segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fim do Império no Brasil: os Republicanos Tomam o Poder

 Quais as Três Discordâncias Cruciais Que Levaram à Proclamação da República? Quais as Principais Características de Uma República? O Que Foi o Voto de Cabresto? Que Motivos Levaram à Revolta dos Canudos?

 



 

O Império Brasileiro terminou em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, liderada pelo Mal. Deodoro da Fonseca. Este evento foi resultado de uma crise da monarquia, que perdeu apoio de grupos importantes como o Exército, a Igreja e grupos escravocratas. Enfrentando uma série de crises, o Império Brasileiro, sob a liderança de Dom Pedro II, se tornou cada vez mais frágil diante das novas ideias de república, liberdade e de igualdade que, lentamente, se espalhavam pelo país ao longo da segunda metade do século 19. O ponto final do império – que havia nascido em 1822 – terminou de forma melancólica em 15 de novembro de 1889, em função das discordâncias provocadas por três (3) questões cruciais:

 

·        Questão Militar: O Exército brasileiro – que lutou na Guerra do Paraguai – não aceitou mais a condição de império que havia no Brasil, enquanto os outros países da guerra eram todos republicanos. Além disso, o Exército se revoltou com a possibilidade de ter de vir a perseguir negros fugidos das fazendas brasileiras. Essas duas situações colocaram o exército como adversário de D. Pedro II. 

·        Questão Escravista: a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, sem indenização pelos escravos libertos, fez com que os fazendeiros brasileiros se posicionassem contra o Império e contribuíssem para o surgimento da república. 

·        Questão Religiosa: O imperador participava da Maçonaria e de certa forma a defendia como chefe do império. Isso fez com que a Igreja Católica rompesse relações com o império. 

 

Dessa forma, a união dessas três (3) questões enfraqueceu o Império que acabou sendo substituído em 15 de novembro de 1889 pela República.

 

A Primeira República

 

De acordo com o Dicionário Aurélio, República é uma Forma de Estado na qual os representantes são eleitos, de forma direta ou indireta, para o exercício de mandatos temporários. Partindo da definição do dicionário, a “república” é um regime em que os governantes são eleitos para períodos bem definidos, portanto os políticos não deveriam e nem devem ficar muitos anos no poder. Mas essa não é a única característica de uma República, pois, o termo também nos leva a considerar que em um regime republicano todas as pessoas/cidadãos são iguais, sem distinção entre nobres e plebeus como acontece nas monarquias. Assim, alguns autores afirmam que duas das principais características da Primeira República são o voto de cabresto e o “coronelismo”, pois as pessoas eram obrigadas a votar nos candidatos do “coronel” chefe político da região. Entre outras características, a primeira e mais importante é o total domínio das oligarquias agrárias (Oligarquias são famílias ricas que dominaram e ainda dominam parte da política brasileira); a segunda é a força da economia cafeeira, o produto mais importante na exportação do país; a terceira é o distanciamento gigantesco entre as necessidades da população e as práticas dos governantes que pouco ligavam para as dificuldades do povo. Durante a República Velha o principal produto da economia brasileira foi o café. Este item foi responsável pela geração de riqueza nas regiões do Rio de Janeiro e São Paulo, onde atualmente encontram-se as velhas fazendas de café, que servem até mesmo para filmagens das telenovelas que abordam o século XIX. Toda essa riqueza gerou um grupo social muito poderoso: os Barões do Café que influenciaram as decisões importantes do país. Mas não era apenas de café que o Brasil vivia. Produzia-se também algodão no Nordeste, erva-mate no Sul, especiarias no Norte. Sendo assim, alguns historiadores afirmam que São Paulo e Minas tomaram o trono e não deixaram outros Estados chegarem perto do poder. O poder na República Velha era dominado por dois (2) grupos: São Paulo e Minas Gerais. Os demais Estados do Brasil ficavam tentando alcançar esse poder, mas não conseguiam.

 

Política e Eleições

 

Em termos de política havia um enorme domínio das famílias – ou oligarquias – que produziam os principais produtos. Esse domínio na prática acabou fazendo com que surgissem modos de dominar as comunidades e o próprio voto das pessoas. As maneiras de dominar as comunidades eram o voto de “cabresto” e os “currais eleitorais” e isso fazia com que as decisões sobre como gastar dinheiro com impostos ficassem apenas nas mãos das oligarquias. O voto de cabresto é aquele em que o eleitor acaba votando com medo ou pressionado por alguém. Já curral eleitoral é aquele espaço geográfico em que um determinado político domina com mão de ferro. Pode ser uma vila, um bairro ou até mesmo uma cidade. Em alguns casos há o domínio de um determinado grupo de pessoas como trabalhadores, motoristas ou operários. Política dos governadores pode ser entendida como o acordo entre os governadores dos estados e os presidentes da república, com o fim de aumentarem o poder político deles nas eleições. Durante a República Velha houve inúmeros movimentos em que a população se organizou e buscou melhorar suas condições de vida. Entre esses movimentos se destacam: A Revolta de Canudos, ocorrida no interior do Nordeste, sob a liderança do beato Antônio Conselheiro; a Guerra do Contestado, ocorrida na divisa entre Paraná e Santa Catarina sob a liderança do monge José Maria; a Revolta da Vacina, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro; a Revolta da Chibata, ocorrida entre os marinheiros da Marinha do Brasil. Veja quão interessantes foram esses quatro (4) movimentos sociais, pois todos eles tiveram origens diferentes, mas demonstraram quantas vezes foi necessário lutar para obter melhores condições de vida. Condições estas que, hoje em dia, em pleno século 21 consideramos um direito das pessoas. Veremos a seguir um pouco sobre cada um deles:

 

·        A Revolta de Canudos (1896-1897): Este movimento ocorrido entre os anos de 1896 e 1897 foi liderado por um beato conhecido como Antônio Conselheiro, que conseguiu – no meio de sertão baiano - reunir milhares de pessoas em torno de algumas ideias básicas, como: defender-se da República; sobreviver dignamente do sustento da terra, viver de forma coletiva, pois todos tinham que aprender a dividir sua colheita e seus recursos. Com esse discurso que lembra muito a questão do “direito a terra” defendida pelo MST (Movimento Sem Terra), Antônio conselheiro passou a ser visto como um “perigo” para as elites nordestinas. Estas então aproveitaram o discurso antirrepublicano de Conselheiro e conseguiram convencer o governo federal para que mandasse um exército destruir o arraial de Canudos.

·        A Revolta do Contestado (1912-1916): As péssimas condições de vida na divisa do Paraná e Santa Catarina propiciaram este movimento que marcou a história da região sul do Brasil. Segundo o historiador Boris Fausto “O movimento (...) nasceu reunindo seguidores de um “coronel” tido como amigo dos pobres e pessoas de diversas origens atingidas pelas mudanças que vinham ocorrendo na área. Entre elas, trabalhadores rurais expulsos da terra pela construção de uma ferrovia e uma empresa madeireira e gente que tinha sido recrutada na construção da ferrovia e ficado desempregada no fim dos seus contratos”.

·        A Revolta da Vacina (1904): Em 1904, ano em que o Brasil comemorava 15 anos da Proclamação da República, o Rio de Janeiro, então capital do país, conheceu uma das mais interessantes revoltas populares já vistas nestas terras. A população carioca saiu às ruas, montou barricadas, quebrou e depredou trens e bondes. Mas o que causou tanta revolta? Para a surpresa de todos, não foi o desemprego, nem a fome, nem a falta de segurança, nem de escolas, mas sim resistência contra a obrigatoriedade de tomar a vacina contra a varíola. É claro que mais de 100 anos se passaram e na época a Revolta da Vacina demonstrou ser muito mais que uma simples resistência à vacinação: revelou que a população estava era cansada do descaso do governo com a saúde e com a moradia das populações mais pobres do Rio de Janeiro. O resultado dos conflitos foi trágico: 30 mortos, 110 feridos, 945 presos, sendo que destes quase a metade foi enviada para o estado do Acre. Por outro lado, teve duas (2) consequências: (1ª) O governo voltou atrás e retirou a obrigatoriedade da vacinação; (2ª) Mostrou que não deve haver apenas a lei obrigatória, mas sim, conscientização da população brasileira quanto à necessidade de cuidar da saúde.

·        Revolta da Chibata (1910): os marinheiros comandam os navios. Em 22 novembro de 1910, a capital do país, o Rio de Janeiro, acordou assustado. Os navios de Minas Gerais, São Paulo e Bahia se posicionaram contra a cidade. Era a revolta dos homens do mar, ou seja, da Marinha do Brasil. Os marinheiros, em geral, eram homens muito pobres e com raríssimas exceções, descendentes de africanos. E quando entravam para a Marinha acabavam sendo tratados como escravos dos tempos do Brasil colônia, apesar do Brasil já ser uma república, em que teoricamente todos os homens são iguais. Recebiam castigos físicos, através de chibatas, trabalhavam sem as mínimas condições e com pouca comida. O conjunto dessas questões fez com que João Cândido, um dos marinheiros acabasse liderando uma revolta contra os abusos dos oficiais superiores, em geral brancos.


Após alguns dias de negociação o então presidente da república concedeu aquilo que os marinheiros queriam e também os anistiava para que voltassem a trabalhar na Marinha normalmente. Final feliz para esses homens que lutaram por direitos básicos de igualdade de direitos humanos? Infelizmente não, uma vez que poucos dias depois o próprio Hermes da Fonseca voltou atrás e permitiu que a Marinha demitisse quase 1.000 marinheiros que participaram do levante. Muitos foram presos, outros deportados para o Acre e outros não resistiram aos maus tratos e morreram nas celas das prisões.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

LIMA, Ederson Prestes Santos; SCHENA, Denilson Roberto. História. Curitiba: Instituto Federal do Paraná/Rede e-Tec, 2011.

SILVA, Daniel Neves. "Descobrimento da América"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/descobrimento-da-america.htm. Acesso em 25 de novembro de 2025.

 

 

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