domingo, 9 de outubro de 2016

Ermírio – Quem Vai Não Volta


A Votorantim Era Uma Pequena Empresa Familiar Até Antônio Ermírio de Morais Assumir os Negócios e, Atualmente, é um Império de Metalurgia, Siderurgia, Mineração e Finanças.





Contava o empresário Antônio Ermírio de Morais que o bairro do Pacaembu, onde passou a maior parte da infância, era um “precipício coberto de mato”. Seus pais alertavam com seriedade que “quem vai não volta”. O medo previdente de pais preocupados, todavia, não impediu o crescido Ermírio de ir.





Talvez não para o imenso terreno baldio que décadas depois se transformaria em um bairro nobre, mas foi esquadrinhar terras alheias. Em 1949 graduou-se em Engenharia Metalúrgica nos Estados Unidos. No mesmo ano começou a trabalhar na Votorantim, empresa fundada pelo seu avô.

Junto com o irmão mais velho, liderou a companhia e conduziu um processo escalável de expansão global e diversificação dos negócios. De uma empresa têxtil, a Votorantim passou a atuar nos ramos de metalurgia, celulose, siderurgia, agroindústria, cimentos e até investimentos, com a BV Financeira.

Nos idos de 1986 tentou cruzar para as raias da política ao disputar a cadeira de governador do Estado de São Paulo. Estrepou-se, o povo escolheu Orestes Quércia. Não foi grande perda para quem já tinha um império. O que ele queria mesmo, segundo o próprio, era evitar que Paulo Maluf tivesse chance. “Não voto em Maluf de jeito nenhum”, afirmou na época.

Apesar de ousado e empreendedor, patriota e ávido por operar mudanças no Brasil – quase um Barão de Mauá reencarnado – Ermírio sempre foi descrito como um sujeito simples. Não desfilava riqueza. “A arrogância é a pior herança para se deixar a um filho”, dizia. “Depois da arrogância, as piores doenças são a indolência e a preguiça”.




Sim, o empresário de gravata lascava o lombo no trabalho. Cumpria uma jornada diária de 12 horas. No fim de semana, desfrutava de um razoável deleite com a família. Sempre defendeu que o lazer não é menos importante que o trabalho: “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”.

Em 25 de agosto de 2014, debilitado e já sofrendo de Alzheimer, Antônio Ermírio foi-se embora para o descampado do outro lado, brincar no velho Pacaembu do além. Dessa vez não tinha pai nem mãe para empatar. E, conforme advertido, quem vai lá não volta.

Antônio Ermírio de Moraes não usava telefone celular e preferia utilizar régua de cálculo ao computador, sustentando que ela o “obrigava a pensar”. Simples e avesso ao consumismo, ele não gostava de visitar Shopping Centers – na verdade dizia que não conhecia esses lugares. Quando foi inquirido por uma repórter sobre seus hábitos de consumo, respondeu: “compro fábricas”.

Apesar da formação sólida na área de engenharia e de se ocupar com negócios, Ermírio arranjou tempo para escrever três peças teatrais de relativo sucesso. “Acorda Brasil” foi vista por 26 mil pessoas. Era revoltado com a lucratividade dos bancos e um crítico do sistema financeiro. O Banco Votorantim, com poucos funcionários, lucrou mais rápido do que a Companhia Brasileira de Alumínio. “Fico triste ao ver que uma coisa tão fácil é mais lucrativa do que algo que me tomou a vida inteira”, disse.



Por Eber Freitas (www.administradores.com