sábado, 24 de setembro de 2016

Visconde de Mauá O Empreendedor Que Industrializou o Brasil


O Que Fazer Quando Você Pode Dar um Passo Maior do Que o Chão Onde Pisa? Ele Trouxe a revolução Industrial Para o Brasil, Embora Não tenha Recebido Muita Gratidão em Troca.




O gaúcho Irineu Evangelista de Souza arriscou, sem pestanejar. Em um país agrário como o Brasil, ainda no regime de trabalho escravocrata, onde o único interesse do império português e da elite era deixar as coisas como estavam, Irineu Evangelista de Souza resolveu inovar toda a estrutura de trabalho e de produção de bens e serviços, assumindo inclusive atividades que eram de competência exclusiva do Estado.





O Visconde (anteriormente Barão) de Mauá, que viveu entre 1813 e 1889, foi morar no Rio de Janeiro ainda criança, onde começou a trabalhar como caixeiro na loja Pereira de Almeida, a qual sobrevivia do tráfico de escravos.

Graças à sua visão de negócios, ele conseguiu saldar uma dívida do seu empregador, que o recomendou à firma de importação e exportação inglesa Carruthers & Co., que logo lhe ofereceu um cargo.

Assim, antes dos 30 anos ele já era dono de uma razoável fortuna e, aos 23 anos, tornou-se sócio da própria Carruthers e passou a tocar o negócio quando os seus donos voltaram para a Inglaterra.

Ao visitar a terra da Rainha – então vivenciando o auge da Revolução Industrial – Irineu quis implementar o mesmo sistema no Brasil, pois o país precisava de estradas de ferro para escoar a produção agrária para os portos, além de tecnologia a vapor, de indústrias e etc... Em suma, era necessário superar as características de uma nação exclusivamente agrária para uma nação empreendedora, industrial e moderna.




Em 1846, empregando apenas trabalhadores pagos, fundou a indústria naval brasileira, a qual produzia instrumentos necessários para a mecanização e para a automação dos engenhos de açúcar.

A partir de então ele implementou diversos serviços pioneiros, como a Companhia de Gás para iluminação pública do Rio de Janeiro, a primeira estrada de ferro do Brasil (Raiz da Serra – Petrópolis), a primeira estrada pavimentada (Petrópolis – Juiz de Fora) e implantou redes de cabos telegráficos submarinos entre o Brasil e a Europa – feito que lhe rendeu o título de Visconde.

Também foi um empreendedor bem sucedido como banqueiro, pois ele abriu o primeiro Banco do Brasil e foi dono do Banco Mauá, com várias filiais no Brasil e no exterior, embora sua relação com o império de D. Pedro II tenha sido turbulenta.

Apesar de fazer verdadeiros favores e de buscar uma relação amigável com o Estado, o aconselhamento das elites agrárias foi suficiente para minar os seus negócios e deixá-lo com dívidas exorbitantes – não era incomum que suas fábricas fossem sabotadas – e todos os débitos foram quitados, poucos anos antes de sua morte.


Por Eber Freitas (www.administradores.com