
afetividade é uma das peças chave no processo da construção dos relacionamentos
interpessoais, pois através do vínculo afetivo criado nestas relações o
sentimento que se cria passa a nortear uma melhor aprendizagem sobre todas as
coisas.
Bases do Relacionamento
Interpessoal
De maneira inevitável, em
qualquer situação, em qualquer profissão e quase em qualquer outra atividade, o
ser humano precisa estar em relacionamento adequado com seus companheiros. Conforme
o site Portal de Auditoria (2016), quando este relacionamento é harmonioso,
contributivo, espontâneo, gera satisfação e progresso. Ao contrário, quando é
conflituoso, surgem obstáculos aos desenvolvimentos das atividades, gerando
“emperramento” nos objetivos a alcançar. Mas o que são “relações humanas”? É a
arte do relacionamento humano, que surge quando dois ou mais indivíduos se
encontram. Desta forma, num ambiente de trabalho, em que duas pessoas partilham
ideias e tarefas, gera-se um convívio que poderá resultar em cooperação, em
atritos, comparações, etc. Existem dois (2) tipos de relações humanas:
·
Interpessoal: é o relacionamento
entre pessoas, caracterizada através dos eventos ou acontecimentos que se
verificam no lar, na escola, na empresa, na igreja, etc.
·
Intrapessoal: é a comunicação que
mantemos conosco mesmo. É o diálogo interior. Exemplos: oração, meditação, etc.
https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos
([1]) ZAITTER, Menyr Antonio Barbosa; LEMOS, Meillyn Hasenauer
Zaitter. Psicologia das Relações Humanas. Curitiba: Instituto Federal
do Paraná/Rede e-Tec Brasil, 2012.
([2]) SUBTIL, Joseane de Fátima. In: WEBARTIGOS. 2010. Disponível
em: https://www.webartigos.com/artigos/personalidade-e-desenvolvimento-humano-comunicacao-e-relacionamento-interpessoal-lideranca-e-motivacao/38057.
Acesso em: 14 set. 2021.

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